15 fevereiro 2007

Pombalinhenses em Lourenço Marques!





Na aldeia do Pombalinho os tempos nunca foram fáceis para as suas gentes. Situada  a 2 Km do rio Tejo e com os campos de cultivo alagados sempre que as chuvas de maior intensidade resolviam fazer transbordar o leito do maior rio português, sempre foi a agricultura considerada a  actividade de maior preponderância na  região.

 O emprego, para a maior parte da população tinha que estar, assim,  inevitavelmente ligado ao amanho e ao cultivo da terra!Os restantes, ou escolhiam profissões de apoio a essa actividade, ou então teriam de olhar outros horizontes de modo a satisfazerem o elementar sustento das próprias famílias.

A França foi um dos destinos escolhidos pelos Pombalinhenses como alternativa às dificuldades inerentes das  características do trabalho sazonal desta região! Lá surgia uma das raras oportunidades   de arrecadarem algum dinheirito para mais tarde poderem construir um lar, tantas vezes pensado mas de concretização quase sempre adiada no tempo!

 Mas nem todos optaram pelo centro da Europa nesta diáspora emigratória! Houve  quem trilhasse os caminhos africanos e Moçambique foi uma das antigas colónias ultramarinas escolhida preferencialmente para uma nova fase das suas vidas profissionais e familiares.

Foi pois, em ambiente de amena confraternização ( aproveitando uma passagem de Ricardo Chibanga por Moçambique, para mais uma das suas inúmeras actuações tauromáquicas) na casa do Guilherme Afonso no ano de 1972, que esta fotografia foi registada e que o próprio intitulou e bem de “Pombalinhenses em Lourenço Marques” .

Para a este pedaço da história do Pombalinho, aqui ficam , da esquerda para a direita, os seus protagonistas: Guilherme Afonso, um irmão de Ricardo Chibanga, Luís da Conceição, Ricardo Chibanga, José Alcobia, Luís Vieira Jorge, Lurdes Teixeira, Milita Mateiro, Joaquim Mateiro, Violante Cruz, esposa do Diamantino Teixeira, a filha e o Diamantino. Pela mesma ordem, os miúdos são, a filha (Niu) e o filho (Luís) do Luís Vieira Jorge e da Lurdes e o Carlos Alberto (filho mais novo do Guilherme Afonso).


Texto_Manuel Gomes/Guilherme Afonso




13 fevereiro 2007

Baile em 1964





Os bailes costumavam-se realizar normalmente na Casa do Povo! A excepção ocorria por altura dos Santos Populares e aí tinham lugar nas ruas 1º de Dezembro, de Santo António e Joaquim Gonçalves Ferreira. 

Com a abertura do Café do Chico Minderico, nasceu mais um espaço apropriado para o divertimento e o lazer no qual a população do Pombalinho poderia nos fins-de-semana passar uns momentos de saudável convívio. A esplanada, de área rectangular, era utilizada na projecção de filmes (que saudades do velho Salvador com o qual vimos fitas que tanto nos marcaram para sempre, como o Ben-Hur, Sansão e Dalila, Um Homem do Ribatejo, etc...) mas também muitas matinés dançantes ali tiveram presença.

Esta fotografia de 1964, regista precisamente como a juventude pombalinhense aderia a este tipo de confraternização.
Como curiosidade, reconhecem-se de entre outros, a Bisita Cruz, a Aurinha (filha do Arnaldo), a Dália, a Lena Melão, o Joaquim Mateiro, o José Manuel Mateiro, o Ruben Grais, a Carmina Vinagre, etc..

Como nota adicional, refira-se que esta matiné dançante é a mesma que deu origem ao post do Leiloeiro , publicado neste espaço em 02 de Janeiro de 2007.



Fotografia_Guilherme Afonso




11 fevereiro 2007

Francisco Barrão



Um dos homens que marcou a vida colectiva do Pombalinho, no pós 25 de Abril de 1974, foi Francisco Brás Barrão Júnior. Exerceu a Presidência da Junta de 08 de Janeiro de 1977 a 04 de Janeiro de 1986, tendo com o seu exemplar desempenho, implementado um magistério de serenidade democrática durante os dois mandatos em que foi eleito.

