Domingo é
tradicionalmente o dia escolhido para a celebração de casamentos e a entrada
principal da Igreja o local eleito
para a chamada fotografia de família. O casamento a que se reporta esta
fotografia foi o de Diamantina Carvalho com Ezequiel Leal, realizado no
Pombalinho em 25 de Outubro de 1964.
04 novembro 2007
29 outubro 2007
GIP

A
memória é tramada! Ela é um depósito inesgotável de bons e maus momentos que a
vida se vai encarregando de nos atribuir neste caminho tão belo que por vezes
só damos conta do seu real valor quando paramos por breves momentos na
contemplação do nosso passado irremediavelmemte longínquo! É o exemplo desta
fotografia!
Um grupo de conterrâneos, aí por finais dos anos sessenta do século
passado, resolveram formar um grupo com o intuito de organizar pequenas festas,
bailes, passagens de ano, etc... O nome tinha as iniciais de GIP e significava
Grupo Infeliz do Pombalinho! A sua composição era formada pelo Fernando Leal,
Conceição, Constança, Carolina, Miguel, Chico, João Maria, Gena Hilário,
António Carlos, Victória e Júlio Gabriel. E para as nossas memórias ficam esses
tempos em que ainda havia tempo para a dinamização da amizade em clima de
imensa confraternização!
Colaboração fotográfica_FLeal
21 outubro 2007
Fernando Duarte
Já chegou a Expedição...
A todos perguntando vou...
E ninguém me dá relação,
Onde o meu filho ficou.
Aqui te vi embarcar,
Em dia três no Arsenal!...
Foi quando partiste de Portugal!
Hoje aqui te vinha esperar...
Estou farta de perguntar!
Ninguém de ti me dá relação...
Triste o meu coração,
Enquanto ao meu lado não te ver!
Vim aqui por ouvir dizer,
Já chegou a expedição.
A todos em geral pergunto,
Por meu tão querido filho...
Por não saber o seu trilho,
Ou se já será defunto...
Vejo tanto colega junto,
Com quem meu filho embarcou!
Hoje por quem esperando estou,
Para o poder abraçar!
A quantos vejo passar,
A todos, perguntando vou.
Meu filho em combate ficou?
Meu coração me quer dizer...
É triste tanto sofrer,
Uma mãe que o criou!!
Se algum crime praticou
E se está encarcerado numa prisão,
Para alívio do meu coração,
Quem notícias do meu filho me diz?
Pergunto por meu filho infeliz...
E ninguém me dá relação!
Eu estou ansiosa,
Para notícias dele saber...
Que tudo mandou dizer,
À sua mãe tão carinhosa...
Oh viagem maravilhosa,
Para quem hoje aqui chegou!...
Que alegria para os seus pais...
Digam-me dos restos finais,
Onde meu filho ficou!
Este poema de Fernando
Duarte foi retirado do Livro "Pedaços
da Minha Vida ", editado em 19 Junho deste ano de 2007
conforme publicação que fizemos no Pombalinhense .
A sua autora e filha deste ilustre conterrâneo, Maria Luísa Narciso Duarte,
quis prestar-lhe uma merecida homenagem e nós damos hoje a conhecer um
pouco mais de Fernando Duarte.
Nas palavras de sua
filha, esta sentida poesia é um relato verídico e emocionado de uma situação
que seu pai presenciou no regresso de uma expedição a
Angola, onde esteve integrado por imperativos nacionais durante a 1ª Guerra
Mundial.
Fernando Duarte ( Pombalinho 1891 – 1978)
09 outubro 2007
Casa Farol
Não
tinha qualquer indicação publicitária de néon ou mesmo alguma referência que o
identificasse, mas foi dos espaços comerciais existentes no Pombalinho que mais
clientela fidelizou ao longo de muitos anos de serviço prestado à população da
nossa terra e mesmo de outras nossas vizinhas.
Esta
loja, de cujos fundadores não se sabe bem quem foram, nem a data
correspondente da sua abertura ao público, teve como proprietários durante a
últimas quatro décadas do século passado, o Francisco Maria Borges e sua esposa
Aurelina, seus filhos Rui e Olímpia e seu neto Victor. A loja situada
estrategicamente no cruzamento da Rua Barão de Almeirim com a EN 365 de quem
vem da Quinta de Fernão Leite, ocupava um espaço de dimensões rectangulares e
estava dividida em duas áreas bem distintas no primeiro piso do edifício,
sendo o segundo destinado à habitação da família.
