Fotografia
tirada do cimo da torre da igreja, presumívelmente para registar os enfeites da
rua Barão de Almeirim alusivos às festas anuais do Pombalinho.
11 fevereiro 2010
01 fevereiro 2010
Fernando Duarte!
Fernando Duarte, acompanhado pelo míudo José Cardoso de Vale
de Figueira e sua tia.
Em tempos passados, a
actividade comercial nas aldeias estava ainda longe de uma profissionalização
que mais tarde veio a surgir e que se transformou naquilo que hoje podemos
chamar de comércio local!
Nas poucas lojas que
existiam abertas ao público, vendiam-se essencialmente produtos de mercearia e
os restantes bens de consumo imprescindíveis à vida quotidiana das pessoas eram
transacionados nas feiras ou de porta a porta. Neste último caso, os vendedores/compradores
percorriam o interior das localidades e pelas ruas lá iam apregoando os mais
variados produtos que se propunham negociar! Deslocavam-se em carroças, mas
também havia quem, montado num burro ou numa mula se apresentasse a percorrer
as aldeias mais próximas.
Da fruta, à
roupa, passando pelo peixe, tudo de um pouco era vendido. Mas também havia quem
comprasse! Como era o caso do nosso conterrâneo Fernando Duarte que se dedicava
ao negócio dos galináceos! As galinhas, patos e perús depois de regateados por
um preço acordado entre ambas as partes, eram "despachados" por
comboio, a partir de Mato de Miranda e com destino a Lisboa!
Refira-se a
propósito que um dos filhos de Fernando Duarte, de seu nome Francisco Duarte,
deu continuidade a esta actividade iniciada pelo seu pai , tendo pelo facto e a
título de curiosidade, sido atribuído popularmente a ambos uma alcunha que
tinha a ver com a singularidade da profissão que exerceram. A de "Pardal"!
Eram conhecidos no Pombalinho por Fernando e Francisco Pardal!
Fernando
Duarte é pai de Francisco Duarte , Veríssimo
Duarte e de Maria
Luísa Narciso
Colaboração
fotográfica de Mª Luísa Narciso
27 janeiro 2010
O "Portugal" !
Pelos caminhos da vida há
acontecimentos que se colam à nossa existência como se deles
precisássemos para, em momentos oportunos, compreeendermos melhor as voltas que
ela nos deu!
Diz-se, de quem já adquiriu
uma certa sabedoria nestas coisas filosóficas da vida, que há um tempo próprio
para tudo! Sinto que sim, que a frase faz todo sentido! Hoje pausadamente
contemplamos o que ontem nem com um fugaz olhar, achavamos que valia a pena!
Saboreamos a busca das palavras para ilustrarmos memórias, que nunca
esquecemos! E para nossa própria surpresa, ao reeditá-las,
revivemos de uma forma particularmente especial tempos que, apesar de
progressivamente distantes, nunca deixaram sentimentalmente de nos pertencer!
Eu era um rapazinho com uns cinco,
seis anos de idade, e grande parte do meu tempo disponível era dedicado às
brincadeiras, próprias de quem vivia numa aldeia de província! E quem é que nos
ensinava as manhas dos jogos próprios desta idade? Do berlinde, do jogo às
escondidas, do brincar aos cowboys e tantos outros divertimentos com que
a míudagem desses tempos se entretinha? Naturalmente os rapazes mais velhos! E
normalmente os da nossa rua ou os que nos fossem mais próximos por outras
quaisquer razões. Daí a tentativa, sempre que a possibilidade surgisse, para
esta aproximação estratégica.
