02 junho 2010

Cartas de Maputo V!


No mundo do trabalho sempre houve profissões de qualificações diferenciadas, mas todas de igual importância para o necessário equilíbrio económico de qualquer sociedade. Na província, como se convencionou chamar às regiões portuguesas situadas fora dos grandes centros urbanos, as profissões dividiam-se primáriamente entre quem aprendia um ofício (normalmente preenchido por pessoas já com alguma formação escolar ou aptidões de índole vocacional) e os que, não tendo sequer frequentado a instrução primária ou adquirido vontade própria para outros "voos", eram "direccionados" para trabalhos ligados à agricultura, onde uma provada robustez física determinava favorávelmente os seus destinos profissionais !

Essa distinção, ou separação se quisermos, da qual alguns eram defensores convictos, criava uma certa clivagem social que acabava por se refletir em determinados aspectos da vida das pessoas!

Este exemplo que o nosso amigo Guilherme Afonso refere numa carta que me enviou em Junho de 2004, sobre os então chamados "cangarinos", é bem sintomático de uma forma de estar que marcou talvez uma geração e do caminho que notoriamente ainda faltava percorrer para um necessário ajuste social!


É claro que as pessoas referenciadas no texto não são o mais importante, poderiam ser exactamente outras de profissões idênticas! Apenas servem, como se compreende e ousando colocar-me na posição do seu autor, para ilustrar uma situação social então criada!


Começa assim a carta:


"Maputo, 21 de Junho de 2004

Caro Amigo Manuel Gomes

Muito obrigado pela sua carta de 12 do corrente, que li com muito gosto. E com mais gosto a teria lido se tudo nela fossem só boas notícias e boas recordações. Mas a vida é o que é, e se por um lado em alguma coisa pode depender de nós optimizá-la (e pode, acho eu), por outro nada podemos fazer para travar o evoluir dos acontecimentos. Podemos optimizá-la em função da nossa maneira de estar na vida, coisa que não deixa de ser, por sua vez, naturalmente, o resultado de uma série de circunstâncias em que fomos factores inteiramente passivos, começando pela própria gestação e prosseguindo pela infância, em que sobre somos moldados à imagem e semelhança dos que nos criam e dos que de mais perto nos acompanham. Mas depois chega a altura de outras influências e de outros ambientes, e , aí, tudo depende muito das pessoas que encontramos e dos locais que frequentamos, coisa que, se até certo ponto depende dos acasos, não deixa também de contar já, no entanto, com as nossas rejeições e as nossas escolhas, frutos certamente, uma e outras, quer de factores genético-heriditários, quer da maneira como até aí fomos tratados (educados).
Bom, meu amigo, quase sem dar por isso pus-me para aqui a filosofar. E tudo isso por estar a pensar no que me tem dito sobre o estado de saúde do seu pai.

... Ocorreu-me um dia destes que o seu pai faz parte da geração dos “cangarinos”, mas ele não era um deles. Pergunte-lhe se ele ainda se lembra disso. O Manuel Gomes é capaz de nunca ter ouvido falar de tal coisa, já que a sua duração foi efémera. E consistiu no seguinte:
Quando o seu pai tinha entre 17/20 anos, aos da sua geração que andavam a aprender um ofício ou que tinham acabado de aprendê-lo ainda há pouco tempo (pedreiros, carpinteiros, serralheiros, etc.) deu-lhes para se julgarem gente superior e entrarem numa de descriminarem os então chamados trabalhadores do campo (a classe bruta, como eles diziam), atitude essa que se tornou mais notória na organização de bailes só para eles e para as suas irmãs e namoradas. Ainda me lembro de um desses bailes ter sido realizado no que então era um celeiro do Barbosa, por baixo de onde era a escola primária (eu morava ali perto), e de ter visto alguns trabalhadores do campo, entre eles o António Cavaco, cá fora, a apuparem os “cangarinos”. E os “cangarinos” eram o Duarte Cruz, o Manuel Inácio, o João Nunes, o Abel Júlio, o Xico Braga, o Xico da Mariana, entre outros dessa geração. Mas isso passou-lhes depressa, e a geração seguinte, aquela a que já eu, mais ou menos, pertencia, não padeceu desse mal.
Não sei como é que surgiu essa designação de “cangarinos”, termo que nem encontro nos dicionários, mas que era uma designação engraçada, lá isso era.
... Por hoje fico por aqui, mas acho que vamos ter muito que conversar, o que, naturalmente, iremos fazendo paulatinamente, ao sabor do que nos for ocorrendo e do que é caracteristico em quaisquer conversas: serem elas como as cerejas.

