19 setembro 2007

Casamentos VI


Photobucket

Continuando na história de casamentos realizados no Pombalinho,  recordemos um que conseguiu juntar imensa juventude como convidados para assistirem a esta celebração matrimonial de vidas dos noivos, Teresa e Carlos Melão. Eles continuam e bem a irradiar aquela simpatia a que nos habituaram nos muitos anos de convivência por caminhos percorridos durante esses períodos únicos e não mais repetíveis da nossa juventude.


A foto foi tirada no adro da igreja do Pombalinho e reconhecem-se da esquerda para a direita, António Bráz, Manuel Gomes, Carlos Santos, Teresa e Carlos Melão, António Carlos, João Correia e Fernando Leal.





13 setembro 2007

Casamentos V




Em 8 de Maio do corrente ano lancei o desafio aos visitantes desta página para que aderissem à ideia de publicarmos  neste espaço fotografias de casamentos de nossos conterrâneos. Justifiquei então que me tinha ocorrido “ ... a ideia de endereçar a todos vós este aliciante desafio, que é, o de contribuirmos para a publicação aqui no Pombalinho, desses testemunhos tão especiais para tantos nós. Estou certo que assim, este espaço ganhará um sentido de maior referência para as gentes da nossa terra.”

Pois bem, recebi há bem pouco do F Leal esta excelente fotografia de casamento dos seus sogros Júlia Leal e Duarte Cruz, realizado no Pombalinho no ano de 1952.

Deixo-vos ao exercício de memória,  este registo certamente histórico para os noivos, mas também para suas famílias e acompanhantes.




02 setembro 2007

Antiga Escola do Pombalinho!




A antiga Escola do Pombalinho está situada na Rua do Campo, hoje denominada, Rua Carolina Infante da Câmara. É um edifício de propriedade horizontal, constituído por dois pisos, rés do chão e primeiro andar. O piso superior foi doado pelo Visconde Porto Carrero (*) em 25 de Novembro de 1885 por título Nº4 e escritura lavrada nas notas do Tabelião de Lisboa, Joaquim Barreiros Cardoso, no Livro 949A folha 12, para ali ser instalada a Escola de Ensino Primário do Pombalinho.

O rés do chão deixou igualmente de pertencer à família de Porto Carrero, tendo sido adquirido por Hilário José Barreiros, assim como todos os edifícios contíguos.
E foi precisamente neste piso que por influência de Júlio Barreiros, filho de Hilário José Barreiros, que se deu início a uma página importante da vida cultural do Pombalinho. Ali se instalou um elegante teatro onde várias peças dramáticas foram levadas à cena, marcando presença as famílias mais abastadas da terra e arredores.


Mais tarde a família Barreiros foi perdendo progressivamente o direito total de propriedade, tendo então surgido a família Coimbra a adquirir o rés do chão do edifício da antiga Escola.



Verónica da Silva Nunes, na festa de homenagem que o Pombalinho lhe prestou em 1982



Os Professores que passaram por esta Escola no exercício das suas funções foram: João José da Fonseca (Fonsequita) que exerceu a sua actividade de 1916 a 1933, Maria José de Moura Amorim que se supõe ter iniciado o ensino no Pombalinho a partir do ano de 1933, Maria José Martins Simões (**), que dedicou quarenta anos da sua vida ao ensino de várias gerações de Pombalinhenses e finalmente, Verónica da Silva Nunes Mateiro (***) que desempenhou profissionalmente a sua função durante mais de 30 anos.

(*) O Visconde Porto Carrero era familiar de António de Araújo Vasques da Cunha Porto Carrero, 1º e único Barão de Pombalinho, agraciado com o título por decreto de 23 de Outubro de 1837, data em que o seu padrasto, Manuel Nunes Freire da Rocha foi igualmente agraciado com o título de Barão de Almeirim.


(**) Maria José Martins Simões nasceu em 24 de Maio de 1910 e faleceu em 14 de Março de 1990.

(***) Verónica da Silva Nunes Mateiro nasceu em 01 de Agosto de 1907 e faleceu em 07 de Julho de 1985.