A
entrada principal era acessível por uma varanda, na qual duas montras a ladear
a porta serviam de amostragem aos artigos de utilidade doméstica e outros de
carácter mais consumista. Lá dentro poder-se-iam adquirir louças, bijutarias,
produtos de doçaria, material didáctico e escolar , roupas etc...
... foi ali também que
se iniciou no Pombalinho a corrida ao então recém-chegado jogo do Totobola e
ficou nas nossas memórias aquela máquina alaranjada que tanto desespero nos
causava, tal o rigor excessivo com que o Rui imprimia às operações de validação
do precioso boletim da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
A outra área, de dois meios portões a servir de entrada e em
rampa, foi para muitos de nós o acesso ao que de mais maravilhoso estava a
acontecer na nossa terra e um pouco por todo o país, a possibilidade de
contactarmos pela primeira vez com essa maravilha da técnica a quem mais tarde
apelidariam de caixinha mágica. De bancos corridos, a sala enchia-se nessas
inesquecíveis tardes de domingo para assistirmos a uma programação nem sempre
aliciante mas que satisfazia em grande parte pela curiosidade, tal o entusiasmo
que as imagens televisivas despertavam em todos nós.
Este espaço tinha lateralmente umas vitrinas com as mais variadas
classes de materiais expostas para o consumo imediato. Um pouco mais acima e em
anexo à cozinha da família, situava-se um compartimento apetrechado com
ferramentas de desbaste, de onde sobressaía um vastíssimo stock de limas de
todo o tipo e tamanho. Ainda mais a norte e no mesmo alinhamento do edifício
surgia uma outra sala que veio alterar de certa forma os hábitos e costumes
enraizados de há muito nas vidas daqueles que se predispunham de tempos a
tempos a visitar os tradicionais e velhos sapateiros da nossa aldeia, uma
sapataria onde era possível experimentar os mais variados modelos de acordo com
os gostos mais exigentes. E mais ao fundo já no limite da área comercial da
família Borges, uma estância de madeiras já com as peças devidamente cortadas e
aparelhadas, possibilitava o fornecimento aos construtores civis do material
então utilizado nos telhados de casas e armazéns.
Se agora regressássemos em direcção à entrada deste complexo
comercial, surgia-nos à direita um muro de meia altura que dividia as
propriedades até chegarmos ao anexo mais requisitado pelos profissionais das
mais variadas áreas , era a sala das ferragens e ferramentas. Ali, quem
quisesse uma fechadura, um martelo, uma chave francesa ou o mais raro parafuso,
nunca saía de mãos vazias, tal a dimensão e a diversidade do stock existente!!!

Mas na memória de
muitos, então “garotos” da minha idade, ficará para sempre gravado o
deslumbramento com que desembrulhávamos aqueles preciosos rebuçados para vermos
ansiosamente se nos tinha saído aquele "cromo da bola" que nos
faltava para completar aquelas maravilhosas cadernetas dos craques de futebol
!!!!
Era assim, foi assim, a
loja que mais recordações deixou nas memórias de muitas gerações de Pombalinhenses que por ali passaram e que hoje têm
com toda a certeza uma qualquer história sobre a casa Farol do Pombalinho, como esta que vos acabo
de contar neste espaço que se pretende ser, de histórias sobre a História do
Pombalinho!
F - Francisco Maria Borges
A - Aurelina Borges
R - Rui Borges
O - Olimpia
L – Luis
Colaboração Fotográfica – Guilherme Afonso/Teresa Cruz
Colaboração Fotográfica – Guilherme Afonso/Teresa Cruz
02 outubro 2007
Vera Cruz Futebol Clube VI
Continuamos com todo o
gosto e um sentimento naturalíssimo de muita saudade, a publicar fotografias
dessa época inesquecível para o futebol do Pombalinho que foram esses
longínquos anos sessenta do século passado. O local de competição ainda era o
velhinho campo das Ónias e os participantes desta equipa de entre muitas outras
que participaram nos campeonatos da FNAT em representação do Pombalinho, são de
pé e da esquerda para a direita, Duarte Cruz, Ezequiel Mateiro, Manuel
Minderico, José Gomes I, José Gomes II, José Guilherme, Manuel Barão e
Francisco Cruz. De joelhos e pela mesma ordem, José Bacalhau, António
"Charola", António Domingues, José Braga, Justino e
Isidoro.