Um grande abraço para si e outro para o seu pai. Cumprimentos para o resto da Família. O meu filho António agradece e retribui o seu abraço.


Guilherme Afonso "  





29 maio 2010

Trabalhos de ontem I






Os trabalhos do campo eram normalmente exercidos por quem não tinha aprendido um ofício! Quem não fosse pedreiro, carpinteiro, serralheiro, etc... e tivesse que trabalhar na agricultura, era designado e conhecido por trabalhador do campo!

O esforço físico dispendido exigia muita capacidade de resistência e só o recurso à prestação de muares no acompanhamento de algumas tarefas, como o de transporte de cargas pesadas e nas lavoiras, permitia que muitos dos trabalhos fossem concretizados! Eram tempos a ritmos diferentes dos de hoje! Afinal..., ainda estávamos longe daquela que viria a ser a tão desejada mecanização agrícola!!!





Colaboração fotográfica – Pedro Menezes e Bruno Cruz




24 maio 2010

Alfaiatarias II


João Braz começou a aprender a profissão de alfaiate aos 14 anos, mais precisamente a 4 de Agosto de 1941, no Pombalinho. Foi seu mestre, Joaquim Mendes Monteiro.

Ao fim de três anos de aprendizagem foi trabalhar para Vale de Figueira, onde esteve até 1945. Mais tarde continuou a sua profissão em Casével, freguesia do concelho de Santarém.


Em 6 de Maio de 1946 estabeleceu-se por conta própria, como alfaiate, na Azinhaga, numa casa localizada frente à Igreja desta localidade.







Depois de 7 meses a trabalhar na Azinhaga, mudou-se profissionalmente para o Pombalinho, onde veio a ocupar uma casa para o efeito, junto à fonte pública da rua 1º de Dezembro.

Tendo casado em 5 de Outubro de 1949 e habitado uma casa na rua Hilário José Barreiros, numa casa de Júlio Barros, mudou uns meses mais tarde para aí, o local de desempenho da sua profissão.


Em 1952, passou a habitação e a alfaiataria para a Rua Barão de Almeirim, nas casas de Manuel Barrão, mesmo ao lado da mercearia de Diamantino da Costa.







Em 1953 foi morar para a Rua 1º de Dezembro, tendo transferido a alfaiataria para o nº96 da rua Barão de Almeirim, junto à Igreja Matriz. Aí perto trabalhavam Carlos Fonseca Cavaco (barbeiro) no Nº 92, Ernesto Nunes (sapateiro) no Nº 94 e José da Silva (latoeiro)no Nº 98.






Em 1965 criou uma sociedade com Ângelo Ferreira. Instalaram-se no nº3 da Rua Barão de Almeirim numa casa remodelada para o efeito e pertencente a Manuel Bispo.







Nessa nova fase de expansão da actividade trabalharam como profissionais e aprendizes, Manuel Santana Vinagre e as jovens Helena e Fernanda Cavaco, Aurora Cavaco, Irene Conde; Maria da Conceição G. Cordeiro, Evangelina Ferreira da Luz, Maria de Lurdes S. Leal, Maria Laura da Luz Ferreira, Maria dos Anjos, Maria do Céu (entre outras).






Em 1979, mudou novamente a sua residência para a Rua Barão de Almeirim n.º 34, para uma casa adquirida aos herdeiros de Manuel Frade, onde mora actualmente.






Em 1980 com a dissolução da sociedade com Ângelo Ferreira, continuou o desempenho da profissão na sua casa de habitação onde exerce actualmente a actividade na situação de reformado.




Colaboração de texto e fotos - António Braz

Pesquisa e fotos - Bruno Cruz





10 maio 2010

Barão de Pombalinho!




Faz hoje cento e cinquenta e cinco anos que faleceu António D'Araújo Vasques da Cunha Portocarrero. Natural da freguesia de Cedofeita, concelho do Porto, foi no entanto na região de Santarém que passou grande parte da sua vida. Figura incontornável da história do Pombalinho, ficou ligado a esta terra não só por via de laço matrimonial que contraiu com Rita Mariana Freire da Rocha, mãe do 1º barão de Almeirim, mas também pelo título de barão de Pombalinho que lhe foi atribuído pela rainha de Portugal, D Maria II.

