04 junho 2013

A cultura do cânhamo !



Esta série de fotografias, sobre a cultura do cânhamo, foi-me enviada por José Barrão que o próprio recolheu de uma revista  editada no ano de 1940.
 De todas as fotografias apenas uma  refere o Pombalinho como sendo o local onde  estes  trabalhos foram realizados! No entanto,  uma outra, aquela cuja legenda identifica as manchas brancas como sendo pedras para manter o cânhamo submerso,  retira quaisquer dúvidas sobre onde efectivamente  estes trabalhos de tratamento do cânhamo foram executados!  De facto se nos posicionarmos na respectiva fotografia como se estivéssemos  na alverca de Fernão Leite, identificamos sem nenhuma dificuldade, no lado esquerdo da mesma,  o edifício da Escola Velha e logo a seguir onde hoje é a sede da Junta de Freguesia do Pombalinho.
Os trabalhos de extração da fibra pelas gramadeiras podem ter sido feitos numa das eiras que haviam ali bem por perto.

É um registo que muito nos congratulamos em publicar! Por duas razões! Por ser um tema que até hoje ainda não tinha sido abordado aqui no " Pombalinho"  e acima de tudo pela possibilidade de darmos  a  saber às  gerações de hoje,  mais uma atividade  agrícola que em tempos ocupou os campos do Pombalinho!

































Nota 1 -  "O Pombalinho"  agradece a José Barrão pela gentileza no envio das fotos assim como do texto de apresentação das mesmas, a partir do qual elaborei as linhas que servem de preâmbulo a  esta publicação.




Nota 2 - Por vezes recebemos comentários que  ultrapassam, felizmente,  os meros cumprimentos formais por tudo o que  vamos publicando aqui no  "Pombalinho"!  São riquissimos testemunhos de vidas que complementam perfeitamente os assuntos  a que se referem! Foi o que aconteceu com   "A cultura do cânhamo" ! Poucos dias depois da sua publicação recebi, via mail, de Guilherme Afonso o seguinte texto que traduzindo o que acabo de dizer,  de forma nenhuma o poderia deixar em arquivo e sem que dele os leitores deste blog desse conhecimento.


Maputo, 11 de Junho de 2013

Recordar é uma arte... Não é assim, Caro Amigo Manuel Gomes?...
E é também viver, como é mais comum dizer-se.
E foi o que aconteceu comigo, ao ver esta reportagem sobre o cultivo do cânhamo (cannabis sativa) no Pombalinho: pôr-me a viver (ou talvez mais propriamente a reviver) os meus tempos de rapaz em que trabalhei em searas de cânhamo semeadas nos campos da nossa terra.
Poderei dizer que fiz tudo em searas de cânhamo desde a sua sementeira até á extracção da fibra das plantas, para uma fábrica têxtil em Torres Novas, excepto semeá-lo.
Constou na altura que até ali essa fábrica importava a fibra da Itália, mas que com o deflagrar da Segunda Guerra (1939-1945), isso deixou de ser praticável, dado o risco de afundamento dos navios que a transportassem.
De facto, não o semeei, mas um dos primeiros trabalhos assalariados que fiz, senão mesmo o primeiro, ao sair da escola com o 2º Grau da Instrução Primária feito (11 anos), foi exactamente espantar os pardais da primeira sementeira de cânhamo feita na nossa terra, a qual abrangia todo o terreno que vai desde o muro da Rua Carolina Infante da Câmara até á Alverca de Fernão Leite e da estrada Nacional 365 até á Estrada Real, exceptuando, claro, os espaços ocupados por uma vinha, que era do Manuel Sabino, e por um olival, que já não me lembro de quem era e se situava do outro lado da rua em que fica a Estalagem (Estalagem do Pocinho), parece que é assim  que se chama.
De resto, fiz tudo, até extrair-lhe a semente, para novas sementeiras e para vender para as lojas de comida para pássaros, e também para ir metendo na boca e mastigando.
A semente era extraída da planta fêmea, que crescia um pouco menos que a planta macho, para absorver desta, na sua parte gomosa, aquela de que se prepara o haxixe, o pólen sobre a sua florescência.
Um daqueles indivíduos mais novos vistos nas fotografias que o José Barrão lhe enviou, posso muito bem ser eu.
Para o José Barrão, que, salvo erro no cumprimento do serviço militar, andou aqui por estes lados, onde muitas vezes nos encontramos, um grande abraço.
A extracção da fibra pelas gramadeiras não se fazia em eiras. Fazia-se geralmente em olivais, à sombra das oliveiras.
E é o que se me oferece dizer-lhe Caro Amigo, sobre o cultivo da cannabis sativa nos campos do nosso Pombalinho.

