11 fevereiro 2010

Pombalinho em 1954!





Fotografia tirada do cimo da torre da igreja, presumívelmente para registar os enfeites da rua Barão de Almeirim alusivos às festas anuais do Pombalinho.





01 fevereiro 2010

Fernando Duarte!




Fernando Duarte, acompanhado pelo míudo José Cardoso de  Vale de Figueira e sua tia.



Em tempos passados, a actividade comercial nas aldeias estava ainda longe de uma profissionalização que mais tarde veio a surgir e que se transformou naquilo que hoje podemos chamar de comércio local!

Nas poucas lojas que existiam abertas ao público, vendiam-se essencialmente produtos de mercearia e os restantes bens de consumo imprescindíveis à vida quotidiana das pessoas eram transacionados nas feiras ou de porta a porta. Neste último caso, os vendedores/compradores percorriam o interior das localidades e pelas ruas lá iam apregoando os mais variados produtos que se propunham negociar! Deslocavam-se em carroças, mas também havia quem, montado num burro ou numa mula se apresentasse a percorrer as aldeias mais próximas.

 Da fruta, à roupa, passando pelo peixe, tudo de um pouco era vendido. Mas também havia quem comprasse! Como era o caso do nosso conterrâneo Fernando Duarte que se dedicava ao negócio dos galináceos! As galinhas, patos e perús depois de regateados por um preço acordado entre ambas as partes, eram "despachados" por comboio, a partir de Mato de Miranda e com destino a Lisboa!

 Refira-se a propósito que um dos filhos de Fernando Duarte, de seu nome Francisco Duarte, deu continuidade a esta actividade iniciada pelo seu pai , tendo pelo facto e a título de curiosidade, sido atribuído popularmente a ambos uma alcunha que tinha a ver com a singularidade da profissão que exerceram. A de "Pardal"! Eram conhecidos no Pombalinho por Fernando e Francisco Pardal!



Colaboração fotográfica de Mª Luísa Narciso






27 janeiro 2010

O "Portugal" !


Pelos caminhos da vida há acontecimentos que se colam à nossa existência como se deles precisássemos para, em momentos oportunos, compreeendermos melhor as voltas que ela nos deu!

 Diz-se, de quem já adquiriu uma certa sabedoria nestas coisas filosóficas da vida, que há um tempo próprio para tudo! Sinto que sim, que a frase faz todo sentido! Hoje pausadamente contemplamos o que ontem nem com um fugaz olhar, achavamos que valia  a pena! Saboreamos a busca das palavras para ilustrarmos memórias, que nunca esquecemos! E para nossa própria surpresa, ao reeditá-las, revivemos de uma forma particularmente especial tempos que, apesar de progressivamente distantes, nunca deixaram sentimentalmente de nos pertencer!

Eu era um rapazinho com uns cinco, seis anos de idade, e grande parte do meu tempo disponível era dedicado às brincadeiras, próprias de quem vivia numa aldeia de província! E quem é que nos ensinava as manhas dos jogos próprios desta idade? Do berlinde, do jogo às escondidas, do brincar aos cowboys e tantos outros divertimentos com que a míudagem desses tempos se entretinha? Naturalmente os rapazes mais velhos! E normalmente os da nossa rua ou os que nos fossem mais próximos por outras quaisquer razões. Daí a tentativa, sempre que a possibilidade surgisse, para esta aproximação estratégica.

 E num belo dia de verão, eu assim fiz. Alcancei nas proximidades da casa dos meus pais um grupo formado pelo João Melão e pelos irmãos Alcides e Diamantino Vieira, e fui-me chegando a eles na intenção de aprender algo sobre matéria que ainda não dominasse ou fosse do meu desconhecimento! Só que os marotos não acharam graça nenhuma à minha atrevida ousadia e logo trataram de me provocar um rápido e eficaz (vim mais tarde a confirmá-lo) recuo das minhas intenções! Do que é que eles, inconscientemente e sem se darem conta das consequências que essa atitude iria provocar, se lembraram de fazer? Açularam-me o "Portugal" ! Era um cão enorme, corpulento e quase da minha altura! Servia de guarda à propriedade dos pais dos irmãos Vieira, o saudoso José Vieira, “Cigano”, como quase toda a gente o tratava. Ao ver o "Portugal" vir na minha direcção com um ladrar característico de que coisa boa dali não vinha, só tive tempo de fugir em corrida e para minha desgraça, na pior direcção possível, pela Rua 1º Dezembro acima! É claro que não foram precisos muitos metros de fugida para que sentisse no lado direito do meu tenrinho traseiro, os dentes aguçados do maldito cão e uma consequente valente mordidela!