Colaboração Fotográfica_FLeal
Colaboração Fotográfica_FLeal
23 setembro 2007
Curso Feminino em 1969
No ano de 1969
realizou-se na Casa do Povo do Pombalinho um curso patrocinado pela entidade
local ligada a esta infra-estrutura e com a indispensável ajuda da sua
estrutura superior ao nível da região de Santarém. Este curso teve por
objectivos fundamentais, o ensinamento dos princípios básicos e elementares no
âmbito das variadas vertentes da vida ligadas ao desempenho da população
feminina, nomeadamente, culinária, puericultura e lavores.
A participação e
vontade de aprender tiveram uma resposta muito positiva por parte da juventude
do Pombalinho, de onde se reconhecem nesta fotografia, a Gena, a Clementina, a
Laurinda, a Lena e sua cunhada, a Fernanda, a Carolina, a Graça, a Lurdes, a
Aurora, a Dália, a Lucília, a Milita, a Lena Leal, a Lisa, a Luísa e sua irmã
Teresa, a Belmira, a Maria Albertina, a Lurdes Gomes e a Bisita. Mas também a indispensável
orientação e administração de conhecimentos esteve bem presente, como se pode
testemunhar pela presença de Ana Leal, Josefina Martinho, Maria Adelaide Leal,
Diamantina Carvalho e a professora Conceição.

O
momento em que Ana Leal recebia de Mata-Fome, uma saudação muito especial pela
sua participação neste curso patrocinado pela Casa Povo do Pombalinho.
Uma
das alunas, Bisita, quando recebia das mãos do presidente das Casas do Povo da
região de Santarém, o diploma de participação e conclusão do respectivo curso.
Colaboração Fotográfica_F
Leal/Teresa Leal
19 setembro 2007
Casamentos VI
Continuando na história
de casamentos realizados no Pombalinho, recordemos um que conseguiu
juntar imensa juventude como convidados para assistirem a esta celebração
matrimonial de vidas dos noivos, Teresa e Carlos Melão. Eles continuam e bem a irradiar
aquela simpatia a que nos habituaram nos muitos anos de convivência por
caminhos percorridos durante esses períodos únicos e não mais repetíveis da
nossa juventude.
A foto foi tirada no
adro da igreja do Pombalinho e reconhecem-se da esquerda para a direita,
António Bráz, Manuel Gomes, Carlos Santos, Teresa e Carlos Melão, António
Carlos, João Correia e Fernando Leal.
13 setembro 2007
Casamentos V
Em 8 de Maio do
corrente ano lancei o desafio aos visitantes desta página para que aderissem à
ideia de publicarmos neste espaço fotografias de casamentos de nossos
conterrâneos. Justifiquei então que me tinha ocorrido “ ... a ideia de
endereçar a todos vós este aliciante desafio, que é, o de contribuirmos para a
publicação aqui no Pombalinho, desses testemunhos tão especiais para tantos
nós. Estou certo que assim, este espaço ganhará um sentido de maior referência
para as gentes da nossa terra.”
Pois bem, recebi há bem pouco do F Leal esta excelente fotografia
de casamento dos seus sogros Júlia Leal e Duarte Cruz, realizado no Pombalinho
no ano de 1952.
Deixo-vos ao exercício de memória, este registo certamente
histórico para os noivos, mas também para suas famílias e acompanhantes.
02 setembro 2007
Antiga Escola do Pombalinho!
A antiga Escola do
Pombalinho está situada na Rua do Campo, hoje denominada, Rua Carolina Infante
da Câmara. É um edifício de propriedade horizontal, constituído por dois pisos,
rés do chão e primeiro andar. O piso superior foi doado pelo Visconde Porto
Carrero (*) em 25 de Novembro de 1885 por título Nº4 e escritura lavrada nas
notas do Tabelião de Lisboa, Joaquim Barreiros Cardoso, no Livro 949A folha 12,
para ali ser instalada a Escola de Ensino Primário do Pombalinho.
O rés do chão deixou
igualmente de pertencer à família de Porto Carrero, tendo sido adquirido por
Hilário José Barreiros, assim como todos os edifícios contíguos.
E foi precisamente
neste piso que por influência de Júlio Barreiros, filho de Hilário José
Barreiros, que se deu início a uma página importante da vida cultural do
Pombalinho. Ali se instalou um elegante teatro onde várias peças dramáticas
foram levadas à cena, marcando presença as famílias mais abastadas da terra e
arredores.