Foi sepultado no jazigo dos Viscondes de Portocarrero no cemitério dos Prazeres em Lisboa. Hoje esse lugar, número 987 da rua 17, está ocupado por um outro jazigo, em nome da família de João Ildefonso Bordallo.

Redige o próprio testamento na sua casa de Santarém, em 06 de Junho de 1854. Extenso e emocionalmente sentido em determinadas passagens, é um importante documento que permite entender as relações que esta personalidade tinha com os seus familiares, camaradas do Regimento de Cavalaria onde serviu na Guerra Peninsular e até com os criados que porventura lhe prestaram lealdade até aos últimos dias da sua vida.

Desde sempre que a figura de António D'Araújo Vasques da Cunha Portocarrero tem suscitado a descoberta de novos horizontes, de forma a que se pudesse avaliar um pouco mais da importância que o barão teve nos destinos do Pombalinho. Sabia-se das fortes motivações de afectividade que criou em relação a esta terra! Mas sentíamos a necessidade de irmos mais além! Descobrir provas documentais e se possível das razões que levaram este homem do norte a deixar a sua região de origem e vir ao encontro da vida nesta aldeia ribatejana! Conseguimos porém, fruto de alguma investigação em arquivos nacionais, testemunhos escritos que ajudam indiscutívelmente a desvendar um pouco a sua personalidade na vertente familiar mas também militar, uma vez que nesta, teve um importante papel durante as invasões francesas.


 No entanto e por razões que se prendem com os resultados de pesquisas que fizemos nos últimos tempos, os documentos conseguidos justificavam um espaço dedicado exclusivamente ao Barão de Pombalinho. E foi isso que fizemos! Com o seu título, criamos um blog onde está publicado o que de mais relevante conseguimos apurar sobre António D'Araújo Vasques da Cunha Portocarrero. O endereço é  http://barao-pombalinho.blogspot.com/ .






03 maio 2010

25 Abril no Pombalinho!






Embora não tenhamos qualquer referência, não é difícil de ver o ano a que se reporta esta fotografia! Vivia-se no país um clima de euforia social! Sentia-se e desejava-se a necessidade de mudanças políticas em resultado de derrube do regime que vigorou até 25 de Abril de 1974! E os capitães de Abril foram autores e heróis dessa mudança!

 No Pombalinho, o povo saiu à rua em manifestações de regojizo por tudo o que se estava a passar e principalmente pela ansiedade há muito esperada de um futuro melhor! Esta fotografia tirada em 1974 ou 1975, na rua Barão de Almeirim, ilustra bem essa vontade, que a todos mobilizou! O tempo era verdadeiramente de festa!!!


Colaboração Fotográfica - Miguel Costa

Pesquisa - Bruno Cruz





25 abril 2010

Cartas de Maputo IV !


Neste amistoso intercâmbio que de algum tempo venho mantendo com o nosso Amigo Guilherme Afonso, existem em cartas de entre muitas que já trocamos, temas que resultam de importantes testemunhos históricos que entendo poderem contribuir para uma melhor compreensão de tempos, já de há muito vividos! Acho mesmo que seria injustificado da minha parte, mantê-los no desconhecimento de todos os visitantes deste espaço! E por isso, o que hoje se publica, revela-nos aspectos de personalidade de uma das pessoas que porventura pouca gente dos tempos de hoje conheceu, ou privilegiadamente chegou a privar! Ele é o Francisco Maria Borges e a carta é a que a seguir vos damos conta.


       Maputo, 26 de Setembro de 2007

       Caro Amigo Manuel Gomes


         Que tudo esteja caminhando bem consigo e com os seus, são os meus votos.
Cá pelo meu lado, tudo vai caminhando sem sobressaltos, depois daquele a que fomos sujeitos devido ao Afonso.

Disse-lhe anteontem que responderia dentro de dias ao seu e-mail de 21 p.p., deitando por contas que levaria mais algum tempo. Mas, ontem, lembrei-me de duas coisas relativamente ao texto que me diz ter já escrito sobre a casa Borges que podem ter interesse para si.

Uma é precisamente sobre a designação do estabelecimento, um grande complexo comercial, como outro não havia ali por perto. Eu lembro-me do estabelecimento ser conhecido pela "Loja do Castanhas". E, isso, porque o estabelecimento pertenceu, antes, ao sogro do Francisco Maria Borges, o qual era como tal conhecido: por o Castanhas. Não sei se Castanhas era nome ou alcunha (eu já o não conheci), assim como não sei se teria sido ele quem fundou o estabelecimento, ou se também já o herdara, nem se quando o Borges tomou conta dele já o mesmo teria aquelas proporções.

