05 julho 2010

Férias no Pombalinho!





"Suponho que teria de ser assim. Só voltei a Águas Belas vinte e cinco anos depois de pela última vez ter atravessado o portão da casa que o meu avô mandara edificar, na década de 1920, com o dinheiro ganho na exportação de madeiras.


… Depois de um momento de alguma emoção, passado debaixo de uma laranjeira, entrei na velha casa. As salas parecerem-me mais pequenas do que a memória registara. Mas, apesar de o fogão a lenha, o ferro a brasas e a gaiola com víveres terem desaparecido, o cheiro era o mesmo. E a máquina de coser Singer, a mesa dos engomados e as flores pintadas a óleo pela tia Maria tinham escapado ao zelo modernizador dos descendentes.







… Em 1962, as férias grandes foram passadas em casa de uns amigos espanhóis descobertos num campo de pólo em Inglaterra. No ano seguinte, casava. Águas Belas iria ser substituída por outra aldeia, situada um pouco abaixo. Paradoxalmente, aquilo de que agora precisava era de solidão. E essa havia-a, em abundância, no casarão do Pombalinho. Entre os meus dois filhos, suficientemente tenros para adorarem o campo , entretive-me a ler a correspondência, terna e pragmática, que Manuel Freire, o primeiro barão de Almeirim, enviara a sua mulher, Luísa Braamcamp, irmã do futuro líder do Partido Progressista. Mas não foi isto o que de mais importante ali aconteceu. Pela primeira vez, tive oportunidade de reflectir a sério sobre o que queria da vida.


… Na semana passada, decidi voltar à região. Não ia em busca de raízes, espalhadas entre Felgueiras e as Caldas, o Pombalinho e Londres, Lisboa e Oxford. Ia como turista, de "Nikes" nos pés e máquina fotográfica na mão. Embora pouco familiarizada com o IP, consegui chegar a Santarém. Ainda hesitei em ir ao Pombalinho . Mas, morta a Evangelina, retirados os móveis, crescidos os filhos, a deslocação não fazia sentido. Fui visitar antes o Museu Braamcamp Freire, o palácio pertencente ao par do Reino que, em 1907, num ataque de fúria com D. Carlos, decidira aderir ao Partido Republicano. Este filho dos donos do Pombalinho morreria sem deixar descendentes, estipulando, no testamento, que a casa deveria ser transformada em museu. "


Excerto do capítulo, Na terra dos meus avós, retirado do livro "Passaporte" da autoria de Maria Filomena Mónica.

Nota - Maria Filomena Mónica esteve casada com Carlos Braamcamp Freire Pinto Coelho, filho de Maria da Madre de Deus Amado Braamcamp Freire e neto de Carlos Braamcamp Freire, 4º barão de Almeirim. 
Excerto do capítulo, Na terra dos meus avós, retirado do livro "Passaporte" da autoria de Maria Filomena Mónica.


Nota - Maria Filomena Mónica esteve casada com Carlos Braamcamp Freire Pinto Coelho, filho de Maria da Madre de Deus Amado Braamcamp Freire e neto de Carlos Braamcamp Freire, 4º barão de Almeirim. 





29 junho 2010

Braz Ornellas Infante da Câmara





Braz Ornellas Infante da Câmara, filho de Manuel Ornellas Infante da Câmara e de Maria dos Anjos Gonçalves, nasceu em 06 de Março de 1881 na Quinta da Mata do Almoxarife em São Vicente do Paúl.








Braz Ornellas com sua esposa Hermínia Infante da Câmara e as suas netas, Isabel Maria Antunes Infante da Câmara   e Maria Helena Infante da Câmara Lázaro Costa.






Foi um destacado proprietário agrícola na região onde nasceu, tendo trabalhado mais de quarenta anos para a Federação Nacional dos Produtores de Trigo.









Estabeleceu no Pombalinho durante cerca de vinte anos, por volta da década vinte e/ou trinta do século vinte, uma representação da empresa "Vacuum Oil" , localizada na rua Hilário José Barreiros. Esta empresa tinha como finalidade a comercialização de óleos, máquinas agrícolas e carvão.
Colaborou com o então designado Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcelos (hoje, Museu Nacional de Arqueologia), na autorização de exploração da necrópole da Quinta da Mata do Almoxarife, em São Vicente do Paúl.