 Depois de socorrido, lembro-me perfeitamente de ir numa carroça até à Azinhaga e ser tratado onde são hoje, penso não estar errado, as instalações da Misericórdia. Aplicaram-me na zona afectada dois agrafes de alumínio com um alicate próprio, que era o método clínico utilizado na altura para suturar feridas nessas condições, deslocando-me mais tarde também ali para os tirar. Tudo isto sem anestesias ou outro meio que evitasse a dor!

As marcas que eternizarão este episódio ainda "cá estão", mas o "Portugal", apenas resiste à memória dos meus tempos de menino atrevido, que se meteu onde não era chamado! Mas hoje e fazendo o possível ajuste de contas com o tempo, constato que imerecidamente paguei um preço demasiado elevado! Bolas!!!! Afinal o que eu queria tão só, com os de maior idade, era aprender mais qualquer coisita!!!....


24 janeiro 2010

Centro de Cultura e Convívio - TRI-C





José M Correia, Teresa Cruz, Maria Graciete, Eduardo Cruz, Jorge Palmeirão, Agostinho, Miguel Mogas e José Luís.



Estávamos no ano de 1978 quando um grupo de jovens levou a bom termo a constituição de uma organização que tinha por lema, o convívio e a cultura! Começaram por se auto-denominarem, "Os Cinco" e mais tarde TRI-C (Centro de Cultura e Convívio). Os resultados, segundo suas próprias palavras, foram muito positivos. Com a ajuda institucional do Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis (FAOJ) , que para o efeito foi criado pelo decreto-lei N.° 191/74 de 30 de Abril, participaram e fomentaram diversas actividades desportivas, adquiriram livros, realizaram matinés dançantes, substituíram o mobiliário da Escola Velha (edifício que serviu de sede ao exercício da actividade) e até as suas paredes pintaram!

Um documento elaborado já na fase final da sua existência, resume cronológicamente a vida deste grupo de jovens do Pombalinho que em boa hora pensaram diferente, tendo como objectivo o inconformismo alicerçado no desporto e na cultura.


Colaboração_Bruno Cruz/Maria Graciete

Texto_Manuel Gomes





20 janeiro 2010

Ano Lectivo 1938/39 !






Há setenta e dois anos e ainda longe dos métodos pedagógicos que hoje estão instituídos no ensino em Portugal, esta professora, de seu nome Maria José Moura, leccionou para estes alunos o ensino básico na antiga escola sediada na rua Carolina Infante da Câmara.

Na 1º fila e da esquerda para a direita, Ezequiel Mateiro, Manuel Sacola, Alberto Gomes, Manuel A Bento e .... Na segunda fila, Cipriano António, António Maria, José Braga, Ernesto Hilário, António Leal, José Leal, Fernando Gaião, Manuel Cachado, Carlos Cavaco, Manuel Carvalho e Manuel Joaquim. Na terceira fila, Manuel Cardoso, Aníbal Condeço, António Domingos, António Justino, António Bento Narciso, Francisco Cleto, Joaquim Duarte, José Gardão, Joaquim Antunes, Manuel Mateiro e Joaquim Felisberto. Na 4ª fila, Guilherme Afonso, José Asseiceira, José Bento Narciso, José Júlio, Joaquim Barrão, Manuel Leal, António Palmeirão, António Afonso, Leonel Duarte e António Hilário. Na 5ª fila, Júlio Conceição Silva, Joaquim dos Santos, Narciso Albano, Francisco Bispo, Francisco Gaião, João Martinho, José C Martins, Luís Cordoeiro, ....... e Joaquim Cachado.

Pesquisa_Bruno Cruz

Colaboração_Maria Luísa Narciso


Sendo esta fotografia a mais antiga de todas as que foram aqui publicadas, referentes a classes de alunos que frequentaram a Escola "Velha", achamos que a oportunidade merecia um trabalho de divulgação mais aprofundado sobre quantos que por ali passaram e onde deram os primeiros passos na aprendizagem do então chamado ensino básico! Assim sendo, convido-os a "passear um pouco no tempo" por este trabalho da autoria de Bruno Cruz. 