A outra, é a seguinte: lembro-me de, quando miúdo, o Francisco Borges, de tempos a tempos, dizer à miudagem pobre das proximidades (ou falava aos pais, não estou certo) para se apresentar lá em casa com um prato e uma colher. Sentava então a malta num daqueles muitos compartimentos que tinha lá para o interior e enchia-lhe a barriguinha de fava-rica. É claro que já me não lembro de quantas vezes eu enchi a barriguinha da bela fava-rica do Borges, mas umas 4 ou cinco foram, com certeza. Eu e o meu irmão. E penso não errar se acrescentar os nomes dos irmãos Manuel e Aníbal Condeço (Ratos), o Manuel João Bugalho (Fagunto), o João Carocho e o António Justino (Canário). Só estou a mencionar nomes de rapazes, por não me lembrar se também iam raparigas. Mas suponho que sim, tanto mais que o Borges era um indivíduo progressista, como esse seu gesto dava bem para entender. Aliás, a discriminação, a existir (nesse caso), poderia não vir do Borges, mas dos pais das meninas (por esses tempos havia muito pouca mistura de sexos – hoje será mais moderno dizer: de géneros – mesmo quando se era ainda muito criança).
E porque o Borges era progressista, e, como tal, também oposicionista ao Estado Novo, uma boa parte dos "senhores da terra" não simpatizava nada com ele.
Curioso, é que a primeira vez que eu ouvi falar em espiritismo foi ao Francisco Borges . Quanto a mim contraditoriamente, em relação ao que dele acabo de dizer (homem progressista e adverso ao Estado Novo), ele acreditava no espiritismo, tendo feito parte, segundo dizia, de um grupo de espíritas em Lisboa, de onde era natural e onde vivera até ao casamento.
... Dessa da música nos espaços comerciais ainda não tinha ouvido falar.

É um facto, os tempos modernos são terríveis. Comparados (os modernos actuais – passe o pleonasmo) com os "Tempos Modernos" do Charlot (Charles Chaplin), os do Charlot são uma grande brincadeira.
Já viu esse filme do Charles Chaplin? Vale sempre a pena.

Pois!... É a vida, é, muito estimado Amigo Manuel Gomes... uma vida cada vez mais frenética e inóspita. Vamos resistindo, tanto quanto possível, ao frenesi e à agressividade reinantes.

Cumprimentos muito cordiais para toda a Família.

Um grande abraço para si e outro para o seu pai.

Guilherme Afonso



20 abril 2010

Tocha Olímpica!!!



Os XXII Jogos Olímpicos foram abertos em Moscovo, pelo presidente Leonid Brejenev em 19 de Julho de 1980 e contaram com a participação de 5.179 atletas em representação de 80 países.

Faz hoje trinta anos que jovens do Pombalinho, organizados num grupo cultural a que atribuíram o nome TRI-C, se associaram ao espírito olímpico por ocasião dos respectivos jogos realizados na capital da ex-União Soviética, transportando a chama olímpica num percurso iniciado em Vale de Figueira e terminado no Pombalinho.






Antes do início da corrida, preparando todos os pormenores com a organização do evento.









A passagem da tocha olímpica por parte do representante de Vale de Figueira a um elemento do Pombalinho (Miguel Mogas) sob o olhar atento de Jorge Palmeirão..









Por fim a chegada da tocha olímpica ao Pombalinho! Coube a Jorge Palmeirão o cumprimento dessa tarefa!








... E a pose para a posterioridade! O grupo TRI-C (Jorge Palmeirão, Miguel Mogas, Eduardo Cruz, José M Correia e António Gonçalves), com a menina Clarisse Fortunato.






Fotos de Maria Graciete e Teresa Cruz
Colaboração de Bruno Cruz






10 abril 2010

Bateiras !!!





Grupo de pombalinhenses no ano de 1949, por ocasião do festejo das tradicionais "bateiras"! Da esquerda para a direita, Francisco Cruz, Joaquim Felisberto, Manuel Inácio, Alexandre Cruz e Ernesto Hilário.