Braz Ornellas foi o regedor do Pombalinho durante muitos anos. No tempo do racionamento provocado pela Segunda Grande Guerra, era ele que distribuía na sua casa de habitação, na rua Hilário José Barreiros, as senhas* de racionamento à população de Pombalinho.

*Da II Guerra Mundial havia senhas de racionamento para os bens de primeira necessidade (açucar, arroz, massa etc). Cada família, em função das pessoas que constituiam o agregado familiar, recebia, mensalmente, senhas com que podia fazer compras nas lojas tradicionais. Algumas famílias negociavam essas senhas. (Texto daqui )
Braz Ornellas e sua irmã, Alice Ornelas Infante da Câmara, eram sobrinhos (a Alice também afilhada) de Carolina Infante da Câmara e residiram ambos no edifício onde hoje está sediada a Junta de Freguesia do Pombalinho.


Braz Ornellas faleceu na sua casa em São Pedro - Santarém, no dia 13 de Julho de 1966, tendo sido sepultado no Cemitério dos Capuchos da mesma cidade.







Alice Ornelas Infante da Câmara




Alice Ornellas Infante da Câmara esteve casada com   Júlio José Barreiros  , de quem teve cinco filhos: Júlio da Câmara Barreiros, Maria Emília Câmara Barreiros, Hilário José Câmara Barreiros, Hilária Catarina Câmara Barreiros e Alice Carolina Câmara Barreiros.


Nota - Todas as fotos e respectiva informação foram gentilmente cedidas por Maria Helena Infante da Câmara Lázaro Costa, neta de Braz Ornellas.



Colaboração e pesquisa - Bruno Cruz
Colaboração - Guilherme Afonso



23 junho 2010

As Memórias de José da Cruz Moura Fonseca!


" Fiz a Escola Primária no Pombalinho, concelho de Santarém, onde fui aluno de meu pai, João José da Fonseca , que ali exerceu a sua actividade durante 17 anos, de 1916 a 1933 e onde passei grande parte da minha infância e da minha adolescência.

Era o tempo das cheias que inundavam anualmente os campos vizinhos e nós aproveitávamos para patinhar nelas descalços com água até quase à barriga, das cavalhadas, da pesca às enguias com remilhão, de noite no Rio Alviela, das touradas à corda e das ferras na Quinta da Melhorada do lavrador e ganadeiro, João da Assunção Coimbra, e das "bateiras", piquenique campestre de convívio e de confraternização entre o povo do Pombalinho. Com as barragens, as cheias já são agora muito raras, mas, tanto quanto julgamos saber, as "bateiras" continuam a realizar-se anualmente como há 70 anos.

Os Barreiros, os Sabinos, os Menezes e os familiares do Barão de Almeirim eram os grupos sociais de maior peso no Pombalinho de há 70 anos. E o Armindo Sabino da Rua de Cima, os Barros da Rua do Norte e os irmãos Brás Barrão da Rua de Baixo, os nossos condiscípulos e contemporâneos. O senhor Américo que morava no largo da Igreja e me levava de vez em quando à pesca das enguias no Rio Alviela e o mestre Júlio Freire, que nos ensinou sem êxito a tocar bandolim, são também Pombalinhenses do nosso tempo.

O bandolim que tocávamos nas lições com o mestre e uma pequena espingarda de ar comprimido que me deram para brincar e treinar pontarias, ainda se encontram na minha casa em Lisboa.
De brinquedos e entretenimentos da minha infância, recordamos também: o pião, as atiradeiras, os estoques, as ventoínhas, o berlinde, o jogo de botôes e o tricot, que eu fazia com um carrinho de linhas e servia de cordão para jogar o pião. Com excepção de um outro pião e da espingarda de ar comprimido, tudo o mais era produção de artesanato pessoal.