Mais tarde a família
Barreiros foi perdendo progressivamente o direito total de propriedade, tendo
então surgido a família Coimbra a adquirir o rés do chão do edifício da antiga
Escola.
Os Professores que
passaram por esta Escola no exercício das suas funções foram: João José da
Fonseca (Fonsequita) que exerceu a sua actividade de 1916 a 1933, Maria José de
Moura Amorim que se supõe ter iniciado o ensino no Pombalinho a partir do ano
de 1933, Maria José Martins Simões (**), que dedicou quarenta anos da sua vida
ao ensino de várias gerações de Pombalinhenses e
finalmente, Verónica da Silva Nunes Mateiro (***) que desempenhou
profissionalmente a sua função durante mais de 30 anos.
(*) O Visconde Porto Carrero era familiar de António de Araújo Vasques da Cunha Porto Carrero, 1º e único Barão de Pombalinho, agraciado com o título por decreto de 23 de Outubro de 1837, data em que o seu padrasto, Manuel Nunes Freire da Rocha foi igualmente agraciado com o título de Barão de Almeirim.
(*) O Visconde Porto Carrero era familiar de António de Araújo Vasques da Cunha Porto Carrero, 1º e único Barão de Pombalinho, agraciado com o título por decreto de 23 de Outubro de 1837, data em que o seu padrasto, Manuel Nunes Freire da Rocha foi igualmente agraciado com o título de Barão de Almeirim.
(**) Maria José Martins Simões nasceu em 24 de Maio de 1910 e faleceu em 14 de Março de 1990.
(***) Verónica da Silva Nunes Mateiro nasceu em 01 de Agosto de 1907 e faleceu em 07 de Julho de 1985.
Colaboração no texto _JMateiro
Colaboração
fotográfica_F Leal
.
21 agosto 2007
Classe Primária de 1973/74

Agora que se aproxima o
início de mais um ano lectivo, é sempre com imensa saudade que recordamos esses
tempos marcantes das nossas vidas escolares. Esta fotografia representativa de
uma classe da Instrução Primária, vem enriquecer a galeria deste nosso espaço e
contribuir também para relembrarmos alguns dos nossos conterrâneos que passaram
por esta instituição de ensino do Pombalinho.
Reconhecem-se na
primeira fila e da esquerda para a direita, Maria da Graça, Lena Leal, José
Carlos, José João, Sérgio Mogas, Mário Mogas, Valdemar Tomás, Luís Miguel
Cordeiro. Na segunda fila e pela mesma ordem, Teresa Vidal, Paulo Barros,
Anabela Narciso, Rosa Maria, Júlia Maria, Luís Mogas, professora Ilda, Fernando
José, Valdemar Correia, João Paulo, Cristina Légua e Mafalda Légua.
31 julho 2007
Férias 2007!!!
26 julho 2007
Café do Chico Minderico
O Café do Chico Minderico foi
durante muitos anos ponto de encontro de várias gerações que por ali
passaram e que viam naquele espaço um lugar aprazível e de divertimento para o
preenchimento de alguns momentos de lazer.
Era um dos locais do Pombalinho que
dispunha de um ambiente acolhedor e espaçoso, permitindo a quem quisesse, no fim
de um intenso dia de trabalho, trocar dois dedos de conversa e refrescar a
garganta com o que de melhor podia ser servido, os vinhos da região ou a imperial bem fresquinha que era sempre cuidadosamente tirada em copos previamente refrescados.
Era nos fins-de-semana que os
pombalinhenses frequentavam com maior assiduidade este Café de maior movimento
da nossa aldeia. Uma azáfama intensa na cozinha anexa e que servia
simultaneamente para o dia a dia da família que habitava no primeiro andar do
edifício, fazia perder a paciência à Maria Adelaide, sempre que o Chico
Minderico lhe gritava do balcão a pedir mais um pires de berbigão ou umas
postinhas de peixe frito do rio Tejo, para saciar a exigência de alguns
fregueses mais impacientes. Para a memória dos cheiros de todo quantos que por
ali passaram nesses domingos quentes de Verão, não mais poderão ter esquecido,
concerteza, o destes dois petiscos que
se espalhavam pelos ares das redondezas provenientes deste saudoso café da rua
Barão de Almeirim.