Colaboração no texto _JMateiro

Colaboração fotográfica_F Leal


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21 agosto 2007

Classe Primária de 1973/74





Agora que se aproxima o início de mais um ano lectivo, é sempre com imensa saudade que recordamos esses tempos marcantes das nossas vidas escolares. Esta fotografia representativa de uma classe da Instrução Primária, vem enriquecer a galeria deste nosso espaço e contribuir também para relembrarmos alguns dos nossos conterrâneos que passaram por esta instituição de ensino do Pombalinho.


Reconhecem-se na primeira fila e da esquerda para a direita, Maria da Graça, Lena Leal, José Carlos, José João, Sérgio Mogas, Mário Mogas, Valdemar Tomás, Luís Miguel Cordeiro. Na segunda fila e pela mesma ordem, Teresa Vidal, Paulo Barros, Anabela Narciso, Rosa Maria, Júlia Maria, Luís Mogas, professora Ilda, Fernando José, Valdemar Correia, João Paulo, Cristina Légua e Mafalda Légua.



31 julho 2007

Férias 2007!!!


Estou de Férias !!!
Espero voltar, lá para fins de Agosto!!!

A todos, um muito obrigado pela colaboração prestada neste caminho percorrido a favor do Pombalinho!!!





26 julho 2007

Café do Chico Minderico




O Café do Chico Minderico foi durante muitos anos ponto de encontro de várias gerações que por ali passaram e que viam naquele espaço um lugar aprazível e de divertimento para o preenchimento de alguns momentos de lazer.

Era um dos locais do Pombalinho que dispunha de um ambiente acolhedor e espaçoso, permitindo a quem quisesse, no fim de um intenso dia de trabalho, trocar dois dedos de conversa e refrescar a garganta com o que de melhor podia ser servido, os vinhos da região ou a imperial  bem fresquinha que era sempre cuidadosamente tirada em copos previamente refrescados.

Era nos fins-de-semana que os pombalinhenses frequentavam com maior assiduidade este Café de maior movimento da nossa aldeia. Uma azáfama intensa na cozinha anexa e que servia simultaneamente para o dia a dia da família que habitava no primeiro andar do edifício, fazia perder a paciência à Maria Adelaide, sempre que o Chico Minderico lhe gritava do balcão a pedir mais um pires de berbigão ou umas postinhas de peixe frito do rio Tejo, para saciar a exigência de alguns fregueses mais impacientes. Para a memória dos cheiros de todo quantos que por ali passaram nesses domingos quentes de Verão, não mais poderão ter esquecido, concerteza,  o destes dois petiscos que se espalhavam pelos ares das redondezas provenientes deste saudoso café da rua Barão de Almeirim.


Quando apareceram as primeiras televisões no Pombalinho, por volta do início dos anos sessenta, formavam-se autênticas "romarias" em direcção aos Cafés  que as tinham adquirido. No Café do Chico Minderico havia lotação esgotada na sala de entrada, sempre que a RTP transmitia em sinal directo, teatro, touradas, jogos de hóquei em patins, desafios de futebol e sempre que havia alguma final ou jogo decisivo com a participação de  equipas portuguesas. O recurso ao salão maior que serviu mais tarde para a instalação de jogos de snooker, era o recurso inevitável para poder acolher tão grande número de telespectadores. Recordo-me a propósito de ver aí, numas cadeiras improvisadas, uma das muitas finais europeias em que o Benfica brilhantemente participou.





Mas também para as minhas memórias e de outros jovens que ali começaram a contactar a caixinha mágica que veio revolucionar o mundo, não mais esqueceremos a magia do "Feiticeiro de Oz", as aventuras da série "Bonanza", as representações teatrais com participações de Paulo Renato, a energia de Palmira Bastos a dizer que "Morta por dentro, mas de pé, de pé, como as árvores" na peça “As árvores morrem de pé”, o Neil Armstrong a pisar Lua pela primeira vez ou a brilhante participação de Portugal no Mundial de Futebol em 1966. Anos mais tarde a RTP ousou de entre outros programas, na transmissão das corridas de Fórmula 1. Era um espectáculo televisivo e desportivo com diminuto poder de captação entre os telespectadores do Pombalinho, éramos mais ligados ao ciclismo, futebol, hóquei patins e outras modalidades mais massificadas, mas havia sempre um telespectador que marcava presença bem junto ao televisor de forma a poder acompanhar atentamente os comentários feitos pelos jornalistas! Era ele Francisco Presume. Decerto um grande apaixonado pelos carros e pela prova maior do desporto automóvel.