Mas porventura o seu maior contributo para o Portugal democrático, foi ter dado a este país um dos homens, que na qualidade de militar, maior preponderância teve na preparação do programa do MFA e depois já como Ministro da Administração Interna, na realização das primeiras eleições livres em Portugal no pós 25 de Abril.

Francisco Barrão, pai de Manuel da Costa Braz, teve a sua Festa de Homenagem a 4 de Junho de 1995 e aqui se regista no Pombalinho, o evento, com a publicação destas memoráveis fotografias.









Francisco Barrão, ladeado à esquerda por Ladislau Teles Botas e José Cruz Moura da Fonseca e à direita por José Miguel Noras, José Niza e Joaquim Mateiro.








Francisco Barrão entre Georgina Júlio, Milita Mateiro e Diamantina Leal.




Colaboração Fotográfica_Joaquim Mateiro/Teresa Cruz


Wikipédia  de Francisco Barrão






09 fevereiro 2007

Carnaval de 1949 e de 1954



E como estamos no mês do Carnaval, impelimos novamente a roda do tempo e recuamos aos tempos em que o deslumbramento perante certas imagens acontece e estas duas fotografias alusivas a esta quadra do ano tão propícia à improvisação de quem nela participa, fascina qualquer um nós perante a vontade e a graciosidade destas gentes.






Esta fotografia foi registada no ano de 1949 e representa um grupo de meninas mascaradas com vestidos típicos regionais, ou ensaiadas como se dizia na nossa aldeia, prontas a iniciar uma marcha pelas principais artérias da nossa terra.

Nem a todas lhes é reconhecida a sua identidade, no entanto ainda assim, as meninas da fila de trás e da esquerda para a direita são, uma das filhas do Manuel Cavaco, a Cremilde Barão e Maria Adelaide Leal. Na frente e pela mesma ordem, a segunda menina é a outra filha do Manuel Cavaco, a terceira a Ema Minderico, a quinta a Evangelina Barros e na sexta posição, a Lurdes Teixeira.


Colaboração Fotográfica_Guilherme Afonso










Nesta, o grotesco e a fantasia também se fizeram passar pelo Pombalinho neste Carnaval de 1954. A criatividade está bem estampada nesta encenação carnavalesca, onde duas personalidades da nossa terra se passeiam pelas ruas desafiando a atenção dos mais curiosos. Para que conste, a "cantora" chama-se António Domingos e foi acompanhada à guitarra para quem os quis ouvir, por Francisco Cruz.



Colaboração Fotográfica_Teresa Cruz 











08 fevereiro 2007

Inspecção Militar !




Chamava-se “Tirar as Sortes” o estar presente na inspecção médica, para avaliar a robustez de modo a estar ou não apto para o cumprimento do serviço militar. Esta etapa sempre funcionava como passo importante na vida de todos os jovens que se sujeitavam a esta avaliação e era encarada como um verdadeiro teste de masculinidade.

O resultado da inspecção era simbolicamente caracterizado por uma fita que era fixada por um alfinete na lapela do casaco, vermelha significava apurado, verde que tinha ficado livre e branca, adiado, porque ainda não tinham atingido a maturidade e logo teria de repetir a inspecção no próximo ano.
No Pombalinho, por muito tempo se manteve a tradição de se deslocarem em carroça a Santarém ( onde se situava a instituição militar que fazia a inspecção) e no regresso logo que chegavam à entrada da aldeia, eram lançados foguetes como forma de aviso de que finalmente tinham voltado desse tão importante marco para suas vidas.

Nesta fotografia, representativa de uma certo ano de inspecção militar do Pombalinho, reconhecem-se o Ernesto, o Carlos, o Acácio, o António Légua, o José Rodrigues, O José Alexandre e os homens que porventura conduziram as carroças, o António Simões e o Gabriel.



Colaboração Fotográfica_Fernando Leal



06 fevereiro 2007

Dia da Espiga





É tradição neste dia a ida ao campo para apanhar a espiga! É um ramo composto de várias flores e cada uma tem o seu significado. O ramo deve ter, segundo a tradição uma papoila que significa a alegria e amor; uma espiga de trigo que é o símbolo o pão; um ramo de oliveira que simboliza a paz e a luz e dois malmequeres um amarelo que representa o dinheiro em ouro e um malmequer branco que é o dinheiro em prata.