Um grande abraço

Guilherme Afonso.




20 maio 2013

Júlio José Barreiros




Júlio José Barreiros, lavrador e proprietário, nasceu no Pombalinho em 20 de Dezembro de 1876  e morreu em 30 de Outubro de 1944. Era filho de   Hilário José Barreiros    e de Catarina dos Anjos Barreiros, também eles  lavradores e agricultores do Pombalinho e ele ainda feitor das terras do Barão de Almeirim.

Casou primeiro com   Alice Ornelas Infante da Câmara   8 de Junho de 1905 na Igreja de Santa Cruz do Pombalinho e em 1918, já no estado de viúvo, com Aurora Machado Pedroso, professora do Ensino Primário no Pombalinho.

Júlio José Barreiros, teve sete filhos. Cinco do primeiro casamento, Júlio da Câmara Barreiros [28-Abr-1906 a 02-Ago-1988], Maria Emília Infante da  Câmara Barreiros [02-Jun-1908  a  25-Set-1998], Hilário José Câmara Barreiros [   ], Hilária Catarina Câmara Barreiros [????  a  21-Dez-1913], Alice Carolina Câmara Barreiros [12-Jan-1912  a  24-Set-1989],  e dois do segundo,  Noémia Pedroso Barreiros [21-Mai-1919] e Carlos Pedroso Barreiros [01-Mai-1921 a 16-Jul-2002].

Primeiros anos - Em pequeno por ser de constituição frágil e, dos irmãos, o único que não podia andar no campo, o pai resolveu mandá-lo estudar, tirando o curso de ajudante de farmácia.
Actividade profissional - Foi director técnico de uma farmácia em Vale de Figueira (Vilgateira?), de outra na Azinhaga, e de outra em Lousa, a caminho de Montachique, contudo não fez carreira desta actividade. Segundo a filha Maria Emília, "dedicou-se à agricultura mas estava talvez à frente da época. Comprou o primeiro tractor da região. As coisas não correram bem e teve que vender. Era empreendedor mas sem sorte."
Segundo a filha   Noémia  ,  " de manhã agarrava no pau do marmeleiro, saía, ia ver os homens que estavam a trabalhar e pronto. Nunca trabalhou na terra nem no tractor (o filho Júlio sim), gostava muito daqueles inventos novos, a ceifeira, a debulhadora. Alugava o tractor aos outros que não tinham, mas isso depois dava despesa que não conseguia recuperar. Para arranjar um motor, era preciso vir um mecânico da Golegã e nisso gastava muito dinheiro.
A casa foi remodelada numa altura em que as coisas subiram de preço. O orçamento subiu loucamente durante a guerra e a casa nãochegou a ser acabada. Ficou rebocada e com a parte de cima. Depois teve que vender a casa e as propriedades.
Tinha entretanto falecido um empregado que era o braço direito dele - o Manuel Melão - de quem era bastante amigo (nos dias de anos convidava-o sempre para se sentar à sua mesa) e cujos filhos eram todos afilhados lá de casa."