Mas este lugar frequentado pelos Pombalinhenses, não se limitava só aquela imagem muito comum na maioria destes estabelecimentos em que o grande movimento sempre se iniciava a partir e em redor do balcão. Como devem estar recordados, o espaço interior proporcionava outras mais  actividades lúdicas tão do agrado da várias gerações que por ali passaram. Havia a sala maior  destinada aos jogos de cartas, damas e mais tarde bilhar, depois uma outra de dimensões mais reduzidas, onde estavam instalados dois jogos de matraquilhos e uma mesa de ténis de mesa e ainda mais ao fundo do casario, uma outra destinada ao jogo da malha, vulgarmente conhecido por chinquilho. A fazer ligação a todas elas, um pátio de dimensões rectangulares funcionava igualmente também para os jogos de mesa, mas a sua principal e inesquecível ocupação foi na realização de matinés dançantes e nas transmissões de filmes pelo saudoso Salvador .


Passados alguns anos e por razões naturais da vida, este local tão especial e querido de tantos Pombalinhenses, foi perdendo as características ambientais que foi cimentando ao longo dos tempos. E foi com muita tristeza que vimos desaparecer do Pombalinho um dos Cafés mais emblemáticos para a vida de tantos que por ali passaram na procura de uns breves momentos de convívio e confraternização. Não vivemos de saudades..., é certo, mas a memória, essa, dificilmente a poderemos apagar. 



Para outras ligações relacionadas  clicar  Aqui     e   Aqui 




19 julho 2007

Festas de 1919







Decorria o ano de 1919 e o Pombalinho cumpria mais uma vez, tradicionalmente, a realização dos seus festejos anuais. Desta vez os dias escolhidos foram 26, 27, 28, 29, 30 e 31 de Julho e o programa para estes seis dias, foi muito preenchido em termos de actividades devidamente apropriadas neste  tipo de acontecimento popular.

No exemplar desse programa acima publicado ressalta, como nota de curiosidade, o facto da organização desta Festa ter escolhido a Alverca de Fernão Leite para ali instalar um pavilhão para venda de sortes da “Kermesse”. Belos tempos, sem dúvida, alegremente vividos num dos locais mais pitorescos do Pombalinho!


Ligação sobre     Altar para a Igreja   a propósito destas mesmas Festas de 1919.





Colaboração_Joaquim Mateiro 








09 julho 2007

Pombalinhense na Guerra Colonial



No Pombalinho muitos foram os jovens que participaram na guerra colonial de África. A partida de quantos tiveram o destino de serem enviados, era sempre difícil, pois representava uma interrupção da convivência familiar da qual nem sempre se sabia o seu desfecho final.




Esta foto tem um significado muito especial para o nosso Amigo e conterrâneo Ezequiel Leal mas também estou certo, de uma importância enorme (a partir deste momento em que por sugestão do próprio a podemos tornar pública) para o Pombalinho! É o registo fotográfico do primeiro Pombalinhense a partir para a guerra colonial em África, mais precisamente no dia 15 de Junho de 1961 !

Está escrito no verso da fotografia, pela mão do próprio: “Embarque de tropas no cais da Rocha no paquete Uíge, com destino a Angola”. Como nota de curiosidade, o "civil" ao lado de Ezequiel Leal é o seu tio Manuel Leal, que não quis deixar de estar presente neste momento da sua despedida.







Esta segunda foto é do desfile da chegada a Luanda da Companhia "Polícia Militar nº 150" ( onde o Ezequiel esteve integrado) e outras tropas desembarcadas do paquete Uíge, em 27 de Junho de 1961.