Estes jovens quiseram assim cumprir a tradição, nessa longínqua Quinta-Feira de Ascensão. São eles, da esquerda para a direita, José Alexandre, Maria Adelaide Leal, Lurdes Mateiro, Lucília Hilário, Otelinda, António Rufino e as crianças Maria Eugénia Hilário e Maria de Lurdes Rufino.




Colaboração Fotográfica_Fernando Leal




04 fevereiro 2007

Teatro no Pombalinho - V









Felizmente não para de chegar a este espaço testemunhos desses riquíssimos anos cinquenta em que a actividade cultural na vertente teatral, maior projecção atingiu na nossa terra. Esta fotografia ilustra um quadro do "Acto de Variedades" que fez parte do mesmo programa que a “Flôr da Aldeia” em Julho de 1958 ( Vêr o post Teatro no Pombalinho-1).
A cena representa um diálogo entre um emigrante regressado do Brasil, mais pobre do que quando partiu; ela, a neta que ouve o pobre emigrante pedir-lhe uma esmola sem saber que se trata do próprio avô. Os actores são Francisco Cruz no papel do emigrante e a Maria Adelaide Leal como sua neta.


Colaboração Fotográfica_Fernando Leal
Colaboração de Texto_ Francisco Cruz e Teresa Cruz



Blog Temático  Teatro no Pombalinho  










01 fevereiro 2007

Carnaval de 1954




No mês de Fevereiro que agora se inicia, o Carnaval é sinónimo de divertimento e tempo de folia. Na nossa terra tempos houve que era mesmo assim, um clima contagiante percorria todas as ruas do Pombalinho e adultos e graúdos, homens e mulheres, todos recorriam aos mais inesperados disfarces para poderem participar em divertimentos só possíveis neste período tão carecterístico do ano.

 Improvisava-se neste dia tão especial para a brincadeira , o jogo do lenço e os cântaros e as infusas, já em desuso, eram aproveitadas para o imprescindível jogo da roda... e mal daqueles que os deixassem cair que logo eram apupados por todos os intervenientes, por falta de valentia. Eram tempos em que saudavelmente ainda se brincava nas ruas ... e que hoje, nós de uma outra geração os recordamos com imensa saudade.

Esta fotografia datada de 18 de Fevereiro de 1954 ilustra uma outra postura de integração carnavalesca, uns leves disfarces na forma de vestir e uma ligeira ocultação dos traços fisionómicos com recurso a uma máscara, permitiam aos foliões perder uma certa inibição numas voltinhas sempre muito bem dispostas pelas ruas da aldeia. Com paragens ali e acolá, já se vê, os ocupantes desta típica carroça puxada por um elegante e fotogénico burro, são o Francisco Cruz, Joaquim Barreiros Felisberto, Manuel Grais, António Domingos e o jovem Luís da Conceição.

Colaboração Fotográfica e Informação_Teresa Cruz




27 janeiro 2007

Francisco Duarte





Francisco Duarte, nasceu em 14 de Abril de 1921.










Mais conhecido por "Chico Pardal", herdou a alcunha de seu pai Fernando Duarte. Dedicou-se em certa fase da sua vida à compra de galináceos pelas ruas do Pombalinho que depois despachava para Lisboa, sendo também um dos grandes dinamizadores do teatro da nossa terra nos anos 40 e 50. Foi actor e participou em peças de Teatro nas quais desempenhou as personagens de José Manuel em “Culpa e Perdão”, de Lucas em “Choro ou rio” Mr Cangireau em Flôr de Aldeia” e tantas outras.
Faleceu no dia 23 de Abril de 1988.




Colaboração de Texto e Fotografia_ Joaquim Manuel Barreiros Mateiro

Para texto na integra clicar em  Francisco Duarte 





23 janeiro 2007

Teatro no Pombalinho - IV








Revolvendo há dias aquelas memórias documentais que todos nós gostamos de preservar ao desgaste do tempo, encontrei de entre umas tantas cartas esta fotografia que hoje publico neste nosso espaço de memória colectiva.

Lembro-me vagamente do tempo em que a vi pela primeira vez numa qualquer gaveta na casa dos meus pais, mas o que importa aqui realçar é o significado representativo de mais este registo histórico do Pombalinho.