Quando apareceram as
primeiras televisões no Pombalinho, por volta do início dos anos sessenta, formavam-se
autênticas "romarias" em direcção aos Cafés que as tinham adquirido. No Café do Chico
Minderico havia lotação esgotada na sala de entrada, sempre que a RTP
transmitia em sinal directo, teatro, touradas, jogos de hóquei em patins,
desafios de futebol e sempre que havia alguma final ou jogo decisivo com a
participação de equipas portuguesas. O
recurso ao salão maior que serviu mais tarde para a instalação de jogos de
snooker, era o recurso inevitável para poder acolher tão grande número de telespectadores.
Recordo-me a propósito de ver aí, numas cadeiras improvisadas, uma das muitas
finais europeias em que o Benfica brilhantemente participou.
Mas também para as
minhas memórias e de outros jovens que ali começaram a contactar a caixinha
mágica que veio revolucionar o mundo, não mais esqueceremos a magia do
"Feiticeiro de Oz", as aventuras da série "Bonanza", as
representações teatrais com participações de Paulo Renato, a energia de Palmira
Bastos a dizer que "Morta por dentro, mas
de pé, de pé, como as árvores" na peça “As árvores morrem de pé”, o
Neil Armstrong a pisar Lua pela primeira vez ou a brilhante participação de
Portugal no Mundial de Futebol em 1966. Anos mais tarde a RTP ousou de entre
outros programas, na transmissão das corridas de Fórmula 1. Era um espectáculo
televisivo e desportivo com diminuto poder de captação entre os telespectadores
do Pombalinho, éramos mais ligados ao ciclismo, futebol, hóquei patins e outras
modalidades mais massificadas, mas havia sempre um telespectador que marcava
presença bem junto ao televisor de forma a poder acompanhar atentamente os
comentários feitos pelos jornalistas! Era ele Francisco Presume. Decerto um
grande apaixonado pelos carros e pela prova maior do desporto automóvel.
Mas este lugar
frequentado pelos Pombalinhenses, não se limitava só aquela imagem muito comum
na maioria destes estabelecimentos em que o grande movimento sempre se iniciava
a partir e em redor do balcão. Como devem estar recordados, o espaço interior
proporcionava outras mais actividades lúdicas tão do agrado da várias
gerações que por ali passaram. Havia a sala maior destinada aos jogos de cartas, damas
e mais tarde bilhar, depois uma outra de dimensões mais reduzidas, onde estavam
instalados dois jogos de matraquilhos e uma mesa de ténis de mesa e ainda mais
ao fundo do casario, uma outra destinada ao jogo da malha, vulgarmente conhecido
por chinquilho. A fazer ligação a todas elas, um pátio de dimensões
rectangulares funcionava igualmente também para os jogos de mesa, mas a sua
principal e inesquecível ocupação foi na realização de matinés dançantes e nas
transmissões de filmes pelo saudoso Salvador .
Passados alguns anos e
por razões naturais da vida, este local tão especial e querido de tantos
Pombalinhenses, foi perdendo as características ambientais que foi cimentando
ao longo dos tempos. E foi com muita tristeza que vimos desaparecer do
Pombalinho um dos Cafés mais emblemáticos para a vida de tantos que por ali
passaram na procura de uns breves momentos de convívio e confraternização. Não
vivemos de saudades..., é certo, mas a memória, essa, dificilmente a poderemos
apagar.
19 julho 2007
Festas de 1919
Decorria o ano de 1919 e o
Pombalinho cumpria mais uma vez, tradicionalmente, a realização dos seus
festejos anuais. Desta vez os dias escolhidos foram 26, 27, 28, 29, 30 e 31 de
Julho e o programa para estes seis dias, foi muito preenchido em termos de actividades
devidamente apropriadas neste tipo de acontecimento popular.
No exemplar desse programa acima publicado ressalta, como nota de
curiosidade, o facto da organização desta Festa ter escolhido a Alverca de
Fernão Leite para ali instalar um pavilhão para venda de sortes da “Kermesse”.
Belos tempos, sem dúvida, alegremente vividos num dos locais mais pitorescos do
Pombalinho!
Ligação sobre
Altar para a Igreja a propósito destas mesmas Festas de 1919.
Colaboração_Joaquim Mateiro
09 julho 2007
Pombalinhense na Guerra Colonial
No Pombalinho muitos
foram os jovens que participaram na guerra colonial de África. A partida de
quantos tiveram o destino de serem enviados, era sempre difícil, pois
representava uma interrupção da convivência familiar da qual nem sempre se
sabia o seu desfecho final.