Um ano mais tarde, o mesmo grupo voltou a reunir-se para novamente comemorarem as bateiras em passeio de barco pelo rio Almonda, nas imediações da Quinta da Broa. Reconhecem-se, da esquerda para a direita, Francisco Cruz, filha de João Feliciano, Joaquim Felisberto, Ernesto Hilário, Alexandre Cruz e João Feliciano. Foi no dia 10 de Abril de 1950, há sessenta anos!!!!



Fotos gentilmente cedidas por Mª Luísa Narciso e Mª Luísa Felisberto.
Colaboração de Bruno Cruz




Nota – para blog temático clicar em http://bateiras.blogspot.pt/








23 março 2010

Cartas de Maputo III !



Maputo, 21 de Fevereiro de 2006


Caro Amigo Manuel Gomes

"Que se encontre bem juntamente com todos os que lhe são queridos, são os meus votos sempre presentes.

Continuando a anular as distâncias, cá estou a dar continuidade ao nosso amistoso e reconfortante diálogo. A mim, pelo menos, já a entrar no último quarto de século de uma vida sem grandes solavancos, reconforta imenso ter um conterrâneo bastante mais jovem que tão cordialmente se dispõe a este diálogo e que comigo se abre revelando o percurso da sua formação como Homem nestes nossos conturbados tempos. Acredite, Amigo, que me senti privilegiado e me emocionei muito ao ler e reler a sua descrição da maneira como viveu esses tempos áureos do pós 25 de Abril em Portugal e as reflexões que sobre os mesmos foi fazendo....



... Enviei-lhe aqui há tempo uma fotografia tirada numa das alvercas em que muitas vezes tomámos banho e, a propósito, falei-lhe de algo que tinha escrito sobre os dias em que a rapaziada ia à inspecção para o serviço militar, tendo acabado por prometer enviar-lhe o artigo depois de burilado. Acabei, contudo, não apenas por burilá-lo, mas por refazê-lo, na tentativa de nele encaixar as imagens que o integram. É mais um texto das minhas memórias. Se o Manuel Gomes achar que dá para publicá-lo como está, óptimo; se isso não for viável, por qualquer motivo, mas se tiver alguma sugestão a fazer, ela será, como sempre, bem recebida
."


INSPECÇÃO PARA O SERVIÇO MILITAR


"À inspecção militar iam, em cada ano, os indivíduos do sexo masculino que nesse ano completavam vinte anos de idade. Em 1949, nascidos, por conseguinte, em 1929, éramos 19, o maior número até então registado no Pombalinho. Por ordem alfabética, aqui vão os nossos nomes:

Alberto Gomes, António Andrade Leal, António Costa, António Domingos, António Maria Duarte, Cipriano, Ezequiel Andrade Barreiros Mateiro, Francisco Bispo, Guilherme Afonso dos Santos, João Fataça, Joaquim Duarte, José Marcano, José Narciso, Manuel Cachado, Manuel Cardoso, Manuel Carvalho, Victor.

Falta o nome de um, porque, tendo nascido no Pombalinho, de lá saiu, com os pais, muito novo ainda. Juntou-se a nós no dia da inspecção, parece que vindo de São Vicente do Paul ou do sobral, mas não fixei o seu nome.
Não se juntaram a nós, no dia da inspecção, o Manuel Cachado e o Manuel Cardoso. O primeiro porque tinha ido para Lisboa aos 16 ou 17 anos e providenciou para ir à inspecção em Lisboa. O segundo porque tinha ido para Angola, com os pais, dois ou três anos antes, e por lá terá ido também à inspecção. Alguns já faleceram. Que eu saiba ... "
Para texto integral, aceda ao Perfume da Alma clicando AQUI



Nota do autor deste Blog - Como bem se pode constatar, a este texto jamais poderia ter acontecido uma espera de publicação tão longa, como a que acabou por acontecer! De facto, é difícil de imaginar como é que este brilhante testemunho do nosso Amigo Guilherme Afonso entrou injustamente no "arquivo morto" da minha memória! Mas..., aconteceu!!! De qualquer maneira, passou o tempo, mas o interesse histórico subjacente a esta inspecção militar de 1949 mantém-se completamente inalterável!
Com as minhas devidas desculpas ao autor de "Inspecção para o Serviço Militar" por este atraso involuntário, fica a redobrada satisfação por aqui no "Pombalinho" e no "Perfume da Alma" se fazer jus, no sentido de partilha com os visitantes destes espaços, a mais uma das brilhantes memórias de vida de Guilherme Afonso.