 Refere-se a uma peça teatral sob a forma de comédia com o nome de “Leis Modernas”, fez parte dessa brilhante época de teatro amador do Pombalinho e foi levada à cena na Casa do Povo em Julho de 1958. Reconhece-se nesta representação, Ema Correia Braga, Maria Adelaide Leal, Maria Adelaide Santana e José Maria dos Santos.


Para mais informação pormenorizada sobre esta peça, poderão consultar o post “Teatro no Pombalinho-1” publicado em 07 de Setembro de 2005, neste nosso Pombalinho.




Para Blog temático clicar em  Teatro 











18 janeiro 2007

Porta de Entrada Sul do Pombalinho!





 
Ezequiel Mateiro, Francisco Cruz e José Leal, iniciando passeio de bicicleta em 13 de Junho de 1954.









António Braz, José Martinho, Manuel Gomes, Américo Ferreira e António Carlos, num passeio domingueiro junto à saudosa Ponte de Fernão Leite no ano de 1972.



No Pombalinhense defendi em tempos, mais precisamente em 4 de Janeiro de 2006, que a minha “porta de entrada” favorita no Pombalinho era a do lado Sul. De facto uma aproximação progressiva à identidade da urbe, permite-nos apreciar a beleza dos campos transformados em searas, tão bem característicos desta zona do Ribatejo. E depois há (havia) a Alverca da ponte de Fernão Leite, esse retrato postal que completa o quadro paisagístico, tantas vezes recordado na admirável beleza das nossas memórias.

Mas porque é que nos sentimos intemporalmente contagiados ao "apelo" desta zona adjacente do Pombalinho? Sem querer encontrar uma qualquer explicação de caracter emocional, reservo-me à publicação e ao testemunho destes dois exemplos fotográficos (muitos mais haverá, estou certo) bem elucidativos de que é por ali que o Pombalinho está verdadeiramente caracterizado ..., e por ser assim, ouso uma vez mais apelar às actuais autoridades locais, para que desenvolvam e implementem os necessários melhoramentos urbanísticos de caracter turístico, para que a imagem primeira da nossa terra, a qualquer visitante, reflita uma mensagem de simpatia e acolhimento como as nossas gentes merecem.





Colaboração Fotográfica_Teresa Cruz






08 janeiro 2007

O Jogo da Bisca e da Sueca














Naqueles tempos a vida era compartilhada socialmente de uma outra maneira  e os tempos de ócio eram normalmente preenchidos em lugares públicos onde o jogo fosse razão de entretenimento e também naturalmente de alguma disputa saudavelmente assumida  ! Ainda não tinham chegado os instrumentos lúdicos de tecnologias avançadas que tanto acabariam por contribuir para  o isolamento de uma qualquer sala dos nossos lares!!!  

De uma semana de trabalho árduamente cumprida, o domingo era o dia que restava para se passar uns bons momentos desses tempos ritmados a uma outra velocidade! O espaçoso Café do Chico Minderico era o local de eleição para o ponto de encontro de uns tantos conterrâneos.

Nestas duas excelentes fotografias em que o seu autor nos transporta para o verão desse longínquo ano de 1964, pode-se testemunhar como realmente parte da comunidade Pombalinhense preenchia, com o jogo da bisca e da sueca, esses seus tempos de lazer.

No primeiro registo fotográfico pode-se reconhecer Diamantino Teixeira, Manuel Bacalhau, Maria Adelaide, Amadeu Cunha, António Domingos, Júlio Guilherme, José Minderico, Dionísio Vinagre, Manuel Ramos, António Inácio, Manuel Grais, Nicolau Mogas, Joaquim Fataça e os jovens João Coradinho, Manuel Justino e Fernando Veríssimo.

Na segunda fotografia, tirada na esplanada do mesmo Café, identificam-se como jogadores o Chico Pardal, o Francisco Cruz, o Luís Júlio e o José Alexandre (de costas), os restantes, são o Joaquim Duarte, a Maria Adelaide, o Manuel Cavaco, o Ezequiel Mateiro ( encoberto pelo Luís Júlio) e o Chico Gaião (adolescente de suspensórios).


Fotografias_Guilherme Afonso





02 janeiro 2007

O Leiloeiro !





Com redobrados desejos de um bom Ano Novo para todos, reiniciamos hoje mais uma viagem pelas memórias da nossa terra.