Esta foto tem um
significado muito especial para o nosso Amigo e conterrâneo Ezequiel Leal mas
também estou certo, de uma importância enorme (a partir deste momento em que
por sugestão do próprio a podemos tornar pública) para o Pombalinho! É o
registo fotográfico do primeiro Pombalinhense a
partir para a guerra colonial em África, mais precisamente no dia 15 de Junho
de 1961 !
Está escrito no verso da fotografia, pela mão do próprio: “Embarque de tropas no cais
da Rocha no paquete Uíge, com destino a Angola”. Como nota de
curiosidade, o "civil" ao lado de Ezequiel Leal é o seu tio Manuel
Leal, que não quis deixar de estar presente neste momento da sua despedida.

Esta
segunda foto é do desfile da chegada a Luanda da Companhia "Polícia
Militar nº 150" ( onde o Ezequiel esteve integrado) e outras tropas
desembarcadas do paquete Uíge, em 27 de Junho de 1961.

Este o paquete Uíge , construído no ano de
1954 na Bélgica e de 145 metros de comprimento, em que Ezequiel Leal viajou até
terras de África, no cumprimento da sua missão militar em Angola.
Foto daqui
Colaboração de Teresa Cruz e Ezequiel Leal
02 julho 2007
Instrução Primária

As Escolas Primárias estão indubitavelmente ligadas à vida de todos nós. Nem sempre foi assim, mas a partir dos anos cinquenta, rara era a criança que não entrava para a escolaridade obrigatória de modo frequentar os quatro anos da então chamada, Instrução Primária. As instalações reservadas ao acolhimento dos alunos para administração de aulas que serviam de escolas permanentes ao longo de todo o ano lectivo, começaram por ser num Edifício situado na Rua Carolina Infante da Câmara, foi cedido para o efeito pelo Visconde Porto Carrero. Caracteriza-se por uma escadaria exterior de acesso ao piso superior. Chegados aí, entra-se num pequeno hall de entrada, a partir do qual os alunos eram divididos por duas salas conforme fossem do sexo feminino (para sala da direita) ou masculino (para a sala da esquerda). Uns anos volvidos (por volta de mil novecentos e sessenta) e com o aumento do número de alunos a iniciarem-se no ensino primário, houve necessidade de alargar o espaço escolar, recorrendo-se às instalações da Casa do Povo e naturalmente a mais um professor, neste caso a mais uma professora. Aqui, como o espaço era amplo e único, as turmas inexoravelmente tinham de ser mistas, deitando assim por terra, a ideia de ensino apartado sexualmente.

Com o decorrer dos anos o Pombalinho teve finalmente em 1965, direito a um edifício adequado e definitivo para o Ensino Primário. Situa-se na Rua Joaquim Piedade da Silva e é um belo espaço pensado e dedicado aos mais jovens filhos da nossa terra.

Esta
foi uma das primeiras classes a utilizar esta infra-estrutura escolar do
Pombalinho. Está escrito no seu verso Maria Manuela Narciso Duarte e a data é
09 de Maio de 1966. De entre outras caras bem nossas conhecidas, reconhecem-se
Odete Hilário, Lena Bacalhau, Carolina Gandarez, Lurdes Cavaleiro, Lucília
Correia, Otelinda, Manuela, Luísa Guilherme, Luísa Galvão, Maria Castelo, Maria
José, Ana Maria, Lena Melão, Filomena Braga, Gracinda, Lurdes Leal, Graciete,
Luísa Leal, Dália, Ema, etc...
29 junho 2007
Corrida de Touros em 1914
Aproximam-se os meses
do ano em que se realizam as Festas Populares um pouco em todo o País. Por
tradição e desde há muito que estes eventos tiveram lugar no Pombalinho
com uma certa regularidade.
Hoje recordamos uma
corrida de touros inserida nos festejos realizados na nossa terra, nesse
longínquo ano de 1914. Todo o folheto é caracterizado pelo tom satírico que o
autor utilizou na sua criação. Desde a qualificação atribuída à Praça de
Touros, passando pelas alcunhas de todos os intervenientes na lide e até mesmo
a linguagem brejeira com que se apela ao público
presente! Um pouco fora dos pergaminhos tauromáquicos sempre tão
preservados neste tipo de espectáculo. No entanto, para mais um encontro com a
História de histórias da nossa terra, não quisemos deixar de registar aqui este
acontecimento que se realizou a 30 de Junho de 1914 no Pombalinho.