19 março 2010

Regedor substituto !







Alvará de nomeação de Gabriel Joaquim para ocupação das funções de regedor substituto da freguesia de Pombalinho, no ano de 1951.



"Em Portugal, entre 1836 e 1976, o regedor era um funcionário público que representava a administração central junto de cada freguesia.

Incumbia aos regedores: cumprir e fazer cumprir as ordens, deliberações e posturas municipais e os regulamentos de polícia, levantar autos de transgressão sempre que necessário, auxiliar as autoridades policiais e judiciais sempre que necessário, agir de modo a garantir a ordem, a segurança e a tranquilidade públicas, auxiliar as autoridades sanitárias, garantir os regulamentos funerários, mobilizar a população em caso de incêndio e cumprir outras ordens ou instruções emanadas do presidente da câmara municipal.

A figura do regedor de freguesia foi extinta na sequência da introdução da Constituição da República Portuguesa de 1976. "

Texto - Wikipedia





13 março 2010

Barbearias !








Antigamente as barbearias ocupavam um lugar importante na vida particular das pessoas e no normal funcionamento dos centros populacionais! As novas tecnologias da Gillette e da Nacet ainda não tinham invadido os lares dos portugueses e os barbeiros, em paralelo com outras profisssões algumas delas hoje já quase extintas, integravam um grupo de actividades e serviços, imprescindíveis na vida social das populações. No entanto e ao contrário das outras, as barbearias eram consideradas também como lugares privilegiados de encontros, após as longas jornadas diárias de trabalho.







Os sábados eram os dias preferidos para se ir ao barbeiro! Formavam-se filas de espera para que chegasse a vez de ocupar a tradicional cadeira rotativa! E há volta de um simples corte de cabelo ou barba, falava-se muito e de muita coisa. O ritmo era lento e por isso excepcionalmente convidativo a trocas das mais variadas conversas entre os presentes, criando-se assim expontâneas “assembleias populares” que de outro modo e em circunstâncias idênticas era de todo impossível. E depois havia o elemento principal! O tempo! Esse cronómetro da nossa existência, ainda era “medido” de forma saudávelmente serena! A ansiedade de que os ponteiros do relógio saltitassem de minuto em minuto a um tempo inferior aos padronizados sessenta segundos, era coisa de tempos inimagináveis! E assim sendo, pela noite fora, o clima “tertúliano” surgia despreocupadamente!!!


No Pombalinho dos anos sessenta/setenta do século passado, existiram simultaneamente em actividade de funções, três barbeiros, o Carlos Cavaco, o Heliodoro Bacalhau e o Veríssimo Duarte. Todos eles tinham clientelas mais ou menos estereotipadas! Eram visíveis as suas diferenciações, que só por razões imprevistas é que aconteciam eventuais “trocas de cadeiras".





Veríssimo Duarte



Dos três, o Veríssimo podia-se considerar, talvez, o profissional mais tradicional. Não só pelos cortes que fazia, mas também pelo rigor como os executava. Um corte à “inglesa curta” era sinónimo de cabelo bem curtinho! Orelhas bem descobertas e pescoço à mostra, uma tigelada, como irónicamente se chamava! Mas mesmo assim era o mais solicitado, talvez para evitar precisamente que a clientela lá voltasse tão cedo! Pessoa afável e serena, era de um trato respeitável!








Trabalhou profissionalmente numa barbearia localizada na rua de Sto António, ali bem junto aquele que é hoje o "Mini Mercado Júlia" .








Naquela que viria a ser a sua última barbearia, ali no cruzamento da rua de Santo António com a 5 de Outubro e a Eugénio de Menezes, desempenhava frequentemente em simultaneidade, a função de enfermeiro. Especializou-se nos anos de 1937/1938, juntamente com o Dr Victor Semedo e era a ele que os pombalinhenses recorriam sempre que, por indicação clínica, eram medicamentados com injecções de aplicação intravenosa. A memória transporta-nos para aqueles gestos simples mas devidamente automatizados com que o Verissímo Duarte esterilizava, numa tina apropriada com água a ferver e aquecida por combustão do alcool etílico, as seringas e as respectivas agulhas!


Hoje, esse ambiente das barbearias quase já não existe! O tempo não nos perdoaria se tivéssemos que o gastar numa noite de serão, à espera que um qualquer barbeiro nos dissesse após uma longa espera: " é a tua vez, podes-te sentar !!!" 