Para Blog Temático Clicar em  Escola Pombalinho 




16 janeiro 2010

Pombalinho em 1898/1899 !


A inexistência de uma rede viária acarreta múltiplas dificuldades para a vida de quem dela necessita. Entre nós, esta realidade tardiamente foi levada a sério, prejudicando o país e atrasando claramente o seu natural desenvolvimento regional. Em Maio de 1853 deu-se início à construção da linha de caminho de ferro, mais tarde denominada por Linha do Norte, a partir de Lisboa e em Novembro de 1862 já chegava ao Entroncamento. Em finais do século dezanove a mobilidade de pessoas e bens entre o Pombalinho e Santarém era feita quase exclusivamente com recurso ao transporte ferroviário! A este propósito e socorrendo-nos do jornal Correio da Extremadura, vale a pena referenciarmos três notícias publicadas nas edições de 17 de Setembro de 1898, 25 de Março de 1899 e 27 de Maio de 1899.


Correio Extremadura

Barão Almeirim


A primeira relata um grave acidente ocorrido com o Barão de Almeirim quando esta personalidade se deslocava de comboio, precisamente pela Linha do Norte, com destino ao Pombalinho.






Correio Extremadura

Estrada Pombalinho


E a segunda, passados apenas uns meses, é sobre as Festas anuais da mesma localidade que tinham como objectivo e necessidade urgente, a angariação de proveitos para o custeio da conclusão da estrada que liga esta terra à cidade de Santarém, de forma a possibilitar o trânsito de veículos.






Correio Extremadura

Photobucket


Poderá não tratar-se de pura coincidência, a cronologia destes dois acontecimentos que mereceram destaque no referido semanário ribatejano!

A comissão de honra das Festas era constituída pelo Barão de Almeirim (e não do Pombalinho como refere o jornal, pois esta ilustre personalidade faleceu em 10 de Maio de 1855), António Albano da Silva Nunes, João Salvador Pinheiro, Carlos Albano Nunes, Manoel José Barreiros, Joaquim Adrião e António Duarte.



Pesquisa documental de Bruno Cruz

Texto de Manuel Gomes





06 janeiro 2010

Pombalinhenses na 1ª Grande Guerra I







Em 9 de Março de 1916 a Alemanha declara guerra a Portugal, no contexto da 1ª Grande Guerra Mundial, ocorrida entre 28 de Julho de 1914 e 11 de Novembro de 1918.
Na primeira etapa do conflito, Portugal participou militarmente com o envio de tropas para a defesa das colónias africanas ameaçadas pela Alemanha. Mais tarde, em 1917, as primeiras tropas portuguesas do Corpo Expedicionário Português seguiam para a Europa, em direcção à Flandres. Portugal envolveu-se, depois, em combates em França.

Neste esforço de guerra, Portugal chegou a ter mobilizados quase 200 mil homens. As perdas atingiram quase 10 mil - mortos e milhares de feridos.

Do Pombalinho, a exemplo do que aconteceu por todo o país, partiram para a frente deste conflito militar também alguns dos seus "filhos"! Nesta fotografia, cedida gentilmente por José B Barrão, recordamos precisamente uma reunião de confraternização, realizada em 09 de Abril de 1955, de antigos combatentes pombalinhenses da 1ª Guerra Mundial.

Reconhecem-se na segunda fila e da esquerda para a direita, Manuel Braz, Francisco Pereira Franco,  Augusto Anastácio, Augusto Pereira Lazão,  João Braga, João Fernandes, António Francisco Correia, Manuel Joaquim Tadeia e  José Narciso. Na primeira fila, e da esquerda para a direita, Carlos da Jacinta Rodrigues, Pedro Gregório,  na terceira posição  Hermínio Correia Minderico na qualidade de presidente da Junta de Freguesia do Pombalinho, António Condeço, Artur Rosa e Manuel Frade.


Colaboração fotográfica_José Braz Barrão
Colaboração e pesquisa_Bruno Cruz






03 janeiro 2010

Cheias de 1956!

Cheia 1956


Ilustrativa fotografia das cheias do rio Tejo no ano de 1956. O registo é feito do interior de uma embarcação que se dirigia paralelamente à EN365 e em direcção ao interior sul do Pombalinho. Reconhece-se fácilmente o edifício da antiga Casa Farol e mais para norte, um outro prédio igualmente de dois pisos, localizado frente à Casa do Pôvo.