Falta falar da "papança", pétalas das flores dos marmeleiros que marginavam o caminho para a Alverca, braço de água parada, alimentado pelas cheias anuais do Rio Tejo, e que comíamos quando lá íamos tomar banho em pelota ou pescar pequenos peixes com cana, bóia de cortiça e anzol. Ao tempo, não havia problemas nem se falava, nem em poluição, nem em ambiente, nem em radioactividade, nem em droga, nem em sida, nem em "vacas loucas", como agora em 1996, passados 70 anos. Todavia e não obstante tudo o que acabámos de memorizar, o que mais marcou para todo o sempre os meus sentimentos de patriota, foram os acordes vibrantes e eufóricos do "HINO DA RESTAURAÇÂO", com que a Banda Local do Pombalinho me acordava nas madrugadas dos PRIMEIROS DE DEZEMBRO, e do qual transcrevemos a seguir o segundo terceto do soneto da sua letra:

Avante! Avante!
É voz que soará triunfal!
Vá avante mocidade de Portugal "


Nota - Este texto foi extraído das "Memórias" do Vice-Almirante José da Cruz Moura da Fonseca. Este oficial da Marinha nasceu em Meimoa , Penamacor, em 14 de Outubro de 1913 e faleceu em Lisboa a 07 de de Agosto de 1998. Era filho de João José da Fonseca , simpáticamente conhecido no Pombalinho pelo professor "Fonsequita".



Colaboração documental - Joaquim MB Mateiro




14 junho 2010

Bateiras !!!






Tem sido recorrente, aqui no "Pombalinho", a abordagem de um tema que nos é particularmente familiar, as "Bateiras"! De facto, para quem foi criado na "borda d'agua" (como vulgarmente se costuma chamar a quem tenha nascido nesta região ribatejana), este acontecimento de cariz popular sempre teve, ainda tem, um significado muito especial! O ambiente gerado nas segundas feiras de Páscoa, a par de uma enorme disponibilidade, proporciona momentos incomparáveis de divertimento em ambiente de fraternal convívio. Por isso não é de admirar que muitas gerações o tenham mantido como uma tradição intemporávelmente preservada! E bem!!!

E depois..., haverá coisa melhor do que festejarmos as "Bateiras" em plenos campos primaveris do Pombalinho à volta de um apetitoso petisco, mesmo ali confeccionado, pois claro, e rodeados dos amigos de todas as horas??!!!!

Em memória às "Bateiras" e também aos que nelas participaram, construímos este caminho de recordações! Caminhemos pois então por AQUI





08 junho 2010

Torneio de Páscoa/Verão





Na década dos anos oitenta realizou-se no recinto polidesportivo do Pombalinho, o torneio de Páscoa/Verão em futebol de cinco.

De entre as equipas intervenientes nessa competição houve uma denominada por "Café Miguel". Recordemos a sua composição e a identificação dos elementos que a constituiram. De pé e da esquerda para a direita, Diamantino Vieira, Miguel Costa, Fernando Ventura e Frederico Vinagre. De joelhos e pela mesma ordem, Cláudio Costa, Hugo Costa, Nuno Légua, Rodolfo Vinagre e Octávio.



Colaboração fotográfica – Miguel Costa
Pesquisa – Bruno Cruz




02 junho 2010

Cartas de Maputo V!


No mundo do trabalho sempre houve profissões de qualificações diferenciadas, mas todas de igual importância para o necessário equilíbrio económico de qualquer sociedade. Na província, como se convencionou chamar às regiões portuguesas situadas fora dos grandes centros urbanos, as profissões dividiam-se primáriamente entre quem aprendia um ofício (normalmente preenchido por pessoas já com alguma formação escolar ou aptidões de índole vocacional) e os que, não tendo sequer frequentado a instrução primária ou adquirido vontade própria para outros "voos", eram "direccionados" para trabalhos ligados à agricultura, onde uma provada robustez física determinava favorávelmente os seus destinos profissionais !

Essa distinção, ou separação se quisermos, da qual alguns eram defensores convictos, criava uma certa clivagem social que acabava por se refletir em determinados aspectos da vida das pessoas!

Este exemplo que o nosso amigo Guilherme Afonso refere numa carta que me enviou em Junho de 2004, sobre os então chamados "cangarinos", é bem sintomático de uma forma de estar que marcou talvez uma geração e do caminho que notoriamente ainda faltava percorrer para um necessário ajuste social!


