26 janeiro 2008

A praça em 1964


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“Praça” era a designação do local onde, aos Domingos, depois do almoço e envergando os seus fatos e vestidos domingueiros, separadamente se juntavam os homens e as mulheres em busca de patrão para a semana seguinte, pois que para contratarem o pessoal de que necessitassem lá estariam igualmente os capatazes ou os patrões cuja riqueza não dava para meter capataz, que era o caso do patrão-seareiro.

Em três locais diferentes e por esta ordem conheci eu a “praça”: no cruzamento da Rua de Santo António com a estrada que vai para a Azinhaga; junto à taverna das Motas, que confinava com o recinto da igreja; e no adro da igreja. Era um tempo em que raramente passava um veículo puxado por animais ou um ciclista, e mais raramente ainda um veículo motorizado. E, por isso, o pessoal ocupava a estrada.

Nesta imagem, datada de 1964, podem-se reconhecer, Luís da Conceição (de bicicleta), Francisco Cruz, Romão Sapateiro, Dionísio Vinagre e José Dias (ao fundo e à direita).
Nota - Outra referência a este ritual domingueiro dos trabalhadores assalariados, poderá encontrar em Perfume da Alma ou aqui na A Praça .



Texto e Fotografia de Guilherme Afonso 




16 janeiro 2008

Cheias do Tejo !


Neste inverno que ainda estamos a atravessar e ao invés de outros que já passaram, não houve as habituais cheias que o nosso rio Tejo sempre nos presenteava nesta altura do ano. Em tempos as águas do maior rio português procuravam, em zonas mais baixas das suas margens, lugar para dar vazão ao aumento de caudal em tempo de chuvadas de maior intensidade.

Hoje com as condições climatéricas alteradas e a construção de imensas barragens hidroeléctricas ao longo do seu leito, assiste-se gradualmente a uma ausência nostálgica das cheias do Tejo. Os mais entendidos na matéria, sempre as defenderam quanto à sua acção benéfica de efeitos fertilizantes nas terras alagadas pela passagem das suas àguas nesta zona do Ribatejo!

Salvaguardando aquelas que de níveis mais descontrolados, destruíam alguns afazeres de carácter doméstico, de facto, as terras banhadas por estas àguas, adquiriam uma condição agrícola de excepcionais características. As imensas vinhas que então existiam na nossa terra, raramente exigiam a condição de serem regadas durante todo o verão e os poços existentes nas muitas hortas e terras de cultivo, mantinham níveis de água consideráveis ao longo de todo o ano. Hoje a realidade, infelizmente, é bem diferente!


Em 2006 ocorreram no Pombalinho as últimas cheias , hoje resta-nos esta militância de vontades no reabrir deste tema de modos diferentes, mas que a muitos Pombalinhenses marcou, com toda a certeza, episodicamente as suas vidas!


Cheia 2006


Pombalinhenses em missão de ajuda aos nossos vizinhos de Reguengo de Alviela .

Foto_Correio da Manhã






Cheia que assolou o Pombalinho no ano de 1964, com as mulheres lavando roupa nas tão características "tripeças" e as crianças brincando na água. Momento registado fotograficamente por Guilherme Afonso, na confluência da Rua de Santo António com a Rua Manuel Monteiro Barbosa.




13 janeiro 2008

Casamentos VIII





É sempre com muito agrado que ficamos, quando surgem renovadas possibilidades de publicarmos fotografias sobre festas de noivados de Pombalinhenses. Hoje congratulamo-nos com o reavivar de memórias de um desses casamentos que ocorreu no ano de 1968 e os noivos foram os nossos bem conhecidos, Evangelina Barros e o seu marido Américo Graça.





05 janeiro 2008

A poda da vinha!







A poda da vinha é uma actividade agrícola de carácter sazonal que normalmente ocorre no início de cada ano e antes dos rebentos das videiras começarem a brotar. É das intervenções mais exigentes no que se refere ao saber, pois do seu rigor depende o sucesso a nível produtivo de toda a colheita que, lá para finais de Agosto, irá ser transformada nos nossos afamados vinhos brancos e tintos.