E num belo dia de verão, eu
assim fiz. Alcancei nas proximidades da casa dos meus pais um grupo formado
pelo João Melão e pelos irmãos Alcides e Diamantino Vieira, e fui-me chegando
a eles na intenção de aprender algo sobre matéria que ainda não dominasse ou
fosse do meu desconhecimento! Só que os marotos não acharam graça nenhuma à
minha atrevida ousadia e logo trataram de me provocar um rápido e eficaz (vim
mais tarde a confirmá-lo) recuo das minhas intenções! Do que é que eles,
inconscientemente e sem se darem conta das consequências que essa atitude iria
provocar, se lembraram de fazer? Açularam-me
o "Portugal" ! Era um cão
enorme, corpulento e quase da minha altura! Servia de guarda à propriedade dos
pais dos irmãos Vieira, o saudoso José Vieira, “Cigano”, como quase toda a
gente o tratava. Ao ver o "Portugal"
vir na minha direcção com um ladrar característico de que coisa boa dali não vinha, só
tive tempo de fugir em corrida e para minha desgraça, na pior direcção
possível, pela Rua 1º Dezembro acima! É claro que não foram precisos muitos
metros de fugida para que sentisse no lado direito do meu tenrinho traseiro, os
dentes aguçados do maldito cão e uma consequente valente mordidela!
Depois de socorrido,
lembro-me perfeitamente de ir numa carroça até à Azinhaga e ser tratado onde
são hoje, penso não estar errado, as instalações da Misericórdia. Aplicaram-me na zona
afectada dois agrafes de alumínio com um alicate próprio, que era o método
clínico utilizado na altura para suturar feridas nessas condições,
deslocando-me mais tarde também ali para os tirar. Tudo isto sem anestesias ou
outro meio que evitasse a dor!
As marcas que eternizarão este episódio ainda "cá
estão", mas o "Portugal",
apenas resiste à memória dos meus tempos de menino atrevido, que se meteu onde
não era chamado! Mas hoje e fazendo o possível ajuste de contas com o tempo,
constato que imerecidamente paguei um preço demasiado elevado! Bolas!!!! Afinal
o que eu queria tão só, com os de maior idade, era aprender mais qualquer coisita!!!....
24 janeiro 2010
Centro de Cultura e Convívio - TRI-C
José
M Correia, Teresa Cruz, Maria Graciete, Eduardo Cruz, Jorge Palmeirão,
Agostinho, Miguel Mogas e José Luís.
Estávamos no ano de
1978 quando um grupo de jovens levou a bom termo a constituição de uma
organização que tinha por lema, o convívio e a cultura! Começaram por se
auto-denominarem, "Os Cinco" e mais tarde TRI-C (Centro de Cultura e
Convívio). Os resultados, segundo suas próprias palavras, foram muito positivos.
Com a ajuda institucional do Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis (FAOJ) , que para o efeito foi criado pelo
decreto-lei N.° 191/74 de 30 de Abril, participaram e fomentaram diversas
actividades desportivas, adquiriram livros, realizaram matinés dançantes,
substituíram o mobiliário da Escola Velha (edifício que serviu de sede ao
exercício da actividade) e até as suas paredes pintaram!
Um documento elaborado já na fase final da sua
existência, resume cronológicamente a vida deste grupo de jovens do Pombalinho
que em boa hora pensaram diferente, tendo como objectivo o inconformismo
alicerçado no desporto e na cultura.
Colaboração_Bruno
Cruz/Maria Graciete
Texto_Manuel
Gomes
20 janeiro 2010
Ano Lectivo 1938/39 !
Há setenta e dois anos
e ainda longe dos métodos pedagógicos que hoje estão instituídos no ensino em
Portugal, esta professora, de seu nome Maria José Moura, leccionou para estes
alunos o ensino básico na antiga escola sediada na rua Carolina Infante da
Câmara.