Quem não se lembra desta figura particularmente peculiar, que desempenhava a tarefa de vender rifas nos intervalos dos bailes ? Pois é, ele pegava naquele molhinho de pequenos pedaços de papel com formato rectangular numerados em escrita manual de dez em dez números e lá se punha a apregoar a todos os circunstantes as esmeradíssimas qualidades do prémio a ser sorteado, onde a galinha corada, o coelho guisado, batatas fritas, vinho e alguma fruta da época , marcavam presença.

Depois de todas as rifas serem vendidas era o momento do sorteio! Aí recorria-se normalmente a uma criança que desse mostras de inocência nestas coisas de sorte e azar e  de dentro de um saco lá retirava o tão ansiado número, Depois já se vê, o baile tinha terminado ali para os felizes contemplados... pois um manjar destes, raramente lhes passava pelo "estreito". 

Nesta fotografia podemos identificar um dos últimos leiloeiros de bailes do Pombalinho, durante um que se realizou no ano de 1964 na esplanada do café do Chico Minderico, era ele de seu nome Zé Maria e na circunstância estava coadjuvado na distribuição das rifas pelo João Melão e o Carlos “Paipão”. 


Nota – O autor deste blog pede naturalmente às pessoas visadas, a sua comprensão para o facto de se recorrer a nomes ou “alcunhas”, pelos quais as pessoas eram ou são ainda conhecidos no Pombalinho, só e apenas com o intuito de uma melhor identificação das mesmas. 

Fotografia_Guilherme Afonso
Texto_Guilherme Afonso/Manuel Gomes  








28 dezembro 2006

Fim de Ano de 2006





Para muitos homens e mulheres de hoje do Pombalinho, elas foram as Professoras . Com as senhoras Verónica da Silva Nunes e Maria José Martins Simões, muitos Pombalinhenses aprenderam a juntar as primeiras letras e a fazer as diversas operações aritméticas.

É comum fazer-se no final de cada ano o balanço do que foi realizado em função de um determinado planeamento ou objectivo devidamente programado. Há no entanto desempenhos e actividades que estão longe desta lógica de avaliação perante o que foi ou não feito, ou até mesmo se houve como agora se diz, resultados positivos na criação do projecto concebido!

 É por isso que decorridos que são estes catorze meses desde a criação das duas páginas dedicadas ao Pombalinho, que emerge de mim uma sensação de felicidade e simultaneamente uma enorme gratidão, por reconhecer que afinal houve uma correspondência àquilo que eu sempre achei ser preponderante para que a ideia vingasse! Colocar  os Pombalinhenses a falar e discutir a sua terra, de modo a darem vida à história do Pombalinho e muito em particular ás vidas das suas gentes, foi a ideia  germinadora deste projecto!

Passado este tempo de expectativa, devo reconhecer que houve um responsável primeiro para que tudo isto tivesse acontecido...!!!  Escrevia eu tímidas palavras na net com o intuito de registar qualquer coisa sobre o Pombalinho, quando certo dia recebo um mail de um senhor chamado Guilherme Afonso a residir em Maputo, perguntando-me quem era e que ligação eu tinha àquilo que escrevia. È claro que preparei um resposta quase instantânea e a partir daí tornamo-nos correspondentes assíduos de ideias e experiências, mas acima de tudo, conterrâneos conhecidos e grandes amigos.   Mas logo em mim uma ideia se instalou: porque não criar um espaço na internet que permitisse aos Pombalinhenses que por razões várias se desligaram do Pombalinho, recuperarem nas memórias publicadas a identidade das suas origens porventura um pouco esquecidas e também  tomarem conhecimento do que  de mais relevante fosse acontecendo na nossa terra?

E foi assim que nasceu o Pombalinho em 25 de Agosto de 2005 e mais tarde o Pombalinhense em 11 de Outubro do mesmo ano. Mais uma vez Guilherme Afonso foi de uma importância inquestionável neste compartilhado arranque dos nossos espaços on-line, quer ao nível dos incentivos simpaticamente endereçados mas também no envio de fotografias que fazem inevitavelmente parte da história do Pombalinho. Mais recentemente o Fernando Leal e a Teresa Cruz foram igualmente inestimáveis na colaboração que se dignaram prestar a esta bonita caminhada iniciada em 25 de Agosto de 2005.