Tempo houve em que no Pombalinho homens de tesoura na mão e serrote à cintura, percorriam pacientemente os vãos das vinhas, rejuvenescendo o aspecto cansado das cepas e preparando-as para mais uma saudável frutificação! Hoje os tempos são de cultivo intensivo e nas poucas vinhas que ainda restam, resultado porventura do devaneio da globalização da monocultura, impera a presença fria e implacável das máquinas!

É por isso que recordar, nesta altura do ano, os que laboriosamente pegavam nas varas ou nos sarmentos e os seleccionavam para a próxima produção vinícola, faz todo o sentido neste nosso espaço de dedicação aos valores da memória. Infelizmente, só nos propósitos de uma justa divulgação é que é possível transmitir às gerações vindouras realidades que os tempos irreversivelmente teimam em apagar. E porque achamos que o futuro só se constrói superiormente com os ensinamentos do passado, continuamos orgulhosamente por aí!

Esta fotografia refere-se a um dos últimos grupos de trabalhadores do Pombalinho que podaram as vinhas da Quinta da Casa Barão de Almeirim, não se sabendo exactamente o ano em que foi registada. De entre outros, podem-se reconhecer, António Maria,  Jerónimo Mogas,  Nicolau Mogas,  Manuel “da neta” ,  Diamantino Grais,  Peralta,  Carlos Eleutério  e  Avilez.




Ligações relacionadas –  As Vides  +   Poda das Oliveiras





Colaboração Fotográfica_João Condeço




27 dezembro 2007

Fim de Ano de 1971!!!



Os festejos das passagens de Ano no Pombalinho não diferiam muito das que um pouco por todo o lado se faziam nas aldeias do nosso país. Uma das formas de se conviver em grupo durante este momento único do ano, era o recurso à realização de um baile em espaço apropriado e depois da meia-noite a tradicional reunião à volta da mesa para celebrar em ambiente festivo a saída do Ano Velho e a entrada no Novo Ano. Rebuscando as minhas fotografias, veio-me à memória uma dessas celebrações que teve como local escolhido, a casa do Diamantino da Costa, mais precisamente numa grande sala que este possuía ao fundo da sua moradia e onde habitualmente se realizavam matinés dançantes. Foi pois aí que nesse ano de 1971, um grupo de jovens Pombalinhenses uniram esforços e propiciaram a todos os que quiseram participar (ou teria sido por convites?) de uma forma diferente, a entrada do Novo Ano. Registe-se que a participação musical, esteve a cargo da nossa querida e inesquecível Victória da Silva.

Vitoria


Um dos momentos de descanso, enquanto a Victória iniciava mais uma interpretação musical.






Dançando uma valsa ou quem sabe um tango, mesmo, mesmo, é a boa disposição demonstrada por este alegre par de dançarinos.





Uma pausa para a pose fotográfica.







Tinha chegado o momento da confraternização à volta da mesa!







Este momento só poderia indiciar a saída do Velho Ano de 1971 e a entrada no Novo Ano de 1972



Algumas caras bem nossas familiares ficaram retratadas nestas fotos. Reconhecemos a Gena Hilário, o José Lino, o António Carlos Martins, o António Carlos Branco, a Carolina a Maria Albertina, o Miguel da Costa etc...





16 dezembro 2007

Então é Natal !!!