Na 1º fila e da
esquerda para a direita, Ezequiel Mateiro, Manuel Sacola, Alberto Gomes, Manuel
A Bento e .... Na segunda fila, Cipriano António, António Maria, José Braga,
Ernesto Hilário, António Leal, José Leal, Fernando Gaião, Manuel Cachado,
Carlos Cavaco, Manuel Carvalho e Manuel Joaquim. Na terceira fila, Manuel
Cardoso, Aníbal Condeço, António Domingos, António Justino, António Bento
Narciso, Francisco Cleto, Joaquim Duarte, José Gardão, Joaquim Antunes, Manuel
Mateiro e Joaquim Felisberto. Na 4ª fila, Guilherme Afonso, José Asseiceira,
José Bento Narciso, José Júlio, Joaquim Barrão, Manuel Leal, António Palmeirão,
António Afonso, Leonel Duarte e António Hilário. Na 5ª fila, Júlio Conceição
Silva, Joaquim dos Santos, Narciso Albano, Francisco Bispo, Francisco Gaião,
João Martinho, José C Martins, Luís Cordoeiro, ....... e Joaquim Cachado.
Pesquisa_Bruno
Cruz
Colaboração_Maria Luísa Narciso
Sendo esta
fotografia a mais antiga de todas as que foram aqui publicadas, referentes a
classes de alunos que frequentaram a Escola "Velha", achamos que a
oportunidade merecia um trabalho de divulgação mais aprofundado sobre quantos
que por ali passaram e onde deram os primeiros passos na aprendizagem do então
chamado ensino básico! Assim sendo, convido-os a "passear um pouco no
tempo" por este trabalho da
autoria de Bruno Cruz.
Para Blog Temático Clicar em Escola Pombalinho
16 janeiro 2010
Pombalinho em 1898/1899 !
A
inexistência de uma rede viária acarreta múltiplas dificuldades para a vida de
quem dela necessita. Entre nós, esta realidade tardiamente foi levada a sério,
prejudicando o país e atrasando claramente o seu natural desenvolvimento
regional. Em Maio de 1853 deu-se início à construção da linha de caminho de
ferro, mais tarde denominada por Linha do Norte, a partir de Lisboa e em
Novembro de 1862 já chegava ao Entroncamento. Em finais do século dezanove a
mobilidade de pessoas e bens entre o Pombalinho e Santarém era feita quase
exclusivamente com recurso ao transporte ferroviário! A este propósito e
socorrendo-nos do jornal Correio da Extremadura, vale a pena referenciarmos
três notícias publicadas nas edições de 17 de Setembro de 1898, 25 de Março de
1899 e 27 de Maio de 1899.
A primeira relata um grave acidente ocorrido com o Barão de
Almeirim quando esta personalidade se deslocava de comboio, precisamente pela
Linha do Norte, com destino ao Pombalinho.
E a segunda, passados apenas uns meses, é sobre as Festas anuais
da mesma localidade que tinham como objectivo e necessidade urgente, a
angariação de proveitos para o custeio da conclusão da estrada que liga esta
terra à cidade de Santarém, de forma a possibilitar o trânsito de veículos.
Poderá
não tratar-se de pura coincidência, a cronologia destes dois acontecimentos que
mereceram destaque no referido semanário ribatejano!
A comissão de honra das Festas era constituída pelo Barão de
Almeirim (e não do
Pombalinho como refere o jornal, pois esta ilustre personalidade faleceu em 10
de Maio de 1855), António Albano da Silva Nunes, João Salvador
Pinheiro, Carlos Albano Nunes, Manoel José Barreiros, Joaquim Adrião e António
Duarte.
Pesquisa documental de Bruno Cruz
Texto de Manuel Gomes
06 janeiro 2010
Pombalinhenses na 1ª Grande Guerra I
Em 9 de Março de 1916 a
Alemanha declara guerra a Portugal, no contexto da 1ª Grande
Guerra Mundial, ocorrida entre 28 de Julho de 1914 e 11 de Novembro de 1918.
Na primeira etapa do
conflito, Portugal participou militarmente com o envio
de tropas para a defesa das
colónias africanas ameaçadas pela Alemanha. Mais tarde, em 1917, as primeiras
tropas portuguesas do Corpo Expedicionário Português seguiam para a Europa, em
direcção à Flandres. Portugal envolveu-se, depois, em combates em França.