Este o paquete Uíge , construído no ano de 1954 na Bélgica e de 145 metros de comprimento, em que Ezequiel Leal viajou até terras de África, no cumprimento da sua missão militar em Angola.


Foto daqui

Colaboração de Teresa Cruz e Ezequiel Leal





02 julho 2007

Instrução Primária





As Escolas Primárias estão indubitavelmente ligadas à vida de todos nós. Nem sempre foi assim, mas a partir dos anos cinquenta, rara era a criança que não entrava para a escolaridade obrigatória de modo frequentar os quatro anos da então chamada, Instrução Primária. As instalações reservadas ao acolhimento dos alunos para administração de aulas que serviam de escolas permanentes ao longo de todo o ano lectivo, começaram por ser num Edifício situado na Rua Carolina Infante da Câmara, foi cedido para o efeito pelo Visconde Porto Carrero. Caracteriza-se por uma escadaria exterior de acesso ao piso superior. Chegados aí, entra-se num pequeno hall de entrada, a partir do qual os alunos eram divididos por duas salas conforme fossem do sexo feminino (para sala da direita) ou masculino (para a sala da esquerda). Uns anos volvidos (por volta de mil novecentos e sessenta) e com o aumento do número de alunos a iniciarem-se no ensino primário, houve necessidade de alargar o espaço escolar, recorrendo-se às instalações da Casa do Povo e naturalmente a mais um professor, neste caso a mais uma professora. Aqui, como o espaço era amplo e único, as turmas inexoravelmente tinham de ser mistas, deitando assim por terra, a ideia de ensino apartado sexualmente.






Com o decorrer dos anos o Pombalinho teve finalmente em 1965, direito a um edifício adequado e definitivo para o Ensino Primário. Situa-se na Rua Joaquim Piedade da Silva e é um belo espaço pensado e dedicado aos mais jovens filhos da nossa terra.




Esta foi uma das primeiras classes a utilizar esta infra-estrutura escolar do Pombalinho. Está escrito no seu verso Maria Manuela Narciso Duarte e a data é 09 de Maio de 1966. De entre outras caras bem nossas conhecidas, reconhecem-se Odete Hilário, Lena Bacalhau, Carolina Gandarez, Lurdes Cavaleiro, Lucília Correia, Otelinda, Manuela, Luísa Guilherme, Luísa Galvão, Maria Castelo, Maria José, Ana Maria, Lena Melão, Filomena Braga, Gracinda, Lurdes Leal, Graciete, Luísa Leal, Dália, Ema, etc...



29 junho 2007

Corrida de Touros em 1914







Aproximam-se os meses do ano em que se realizam as Festas Populares um pouco em todo o País. Por tradição e desde há muito que estes eventos  tiveram lugar no Pombalinho com uma certa regularidade.
Hoje recordamos uma corrida de touros inserida nos festejos realizados na nossa terra, nesse longínquo ano de 1914. Todo o folheto é caracterizado pelo tom satírico que o autor utilizou na sua criação. Desde a  qualificação atribuída à Praça de Touros, passando pelas alcunhas de todos os intervenientes na lide e até mesmo  a   linguagem brejeira com que se apela ao público presente! Um pouco fora  dos pergaminhos tauromáquicos sempre tão preservados neste tipo de espectáculo. No entanto, para mais um encontro com a História de histórias da nossa terra, não quisemos deixar de registar aqui este acontecimento que se realizou a 30 de Junho de 1914 no Pombalinho.


Colaboração documental de Fernando Furtado Barreiros 






15 junho 2007

Récita no Pombalinho em 1943!


Continuando neste caminho de procura e encontro com a história da nossa terra, chegou-me esta preciosidade de que vos dou hoje a oportunidade de apreciarem e quem sabe, se recuarem uns anos no tempo, poderem encontrar caras bem familiares do nosso Pombalinho. No verso desta fotografia está manuscrito o seguinte texto: "Récita nas Escolas em 1943".