Actividade social - Casou-se aos 29 anos com uma senhora nascida na Quinta da Mata (vizinha freguesia de S. Vicente do Paúl), mas educada em casa de umas tias muito ricas do Pombalinho que lhe deixaram uma valiosa herança.
O registo de casamento dá a noiva, Alice Ornelas Infante da Câmara,  como filha de pais incógnitos; de facto só viria a ser perfilhada mais tarde, mas apenas pelo pai, Manuel Infante da Câmara.
A esposa morreu prematuramente por parto da filha Alice, ela própria também nascida prematuramente. Júlio José ficou assim com três filhos muito jovens (dois já tinham falecido).

Foi   Presidente da Junta de Paróquia   no período de    21-Fev-1921  a  21-Mar-1921  , recebendo nesta qualidade a nova professora do ensino primário, portadora de uma carta de apresentação - D. Aurora Pedroso - com quem algum tempo depois viria a casar (esta senhora vivia até então na casa que pertenceu a Júlio Câmara Barreiros, na Rua da Igreja) passando a viver na  "casa dos arcos". Tiveram dois filhos: Noémia e Carlos.

Amador e organizador  de  touradas  , actor e   autor teatral   (escrevia peças de teatro e ensaiava sobrinhos e amigos no celeiro por debaixo da escola primária, onde depois actuavam), músico (tocava acordeão), ensaiador de ranchos folclóricos, era ainda famoso desenhador de monogramas e percursor das palavras cruzadas. Gostava muito de conversar junto da farmácia com lavradores da região, negligenciando a sua actividade económica; deslocava-se frequentemente a Santarém e a Lisboa onde era assíduo frequentador de teatros e de bons restaurantes.

Em 1938, sofrendo já de grandes dificuldades económicas, veio definitivamente para Lisboa acompanhado de toda a família, excepto o filho Júlio, entretanto já casado. Esta vinda teria ainda sido motivada por questões de saúde - sofria de asma - e também pelos estudos da Noémia e Carlos.

Saúde - Para além dos problemas de asma sofria também do aparelho digestivo, em particular do fígado, que tratava nas termas do Gerês.

Nos últimos anos de vida engordou muito o que o obrigou a uma vida sedentária, imobilizando-o em casa. Dedicou-se então ao fabrico de pequenas peças de madeira feitas de buxo que tinha trazido do Pombalinho. Mobílias em miniatura, molduras e dobradouras originais, agulhas de tricot, etc., etc., saíam das suas mãos com toda a perfeição, apesar de apenas dispor de ferramentas manuais muito simples.



Nota - O autor deste blog agradece e gentileza de Fernando F Barreiros na elaboração  e envio deste magnífico trabalho biográfico sobre o seu avô, Júlio José Barreiros, para efeitos de publicação no blog  "Pombalinho". 




15 maio 2013

Blog de Busca Rápida !!!






Atendendo  que a informação  publicada nos blogs principais e temáticos do Pombalinho atingiu  um volume considerávelmente denso  e  por consequência,  daí resultar uma certa morosidade ao nível da pesquisa,   entendeu-se  criar um índice de ligações  que  permita, de uma forma rápida,  direccionar  as consultas  pretendidas sobre quaisquer matérias ou assuntos, aos blogs onde elas estejam publicadas.
E assim nasceu o "Pombalinho Temático"! É um espaço onde se pretende colocar ao dispor de um vasto leque  de visitantes, variadissimos  temas relacionados com o Pombalinho. Creio que será  mais um instrumento ao serviço de todos os que se interessam pelo Pombalinho e  pela sua História! Visitar, questionar e conhecer  sempre mais um pouco do Pombalinho é o horizonte a que nos propusemos ! Então..., boas navegações!!!


Nota - Para acederem ao Blog PT poderão clicar conforme mostra a ilustração ou colocarem na vossa barra de Favoritos  o endereço  http://pombalinho-tematico.blogspot.pt/  






24 abril 2013

25 Abril no Pombalinho !




A população do Pombalinho em manifestação alusiva ao 25 de Abril de 1974. 