Foto cedida gentilmente por José Bráz Barrão

21 dezembro 2009

Natal 2009 !!!

Natal_2009


Desejo a todos os meus amigos e/ou visitantes deste espaço, Feliz Natal e um próspero Ano Novo!


17 dezembro 2009

Casamentos X !


Visualizar fotografias de casamentos pode ser um exercício nostálgico de profunda contemplação! É  uma viagem a tempos irremediávelmente distantes mas sempre fica a agradável sensação de nela reencontrarmos, familiares, amigos de infância, e outros de quem já muito vagamente nos lembravamos! Exclamações, "Como o tempo passa!!!" ou " como éramos diferentes!!!" , são reacções naturais de quem mal dá pela instantaneidade da vida!


Mas é nestas fotos colectivas que constatamos bem os efeitos do percurso calado do tempo! Pelas roupas que usávamos, pelo ar adolescente que pairava na maioria dos presentes, pela jovialidade presente em cada gesto e em cada rosto, tudo já está naturalmente longínquo! Por isso é que nos congratulamos na partilha com todos os que por este espaço passam, sempre que nos oferecem um bilhete para uma dessas viagens tão especiais, como é o caso da protagonizada pelo Miguel e pela Gena em 25 de Novembro de 1973.





Nesse dia de festa, o acompanhamento dos noivos até à igreja foi tradicionalmente cumprido pelos convidados! Esta foto foi registada na rua Carolina Infante da Câmara, reconhecendo-se da esquerda para a direita, António Duarte, José Fagundo, Alexandre, Hermínio Feijão, António Carlos, Manuel Miguel, João Melão, Manuel Gomes, António Costa, Miguel (noivo) , Maria Júlia, Júlia Bento, Acácio, Fernanda, Manuela, Cila Gomes, Bisita, Lurdes, Gracinda, Isabel, Lena Melão, Cila Dias, Luísa, Constância, Francisca Nunes, Lena Bogalho, Gena (noiva), Maria de Jesus e Gracinda Vieira.








Depois da cerimónia religiosa a habitual fotografia de "família"com os noivos Gena e Miguel da Costa!






Fotografias gentilmente cedidas por Miguel da Costa
Colaboração de Bruno Cruz





15 dezembro 2009

Retratos XV !

Francisco Minderico

Francisco Minderico.
Foto tirada presumivelmente no pátio da casa agrícola de João Canavarro!





Colaboração fotográfica de Paulo Grais



09 dezembro 2009

Poda de oliveiras!


A poda, requer(ia) da parte de quem a executa(ava), muita experiência e particular sabedoria! No desempenho desta actividade agrícola, que consiste essencialmente no desbaste dos ramos inúteis da respectiva árvore para que esta tenha um boa produção no ano seguinte, existiam há uns anos atrás e para o caso específico da oliveira, trabalhadores devidamente "certificados" pelo Ministério da Economia!





A emissão do Cartão Profissional de Podadores de Oliveiras, como é o caso deste exemplar em nome de Manuel Duarte Grais, era validado pela Direcção Geral dos Serviços Agrícolas e servia porventura de garantia ao trabalho realizado, credenciando estes trabalhadores perante as entidades patronais que os contratavam. Hoje, claro, a realidade é inexorávelmente outra .









No verso do cartão, constavam algumas das regras que os profissionais "Podadores de Oliveiras", deveriam de respeitar e cumprir.
~


Outros links sobre o tema, A lenha + As vides + Adeus oliveiras




Documento gentilmente cedido por Paulo Grais.








02 dezembro 2009

Retratos XIV !





Ponte de Fernão Leite. Ano de 1972. Da esquerda para a direita, António Carlos, João Correia, Américo Ferreira, José Martinho e Manuel Gomes.