Deixo-vos com o tempo e se reconhecerem alguém neste interessante grupo escolar, ajudem-me a completar este pedaço da história do Pombalinho.

Respondendo ao meu apelo aquando da publicação deste post, chegou-me hoje (05 de Setembro de 2007) por via mail, um valioso contributo do nosso Amigo João Condeço sobre a identificação dos intervenientes desta Récita Escolar de 1943. É uma manifestação de enorme simpatia do nosso conterrâneo em resposta àquilo que vamos fazendo neste espaço pelo Pombalinho, na publicação de alguns testemunhos históricos daqueles que fizeram e fazem a vida social da nossa terra. De realçar igualmente neste contributo, a importante prestação da Maria Cota ( sogra do João Condeço) no reconhecimento desta criançada de há mais de sessenta anos.

Na fila de trás e da esquerda para a direita : Manuel Feijão, Manuel Cacifo, Luis Júlio, João Bacalhau, Isidoro Narciso, Joaquim Ferreira, desconhecido, José Leal, Carlos Cordoeiro, Francisco Sacola, Joaquim Silva (Coradinho) e Arsénio Teixeira.

Na fila da frente e da esquerda para a direita: Júlia da Luz, Conceição, Anita Leal, Laurinda, Conceição, Carolina Gaião, Maria Adelaide Leal, Otelinda Oliveira, Vitória, Felismina, Dalila, Maria Alice Dias, Maria Helena Correia Minderico, Maria Grais Rodrigues Cota e Maria Luisa Grais.

Nota - Para visulizar prospecto alusivo a este evento, realizado no Pombalinho, clicar  AQUI


Colaboração Fototográfica_José Leal

Colaboração Texto_ João Condeço




06 junho 2007

José Leal atleta na Azinhaga!





Já aqui fizemos referência a um atleta Pombalinhense que granjeou uma certa notoriedade ao serviço da equipa de atletismo do Sporting Clube de Portugal, refiro-mo a Guilherme Afonso. Outros, igualmente resolveram sair de portas na decisão de representarem outros clubes ou colectividades, como foi o caso do José Leal !
O ano é de 1948 e a equipa que o José integrou nesse longínquo ano foi da nossa bem conhecida e vizinha Azinhaga. Ei-lo aqui nesta fotografia, sendo o terceiro a contar da esquerda para a direita e de joelhos.


Colaboração fotográfica_José Leal




26 maio 2007

Júlio Freire








Falar de Júlio Freire é recordarmo-nos de alguém que militava persistentemente na crítica a tudo o que entendia não estar de acordo com as suas ideias e princípios.

Nem sempre recebia das gerações mais novas a aderência a ideias relacionadas com os caminhos que achava serem os mais correctos e úteis para a vida colectiva! Mas quem teve com este homem a ousadia e a oportunidade da sua aproximação nem que tivesse sido  por uns breves instantes, muito de proveitoso foi o tempo, tal era a sua vontade na transmissão do conhecimento e do saber.


Eu fui um dos que tive esse privilégio ! E dos primeiros livros que comprei assim que economicamente o pude fazer, por razões dessa aproximação, foi o Dicionário Ilustrado da Larousse. Aí por finais dos anos sessenta, quando terminavam os serões televisivos no Café do Chico Minderico (nesses tempos a programação da TV encerrava pouco antes da meia noite) e sempre que passávamos frente á sua casa, lá se encontrava o velho Júlio Freire sentado a apanhar a aragem fresca dessas noites quentes de Verão. E foi num desses dias que dirigindo-se a mim,  me disse: “Oh, Calvaria chega lá aqui”, e abrindo um livro espesso com sinais de algum uso mas ainda em muito bom estado de conservação, mostrou-me como um simples folhear de páginas nos poderia proporcionar viagens extraordinárias à vida de Ulisses, Galileu, Arquimedes, Vasco da Gama e de tantas outras figuras que marcaram a História Universal. Fiquei deslumbrado, pois tinha pela primeira vez diante dos meus próprios olhos, um Dicionário Ilustrado.