(Sul da Rua Barão de Almeirim)





08 abril 2013

Noémia Pedroso Barreiros



Noémia Pedroso Barreiros





"" Caro Manuel Gomes

Em conversa de ontem com a minha tia Noémia, nascida no Pombalinho, [1] filha de Júlio José Barreiros e da sua segunda mulher, Aurora Pedroso, então professora primária no Pombalinho, que apesar da sua avançada idade mantém uma memória e vivacidade de espírito notáveis, ela falou-me das festas que tradicionalmente aí se faziam nesta época - as bateiras. E que por vezes, quando o tempo a isso obrigava, todos se deslocavam para a moagem, onde existiam espaço e condiçoes que permitiam dar continuidade à realização do evento, situação que ela própria, ainda menina, chegou a viver.

Mas também lembrou que no tempo do seu avô,   Hilário José Barreiros , que não chegou a conhecer, estas festas já existiam e eram vividas com grande animação.Isso mesmo é confirmado pelo texto de um recorte de jornal, há tempo já pulicado por "O Pombalinho", sob o título de "Recordações do Passado" da autoria de  Adriano Carmo . Relatava "os formidáveis Pic-nics com mais de 100 pessoas reunidas, que se faziam amiudadas vezes, na Tapada, à beira do Tejo e ainda no Alviela nas segundas feiras de Páscoa... Todas as famílias de maior distinção do Pombalinho e até de fora dali se juntavam num verdadeiro convívio de alegrias e com a maior à vontade.

Não sei se há conhecimento da origem desta tradição mas creio que é sempre interessante divulgar os testemunhos mais antigos que se conhecem sobre a mesma...


[1] - Nóemia Pedroso Barreiros nasceu no Pombalinho em 21 de Maio de 1919.




Outra coisa que a tia Noémia recordou foi a abundância de sável, nesta época, quando os cardumes subiam  os rios Tejo, Alviela e Almonda. E ofereceu-me esta fotografia, tirada cerca de 1930, talvez junto do Alviela. Das "pescadoras", apenas reconheço a última do lado direito - uma outra tia, chamada Maria Emília, também nascida no Pombalinho [2], filha de Júlio José Barreiros e de sua primeira mulher, Carolina Infante da Câmara.

Só gostaria que, nos dias de hoje, o apreciado sável voltasse a esses rios para satisfação dos muitos apreciadores do sabor manjar!

[2] Maria Emília Infante da Câmara Barreiros nasceu no Pombalinho em 2 de Junho de 1908.

Fernando F. Barreiros ""



Nota do autor - Desta carta e seus respectivos suportes fotográficos que Fernando Furtado Barreiros  nos endereçou a partir de um excelente depoimento recolhido de sua tia, Noémia Pedroso Barreiros, o  "Pombalinho",  reconhecidamente agradece a gentileza de ambos!




29 março 2013

As Bateiras no Ano 1952 !



Um grupo de Pombalinhenses,  festejando as "Bateiras" no ano de 1952.

Era, porventura, uma das tradições que maior participação tinha entre as gentes do  Pombalinho! Longas e muitas são as histórias à volta dos festejos da segunda feira de Páscoa! Um dia de franco convívio e pura camaradagem, passado nos campos do Pombalinho, onde o almoço confeccionado  à boa maneira campestre marcava o mote para um dia vivido em ambiente contagiante de  muita alegria e divertimento!   

Relembremos, pois então,  algumas das celebrações do dia das "Bateiras" e também  dos que pelo tempo foram resistindo ao "culto"  desse dia  de tão fortes tradições na nossa região!


Clique pf   AQUI   




02 março 2013

Casamentos XIII




Casamento de Manuela Narciso com  João Calado.
A cerimónia teve lugar no Pombalinho em 24 de Maio de 1975.


Da Manuela foram seus padrinhos de casamento, Manuel Gameiro Duarte e Maria Albana Barreiros Duarte e do João,  Ana Rosa Calado e Manuel Branco.