21 novembro 2009

D. Miguel de Castro!





Arcebispo D. Miguel de Castro (1536 - 1625)


D. Miguel de Castro foi bispo de Viseu (1579-1586), arcebispo de Lisboa (1586-1625) e vice-rei de Portugal. Doutorou-se em Teologia na cidade de Coimbra e foi nomeado inquisidor do Santo Ofício em 1556. Traduziu o catecismo do papa Pio V. Exerceu altas funções durante o domínio filipino, sendo um dos governadores do Reino em 1593. ...mais


A História fez com que D. Miguel de Castro tivesse contribuído de uma forma indelével para o que é hoje a realidade do Pombalinho! Não por uma qualquer visita de carácter religioso ou outra efectuada no desempenho das suas funções mas por algo de mais importante que ocorreu em 13 de Julho de 1606! Com efeito, foi este eclesiástico eborense que oficializou nesta data a desanexação do Pombal, como era então designado o Pombalinho. Por sua provisão, esta terra ficou com total independência em relação à freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Almonda do lugar de Azinhaga, conforme está referido nas "Memórias Paroquiais" de 5 de Abril de 1758, da autoria do Cura António Lopes.












Foto do Arquivo Municipal de Lisboa.







17 novembro 2009

Retratos XIII !




Não temos qualquer referência alusiva a esta fotografia! Nem a data em que foi tirada, nem o motivo que levou este grupo de pombalinhenses a posarem para a luzinha milagrosa do retratista! Mas o merecimento da sua publicação, nunca esteve em causa! Por isso, proponho-vos que façamos um exercício de viajantes no tempo! Recuemos umas décadas e imaginemos as razões que levaram esta gente a posarem despreocupadamente desta maneira, ladeados por dois magalas!!! Difícil, não é? Pois!!! Mesmo assim, identifiquemos alguns deles, bem nossos conhecidos: Joaquim Felisberto, Manuel Bispo, Rui Borges, Guilherme Afonso, Manuel Braga, Gabriel Joaquim, Francisco Duarte, Manuel Barros (pai) e os "magalas" José Martins Asseiceira e Joaquim Maria Santos Légua, respectivamente à esquerda e à direita da fotografia, segundo a optica do observador.




Colaboração fotográfica – Víctor Reis




10 novembro 2009

Festas em 1976 !




Grandes Festas no Pombalinho em 1976.









Nestas Festas , as receitas apuradas reverteriam totalmente para a compra de uma ambulância Peugeot 504.









Como noutras então realizadas, nestas Festas de 1976 também marcou presença o timbre solidário da população! Quando está em causa o bem comunitário, os pombalinhenses sempre têm correspondido a esses meritosos objectivos, participando por exemplo em ofertas para leilão das nossas bem conhecidas fogaças! E nesse ano assim aconteceu! Um grupo de jovens "Fogaceiras" em cumprimento da tradição, deram com toda a certeza, mais vida ao Pombalinho e às suas gentes! 




Pesquisa de Bruno Cruz
Fotos de Pedro Menezes



02 novembro 2009

Alfaiatarias I


Em tempos ainda anteriores à moda do "pronto a vestir", as alfaiatarias ocupavam um lugar de relevo no tecido social da nossa terra. Para além da mão de obra que empregavam, em conjunto com outras actividades similares, prestavam um conjunto de serviços à população que em muito contribuíam para a necessária vitalidade do Pombalinho. Porém, e fruto de uma dinâmica "desenvolvimentista" então implementada, estas pequenas empresas "familiares" foram desaparecendo progressivamente, dando lugar a mercados deslocalizados, modernos e mais agressivos em termos de consumo! Hoje, basta-nos memorizar o número de tamanho do casaco e das calças que vestimos e em qualquer altura estamos aperaltados para o momento mais exigente!! Mas apesar de tudo e dos ventos soprarem contrários à vida de quem fez da profissão uma arte, ainda há quem resista à modernidade dos tempos! ...




Francisco Cruz, João Brás e Ângelo Ferreira nas traseiras da antiga alfaiataria, na Rua Barão de Almeirim, Nº102.



... E um dos alfaiates que percorreu profissionalmente essa época dos fatos cortados por medida e provados antes da entrega final ao cliente, é o nosso conhecido Ângelo Ferreira. Ele nasceu em 09 de Setembro de 1929 na localidade de S. Vicente do Paúl . Aprendeu o ofício dos 14 aos 17 anos com um alfaiate da sua terra natal, chamado Joaquim Mendes, mais conhecido entre os pombalinhenses por Joaquim Alfaiate , que teve no Pombalinho alfaiatarias na rua e Sto António, na rua Barão de Almeirim e rua António Eugénio de Menezes.

Ângelo Ferreira depois de aprender o ofício (tendo de para o efeito, pagar a quantia acordada de 500$00) estabeleceu-se na Quinta da Requeixada no ano de 1947, justificando a procura de um alfaiate que ali se fazia sentir.