Hoje recordo o quanto foi grato receber do Paulo Grais a primeira reacção via mail [...parabéns pelo excelente trabalho na divulgação da nossa terra... porque também me considero do Pombalinho, apesar de ter nascido em Lisboa. Toda a minha família tem origem no Pombalinho e para mim é a minha terra.] ou da Tânia Martinho, um pouco depois [...É certo que muitas vezes, só quando se está longe é que nos recordamos das nossas raízes e agora que tenho uma filhinha faço questão de lhe dar a conhecer a história da minha terra e este espaço será concerteza de eleição para reler crónicas e excertos de documentos que há muito não saboreava.] ou ainda da Ana Gais [... alegria e nostalgia foram os sentimentos que me assaltaram na última visita que fiz ao site e quando li acerca do Páteo do Neto, pois o meu pai nasceu numa casa que ainda se encontra nesse largo...] ou do José Luís [... sou filho dessa linda terra que se chama Pombalinho... neste momento moro em Beja e venho manifestar a grande alegria com que fiquei quando encontrei este blogger...] ou também da Maria Eugénia Hilário [... Peço desculpa, pode dizer-me se é do Pombalinho para tão bem escrever sobre o mesmo e os que nos são tão queridos? Parabéns !] e por último da Teresa Cruz [...Visitei pela primeira vez as tuas (nossas) memórias. Parabéns pela iniciativa. Deves imaginar como fiquei emocionada ao ver a foto de casamento dos meus pais. Obrigada ( até pela lágrima que teima em correr pelo canto do olho).]

Estas são algumas das manifestações que os meus conterrâneos tiveram a amabilidade de me presentear durante esta ainda curta vida do Pombalinho e do Pombalinhense , a todos vocês, Alexandre Martinho, Ana Grais, Fernando Leal, Guilherme Afonso, João Condeço, Joaquim Mateiro, Jorge Dias, José Luís, Liliana Figueiredo, Maria Eugénio Hilário, Paulo Felisberto, Paulo Grais, Tânia Martinho e Teresa Cruz, o meu obrigado pelas colaborações prestadas mas também por terem com as suas presenças nestes dois espaços, alimentado a alma e a vida nesta apaixonante caminhada em prol do nosso Pombalinho.

Desejo-vos a todos um Feliz Ano Novo.


Serigrafia_Serrão Faria






20 dezembro 2006

Natal 2006







A todos os meus conterrâneos, principalmente com os que de mais assíduamente tenho contactado na construção deste espaço do nosso Pombalinho, desejo-vos um Bom Natal e um Ano Novo muito Feliz.




19 dezembro 2006

As Professoras







Elas conseguiram ser uma referência no ensino da Instrução Primária na nossa terra e como este espaço se orienta primordialmente por enaltecer o positivismo das obras e das pessoas, aqui se regista em forma de contributo, para a história do Pombalinho, a publicação de uma cerimónia de homenagem na qual estas duas professoras foram agraciadas no ano de 1962.

Na foto e da esquerda para a direita, Verónica Nunes, Joaquim Felisberto, Francisco Cruz, Maria José, Maria do Carmo e Aníbal Condeço.



Colaboração Fotográfica e de Texto_ Teresa Cruz









18 dezembro 2006

António Martinho




António Martinho nasceu a 29 de Novembro de 1923, na freguesia do Reguengo do Alviela. Era filho de Gualdino Martinho e de Soldade Maria. A sua família era pobre, vivendo do trabalho do campo e da venda de alguns animais domésticos. Sempre foi um homem lutador, trabalhando desde muito cedo nas lides do campo e para um dos grandes lavradores da altura, Nuno Infante da Câmara. Por volta dos 20 anos é chamado para cumprir o serviço militar, onde esteve durante algum tempo destacado no arquipélago dos Açores.











De regresso à terra natal celebrou casamento com Gertrudes Ludovino dos Santos, do qual tiveram dois filhos.

Em finais da década de sessenta, com a vida um pouco já estabilizada e os filhos já um pouco crescidos, decidem abandonar o Reguengo e irem viver para a freguesia do Pombalinho.