Aproxima-se mais um Natal e o despertar das nossas memórias é accionado de uma forma instantânea e já um pouco distante, ao que vamos preservando cuidadosamente nos baús das nossas existências. Lembro-me das fantasias que nos eram proporcionadas com o chegar dos festejos natalícios. O tempo, esse, era frio e chuvoso como se as condições atmosféricas adivinhassem que os presépios só adquiririam o seu verdadeiro sentido, se revestidos com o musgo que cuidadosamente íamos buscar aos troncos grossos das oliveiras que então existiam..., daquelas que foram arrancadas por já não serem produtivamente rentáveis! O estábulo onde estava o Menino acompanhado pelas restantes figuras tradicionais, assim como o caminho percorrido pelo Baltasar, Belchior e Gaspar, era iluminado por umas pequenas velas de cera, transmitindo a todo o presépio um sentido bem diferente daquele que hoje lhe damos com aqueles cordões de iluminação eléctrica, comprados e fabricados num qualquer país asiático! E o sapatinho? O mistério existia mesmo! Na noite de Natal lá o colocávamos a um cantinho das lareiras dos nossos pais e logo pela manhã bem cedo lá estávamos para ver os tão desejados presentes do Pai Natal. Podiam ser simples, mas a magia de um ambiente de felicidade por este momento único, funcionava de uma forma contagiante a toda a família. Depois e ainda pela manhã, chegava a hora de nos deliciarmos com os tão esperados velhoses e coscorões. Já os tínhamos provado na Noite de Natal ainda quentes da fritura e na qual o papel da nossa avó em conjunto com a necessária ajuda da nossa mãe se tornavam em presenças indispensáveis, mas a partir de agora era certo que os famosos fritos iriam fazer parte dos nossos pequenos-almoços até ao Domingo de Reis. Hoje compram-se em qualquer confeitaria, não existindo mais esse maravilhoso ritual do seu fabrico em ambiente verdadeiramente natalício. Em vésperas do Natal, já a abóbora menina tinha atingido o seu estado ideal de maturação. Trazida da horta, era descascada, limpa das pevides e cortada aos cubos, de seguida colocava-se dentro duma enorme panela com água para ser devidamente cozida. Depois era amassada num alguidar de barro, onde previamente se tinha misturado a farinha, o sal, ovos e um pouco de fermento. A partir daí era o segredo, as mãos fechadas permitiam que os nós dos dedos transformassem essa mistura numa massa tenra e pronta a dar os famosos velhoses e coscorões, sem que antes não se tivesse tapado com uma manta bem grossa o preparado de modo a levedar convenientemente para o dia seguinte. Hoje abrimos o baú e estas lembranças invadem-nos o coração! Uma amiga interrogava-se a propósito, sobre o que tinha feito para tudo que isto não se tivesse perdido no tempo! Interrogando-me no mesmo sentido, suspeito, com as razões que me assistem, da inevitável evolução intrínseca da vida! Resta-nos as memórias..., e se tivermos tempo, iremos abrindo aos tempos de hoje, a bela arca das nossas memórias. Um Bom Natal para todos!


14 dezembro 2007

Casamentos VII

Milita


Já aqui manifestamos o quanto nos satisfaz, a publicação de registos fotográficos que testemunhem esses dias tão importantes para as vidas dos que resolveram pelo matrimónio, iniciar um novo caminho nas suas vidas. Pela simpatia da Milita Mateiro e do Joaquim Mateiro, foi possível registar nesta galeria histórica do Pombalinho a fotografia de família jovem do seu noivado.



Mas como hoje em que estamos a recordar esse momento tão importante na vida da Milita e do Joaquim, coincide precisamente com o dia do seu noivado, 14 de Dezembro de 1969, daqui lhes enviamos muitos parabéns pela passagem do seu trigésimo oitavo aniversário de casados.

04 dezembro 2007

Pombalinhenses em Lourenço Marques II

Em Fevereiro de 2007 referimo-nos aqui neste espaço aos Pombalinhenses que por circunstâncias da vida rumaram até à então denominada província ultramarina de Moçambique, na busca de condições de vida que lhes eram negadas no também então chamado Portugal continental. Recentemente chegou-nos este bonito registo de um encontro desses nossos conterrâneos, onde a alegria e boa disposição está manifestamente presente neste momento vivido de saudável confraternização. Que saudades, dirão com toda a certeza! Mas viver é isto..., sempre que estes quadros nostálgicos nos surgem nas esquinas da vida, mais não teremos de fazer do que meditar os caminhos que percorremos para entendermos melhor os viajantes que somos!