Colaboração fotográfica de Manuela Narciso








14 fevereiro 2013

Outros tempos! Novos tempos!!!




Decorria o ano de 1895  e  por via de uma reforma administrativa a ser implementada no país, alguns proprietários do Pombalinho e da Azinhaga apresentaram ao ministro da tutela uma proposta de passagem destas duas freguesias para a Golegã, impedindo assim que este município, na sua figura administrativa,  fosse objecto de uma eventual extinção!

Estes dois recortes do jornal  "Correio da Extremadura", de 10 de Agosto de 1895 e 14 de Setembro de 1895, respectivamente pela ordem de publicação neste  "post" , reportam-se  à notícia da deslocação a Lisboa de elementos da Câmara de Santarém para, num encontro com o  ministro do reino, impedirem  que essa possível  desanexação do Pombalinho e Azinhaga do concelho de Santarém  se pudesse concretizar! 











Como todos sabemos, historicamente, o Pombalinho manteve-se no concelho de Santarém  enquanto a Azinhaga, nesse mesmo ano de 1895,  mais precisamente a 21 de Novembro,  foi inserida no Município da Golegã! 

A história, porém,  ao fim de 116 anos acabou por dar razão ao grupo de proprietários que apostaram, nesse longínquo ano de 1895 ,  no  caminho municipal conjunto para o Pombalinho  e  Azinhaga  por terras do Almonda!  A  Golegã é  hoje o destino comum destas duas localidades,  que nunca deixando de ter apostado nas diferenças das suas virtualidades, sempre se pugnaram por uma vizinhança de proximidade assinalável! Assim continuem, para  bem das populações  e  do "novo"  Concelho da Golegã,  agora  reestruturado e desejavelmente mais forte!




Pesquisa documental - Bruno Cruz
Texto - Manuel Gomes






09 fevereiro 2013

Casa Farol





Fotografia  tirada nos finais da década de sessenta do século passado na horta da antiga  Casa Farol .
Da esquerda para a direita, Fernando Leal, Victor Reis e Manuel Carvalho.





Colaboração fotográfica - Victor Reis 




   

01 fevereiro 2013

Pombalinho - Golegã I



POMBALINHO  no Concelho da Golegã  a partir de 29 de Janeiro de 2013.
(Artigo 9º da Lei nº11-A/2013)


Foi publicado no número 19 , 1ª Série,  do Diário da República de 28 Janeiro de 2013,  a  Lei nº11-A/2013  que consagra a Reorganização administrativa do território das freguesias.


O Pombalinho tem particular destaque nesta Lei, conforme Artigo 3º , por força da transferência desta freguesia  do município Santarém  para o da Golegã,  com efeitos legais  a partir de  29 de Janeiro de 2013.











Fonte -  Diário República 





18 janeiro 2013

Pombalinho - Golegã





Por promulgação da Lei sobre a Reorganização Administrativa do Território, no passado dia 16 de Janeiro de 2013,  o  Pombalinho deixa de pertencer ao Município de Santarém e integra-se no Concelho da Golegã!

Cumpriu-se uma legitimidade há muito ambicionada pelas gentes do Pombalinho! É um virar de página muito importante na vida dos Pombalinhenses!  Esta integração será para o Pombalinho uma forte esperança para um futuro que se quer devidamente concertado! A história é  um dos seus maiores alicerces,  que poderá contribuir indelevelmente  para um Pombalinho  moderno e orgulhoso do seu passado!

 Já não temos de atravessar "montes e vales"  para sermos escutados! Agora a planície, da qual afinal nunca deixamos de pertencer,  faz-nos ver melhor e mais longe! O futuro, um futuro mais feliz e devidamente planeado para o Pombalinho, está decididadamente mais perto! 





12 janeiro 2013

António de Araújo Vasques da Cunha

A partir de 1823, para além das contribuições que eram impostas pela Regra , surgiu de novo a  Décima , que era um imposto que tinha sido decretado após a Restauração da Independência pelas Cortes de 1641 para a manutenção de um exército permanente de defesa do País.