Neste esforço de
guerra, Portugal chegou a ter mobilizados quase 200 mil homens. As perdas
atingiram quase 10
mil - mortos e milhares de feridos.
Do Pombalinho, a
exemplo do que aconteceu por todo o país, partiram para a frente deste conflito
militar também alguns dos seus "filhos"! Nesta fotografia, cedida gentilmente por José B Barrão,
recordamos precisamente uma reunião de confraternização, realizada em 09 de
Abril de 1955, de antigos combatentes pombalinhenses da 1ª Guerra Mundial.
Reconhecem-se na
segunda fila e da esquerda para a direita, Manuel Braz, Francisco Pereira Franco, Augusto Anastácio, Augusto Pereira Lazão, João Braga, João
Fernandes, António Francisco Correia, Manuel Joaquim Tadeia e José
Narciso. Na primeira fila, e da esquerda para a direita, Carlos da Jacinta
Rodrigues, Pedro Gregório, na terceira posição Hermínio Correia
Minderico na qualidade de presidente da Junta de Freguesia do Pombalinho,
António Condeço, Artur Rosa e Manuel Frade.
Colaboração fotográfica_José Braz Barrão
Colaboração e pesquisa_Bruno Cruz
03 janeiro 2010
Cheias de 1956!
Ilustrativa fotografia das cheias do rio Tejo no ano de 1956. O registo é feito do interior de uma embarcação que se dirigia paralelamente à EN365 e em direcção ao interior sul do Pombalinho. Reconhece-se fácilmente o edifício da antiga Casa Farol e mais para norte, um outro prédio igualmente de dois pisos, localizado frente à Casa do Pôvo.
Foto cedida gentilmente por José Bráz Barrão
Foto cedida gentilmente por José Bráz Barrão
21 dezembro 2009
17 dezembro 2009
Casamentos X !
Visualizar fotografias
de casamentos pode ser um exercício nostálgico de profunda contemplação!
É uma viagem a tempos irremediávelmente distantes mas sempre fica a agradável sensação de nela reencontrarmos, familiares, amigos de
infância, e outros de quem já muito vagamente nos lembravamos! Exclamações,
"Como o tempo
passa!!!" ou " como
éramos diferentes!!!" , são reacções naturais de quem mal dá
pela instantaneidade da vida!
Mas é nestas fotos colectivas que constatamos bem os efeitos do
percurso calado do tempo! Pelas roupas que usávamos, pelo ar adolescente que
pairava na maioria dos presentes, pela jovialidade presente em cada gesto e em
cada rosto, tudo já está naturalmente longínquo! Por isso é que nos
congratulamos na partilha com todos os que por este espaço passam, sempre que
nos oferecem um bilhete para uma dessas viagens tão especiais, como é o caso da
protagonizada pelo Miguel e pela Gena em 25 de Novembro de 1973.
Nesse dia de festa, o acompanhamento dos
noivos até à igreja foi tradicionalmente cumprido pelos convidados! Esta foto
foi registada na rua Carolina Infante da Câmara, reconhecendo-se da esquerda
para a direita, António Duarte, José Fagundo, Alexandre, Hermínio Feijão,
António Carlos, Manuel Miguel, João Melão, Manuel Gomes, António Costa, Miguel
(noivo) , Maria Júlia, Júlia Bento, Acácio, Fernanda, Manuela, Cila Gomes,
Bisita, Lurdes, Gracinda, Isabel, Lena Melão, Cila Dias, Luísa, Constância,
Francisca Nunes, Lena Bogalho, Gena (noiva), Maria de Jesus e Gracinda Vieira.
Depois
da cerimónia religiosa a habitual fotografia de "família"com
os noivos Gena e Miguel da Costa!
Fotografias gentilmente cedidas por Miguel da Costa
Colaboração de
Bruno Cruz
15 dezembro 2009
Retratos XV !
Francisco Minderico.