É claro que as pessoas referenciadas no texto não são o mais importante, poderiam ser exactamente outras de profissões idênticas! Apenas servem, como se compreende e ousando colocar-me na posição do seu autor, para ilustrar uma situação social então criada!


Começa assim a carta:


"Maputo, 21 de Junho de 2004

Caro Amigo Manuel Gomes

Muito obrigado pela sua carta de 12 do corrente, que li com muito gosto. E com mais gosto a teria lido se tudo nela fossem só boas notícias e boas recordações. Mas a vida é o que é, e se por um lado em alguma coisa pode depender de nós optimizá-la (e pode, acho eu), por outro nada podemos fazer para travar o evoluir dos acontecimentos. Podemos optimizá-la em função da nossa maneira de estar na vida, coisa que não deixa de ser, por sua vez, naturalmente, o resultado de uma série de circunstâncias em que fomos factores inteiramente passivos, começando pela própria gestação e prosseguindo pela infância, em que sobre somos moldados à imagem e semelhança dos que nos criam e dos que de mais perto nos acompanham. Mas depois chega a altura de outras influências e de outros ambientes, e , aí, tudo depende muito das pessoas que encontramos e dos locais que frequentamos, coisa que, se até certo ponto depende dos acasos, não deixa também de contar já, no entanto, com as nossas rejeições e as nossas escolhas, frutos certamente, uma e outras, quer de factores genético-heriditários, quer da maneira como até aí fomos tratados (educados).
Bom, meu amigo, quase sem dar por isso pus-me para aqui a filosofar. E tudo isso por estar a pensar no que me tem dito sobre o estado de saúde do seu pai.

... Ocorreu-me um dia destes que o seu pai faz parte da geração dos “cangarinos”, mas ele não era um deles. Pergunte-lhe se ele ainda se lembra disso. O Manuel Gomes é capaz de nunca ter ouvido falar de tal coisa, já que a sua duração foi efémera. E consistiu no seguinte:
Quando o seu pai tinha entre 17/20 anos, aos da sua geração que andavam a aprender um ofício ou que tinham acabado de aprendê-lo ainda há pouco tempo (pedreiros, carpinteiros, serralheiros, etc.) deu-lhes para se julgarem gente superior e entrarem numa de descriminarem os então chamados trabalhadores do campo (a classe bruta, como eles diziam), atitude essa que se tornou mais notória na organização de bailes só para eles e para as suas irmãs e namoradas. Ainda me lembro de um desses bailes ter sido realizado no que então era um celeiro do Barbosa, por baixo de onde era a escola primária (eu morava ali perto), e de ter visto alguns trabalhadores do campo, entre eles o António Cavaco, cá fora, a apuparem os “cangarinos”. E os “cangarinos” eram o Duarte Cruz, o Manuel Inácio, o João Nunes, o Abel Júlio, o Xico Braga, o Xico da Mariana, entre outros dessa geração. Mas isso passou-lhes depressa, e a geração seguinte, aquela a que já eu, mais ou menos, pertencia, não padeceu desse mal.
Não sei como é que surgiu essa designação de “cangarinos”, termo que nem encontro nos dicionários, mas que era uma designação engraçada, lá isso era.
... Por hoje fico por aqui, mas acho que vamos ter muito que conversar, o que, naturalmente, iremos fazendo paulatinamente, ao sabor do que nos for ocorrendo e do que é caracteristico em quaisquer conversas: serem elas como as cerejas.

Um grande abraço para si e outro para o seu pai. Cumprimentos para o resto da Família. O meu filho António agradece e retribui o seu abraço.


Guilherme Afonso "  





29 maio 2010

Trabalhos de ontem I






Os trabalhos do campo eram normalmente exercidos por quem não tinha aprendido um ofício! Quem não fosse pedreiro, carpinteiro, serralheiro, etc... e tivesse que trabalhar na agricultura, era designado e conhecido por trabalhador do campo!

O esforço físico dispendido exigia muita capacidade de resistência e só o recurso à prestação de muares no acompanhamento de algumas tarefas, como o de transporte de cargas pesadas e nas lavoiras, permitia que muitos dos trabalhos fossem concretizados! Eram tempos a ritmos diferentes dos de hoje! Afinal..., ainda estávamos longe daquela que viria a ser a tão desejada mecanização agrícola!!!