Colaboração
documental de Fernando Furtado Barreiros
15 junho 2007
Récita no Pombalinho em 1943!
Continuando neste
caminho de procura e encontro com a história da nossa terra, chegou-me esta
preciosidade de que vos dou hoje a oportunidade de apreciarem e quem sabe, se
recuarem uns anos no tempo, poderem encontrar caras bem familiares do nosso
Pombalinho. No verso desta fotografia está manuscrito o seguinte texto: "Récita nas Escolas em 1943".
Deixo-vos com o tempo e
se reconhecerem alguém neste interessante grupo escolar, ajudem-me a completar
este pedaço da história do Pombalinho.
Respondendo ao
meu apelo aquando da publicação deste post, chegou-me hoje (05 de Setembro de
2007) por via mail, um valioso contributo do nosso Amigo João Condeço sobre a
identificação dos intervenientes desta Récita Escolar de 1943. É uma
manifestação de enorme simpatia do nosso conterrâneo em resposta àquilo que
vamos fazendo neste espaço pelo Pombalinho, na publicação de alguns testemunhos
históricos daqueles que fizeram e fazem a vida social da nossa terra. De
realçar igualmente neste contributo, a importante prestação da Maria Cota (
sogra do João Condeço) no reconhecimento desta criançada de há mais de sessenta
anos.
Na fila de trás e da esquerda para a direita : Manuel Feijão, Manuel Cacifo, Luis Júlio, João Bacalhau, Isidoro Narciso, Joaquim Ferreira, desconhecido, José Leal, Carlos Cordoeiro, Francisco Sacola, Joaquim Silva (Coradinho) e Arsénio Teixeira.
Na fila da frente e da esquerda para a direita: Júlia da Luz, Conceição, Anita Leal, Laurinda, Conceição, Carolina Gaião, Maria Adelaide Leal, Otelinda Oliveira, Vitória, Felismina, Dalila, Maria Alice Dias, Maria Helena Correia Minderico, Maria Grais Rodrigues Cota e Maria Luisa Grais.
Na fila de trás e da esquerda para a direita : Manuel Feijão, Manuel Cacifo, Luis Júlio, João Bacalhau, Isidoro Narciso, Joaquim Ferreira, desconhecido, José Leal, Carlos Cordoeiro, Francisco Sacola, Joaquim Silva (Coradinho) e Arsénio Teixeira.
Na fila da frente e da esquerda para a direita: Júlia da Luz, Conceição, Anita Leal, Laurinda, Conceição, Carolina Gaião, Maria Adelaide Leal, Otelinda Oliveira, Vitória, Felismina, Dalila, Maria Alice Dias, Maria Helena Correia Minderico, Maria Grais Rodrigues Cota e Maria Luisa Grais.
Nota - Para
visulizar prospecto alusivo a este evento, realizado no Pombalinho,
clicar AQUI
Colaboração
Fototográfica_José Leal
Colaboração
Texto_ João Condeço
06 junho 2007
José Leal atleta na Azinhaga!

Já aqui fizemos
referência a um atleta Pombalinhense que
granjeou uma certa notoriedade ao serviço da equipa de atletismo do Sporting
Clube de Portugal, refiro-mo a Guilherme Afonso. Outros, igualmente resolveram
sair de portas na decisão de representarem outros clubes ou colectividades,
como foi o caso do José Leal !
O ano é de 1948 e a
equipa que o José integrou nesse longínquo ano foi da nossa bem conhecida e
vizinha Azinhaga. Ei-lo aqui nesta fotografia, sendo o terceiro a contar da
esquerda para a direita e de joelhos.
Colaboração fotográfica_José Leal
26 maio 2007
Júlio Freire
Falar de Júlio Freire é
recordarmo-nos de alguém que militava persistentemente na crítica a tudo o que
entendia não estar de acordo com as suas ideias e princípios.
Nem sempre recebia das gerações mais novas a aderência a ideias
relacionadas com os caminhos que achava serem os mais correctos e úteis para a
vida colectiva! Mas quem teve com este homem a ousadia e a oportunidade da sua
aproximação nem que tivesse sido por uns breves instantes, muito de
proveitoso foi o tempo, tal era a sua vontade na transmissão do conhecimento e
do saber.