Foto tirada presumivelmente no pátio da casa agrícola de João Canavarro!
Colaboração fotográfica de Paulo Grais
09 dezembro 2009
Poda de oliveiras!
A
poda, requer(ia) da parte de quem a executa(ava), muita experiência e
particular sabedoria! No desempenho desta actividade agrícola, que consiste
essencialmente no desbaste dos ramos inúteis da respectiva árvore para que esta
tenha um boa produção no ano seguinte, existiam há uns anos atrás e para o caso
específico da oliveira, trabalhadores devidamente "certificados" pelo
Ministério da Economia!
A
emissão do Cartão Profissional de Podadores de Oliveiras, como é o caso deste
exemplar em nome de Manuel Duarte Grais, era validado pela Direcção Geral dos
Serviços Agrícolas e servia porventura de garantia ao trabalho realizado,
credenciando estes trabalhadores perante as entidades patronais que os
contratavam. Hoje, claro, a realidade é inexorávelmente outra .
No
verso do cartão, constavam algumas das regras que os profissionais "Podadores
de Oliveiras", deveriam de respeitar e cumprir.
~
Documento gentilmente cedido por Paulo Grais.
02 dezembro 2009
Retratos XIV !
Ponte
de Fernão Leite. Ano de 1972. Da esquerda para a direita, António Carlos, João
Correia, Américo Ferreira, José Martinho e Manuel Gomes.
21 novembro 2009
D. Miguel de Castro!
Arcebispo D. Miguel de Castro (1536 - 1625)
D. Miguel de
Castro foi bispo de Viseu (1579-1586), arcebispo de Lisboa (1586-1625) e
vice-rei de Portugal. Doutorou-se em Teologia na cidade de Coimbra e foi
nomeado inquisidor do Santo Ofício em 1556. Traduziu o catecismo do papa Pio V.
Exerceu altas funções durante o domínio filipino, sendo um dos governadores do
Reino em 1593. ...mais
A História fez com que D. Miguel de Castro tivesse contribuído de uma forma indelével para o que é hoje a realidade do Pombalinho! Não por uma qualquer visita de carácter religioso ou outra efectuada no desempenho das suas funções mas por algo de mais importante que ocorreu em 13 de Julho de 1606! Com efeito, foi este eclesiástico eborense que oficializou nesta data a desanexação do Pombal, como era então designado o Pombalinho. Por sua provisão, esta terra ficou com total independência em relação à freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Almonda do lugar de Azinhaga, conforme está referido nas "Memórias Paroquiais" de 5 de Abril de 1758, da autoria do Cura António Lopes.
Foto do Arquivo
Municipal de Lisboa.
17 novembro 2009
Retratos XIII !
Não temos qualquer
referência alusiva a esta fotografia! Nem a data em que foi tirada, nem o
motivo que levou este grupo de pombalinhenses a
posarem para a luzinha milagrosa do retratista! Mas o merecimento da sua
publicação, nunca esteve em causa! Por isso, proponho-vos que façamos um
exercício de viajantes no tempo! Recuemos umas décadas e imaginemos as razões
que levaram esta gente a posarem despreocupadamente desta maneira, ladeados por
dois magalas!!! Difícil, não é? Pois!!! Mesmo assim, identifiquemos alguns
deles, bem nossos conhecidos: Joaquim Felisberto, Manuel Bispo, Rui Borges,
Guilherme Afonso, Manuel Braga, Gabriel Joaquim, Francisco Duarte, Manuel
Barros (pai) e os "magalas" José
Martins Asseiceira e Joaquim Maria Santos Légua, respectivamente à esquerda e à
direita da fotografia, segundo a optica do observador.
Colaboração
fotográfica – Víctor Reis
10 novembro 2009
Festas em 1976 !
Nestas Festas , as receitas
apuradas reverteriam totalmente para a compra de uma ambulância Peugeot 504.