O Júlio Freire andava sempre de lápis na orelha e quando abríamos o jornal “O Século”, no café do Chico Minderico, já as palavras cruzadas estavam completamente decifradas e escritas a grafite. Raramente ficava por preencher alguma quadrícula, mas foi um desafio a que nós jovens nos propusemos também igualar e hoje posso dizer que foi devido a esse facto que adquiri o gosto por essa procura incessante dos sinónimos correctos que coubessem naqueles quadrados tão peculiares. Fiquei a saber sem nunca mais me esquecer, que a grainha também se chamava arilo, que Pó era rio italiano, ou que ola também era panela.

No desempenho da actividade profissional pela qual era mais conhecido, Júlio Freire teve nos seus últimos anos de vida  um estabelecimento de venda de pão na rua de Santo António, precisamente em frente e oposto ao que hoje existe. Mas as minhas memórias recuam um pouco mais e situam-se no tempo em que o pão era comercializado a peso. Sempre que nos dirigíamos à sua casa de habitação que servia simultaneamente de venda ali na Rua Barão de Almeirim e lhe pedíamos um quilo de pão, lá vinha o célebre contrapeso , que mais não era do que um bocadinho desse precioso alimento que perfazia exactamente o seu peso que tínhamos solicitado.

Conheci o velho Júlio superficialmente, mas penso não me enganar se disser que era um homem extremamente insatisfeito com as situações de injustiça que prevaleciam então na sociedade, lembro-me já não sei em que ano nem em qual eleição, de o ver dirigir-se já muito debilitado fisicamente à mesa de voto para cumprir o seu direito de cidadania !

Nota - Quis o nosso Amigo Guilherme Afonso colaborar e bem nesta pequena evocação que o Pombalinho pensou prestar ao Júlio Freire. Essa contribuição está nos comentários deste post, mas acho que é de todo o mérito ser incluída complementarmente a este texto.
Diz ele então que “... o nosso grande amigo Júlio Freire foi um oposicionista convicto aos Governos do Estado Novo ( Salazar e Caetano) e que passou uns meses na cadeia do Aljube por ser Delegado, no Pombalinho, da candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República.”

Aqui fica pois o testemunho de um acto de verdadeira coragem, em tempos muito difíceis.






23 maio 2007

Rio Alviela



A propósito de mais uma descarga poluente no Rio Alviela , veio-me à memória o tempo das cheias do Rio Tejo. Logo que as águas baixavam de nível e se escoavam em grande parte pelo caudal do nosso maior rio, era hora dos mais experientes e dedicados à pesca da enguia, prepararem o remolhão ( isco preparado de minhocas enfiadas longitudinalmente numa linha) e esperarem pela noite para lançarem a sua sorte no Rio Alviela.





Hoje já não é assim, a poluição proveniente pela incúria dos homens muito tem contribuído para a morte lenta do rio, por isso é que esta imagem do nosso conterrâneo Júlio Freire a pescar na margem do Alviela por volta dos anos sessenta, provoca uma nostalgia a quem tem da natureza, um bem inestimável a que todos devíamos obrigatóriamente preservar.


Colaboração Fotográfica_Guilherme Afonso



18 maio 2007

Pombalinho Arqueológico




Enquanto arrumava alguns ficheiros do meu computador, encontrei um pdf sobre enquadramento histórico-arqueológico da Alcáçova de Santarém...
...Quando soube da existência das peças, pensei que elas abundassem na nossa região. Mas pelos vistos estava enganada. Segundo este estudo do Instituto Português de Arqueologia "as transformações que o traçado do rio Tejo sofreu desde a antiguidade até aos nossos dias, aliado ao facto da região do Vale do Tejo não ter sido objecto de estudos de prospecção arqueológica sistemática, podem explicar a escassez de vestígios conhecidos em torno de Santarém", assim estas peças adquirem um significado arqueológico muito interessante, para o conhecimento da época romana na nossa região."