Já depois desta publicação ter sido disponibilizada na internet, recebi do nosso Amigo Joaquim Mateiro uma prestável colaboração na identificação deste grupo de Pombalinhenses em terras de Moçambique. Assim sendo, podemos reconhecer da esquerda para a direita, o Joaquim Henriques, o Alcides Vieira, o António Duarte, o Manuel Cavaleiro, o António Leal, a Lena Leal, o Luís Conceição, o José Alexandre, a Maria Adelaide Leal, o José Alcobia, a Lourdes Teixeira, a Carolina Teixeira, a Elvira Teixeira e o Diamantino Teixeira. Na frente e pela mesma ordem, a Níu, filha da Lourdes Teixeira, o Mário e o Paulo Alexandre, o Luisinho Teixeira, um colega do Alcides, o Joaquim Mateiro, a Milita Mateiro e a Lourdes.

30 novembro 2007

Récita Escolar em 1943






Creio não existirem muitos mais prospectos iguais a este que hoje publicamos neste nosso espaço de histórias do Pombalinho. Arriscaria mesmo atribuir-lhe a condição de exemplar único, tal a sua antiguidade!
 
 Serviu para publicitar uma Récita realizada em 9 de Maio de 1943 , de que aliás já fizemos notícia histórica no "Pombalinho"  em 15 de Junho de 2007 .
 
 
 
Colaboração documental de Maria Luísa Narciso
 
 

25 novembro 2007

Francisco Barrão I


















Em 11 de Fevereiro de 2007 publicamos neste espaço do Pombalinho, com fotografias que o Joaquim Mateiro nos disponibilizou, uma justíssima referência à festa de homenagem de Francisco Brás Barrão Júnior. Hoje chegou-nos por intermédio do nosso amigo e conterrâneo João Condeço, um exemplar do Convite dessa cerimónia que as gentes do Pombalinho quiseram prestar ao seu antigo presidente da Junta de Freguesia. É pois desse documento, naturalmente a fazer história das histórias da nossa terra, que vos possibilitamos a sua visualização e que por bem achamos inseri-lo no Pombalinho.






18 novembro 2007

Festas de 1927











Fez no passado mês de Agosto oitenta anos que se realizaram mais uns festejos no Pombalinho em honra do Mártir Santo Sebastião. Durante os dias 27, 28 e 29 e de acordo com o programa publicado, houve momentos de lazer, religiosos, fogo de artifício e a tradicional quermesse! Como notas de curiosidade, o facto da alvorada de Domingo ter sido abrilhantada pela Banda União e Recreio do Pombalinho às seis horas da manhã e a procissão realizada às dezasseis horas desse mesmo dia, ter percorrido todas as ruas da nossa terra!


Colaboração_JMateiro



12 novembro 2007

Teatro no Pombalinho - VI



Já aqui fizemos referência a esses tempos áureos em que na nossa terra um punhado de gente se predispôs a levar à cena peças teatrais nesses longínquos anos de 1958 e 1959. Sabia-se que essa tradição artística provinha de anos anteriores à década de cinquenta, mas ao "Pombalinho" ainda não tinha sido possível publicar testemunhos fotográficos que retratassem esses inolvidáveis tempos que levaram bem alto o nome do Pombalinho. Hoje é com enorme alegria e porque não dizê-lo, também com muito orgulho, que possibilitamos a todos os visitantes deste espaço, o prazer de poderem apreciar estas fantásticas fotografias de gente que depois do desempenho das suas profissões ainda tinham disponibilidade para enobrecer artisticamente o Pombalinho. Recordá-los, pois, é um acto de justiça que lhes poderemos fazer e que eles estou certo, bem merecem!






No verso desta fotografia está referenciada a data de 09 de Maio de 1944 e "Grupo da Récita do Pombalinho". Da esquerda para a direita e de pé podemos reconhecer, Joaquim Melão, Joaquim Alfaiate, Rui Borges, Veríssimo Duarte, Manuel Gomes, Francisco Duarte, Manuel Galvão, José Correia Presume, Diamantino Carvalho, e Arnaldo. Na frente e segundo a mesma ordem, Olímpia Borges, desconhecida, Ana Maria, Ema Braga, desconhecida e Gertrudes Cunha.









Descrição no verso desta fotografia: 09 de Maio de 1944 - 3 raprioqueiros - Recordação do Grupo da Récita do Pombalinho. Reconhecem-se da esquerda para a direita: Joaquim Melão, Ema Braga e Francisco Duarte.