 Mais tarde, este pagamento extraordinário,  foi relançado por D.José I  e  incidia sobre prédios, ofícios e ordenados, e tinha como objectivo  fazer face a conjunturas económicas consideradas débeis. Foi o que aconteceu no ano de 1828!

 Mas para além desta forma de pagamento, também foi exigido pelo Estado, aos contribuintes,  donativos voluntários ou títulos da dívida pública, em conformidade com o Decreto Lei de 25 de Junho de 1828.

No número 237 da Gazeta de Lisboa de 06 de Outubro de 1828, consta a doação que António de Araújo Vasques da Cunha ( barão de Pombalinho ), lavrador dos campos de Pombal (antiga designação de Pombalinho) e Reguengo,  fez para esse efeito ao Real Erário do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e de Justiça  no valor de 53$330 réis. 




Colaboração e pesquisa: Bruno Cruz e Manuel Gomes

23 dezembro 2012

Natal 2012 !



A todos os amigos, colaboradores e visitantes deste espaço, um Natal Feliz e um bom Ano Novo de 2013!!!


 

15 dezembro 2012

É Natal!!!




Com a aproximação da quadra natalícia é com alguma saudade, e porque não dizê-lo também, com alguma nostalgia,  que  nos lembramos  de algumas imagens e  momentos que marcaram  os  natais da nossa meninice.

Vêm-nos à  memória esses tempos,  um pouco já longínquos, em que a vida não era mesmo nada fácil! Foram  anos passados  no meio de muita  dificuldade sócio económica, creio que  afectando a  maioria dos  lares do Pombalinho, mas não deixavam, no entanto, de ser sentidos  e vividos com  uma  alegria que fazia esquecer as agruras de uma vida difícil de aguentar!

A  partilha, na semana que antecedia o Natal, sobrepunha-se  excepcionalmente a  tudo o mais! Havia troca e ajudas em tudo que fosse possível,  com mais propriedade  nas  pessoas mais chegadas,  compreensivelmente por razões de  afectividade,  mas muito especialmente  entre os familiares.

Logo pela manhã do dia vinte e três de Dezembro,  ouviam-se nalguns quintais  as primeiras machadadas em lenha  aproveitada  de oliveiras abatidas no ano anterior!   A hora de fazer as "cavacas" tinha chegado e o desempenho dessa tarefa  cabia normalmente ao homem da casa!  Era preciso ter lenha suficientemente capaz  para que o lume, onde se iriam fazer os tradicionais  velhoses e coscorões,  mantivesse o azeite a uma temperatura suficientemente adequada!

A propósito dos velhoses,  recordo que a  massa que lhes iria dar forma,  era preparada na véspera da noite natalícia! Num alguidar de barro, especialmente guardado para esse fim, a massa ia-se preparando  com a mistura da abóbora menina, da farinha, dos ovos, da raspa das laranjas e do fermento de padeiro! Depois de tudo bem amassado, testava-se a sua textura e  fazia-se,  com a mão uma cruz no preparado,  cobrindo-se de seguida  todo o alguidar com uma manta bem forte para que a massa levedasse convenientemente até ao meio dia do dia seguinte! A cruz, obviamente tinha a ver com certas crenças  e  superstições que também aqui faziam algum sentido, segundo conjecturavam as pessoas habituadas a estas coisas do sobrenatural!

Depois, claro, quem é que não gostava de estar, apesar do frio que sempre se fazia sentir nos últimos dias de Dezembro,   naquela noite à  volta de um lume trepidante a ver os tradicionais velhoses  dentro da frigideira a estufarem e a ganharem a sua cor característica !??!?!  Já fritos, eram retirados com  uma escumadeira  de forma arredondada,  que me lembro ver pendurada na cozinha durante todo o ano e  só servir para este fim,  e eram  colocados num outro alguidar de barro! Mas sempre à  mão existia um prato para na hora  nos deliciarmos com os  velhoses, ainda quentes da fritura,  devidamente polvilhados de açúcar e canela! Era de encher a barriga e chorar por mais!