Colaboração fotográfica – Pedro Menezes e Bruno Cruz




24 maio 2010

Alfaiatarias II


João Braz começou a aprender a profissão de alfaiate aos 14 anos, mais precisamente a 4 de Agosto de 1941, no Pombalinho. Foi seu mestre, Joaquim Mendes Monteiro.

Ao fim de três anos de aprendizagem foi trabalhar para Vale de Figueira, onde esteve até 1945. Mais tarde continuou a sua profissão em Casével, freguesia do concelho de Santarém.


Em 6 de Maio de 1946 estabeleceu-se por conta própria, como alfaiate, na Azinhaga, numa casa localizada frente à Igreja desta localidade.







Depois de 7 meses a trabalhar na Azinhaga, mudou-se profissionalmente para o Pombalinho, onde veio a ocupar uma casa para o efeito, junto à fonte pública da rua 1º de Dezembro.

Tendo casado em 5 de Outubro de 1949 e habitado uma casa na rua Hilário José Barreiros, numa casa de Júlio Barros, mudou uns meses mais tarde para aí, o local de desempenho da sua profissão.


Em 1952, passou a habitação e a alfaiataria para a Rua Barão de Almeirim, nas casas de Manuel Barrão, mesmo ao lado da mercearia de Diamantino da Costa.







Em 1953 foi morar para a Rua 1º de Dezembro, tendo transferido a alfaiataria para o nº96 da rua Barão de Almeirim, junto à Igreja Matriz. Aí perto trabalhavam Carlos Fonseca Cavaco (barbeiro) no Nº 92, Ernesto Nunes (sapateiro) no Nº 94 e José da Silva (latoeiro)no Nº 98.






Em 1965 criou uma sociedade com Ângelo Ferreira. Instalaram-se no nº3 da Rua Barão de Almeirim numa casa remodelada para o efeito e pertencente a Manuel Bispo.







Nessa nova fase de expansão da actividade trabalharam como profissionais e aprendizes, Manuel Santana Vinagre e as jovens Helena e Fernanda Cavaco, Aurora Cavaco, Irene Conde; Maria da Conceição G. Cordeiro, Evangelina Ferreira da Luz, Maria de Lurdes S. Leal, Maria Laura da Luz Ferreira, Maria dos Anjos, Maria do Céu (entre outras).






Em 1979, mudou novamente a sua residência para a Rua Barão de Almeirim n.º 34, para uma casa adquirida aos herdeiros de Manuel Frade, onde mora actualmente.






Em 1980 com a dissolução da sociedade com Ângelo Ferreira, continuou o desempenho da profissão na sua casa de habitação onde exerce actualmente a actividade na situação de reformado.




Colaboração de texto e fotos - António Braz

Pesquisa e fotos - Bruno Cruz





10 maio 2010

Barão de Pombalinho!




Faz hoje cento e cinquenta e cinco anos que faleceu António D'Araújo Vasques da Cunha Portocarrero. Natural da freguesia de Cedofeita, concelho do Porto, foi no entanto na região de Santarém que passou grande parte da sua vida. Figura incontornável da história do Pombalinho, ficou ligado a esta terra não só por via de laço matrimonial que contraiu com Rita Mariana Freire da Rocha, mãe do 1º barão de Almeirim, mas também pelo título de barão de Pombalinho que lhe foi atribuído pela rainha de Portugal, D Maria II.

Foi sepultado no jazigo dos Viscondes de Portocarrero no cemitério dos Prazeres em Lisboa. Hoje esse lugar, número 987 da rua 17, está ocupado por um outro jazigo, em nome da família de João Ildefonso Bordallo.

Redige o próprio testamento na sua casa de Santarém, em 06 de Junho de 1854. Extenso e emocionalmente sentido em determinadas passagens, é um importante documento que permite entender as relações que esta personalidade tinha com os seus familiares, camaradas do Regimento de Cavalaria onde serviu na Guerra Peninsular e até com os criados que porventura lhe prestaram lealdade até aos últimos dias da sua vida.