Veríssimo Duarte e Manuel Gomes.








Descrição no verso da fotografia: 09 de Maio de 1944 - Cena da Flôr da Aldeia, Mrs. Cangireau e Zuquinho. São eles, Manuel Galvão e Francisco Duarte.







No verso da fotografia está descrito: 09 de Maio de 1944 - Recordação da Récita em Pombalinho - Cego e Madrinha. São eles o Arnaldo e a Ema Braga.



Colaboração fotográfica – Maria Luísa Narciso Duarte




04 novembro 2007

Casamentos VII






Domingo é tradicionalmente o dia escolhido para a celebração de casamentos e a entrada principal da Igreja o local  eleito para a chamada fotografia de família. O casamento a que se reporta esta fotografia foi o de Diamantina Carvalho com Ezequiel Leal, realizado no Pombalinho  em 25 de Outubro de 1964. 



Para ligação relacionada clicar em    25-Out-1964   




29 outubro 2007

GIP




A memória é tramada! Ela é um depósito inesgotável de bons e maus momentos que a vida se vai encarregando de nos atribuir neste caminho tão belo que por vezes só damos conta do seu real valor quando paramos por breves momentos na contemplação do nosso passado irremediavelmemte longínquo! É o exemplo desta fotografia! 
Um grupo de conterrâneos, aí por finais dos anos sessenta do século passado, resolveram formar um grupo com o intuito de organizar pequenas festas, bailes, passagens de ano, etc... O nome tinha as iniciais de GIP e significava Grupo Infeliz do Pombalinho! A sua composição era formada pelo Fernando Leal, Conceição, Constança, Carolina, Miguel, Chico, João Maria, Gena Hilário, António Carlos, Victória e Júlio Gabriel. E para as nossas memórias ficam esses tempos em que ainda havia tempo para a dinamização da amizade em clima de imensa confraternização!



Colaboração fotográfica_FLeal

21 outubro 2007

Fernando Duarte




Já chegou a Expedição...
A todos perguntando vou...
E ninguém me dá relação,
Onde o meu filho ficou.

Aqui te vi embarcar,
Em dia três no Arsenal!...
Foi quando partiste de Portugal!
Hoje aqui te vinha esperar...
Estou farta de perguntar!
Ninguém de ti me dá relação...
Triste o meu coração,
Enquanto ao meu lado não te ver!
Vim aqui por ouvir dizer,
Já chegou a expedição.

A todos em geral pergunto,
Por meu tão querido filho...
Por não saber o seu trilho,
Ou se já será defunto...
Vejo tanto colega junto,
Com quem meu filho embarcou!
Hoje por quem esperando estou,
Para o poder abraçar!
A quantos vejo passar,
A todos, perguntando vou.

Meu filho em combate ficou?
Meu coração me quer dizer...
É triste tanto sofrer,
Uma mãe que o criou!!
Se algum crime praticou
E se está encarcerado numa prisão,
Para alívio do meu coração,
Quem notícias do meu filho me diz?
Pergunto por meu filho infeliz...
E ninguém me dá relação!


Eu estou ansiosa,
Para notícias dele saber...
Que tudo mandou dizer,
À sua mãe tão carinhosa...
Oh viagem maravilhosa,
Para quem hoje aqui chegou!...
Que alegria para os seus pais...
Digam-me dos restos finais,
Onde meu filho ficou!





Este poema de Fernando Duarte foi retirado do Livro "Pedaços da Minha Vida ", editado em 19 Junho deste ano de 2007 conforme publicação que fizemos no Pombalinhense . A sua autora e filha deste ilustre conterrâneo, Maria Luísa Narciso Duarte, quis prestar-lhe uma merecida homenagem e nós  damos hoje a conhecer um pouco mais de Fernando Duarte.

Nas palavras de sua filha, esta sentida poesia é um relato verídico e emocionado de uma situação que seu pai presenciou no regresso de uma expedição a Angola, onde esteve integrado por imperativos nacionais durante a 1ª Guerra Mundial.