Eu fui um dos que tive esse privilégio ! E dos primeiros livros
que comprei assim que economicamente o pude fazer, por razões dessa
aproximação, foi o Dicionário Ilustrado da Larousse. Aí por finais dos anos
sessenta, quando terminavam os serões televisivos no Café do Chico Minderico
(nesses tempos a programação da TV
encerrava pouco antes da meia noite) e sempre que passávamos frente á sua casa,
lá se encontrava o velho Júlio Freire sentado a apanhar a aragem fresca dessas
noites quentes de Verão. E foi num desses dias que dirigindo-se a mim, me
disse: “Oh, Calvaria chega lá aqui”,
e abrindo um livro espesso com sinais de algum uso mas ainda em muito bom
estado de conservação, mostrou-me como um simples folhear de páginas nos
poderia proporcionar viagens extraordinárias à vida de Ulisses, Galileu,
Arquimedes, Vasco da Gama e de tantas outras figuras que marcaram a História
Universal. Fiquei deslumbrado, pois tinha pela primeira vez diante dos meus
próprios olhos, um Dicionário Ilustrado.
O Júlio Freire andava
sempre de lápis na orelha e quando abríamos o jornal “O Século”,
no café do Chico Minderico, já as palavras cruzadas estavam completamente
decifradas e escritas a grafite. Raramente ficava por preencher alguma
quadrícula, mas foi um desafio a que nós jovens nos propusemos também igualar e
hoje posso dizer que foi devido a esse facto que adquiri o gosto por essa
procura incessante dos sinónimos correctos que coubessem naqueles quadrados tão
peculiares. Fiquei a saber sem nunca mais me esquecer, que a grainha também se
chamava arilo, que Pó era rio italiano, ou que ola também era panela.
No desempenho da
actividade profissional pela qual era mais conhecido, Júlio Freire teve nos
seus últimos anos de vida um estabelecimento de venda de pão na rua de
Santo António, precisamente em frente e oposto ao que hoje existe. Mas as
minhas memórias recuam um pouco mais e situam-se no tempo em que o pão era
comercializado a peso. Sempre que nos dirigíamos à sua casa de habitação que
servia simultaneamente de venda ali na Rua Barão de Almeirim e lhe pedíamos um
quilo de pão, lá vinha o célebre contrapeso , que mais não era do que um bocadinho
desse precioso alimento que perfazia exactamente o seu peso que tínhamos
solicitado.
Conheci o velho Júlio superficialmente, mas penso não
me enganar se disser que era um homem extremamente insatisfeito com as
situações de injustiça que prevaleciam então na sociedade, lembro-me já não sei
em que ano nem em qual eleição, de o ver dirigir-se já muito debilitado
fisicamente à mesa de voto para cumprir o seu direito de cidadania !
Nota - Quis o nosso Amigo Guilherme
Afonso colaborar e bem nesta pequena evocação que o Pombalinho pensou prestar ao Júlio Freire. Essa
contribuição está nos comentários deste post, mas acho
que é de todo o mérito ser incluída complementarmente a este texto.
Diz ele então que “... o
nosso grande amigo Júlio Freire foi um oposicionista convicto aos Governos do
Estado Novo ( Salazar e Caetano) e que passou uns meses na cadeia do Aljube por
ser Delegado, no Pombalinho, da candidatura do General Humberto
Delgado à Presidência da República.”
Aqui fica pois o
testemunho de um acto de verdadeira coragem, em tempos muito difíceis.
23 maio 2007
Rio Alviela
A propósito de mais uma
descarga poluente no Rio Alviela , veio-me à
memória o tempo das cheias do Rio Tejo. Logo que as águas baixavam de nível e
se escoavam em grande parte pelo caudal do nosso maior rio, era hora dos mais
experientes e dedicados à pesca da enguia, prepararem o remolhão ( isco preparado de minhocas enfiadas longitudinalmente
numa linha) e esperarem pela noite para lançarem a sua sorte no Rio Alviela.
Hoje já não é assim, a
poluição proveniente pela incúria dos homens muito tem contribuído para a morte
lenta do rio, por isso é que esta imagem do nosso conterrâneo Júlio Freire a
pescar na margem do Alviela por volta dos anos sessenta, provoca uma nostalgia
a quem tem da natureza, um bem inestimável a que todos devíamos
obrigatóriamente preservar.
Colaboração Fotográfica_Guilherme Afonso
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