Desde sempre que a figura de António D'Araújo Vasques da Cunha Portocarrero tem suscitado a descoberta de novos horizontes, de forma a que se pudesse avaliar um pouco mais da importância que o barão teve nos destinos do Pombalinho. Sabia-se das fortes motivações de afectividade que criou em relação a esta terra! Mas sentíamos a necessidade de irmos mais além! Descobrir provas documentais e se possível das razões que levaram este homem do norte a deixar a sua região de origem e vir ao encontro da vida nesta aldeia ribatejana! Conseguimos porém, fruto de alguma investigação em arquivos nacionais, testemunhos escritos que ajudam indiscutívelmente a desvendar um pouco a sua personalidade na vertente familiar mas também militar, uma vez que nesta, teve um importante papel durante as invasões francesas.


 No entanto e por razões que se prendem com os resultados de pesquisas que fizemos nos últimos tempos, os documentos conseguidos justificavam um espaço dedicado exclusivamente ao Barão de Pombalinho. E foi isso que fizemos! Com o seu título, criamos um blog onde está publicado o que de mais relevante conseguimos apurar sobre António D'Araújo Vasques da Cunha Portocarrero. O endereço é  http://barao-pombalinho.blogspot.com/ .






03 maio 2010

25 Abril no Pombalinho!






Embora não tenhamos qualquer referência, não é difícil de ver o ano a que se reporta esta fotografia! Vivia-se no país um clima de euforia social! Sentia-se e desejava-se a necessidade de mudanças políticas em resultado de derrube do regime que vigorou até 25 de Abril de 1974! E os capitães de Abril foram autores e heróis dessa mudança!

 No Pombalinho, o povo saiu à rua em manifestações de regojizo por tudo o que se estava a passar e principalmente pela ansiedade há muito esperada de um futuro melhor! Esta fotografia tirada em 1974 ou 1975, na rua Barão de Almeirim, ilustra bem essa vontade, que a todos mobilizou! O tempo era verdadeiramente de festa!!!


Colaboração Fotográfica - Miguel Costa

Pesquisa - Bruno Cruz





25 abril 2010

Cartas de Maputo IV !


Neste amistoso intercâmbio que de algum tempo venho mantendo com o nosso Amigo Guilherme Afonso, existem em cartas de entre muitas que já trocamos, temas que resultam de importantes testemunhos históricos que entendo poderem contribuir para uma melhor compreensão de tempos, já de há muito vividos! Acho mesmo que seria injustificado da minha parte, mantê-los no desconhecimento de todos os visitantes deste espaço! E por isso, o que hoje se publica, revela-nos aspectos de personalidade de uma das pessoas que porventura pouca gente dos tempos de hoje conheceu, ou privilegiadamente chegou a privar! Ele é o Francisco Maria Borges e a carta é a que a seguir vos damos conta.


       Maputo, 26 de Setembro de 2007

       Caro Amigo Manuel Gomes


         Que tudo esteja caminhando bem consigo e com os seus, são os meus votos.
Cá pelo meu lado, tudo vai caminhando sem sobressaltos, depois daquele a que fomos sujeitos devido ao Afonso.

Disse-lhe anteontem que responderia dentro de dias ao seu e-mail de 21 p.p., deitando por contas que levaria mais algum tempo. Mas, ontem, lembrei-me de duas coisas relativamente ao texto que me diz ter já escrito sobre a casa Borges que podem ter interesse para si.

Uma é precisamente sobre a designação do estabelecimento, um grande complexo comercial, como outro não havia ali por perto. Eu lembro-me do estabelecimento ser conhecido pela "Loja do Castanhas". E, isso, porque o estabelecimento pertenceu, antes, ao sogro do Francisco Maria Borges, o qual era como tal conhecido: por o Castanhas. Não sei se Castanhas era nome ou alcunha (eu já o não conheci), assim como não sei se teria sido ele quem fundou o estabelecimento, ou se também já o herdara, nem se quando o Borges tomou conta dele já o mesmo teria aquelas proporções.