Fernando Duarte ( Pombalinho 1891 – 1978)


09 outubro 2007

Casa Farol




Não tinha qualquer indicação publicitária de néon ou mesmo alguma referência que o identificasse, mas foi dos espaços comerciais existentes no Pombalinho que mais clientela fidelizou ao longo de muitos anos de serviço prestado à população da nossa terra e mesmo de outras nossas vizinhas.

 Esta loja, de cujos fundadores não se sabe bem quem foram, nem a data correspondente da sua abertura ao público, teve como proprietários durante a últimas quatro décadas do século passado, o Francisco Maria Borges e sua esposa Aurelina, seus filhos Rui e Olímpia e seu neto Victor. A loja situada estrategicamente no cruzamento da Rua Barão de Almeirim com a EN 365 de quem vem da Quinta de Fernão Leite, ocupava um espaço de dimensões rectangulares e estava dividida em duas áreas bem distintas no primeiro piso do edifício, sendo o segundo destinado à habitação da família.


A entrada principal era acessível por uma varanda, na qual duas montras a ladear a porta serviam de amostragem aos artigos de utilidade doméstica e outros de carácter mais consumista. Lá dentro poder-se-iam adquirir louças, bijutarias, produtos de doçaria, material didáctico e escolar , roupas etc...




A Olímpia e o seu irmão Rui.






... foi ali também que se iniciou no Pombalinho a corrida ao então recém-chegado jogo do Totobola e ficou nas nossas memórias aquela máquina alaranjada que tanto desespero nos causava, tal o rigor excessivo com que o Rui imprimia às operações de validação do precioso boletim da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

A outra área, de dois meios portões a servir de entrada e em rampa, foi para muitos de nós o acesso ao que de mais maravilhoso estava a acontecer na nossa terra e um pouco por todo o país, a possibilidade de contactarmos pela primeira vez com essa maravilha da técnica a quem mais tarde apelidariam de caixinha mágica. De bancos corridos, a sala enchia-se nessas inesquecíveis tardes de domingo para assistirmos a uma programação nem sempre aliciante mas que satisfazia em grande parte pela curiosidade, tal o entusiasmo que as imagens televisivas despertavam em todos nós.

Este espaço tinha lateralmente umas vitrinas com as mais variadas classes de materiais expostas para o consumo imediato. Um pouco mais acima e em anexo à cozinha da família, situava-se um compartimento apetrechado com ferramentas de desbaste, de onde sobressaía um vastíssimo stock de limas de todo o tipo e tamanho. Ainda mais a norte e no mesmo alinhamento do edifício surgia uma outra sala que veio alterar de certa forma os hábitos e costumes enraizados de há muito nas vidas daqueles que se predispunham de tempos a tempos a visitar os tradicionais e velhos sapateiros da nossa aldeia, uma sapataria onde era possível experimentar os mais variados modelos de acordo com os gostos mais exigentes. E mais ao fundo já no limite da área comercial da família Borges, uma estância de madeiras já com as peças devidamente cortadas e aparelhadas, possibilitava o fornecimento aos construtores civis do material então utilizado nos telhados de casas e armazéns.


 Se agora regressássemos em direcção à entrada deste complexo comercial, surgia-nos à direita um muro de meia altura que dividia as propriedades até chegarmos ao anexo mais requisitado pelos profissionais das mais variadas áreas , era a sala das ferragens e ferramentas. Ali, quem quisesse uma fechadura, um martelo, uma chave francesa ou o mais raro parafuso, nunca saía de mãos vazias, tal a dimensão e a diversidade do stock existente!!!





Mas na memória de muitos, então “garotos” da minha idade, ficará para sempre gravado o deslumbramento com que desembrulhávamos aqueles preciosos rebuçados para vermos ansiosamente se nos tinha saído aquele "cromo da bola" que nos faltava para completar aquelas maravilhosas cadernetas dos craques de futebol !!!!


Era assim, foi assim, a loja que mais recordações deixou nas memórias de muitas gerações de Pombalinhenses que por ali passaram e que hoje têm com toda a certeza uma qualquer história sobre a casa  Farol do Pombalinho, como esta que vos acabo de contar neste espaço que se pretende ser, de histórias sobre a História do Pombalinho!