Este, o texto de um mail que há dias recebi da nossa conterrânea Tânia Martinho. Vem acompanhado de um interessante estudo sobre o enquadramento histórico-arqueológico da Alcáçova de Santarém e também de uma publicação do Museu Nacional de Arqueologia sobre a identificação de peças encontradas no Pombalinho. Como aqui privilegiamos tudo o que esteja relacionado com a nossa terra ou que de algum modo possa contribuir para a sua história, não poderíamos deixar de publicar este valiosíssimo material de natureza arqueológica. Assim sendo, poderão consultar o estudo sobre a Alcaçova de Santarém em Alcáçova 1/6 , Alcáçova 2/6 , Alcáçova 3/6 , Alcáçova 4/6 , Alcáçova 5/6 e Alcáçova 6/6 . O Documento sobre a identificação das peças e que foi extraído do site do Museu Nacional de Arqueologia, encontra-se em O Unguentário , O Boião , A Garrafa , A Garrafa A e A Estatueta . Se quiserem optar pela visita virtual ao Museu e aí apreciarem a forma de como elas estão publicadas, podem igualmente fazê-lo clicando em Garrafa , Unguentário , Boião , Garrafa , e Estatueta .
Por último, se porventura optarem por uma visita ao Museu onde se encontram estas maravilhosas peças, poderão fazê-lo, visitando o sempre belíssimo Mosteiro dos Jerónimos em Belém.


Colaboração _ Tânia Martinho


Para Página Temática Clicar em   Pombalinho Arqueológico  







08 maio 2007

Casamentos IV


"Revisitando o que foi publicado neste espaço sobre acontecimentos matrimoniais de Pombalinhenses, notei que desde o inicio da criação deste projecto já nos dedicamos ao tema por três vezes! Foram eles,  os casamentos de  Francisco Cruz, Sofio Féliz e de Ana Maria. De facto, é nestas cerimónias   que acontecem os grandes encontros familiares e de uma forma geral, a reunião das pessoas consideradas mais chegadas por laços de amizade às famílias dos noivos.


Por tradição, todo o envolvimento é registado fotograficamente ou em filme, mas há um momento sempre indispensável neste tipo de cerimónia, o retrato de família ou de grupo! E é utilizando essa enorme possibilidade de podermos recordar de uma forma mais abrangente muitos mais Pombalinhenses de várias gerações, que me ocorreu a ideia de endereçar a todos vós, caros visitantes,  este aliciante desafio, que é, o de contribuirmos para a publicação, aqui no Pombalinho, desses testemunhos tão especiais para tantos nós. Estou certo que assim, este espaço ganhará um sentido de maior referência para as gentes da nossa terra.




Sendo assim e dando continuidade a esta ideia de publicação que vos proponho, avanço hoje com um casamento que se realizou no dia 18 de Julho de 1976 no Café Central situado na da Capital do Cavalo, os noivos foram o Manuel e a Otelinda Gomes e a fotografia familiar foi registada junto à Igreja Matriz da Golegã.







Como nota de curiosidade,  a factura do respectivo banquete, celebrado entusiasticamente neste referenciado restaurante da Golegã. 






04 maio 2007

Casamentos III



O tempo preenche as nossas memórias a um ritmo incessantemente imparável. Sempre na sua evolução, hábitos se alteraram, comportamentos se modificaram e até formas de apresentação em sociedade se modernizaram. No entanto, há uns quantos eventos sociais em que os princípios vão teimosamente perdurando no tempo inalteráveis, independentemente das evoluções naturais que sempre as transições geracionais produzem socialmente. É o caso dos casamentos, são acontecimentos em que noivos e convidados sempre fazem gala em se apresentarem com o que de melhor têm no seu guarda-roupa para estas ocasiões solenes. E nesse já longínquo ano de 1953 a regra se cumpria, podendo-se ver nestas fotos relativas ao casamento de Alberto Gomes, como os nossos conterrâneos se aperaltaram com todo o indispensável rigor cerimonioso.



Ezequiel Mateiro, Francisco Cruz e José Leal, frente à Igreja Matriz do Pombalinho.







Francisco Cruz, Ezequiel Mateiro, José Leal, António Domingos, José Alexandre, António Duarte, Joaquim Minderico.