Também AQUI poderá testemunhar outras barbearias, outros tempos....

Colaboração fotográfica de MªLuísa N Duarte/Bruno Cruz







10 março 2010

04 março 2010

EICS








Depois de concluído o nível escolar da então denominada Instrução Primária, houve um considerável número de Pombalinhenses que não querendo ficar apenas por aí se propuseram a frequentar o Ensino Secundário. Um dos estabelecimentos escolhidos para a continuação desses estudos foi a Escola Industrial e Comercial de Santarém. Sediada na zona histórica da cidade, na praça Visconde Serra do Pilar, foi uma inesquecível referência por quem ali passou alguns anos de uma formação escolar que para uns serviu de plataforma à entrada directa no mercado de trabalho e para outros como meio de continuação a voos escolares a níveis ainda mais ambiciosos.

Ali, durante os anos que durou o curso e até à sua conclusão, muitos amigos fizemos na Escola! Professores que nos marcaram especialmente na nossa vida escolar, ficaram exemplarmente eleitos no nosso imaginário! E até aqueles funcionários mais escrupulosos no cumprimento dos seus deveres, hoje são recordados com algum carinho e muita saudade.


Vem esta pequena introdução, neste espaço de memórias, a propósito de ... Um  




02 março 2010

Maria Luísa Narciso Duarte









"Maria Luísa Narciso Duarte nasceu a 2 de Março de 1932 na aldeia de Pombalinho, concelho de Santarém, no seio de uma família de quatro irmãos.
Desde cedo mostrou gosto pela escrita e pela poesia, contudo devido aos poucos recursos económicos dos seus pais, apenas pôde estudar até à 4ª classe. Trabalhou na mercearia da família até ao seu casamento, momento em que passou a trabalhar na actividade agrícola.
Durante toda a sua vida cultivou o gosto pela leitura, recitando poemas e histórias para amigos e em festas da comunidade. Teve sempre o sonho de escrever um livro para crianças, mas foi a partir de 25 de Abril de 1974 que, entusiasmada com o novo estado da Nação, se dedicou afincadamente à escrita.
Com um obra que aborda temáticas tão diferentes como a política, a Natureza, as crianças a Paz, a pobreza, o Ribatejo, entre muitas outras, Maria Luísa Duarte, expõe no que escreve os valores e os sentimentos que pautam a sua personalidade.

Participando em inúmeros programas de rádio e eventos festivos e de solidariedade social, o impacto das mensagens da sua poesia tem sido sentido por todos, pelo que compila város prémios em concursos de poesia e escrita popular. "




São hoje dois de Março...
Dia dos meus enganos...
As dezoito primaveras!
Passam aqui todos os anos.
Se eu as pudesse prender,
Nunca me tinham fugido...
Para gozar a imagem!

Daquele tempo vivido.




Do poema "Recordação dos meus 59 anos"

Texto e poema do livro "Pedaços da Minha Vida"

Colaboração fotográfica de MªLuísa N Duarte e Bruno Cruz







19 fevereiro 2010

Teatro no ano de 1944!


Voltamos ao teatro para mais uma vez irmos ao encontro do "Grupo da Récita do Pombalinho" e às actuações que protagonizaram no ano de 1944. São dois registos fotográficos que valem não só pela história que representam mas sobretudo pelo reconhecimento que este vasto grupo de pombalinhenses merece, por em tempos difíceis terem elevado o nome do Pombalinho a níveis de enorme significado cultural.




De entre outros, reconhecem-se, Francisco Borges, Arnaldo Fonseca, Joaquim Melão, Joaquim Alfaiate, Veríssimo Duarte, Diamantino Carvalho, Rui Borges, José C Presume, Rui Borges, Manuel Galvão, Francisco Duarte, Gertrudes Cunha, Diamantina Carvalho, Ana Maria e Ema Braga.









 De entre outros, reconhecem-se, Manuel Gomes, Gertrudes Cunha, Olímpia Borges, Ana Maria, Manuel Galvão, Francisco Duarte, Veríssimo Duarte, Adelina Presume, Rui Borges e Carlos Leal.


Para uma breve viagem pelo teatro realizado desde os longínquos anos quarenta do século passado até às últimas representações que tiveram lugar no Pombalinho, clique AQUI  ou no respectivo link inserido no subtítulo "Blogs Temáticos", localizado na coluna da esquerda deste blog.