 Nesta terra, construíram uma habitação e adquiriram algumas pequenas propriedades das quais cultivando principalmente de tomate e melão empregaram um grande número de pessoas, quer elas fossem do Pombalinho, Azinhaga ou até mesmo do Reguengo. António Martinho veio a falecer vitima de doença prolongada, em Julho de 2003.


Colaboração Fotográfica e de Texto_ Alexandre Martinho





12 dezembro 2006

Corte da verga em 1948!




Como este espaço é feito de memórias, consideravelmente influentes na história do Pombalinho, insere-se com todo o mérito nesta lógica de percurso, a fotografia hoje publicada. 

Nesse longínquo ano de 1948, fábricas de vidro da Marinha Grande compraram nas zonas de percurso dos rios Alviela e Almonda, mais própriamente nas localidades de Reguengo do Alviela, Pombalinho, Alcanhões, São Vicente do Paúl, Pernes e Torres Novas, tudo o que era verga de salgueiro e de vimieiro para o empalhamento de garrafões. Os patrões dessa região considerada, o maior centro da Indústria Vidreira do país, delegaram em Joaquim Saúde ( natural de São Vicente do Paúl mas a residir no Pombalinho juntamente com seus irmãos Ezequiel e Maria Saúde) a contratação de pessoal do Pombalinho para o corte e execução do trabalho nas povoações acima referenciadas.

 Num terreno localizado em Reguengo do Alviela, propriedade de Veríssimo Abadeço e onde parte deste serviço foi executado, podem-se identificar nesta fotografia os que tiveram ao fim de quase sessenta anos, uma inesperada e pública contribuição para a história do Pombalinho, ou se quisermos, para a nossa história. Assim sendo, da esquerda para a direita, Manuel Grais, António Maria Duarte, José Afonso, Joaquim Duarte, Izidoro Duarte, mulher de Verissímo Abadeço, Veríssimo Abadeço e Francisco Cavaco.



Fotografia_Guilherme Afonso
Texto _Guilherme Afonso e Manuel Gomes 






05 dezembro 2006

Classe Primária de 1942





Este documento fotográfico contribui com toda a certeza para uma crescente valorização deste espaço, que se quer que seja, um pouco da história do Pombalinho. A gentileza que propiciou esta publicação é de Teresa Cruz e segundo suas próprias palavras, esta fotografia,  registada na escadaria de entrada onde hoje está sediada a Junta de Freguesia e o Posto de Saúde, refere-se a uma certa 2ª classe da Instrução Primária do ano de 1942.


Um olhar mais atento, permite-nos descobrir curiosidades bem interessantes sobre esta histórica classe da Escola Primária do Pombalinho. Com efeito, este grupo vestido à Mocidade Portuguesa e chamado ocasionalmente de “Pistoleiros”, participou num teatro infantil realizado no celeiro da Escola Velha, onde interpretou uma canção da autoria da Professora Maria José e com acompanhamento musical ao piano da D. Tinita ( irmã da D. Branca Menezes) . A letra da canção foi a seguinte:


Vejam as nossas pistolas,
são tubos de sabugueiro.
As balas são pobres bolas,
feitas de linho grosseiro.

Olhem, se estão com receio
de alguma bala perdida,
vai haver novo tiroteio
não fica ninguém com vida!

- Soldados!Apontar!Descarregar!Fogo! (gritava o chefe de turma, António Albano)

Mas não morrem...pois não morram,
que o nosso fogo não mata.
Toca a fugir, não nos corram,
os marotos à batata!

Toca a fugir, a correr, e salve-se quem puder.

A fugir... A correr... E salve-se quem puder!


Colaboração Fotográfica e de Texto _ Teresa Cruz e Francisco Cruz  









28 novembro 2006

O Boieiro





Esta é mais uma daqueles imagens  que, pausadamente observada, nos transporta para tempos e histórias irrepetivelmente vividas. Era com recurso à força animal que o homem nos trabalhos agrícolas  se fazia valer nas tarefas dimensionadas que iam para além da sua capacidade fisica.

 Os bois, numa determinada fase anterior à época da industrialização agrícola, eram os animais escolhidos para o desempenho desses trabalhos e nesta fotografia podemos ver,  exemplarmente conduzido pelo António Carréis, um desses caraterísticos carros de bois.




Colaboração fotográfica_Guilherme Afonso