Ernesto Hilário, José Leal, Francisco Cruz, posando para a intemporalidade.



Colaboração Fotográfica_José Leal







27 abril 2007

Lar, doce Lar




Hoje quando se pensa na casa, aquele cantinho há muito desejado e onde idealizamos constituir a nossa família , é-nos proporcionado um leque de escolhas de tal modo vasto e variado que dificilmente não encontraremos o que tínhamos planeado  em adquirir.

È claro que nos dias e tempos que correm, tudo se resume afinal de contas à capacidade económica dos proponentes compradores! Existe à volta da indústria do imobiliário,   toda uma série de estruturas organizativas que simplificam consideravelmente a compra do tão ambicionado lar.

 Tempos houve porém, em que esta realidade ainda não fazia parte integrante dos planos familiares dos portugueses e particularmente dos Pombalinhenses! Mesmo assim lá se ia construindo ao ritmo desses tempos, bem diferentes dos de hoje, algumas casas em zonas onde o alargamento de área habitacional era previsível, como na Rua 5 de Outubro e no Casal Centeio.


Esta fotografia, apesar das dificuldades bem compreensivas desse ano de 1960, é igualmente bem expressiva do ambiente de festa que normalmente rodeava estas etapas marcantes das vidas de muita gente que deitava mãos à obra. A casa então em construção situa-se na rua 5 de Outubro e os captados pela objectiva do retratista são, da esquerda para a direita , os jovens Carlos Gomes, Francisco Gaião, António Mogas, Lucília, José Luís, Manuel Joaquim, António Calado e os adultos pela mesma ordem, o Manuel Narciso, o Saraiva, o Manuel Mira, o João Condeço, Luis Camões, António Cufa, Manuel Bacalhau, Carlos Catrola, e o proprietário da casa, Manuel Gomes Calado.




23 abril 2007

Visita Ministerial

Hoje tivemos no Pombalinho a visita do Ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos. Não naquele Pombalinho físico onde muitos de nós nascemos, mas neste Pombalinho on-line, onde continuamos orgulhosamente a contribuir para a edificação possível da História da nossa terra.
Curiosamente o Senhor Ministro visitou-nos por duas vezes, às 12,10 horas e às 16,12 horas e o que nos apraz dizer é o seguinte: Senhor Ministro, espero que tenha gostado do que viu e seja sempre bem vindo ao Pombalinho.

22 abril 2007

Vera Cruz Futebol Clube V




E como hoje é domingo, porque não recordarmos mais uma daquelas valorosas equipas do nosso Vera Cruz Futebol Clube, que tantas alegrias nos propiciaram nessas longínquas tardes de uns tempos saudosamente recordados? Parafraseando o autor de um recente programa televisivo, “os tempos mudaram muito mesmo, nos últimos quarenta anos”. E na verdade muitas transformações se operaram nas nossas vidas ao nível dos hábitos mas também na forma como nos organizamos para podermos responder às solicitações diárias das várias actividades das nossas vidas. Eu, como se sabe, sou de uma geração muito posterior a esta, que hoje publicamos no Pombalinho, mas ainda me lembro de como nos tínhamos de desenrascar quando as nossas botas não estavam em condições de serem utilizadas. Normalmente o problema residia na falta de travessas e aí lá tínhamos de recorrer aos bons préstimos profissionais do António Barros (um dos sapateiros do Pombalinho que residia na Rua Hilário José Barreiros) para que este pacientemente as consertasse a tempo de as podermos utilizar no jogo que se avizinhava. Agora, claro, os tempos são definitivamente outros...!!!
Bem, mas vamos à identidade destes nossos gloriosos representantes, num jogo disputado na nossa vizinha Azinhaga e num qualquer ano dos anos sessenta: de pé e da esquerda para a direita, Luís Júlio, José Braga, José Leal, Joaquim Vieira, António Maria, Isidoro, "Charola" e Francisco Cruz. De joelhos e pela mesma ordem, Diamantino Teixeira, José Rodrigues e João "Coradinho".

Colaboração Fotográfica_ José Leal