Mais tarde regressou ao Pombalinho onde desempenhou a sua função no ano de 1948 a 1952, no número 96 da rua Barão de Almeirim, de Dezembro de 1952 a 1955, no número 22 da rua 1º de Dezembro, de 1955 a 1965, ...







... no número 30 também da rua 1º de Dezembro (onde criou uma espécie de "Casa do Benfica" na qual se poderia acompanhar as últimas notícias desportivas pela leitura do saudoso "O Mundo Desportivo")







... e finalmente de Dezembro de 1965 a 1980,







... em sociedade com João Brás, no número 102 da rua Barão de Almeirim.












Hoje tem uma pequena "oficina"...









... onde faz pequenos trabalhos de ambito familiar...










... ainda com a sua primeira máquina de costura Huskwarna, adquirida em 1947!



Por fim e num texto da sua autoria, intitulado "Barbearias e Alfaiatarias", Guilherme Afonso retrata-nos como sempre uma interessante descrição da época, sobre os alfaiates e toda a sua envolvência social no Pombalinho. Escreve ele então, a determinada altura:

“….Quanto a alfaiates, eu ainda sou dum tempo em que não havia nenhum estabelecido no, eu ainda sou dum tempo em que não havia nenhum estabelecido no Pombalinho. Vinha um alfaiate de São Vicente do Paul, o Joaquim Alfaiate (nunca o conheci por outro nome) arranjar clientes ao Pombalinho e, pelos vistos, dava bem conta do recado. E havia para isso duas boa razões. Eram elas, por um lado, que os alfaiates, por aqueles tempos e naqueles meios, só faziam fatos para homens e, por outro, que a maior parte dos homens não mandava fazer mais que dois fatos durante a sua vida, o primeiro para estrear no dia da inspecção para o serviço militar (onde teria que despi-lo, assim como ao resto da roupa), e o segundo para estrear no dia do casamento.
Um fato completo era, e é, composto por três peças, calças, casaco e colete, mas o colete usava-se muito pouco, pelo que a maior parte o não mandava fazer. Sempre ficava mais barato. E, por falar em custos, não será despiciendo lembrar que, desses dois fatos apenas que a maior parte mandava fazer ao longo da vida, um deles, o da inspecção militar, para um ou outro com maiores dificuldades tinha de ficar-se por um fatinho de cotim.”

*Para leitura completa do texto clique aqui


Pesquisa e fotos de Bruno Cruz
Colaboração de Ângelo Ferreira
Texto de Manuel Gomes





27 outubro 2009

Touradas no Pombalinho!






Ao que consta, D. Miguel foi o único soberano português que marcou presença em terras do Pombalinho numa visita que fez em 29 de Janeiro de 1824. Existem notícias de jornais que relatam pormenorizadamente o acontecimento dessa sua passagem pela nossa terra. De facto e segundo as crónicas, D. Miguel num acto de muita valentia, pegou um touro que perigosamente se preparava para atingir o cavaleiro Cambaça, durante uma tourada nocturna realizada no Pátio do Neto que o próprio promoveu!

Do Pombalinho seguiria mais tarde para Alpiarça onde patrocinou outra largada de touros em pleno ambiente de luta entre absolutistas e liberais. Da sua personalidade e da influência que acabou por transmitir ao espectáculo da lide dos touros, pouco se sabe! Por isso, para nós Pombalinhenses, faz algum sentido conhecermos esta faceta do rei D. Miguel, por via deste excelente texto escrito no blogue "desafiodealmeirim". Pode ler-se, então, a "páginas tantas" que :


"...D. Miguel tem um papel determinante na restauração das corridas de toiros em Portugal e também como iniciador de uma nova forma de seleccionar e criar toiros bravos. É a ele que se deve toda a moderna evolução tauromáquica nacional, que nos distingue de Espanha e que origina o mais popular dos espectáculos nacionais até meados do século XX...."

Para texto integral, clique aqui 








O Pombalinho, a exemplo de outras localidades situadas geográficamente no centro do Ribatejo, sofreu as inevitáveis influências da festa brava! Criadores do denominado gado bravo, fizeram da lezíria um dos seus polos de apuramento e desenvolvimento da raça com características especiais para o toureio. No Pombalinho, por ocasião dos festejos do seu santo padroeiro, constavam nos respectivos programas os tradicionias "festivais taurinos", aos quais a população pombalinhense aderia com níveis de participação, segundo relatos da época, muito significativos. Ainda não há muitos anos, a realização das vulgarmente chamadas picarias , tinham lugar com alguma regularidade no Pombalinho. 