Como noutras então
realizadas, nestas Festas de 1976 também marcou presença o timbre solidário da
população! Quando está em causa o bem comunitário, os pombalinhenses sempre têm correspondido a esses
meritosos objectivos, participando por exemplo em ofertas para leilão das
nossas bem conhecidas fogaças! E nesse ano assim aconteceu! Um grupo de jovens
"Fogaceiras"
em cumprimento da tradição, deram com toda a certeza, mais
vida ao Pombalinho e às suas gentes!
Pesquisa de
Bruno Cruz
Fotos de Pedro Menezes
Fotos de Pedro Menezes
02 novembro 2009
Alfaiatarias I
Em
tempos ainda anteriores à moda do "pronto a vestir", as
alfaiatarias ocupavam um lugar de relevo no tecido social da nossa terra. Para
além da mão de obra que empregavam, em conjunto com outras actividades
similares, prestavam um conjunto de serviços à população que em muito
contribuíam para a necessária vitalidade do Pombalinho. Porém, e fruto de uma
dinâmica "desenvolvimentista" então
implementada, estas pequenas empresas "familiares" foram
desaparecendo progressivamente, dando lugar a mercados deslocalizados, modernos
e mais agressivos em termos de consumo! Hoje, basta-nos memorizar o número de
tamanho do casaco e das calças que vestimos e em qualquer altura estamos
aperaltados para o momento mais exigente!! Mas apesar de tudo e dos ventos
soprarem contrários à vida de quem fez da profissão uma arte, ainda há quem
resista à modernidade dos tempos! ...
Francisco Cruz, João
Brás e Ângelo Ferreira nas traseiras da antiga alfaiataria, na Rua Barão de
Almeirim, Nº102.
... E um dos alfaiates
que percorreu profissionalmente essa época dos fatos cortados por medida e
provados antes da entrega final ao cliente, é o nosso conhecido Ângelo
Ferreira. Ele nasceu em 09 de Setembro de 1929 na localidade de S. Vicente do
Paúl . Aprendeu o ofício dos 14 aos 17 anos com um alfaiate da sua terra natal,
chamado Joaquim Mendes, mais conhecido entre os pombalinhenses por Joaquim
Alfaiate , que teve no Pombalinho alfaiatarias na rua e Sto António,
na rua Barão de Almeirim e rua António Eugénio de Menezes.
Ângelo Ferreira depois de aprender o ofício (tendo de para o
efeito, pagar a quantia acordada de 500$00) estabeleceu-se na Quinta da
Requeixada no ano de 1947, justificando a procura de um alfaiate que ali se
fazia sentir.
Mais
tarde regressou ao Pombalinho onde desempenhou a sua função no ano de 1948 a
1952, no número 96 da rua Barão de Almeirim, de Dezembro de 1952 a 1955, no
número 22 da rua 1º de Dezembro, de 1955 a 1965, ...
... no número 30 também da rua 1º de Dezembro (onde criou uma
espécie de "Casa do
Benfica" na qual se
poderia acompanhar as últimas notícias desportivas pela leitura do saudoso
"O Mundo Desportivo")
...
ainda com a sua primeira máquina de costura Huskwarna, adquirida em 1947!
Por fim e num texto da
sua autoria, intitulado "Barbearias e Alfaiatarias", Guilherme Afonso
retrata-nos como sempre uma interessante descrição da época, sobre os alfaiates
e toda a sua envolvência social no Pombalinho. Escreve ele então, a determinada
altura:
“….Quanto a alfaiates, eu ainda sou dum tempo em que não havia
nenhum estabelecido no, eu ainda sou dum tempo em que não havia nenhum
estabelecido no Pombalinho. Vinha um alfaiate de São Vicente do Paul, o Joaquim
Alfaiate (nunca o conheci por outro nome) arranjar clientes ao Pombalinho e,
pelos vistos, dava bem conta do recado. E havia para isso duas boa razões. Eram
elas, por um lado, que os alfaiates, por aqueles tempos e naqueles meios, só
faziam fatos para homens e, por outro, que a maior parte dos homens não mandava
fazer mais que dois fatos durante a sua vida, o primeiro para estrear no dia da
inspecção para o serviço militar (onde teria que despi-lo, assim como ao resto
da roupa), e o segundo para estrear no dia do casamento.