A outra, é a seguinte: lembro-me de, quando miúdo, o Francisco Borges, de tempos a tempos, dizer à miudagem pobre das proximidades (ou falava aos pais, não estou certo) para se apresentar lá em casa com um prato e uma colher. Sentava então a malta num daqueles muitos compartimentos que tinha lá para o interior e enchia-lhe a barriguinha de fava-rica. É claro que já me não lembro de quantas vezes eu enchi a barriguinha da bela fava-rica do Borges, mas umas 4 ou cinco foram, com certeza. Eu e o meu irmão. E penso não errar se acrescentar os nomes dos irmãos Manuel e Aníbal Condeço (Ratos), o Manuel João Bugalho (Fagunto), o João Carocho e o António Justino (Canário). Só estou a mencionar nomes de rapazes, por não me lembrar se também iam raparigas. Mas suponho que sim, tanto mais que o Borges era um indivíduo progressista, como esse seu gesto dava bem para entender. Aliás, a discriminação, a existir (nesse caso), poderia não vir do Borges, mas dos pais das meninas (por esses tempos havia muito pouca mistura de sexos – hoje será mais moderno dizer: de géneros – mesmo quando se era ainda muito criança).
E porque o Borges era progressista, e, como tal, também oposicionista ao Estado Novo, uma boa parte dos "senhores da terra" não simpatizava nada com ele.
Curioso, é que a primeira vez que eu ouvi falar em espiritismo foi ao Francisco Borges . Quanto a mim contraditoriamente, em relação ao que dele acabo de dizer (homem progressista e adverso ao Estado Novo), ele acreditava no espiritismo, tendo feito parte, segundo dizia, de um grupo de espíritas em Lisboa, de onde era natural e onde vivera até ao casamento.
... Dessa da música nos espaços comerciais ainda não tinha ouvido falar.

É um facto, os tempos modernos são terríveis. Comparados (os modernos actuais – passe o pleonasmo) com os "Tempos Modernos" do Charlot (Charles Chaplin), os do Charlot são uma grande brincadeira.
Já viu esse filme do Charles Chaplin? Vale sempre a pena.

Pois!... É a vida, é, muito estimado Amigo Manuel Gomes... uma vida cada vez mais frenética e inóspita. Vamos resistindo, tanto quanto possível, ao frenesi e à agressividade reinantes.

Cumprimentos muito cordiais para toda a Família.

Um grande abraço para si e outro para o seu pai.

Guilherme Afonso



20 abril 2010

Tocha Olímpica!!!



Os XXII Jogos Olímpicos foram abertos em Moscovo, pelo presidente Leonid Brejenev em 19 de Julho de 1980 e contaram com a participação de 5.179 atletas em representação de 80 países.

Faz hoje trinta anos que jovens do Pombalinho, organizados num grupo cultural a que atribuíram o nome TRI-C, se associaram ao espírito olímpico por ocasião dos respectivos jogos realizados na capital da ex-União Soviética, transportando a chama olímpica num percurso iniciado em Vale de Figueira e terminado no Pombalinho.






Antes do início da corrida, preparando todos os pormenores com a organização do evento.









A passagem da tocha olímpica por parte do representante de Vale de Figueira a um elemento do Pombalinho (Miguel Mogas) sob o olhar atento de Jorge Palmeirão..









Por fim a chegada da tocha olímpica ao Pombalinho! Coube a Jorge Palmeirão o cumprimento dessa tarefa!








... E a pose para a posterioridade! O grupo TRI-C (Jorge Palmeirão, Miguel Mogas, Eduardo Cruz, José M Correia e António Gonçalves), com a menina Clarisse Fortunato.






Fotos de Maria Graciete e Teresa Cruz
Colaboração de Bruno Cruz






10 abril 2010

Bateiras !!!





Grupo de pombalinhenses no ano de 1949, por ocasião do festejo das tradicionais "bateiras"! Da esquerda para a direita, Francisco Cruz, Joaquim Felisberto, Manuel Inácio, Alexandre Cruz e Ernesto Hilário.









Um ano mais tarde, o mesmo grupo voltou a reunir-se para novamente comemorarem as bateiras em passeio de barco pelo rio Almonda, nas imediações da Quinta da Broa. Reconhecem-se, da esquerda para a direita, Francisco Cruz, filha de João Feliciano, Joaquim Felisberto, Ernesto Hilário, Alexandre Cruz e João Feliciano. Foi no dia 10 de Abril de 1950, há sessenta anos!!!!