Um dos locais frequentemente escolhidos era a rua Carolina Infante da Câmara, como documenta esta fotografia referente à festa anual realizada no Pombalinho no dia 3 de Agosto de 1942. O acontecimento teve lugar pelas 18 horas e foi assim deste modo, publicitado no respectivo prospecto : "Imponente festa tauromáquica. Serão largadas para divertimento público 4 bravíssimas e corpulentas vacas, generosamente cedidas pelo afamado ganadero Sr. Marquês de Rio Maior."
Hoje a realidade é outra! As consciências ditam outros caminhos! E este que era considerado dos espéctaculos com maior projecção a nível nacional, tende a ficar inelutávelmente ligado para sempre às páginas da história!


Foto rei D. Miguel - Google

Foto rua Carolina Infante da Câmara - gentilmente cedida por António Carlos Menezes 







19 outubro 2009

A vindima e o vinho!


A vindima de outros tempos mobilizava homens e mulheres que especialmente constituídos em ranchos executavam este trabalho, de caraterísticas sazonal, normalmente no fim das colheitas de Verão. No Pombalinho existiam vinhas que se diferenciavam  basicamente pela sua extensão. As de maior dimensão que pertenciam às casas agrícolas e as de tipo familiar. Nestas, naturalmente produções menores, as vindimas eram feitas pelas pessoas mais chegadas aos donos (normalmente familiares e pessoas amigas) e a simples participação destes na vindima traduzia-se em gestos considerados de "boa vizinhança", propiciando um clima de grande cordialidade entre todos os intervenientes.





Deste registo fotográfico, cedido gentilmente por Ema Minderico, recordamos uma dessas vindimas realizada num local denominado por Urtigas, no ano de 1954. Reconhecem-se o António Simões a receber o cesto de uvas levado por Adelina Amialeira, Adelina Presume e sua irmã (de chapéu de sol), Luís Balas do Reguengo do Alviela e o jovem Rogério Tereso.






A vindima não se podia considerar, em comparação com outros trabalhos agrícolas, uma actividade pesada e árdua, mas exigia comprovadamente de todos uma grande aplicação e por vezes alguma destreza no desempenho de algumas tarefas inerentes ao trabalho que a envolvia. Esta foto, gentilmente cedida por Pedro Menezes, exemplifica bem esses atributos que os trabalhadores tinham necessáriamente de exibir! Das dornas, homens com cestos às costas transportam as uvas para o lagar a fim de serem pisadas e o respectivo mosto obtido, transformado mais tarde em vinho.










Como noutras áreas agrícolas, também a vindima sofreu ao longo dos últimos anos, naturais e significativos desenvolvimentos. Fruto dos tempos, a implementação de novos utensílios e a modernização dos meios de transporte tornaram-se imprescindíveis para a qualificação da mão de obra e na criação de outros dinamismos mais adequados a padrões de qualidade que a actividade exigia.

Exemplo disso foram as tradicionais cestas e cestos de verga, utilizados durante largos anos, que deram lugar a outros fabricados em chapa zincada e mais recentemente em plástico, esse material que veio revolucionar por completo toda a economia e neste particular a agricultura








Na própria concepção da vinha, também ela sofreu uma forte mudança. O crescimento e o desenvolvimento das cepas deixaram de ser desordenados. As novas vinhas foram estruturadas com cepas devidamente aramadas e alinhadas entre carreiras, a uma distância suficiente para permitirem a entrada de máquinas de forma a substituir grande parte do trabalho manual pelo mecanizado!








No transporte das uvas para a adega, as tradicionais dornas transportadas em vagarosos carros de bois, “passaram à memória” pelo aparecimento das tinas metálicas. A construção destes novos recipientes foi optimizada às dimensões dos reboques e preparados para serem accionados na adega por mono rail suspenso, de forma a serem descarregados no lagar de uma forma rápida e sem grande recurso ao esforço humano!









Hoje, praticamente em todas as adegas já se utilizam novas tecnologias para o fabrico do vinho. Longe vão os tempos das demoradas "pisas" de calças arregaçadas, à volta de um saudoso convívio que este trabalho em grupo sempre propiciava!