Um fato completo era, e é, composto por três peças, calças, casaco e colete, mas o colete usava-se muito pouco, pelo que a maior parte o não mandava fazer. Sempre ficava mais barato. E, por falar em custos, não será despiciendo lembrar que, desses dois fatos apenas que a maior parte mandava fazer ao longo da vida, um deles, o da inspecção militar, para um ou outro com maiores dificuldades tinha de ficar-se por um fatinho de cotim.”
*Para leitura completa do texto clique aqui
Um fato completo era, e é, composto por três peças, calças, casaco e colete, mas o colete usava-se muito pouco, pelo que a maior parte o não mandava fazer. Sempre ficava mais barato. E, por falar em custos, não será despiciendo lembrar que, desses dois fatos apenas que a maior parte mandava fazer ao longo da vida, um deles, o da inspecção militar, para um ou outro com maiores dificuldades tinha de ficar-se por um fatinho de cotim.”
*Para leitura completa do texto clique aqui
Pesquisa e fotos de Bruno Cruz
Colaboração de Ângelo Ferreira
Texto de Manuel Gomes
27 outubro 2009
Touradas no Pombalinho!
Ao que consta, D. Miguel foi o
único soberano português que marcou presença em terras do Pombalinho numa
visita que fez em 29 de Janeiro de 1824. Existem notícias de jornais que
relatam pormenorizadamente o acontecimento dessa sua passagem pela nossa terra.
De facto e segundo as crónicas, D. Miguel num acto de muita valentia, pegou um
touro que perigosamente se preparava para atingir o cavaleiro Cambaça, durante
uma tourada nocturna realizada
no Pátio
do Neto que o próprio promoveu!
Do Pombalinho seguiria mais tarde
para Alpiarça onde
patrocinou outra largada de touros em pleno ambiente de luta entre absolutistas
e liberais. Da sua personalidade e da influência que acabou por transmitir ao
espectáculo da lide dos touros, pouco se sabe! Por isso, para nós Pombalinhenses,
faz algum sentido conhecermos esta faceta do rei D. Miguel, por via deste
excelente texto escrito no blogue "desafiodealmeirim". Pode
ler-se, então, a "páginas
tantas" que :
"...D. Miguel tem um
papel determinante na restauração das corridas de toiros em Portugal e também
como iniciador de uma nova forma de seleccionar e criar toiros bravos. É a ele
que se deve toda a moderna evolução tauromáquica nacional, que nos distingue de
Espanha e que origina o mais popular dos espectáculos nacionais até meados do
século XX...."
Para texto integral, clique aqui
Para texto integral, clique aqui
O Pombalinho, a exemplo
de outras localidades situadas geográficamente no centro do Ribatejo, sofreu as
inevitáveis influências da festa brava! Criadores do denominado gado bravo,
fizeram da lezíria um dos seus polos de apuramento e desenvolvimento da raça
com características especiais para o toureio. No Pombalinho, por ocasião dos
festejos do seu santo padroeiro, constavam nos respectivos programas os
tradicionias "festivais taurinos", aos quais a
população pombalinhense aderia
com níveis de participação, segundo relatos da época, muito significativos.
Ainda não há muitos anos, a realização das vulgarmente chamadas picarias ,
tinham lugar com alguma regularidade no Pombalinho.
Um dos locais
frequentemente escolhidos era a rua Carolina Infante da Câmara, como documenta
esta fotografia referente à festa anual realizada no Pombalinho no dia 3 de
Agosto de 1942. O acontecimento teve lugar pelas 18 horas e foi assim deste
modo, publicitado no respectivo prospecto : "Imponente festa
tauromáquica. Serão largadas para divertimento público 4 bravíssimas e
corpulentas vacas, generosamente cedidas pelo afamado ganadero Sr. Marquês de
Rio Maior."