Fotos gentilmente cedidas por Mª Luísa Narciso e Mª Luísa Felisberto.
Colaboração de Bruno Cruz




Nota – para blog temático clicar em http://bateiras.blogspot.pt/








23 março 2010

Cartas de Maputo III !



Maputo, 21 de Fevereiro de 2006


Caro Amigo Manuel Gomes

"Que se encontre bem juntamente com todos os que lhe são queridos, são os meus votos sempre presentes.

Continuando a anular as distâncias, cá estou a dar continuidade ao nosso amistoso e reconfortante diálogo. A mim, pelo menos, já a entrar no último quarto de século de uma vida sem grandes solavancos, reconforta imenso ter um conterrâneo bastante mais jovem que tão cordialmente se dispõe a este diálogo e que comigo se abre revelando o percurso da sua formação como Homem nestes nossos conturbados tempos. Acredite, Amigo, que me senti privilegiado e me emocionei muito ao ler e reler a sua descrição da maneira como viveu esses tempos áureos do pós 25 de Abril em Portugal e as reflexões que sobre os mesmos foi fazendo....



... Enviei-lhe aqui há tempo uma fotografia tirada numa das alvercas em que muitas vezes tomámos banho e, a propósito, falei-lhe de algo que tinha escrito sobre os dias em que a rapaziada ia à inspecção para o serviço militar, tendo acabado por prometer enviar-lhe o artigo depois de burilado. Acabei, contudo, não apenas por burilá-lo, mas por refazê-lo, na tentativa de nele encaixar as imagens que o integram. É mais um texto das minhas memórias. Se o Manuel Gomes achar que dá para publicá-lo como está, óptimo; se isso não for viável, por qualquer motivo, mas se tiver alguma sugestão a fazer, ela será, como sempre, bem recebida
."


INSPECÇÃO PARA O SERVIÇO MILITAR


"À inspecção militar iam, em cada ano, os indivíduos do sexo masculino que nesse ano completavam vinte anos de idade. Em 1949, nascidos, por conseguinte, em 1929, éramos 19, o maior número até então registado no Pombalinho. Por ordem alfabética, aqui vão os nossos nomes:

Alberto Gomes, António Andrade Leal, António Costa, António Domingos, António Maria Duarte, Cipriano, Ezequiel Andrade Barreiros Mateiro, Francisco Bispo, Guilherme Afonso dos Santos, João Fataça, Joaquim Duarte, José Marcano, José Narciso, Manuel Cachado, Manuel Cardoso, Manuel Carvalho, Victor.

Falta o nome de um, porque, tendo nascido no Pombalinho, de lá saiu, com os pais, muito novo ainda. Juntou-se a nós no dia da inspecção, parece que vindo de São Vicente do Paul ou do sobral, mas não fixei o seu nome.
Não se juntaram a nós, no dia da inspecção, o Manuel Cachado e o Manuel Cardoso. O primeiro porque tinha ido para Lisboa aos 16 ou 17 anos e providenciou para ir à inspecção em Lisboa. O segundo porque tinha ido para Angola, com os pais, dois ou três anos antes, e por lá terá ido também à inspecção. Alguns já faleceram. Que eu saiba ... "
Para texto integral, aceda ao Perfume da Alma clicando AQUI



Nota do autor deste Blog - Como bem se pode constatar, a este texto jamais poderia ter acontecido uma espera de publicação tão longa, como a que acabou por acontecer! De facto, é difícil de imaginar como é que este brilhante testemunho do nosso Amigo Guilherme Afonso entrou injustamente no "arquivo morto" da minha memória! Mas..., aconteceu!!! De qualquer maneira, passou o tempo, mas o interesse histórico subjacente a esta inspecção militar de 1949 mantém-se completamente inalterável!
Com as minhas devidas desculpas ao autor de "Inspecção para o Serviço Militar" por este atraso involuntário, fica a redobrada satisfação por aqui no "Pombalinho" e no "Perfume da Alma" se fazer jus, no sentido de partilha com os visitantes destes espaços, a mais uma das brilhantes memórias de vida de Guilherme Afonso.