F - Francisco Maria Borges
A - Aurelina Borges
R - Rui Borges
O - Olimpia
L – Luis


Colaboração Fotográfica – Guilherme Afonso/Teresa Cruz




02 outubro 2007

Vera Cruz Futebol Clube VI






Continuamos com todo o gosto e um sentimento naturalíssimo de muita saudade, a publicar fotografias dessa época inesquecível para o futebol do Pombalinho que foram esses longínquos anos sessenta do século passado. O local de competição ainda era o velhinho campo das Ónias e os participantes desta equipa de entre muitas outras que participaram nos campeonatos da FNAT em representação do Pombalinho, são de pé e da esquerda para a direita, Duarte Cruz, Ezequiel Mateiro, Manuel Minderico, José Gomes I, José Gomes II, José Guilherme, Manuel Barão e Francisco Cruz. De joelhos e pela mesma ordem, José Bacalhau, António "Charola", António Domingues, José Braga, Justino e Isidoro.

Colaboração Fotográfica_FLeal






23 setembro 2007

Curso Feminino em 1969



No ano de 1969 realizou-se na Casa do Povo do Pombalinho um curso patrocinado pela entidade local ligada a esta infra-estrutura e com a indispensável ajuda da sua estrutura superior ao nível da região de Santarém. Este curso teve por objectivos fundamentais, o ensinamento dos princípios básicos e elementares no âmbito das variadas vertentes da vida ligadas ao desempenho da população feminina, nomeadamente, culinária, puericultura e lavores.




A participação e vontade de aprender tiveram uma resposta muito positiva por parte da juventude do Pombalinho, de onde se reconhecem nesta fotografia, a Gena, a Clementina, a Laurinda, a Lena e sua cunhada, a Fernanda, a Carolina, a Graça, a Lurdes, a Aurora, a Dália, a Lucília, a Milita, a Lena Leal, a Lisa, a Luísa e sua irmã Teresa, a Belmira, a Maria Albertina, a Lurdes Gomes e a Bisita. Mas também a indispensável orientação e administração de conhecimentos esteve bem presente, como se pode testemunhar pela presença de Ana Leal, Josefina Martinho, Maria Adelaide Leal, Diamantina Carvalho e a professora Conceição.







O momento em que Ana Leal recebia de Mata-Fome, uma saudação muito especial pela sua participação neste curso patrocinado pela Casa Povo do Pombalinho.








Uma das alunas, Bisita, quando recebia das mãos do presidente das Casas do Povo da região de Santarém, o diploma de participação e conclusão do respectivo curso.




Colaboração Fotográfica_F Leal/Teresa Leal






19 setembro 2007

Casamentos VI


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Continuando na história de casamentos realizados no Pombalinho,  recordemos um que conseguiu juntar imensa juventude como convidados para assistirem a esta celebração matrimonial de vidas dos noivos, Teresa e Carlos Melão. Eles continuam e bem a irradiar aquela simpatia a que nos habituaram nos muitos anos de convivência por caminhos percorridos durante esses períodos únicos e não mais repetíveis da nossa juventude.


A foto foi tirada no adro da igreja do Pombalinho e reconhecem-se da esquerda para a direita, António Bráz, Manuel Gomes, Carlos Santos, Teresa e Carlos Melão, António Carlos, João Correia e Fernando Leal.





13 setembro 2007

Casamentos V




Em 8 de Maio do corrente ano lancei o desafio aos visitantes desta página para que aderissem à ideia de publicarmos  neste espaço fotografias de casamentos de nossos conterrâneos. Justifiquei então que me tinha ocorrido “ ... a ideia de endereçar a todos vós este aliciante desafio, que é, o de contribuirmos para a publicação aqui no Pombalinho, desses testemunhos tão especiais para tantos nós. Estou certo que assim, este espaço ganhará um sentido de maior referência para as gentes da nossa terra.”

Pois bem, recebi há bem pouco do F Leal esta excelente fotografia de casamento dos seus sogros Júlia Leal e Duarte Cruz, realizado no Pombalinho no ano de 1952.

Deixo-vos ao exercício de memória,  este registo certamente histórico para os noivos, mas também para suas famílias e acompanhantes.