Hoje a realidade é
outra! As consciências ditam outros caminhos! E este que era considerado dos
espéctaculos com maior projecção a nível nacional, tende a ficar
inelutávelmente ligado para sempre às páginas da história!
Foto rei D.
Miguel - Google
Foto rua
Carolina Infante da Câmara - gentilmente cedida por António Carlos
Menezes
19 outubro 2009
A vindima e o vinho!
A
vindima de outros tempos mobilizava homens e mulheres que especialmente
constituídos em ranchos executavam este trabalho, de caraterísticas sazonal,
normalmente no fim das colheitas de Verão. No Pombalinho existiam vinhas que se
diferenciavam basicamente pela sua
extensão. As de maior dimensão que pertenciam às casas agrícolas e as de tipo
familiar. Nestas, naturalmente produções menores, as vindimas eram feitas pelas
pessoas mais chegadas aos donos (normalmente familiares e pessoas amigas) e a
simples participação destes na vindima traduzia-se em gestos considerados de
"boa vizinhança", propiciando um clima de grande cordialidade entre todos
os intervenientes.
Deste registo fotográfico, cedido gentilmente
por Ema Minderico, recordamos uma dessas vindimas realizada num local
denominado por Urtigas, no ano de 1954. Reconhecem-se o António Simões a
receber o cesto de uvas levado por Adelina Amialeira, Adelina Presume e sua
irmã (de chapéu de sol), Luís Balas do Reguengo do Alviela e o jovem Rogério
Tereso.
A vindima não se podia
considerar, em comparação com outros trabalhos agrícolas, uma actividade pesada
e árdua, mas exigia comprovadamente de todos uma grande aplicação e por vezes
alguma destreza no desempenho de algumas tarefas inerentes ao trabalho que a
envolvia. Esta foto, gentilmente cedida por Pedro Menezes, exemplifica bem
esses atributos que os trabalhadores tinham necessáriamente de exibir! Das
dornas, homens com cestos às costas transportam as uvas para o lagar a fim de
serem pisadas e o respectivo mosto obtido, transformado mais tarde em vinho.
Como noutras áreas agrícolas, também a vindima sofreu ao longo dos últimos anos, naturais e significativos desenvolvimentos. Fruto dos tempos, a implementação de novos utensílios e a modernização dos meios de transporte tornaram-se imprescindíveis para a qualificação da mão de obra e na criação de outros dinamismos mais adequados a padrões de qualidade que a actividade exigia.
Exemplo
disso foram as tradicionais cestas e cestos de verga, utilizados durante largos
anos, que deram lugar a outros fabricados em chapa zincada e mais recentemente
em plástico, esse material que veio revolucionar por completo toda a economia e
neste particular a agricultura.
Na própria concepção da
vinha, também ela sofreu uma forte mudança. O crescimento e o desenvolvimento
das cepas deixaram de ser desordenados. As novas
vinhas foram estruturadas com cepas devidamente aramadas e alinhadas entre
carreiras, a uma distância suficiente para permitirem a entrada de máquinas de
forma a substituir grande parte do trabalho manual pelo mecanizado!
No transporte das uvas
para a adega, as tradicionais dornas transportadas em vagarosos carros de bois,
“passaram à
memória” pelo aparecimento das tinas metálicas. A construção destes
novos recipientes foi optimizada às dimensões dos reboques e preparados para
serem accionados na adega por mono rail suspenso, de forma a serem
descarregados no lagar de uma forma rápida e sem grande recurso ao esforço
humano!
Hoje,
praticamente em todas as adegas já se utilizam novas tecnologias para o fabrico
do vinho. Longe vão os tempos das demoradas "pisas" de
calças arregaçadas, à volta de um saudoso convívio que este trabalho em grupo
sempre propiciava!
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