O presépio também era um dos  simbolismos  natalícios que me lembro de ser feito na minha casa! Ainda íamos ao musgo pelos olivais fora! Havia imenso nos pés das oliveiras de tronco grosso e já esburacado pelo tempo, bem revelador da  idade avançada deste tipo de árvores!
Pouco ainda de artificial entrava  na feitura do presépio! Era simples, como tudo o que era nesses tempos! As principais figuras  junto ao "menino",  os três  Reis  Magos,  o musgo com bocadinhos de algodão e umas velas  acesas, criavam o ambiente imaginário do nascimento de Jesus!

O jantar de Natal era em família! Da mais chegada! Normalmente com a presença de pais e avós! A ementa, essa,  era especial...., mas  para nós, crianças, o que importava mais nessa noite era colocar o sapatinho na chaminé antes de dar as doze badaladas, como rezava a tradição!!! Com fantasia ou sem ela,  acho mesmo que havia um  sugestivo mistério que nos levava a cumprir religiosamente esse  ritual,  que em boa verdade acabava por tomar conta de parte dessas noites  de natal!  No dia seguinte a expectativa era grande e por isso  logo pela manhã  lá íamos sorrateiramente ver o que o "Pai Natal" nos tinha presenteado! Era o nosso momento de Natal! Estava cumprida uma partilha, acredito que simbólica, mas que ultrapassava o simples gesto da dádiva!


Por isso, creio em absoluto no dinamismo de tudo que envolva a  própria  vida! O que fez sentido ontem, porventura, não importa tanto hoje! O valor do que foi importante, vai-se desvanecendo, irremediavelmente no tempo! Mas o que verdadeiramente sentimos ontem,  "as substâncias" que nos alicerçaram para a vida,   essas, jamais se perderão !




29 novembro 2012

Café "Manuel Gregório" !



"Quero uma gasosa fresca!" - pedi  eu, timidamente, depois de ter entrado no Café  e visualizado, a uma curta distância de mim, a senhora Domicília no espaço destinado à venda de produtos de mercearia!

Era um dia de muito calor, daqueles em que andar na rua só se fazia quase por motivos inadiáveis! O sol abrasador daquela tarde de Agosto era convidativo ao encontro abrigado de uma qualquer sombra, mas a ousadia da caminhada a que me propuz, não se fez esperar, porque o que eu queria  mesmo, naquele dia,  era matar a sede provocada por um calor que eu achava não ter o direito de suportar!

 Assim pensando, melhor o fiz! Saí de casa com cinco tostões no bolso e lá me dirigi  ao Café do senhor Manuel Gregório, situado no número 82 da Rua 1º de Dezembro!  No pequeno percurso,  verifiquei como um grupo de  libelinhas esvoaçava  por cima de uma  pequena linha de água que corria na valeta,  proveniente de fugas por má vedação que por vezes  existiam  na fonte da Rua de Baixo!  Estes insectos, lembro-me de assim  ter feito a minha interpretação, deviam estar, tal como eu,  ávidos de se refrescarem, ou então, concluo hoje com muita mais probabilidade de acerto, na procura de quaisquer nutrientes ou mesmo mosquitos que pudessem contribuir para a sua alimentação diária! Tentei, ao vê-los no seu voo ziguezagueante e  muito por culpa da então minha ingenuidade, apanhar um, mas estes seres vivos,  multicolores, sabiam bem como responder a este tipo de  adversidades!

A senhora Domicília  ao ver-me, respondeu-me com aquele seu ar  amável com que  sempre nos habituou:
 - Olha Néu, hoje não tenho gasosas, só há laranjadas! Queres?
 - Não faz mal,  levo na mesma! Respondi eu,  sem me importar muito com a  proposta sugerida!

As laranjadas naquele tempo eram  equivalentes aos nossos bem conhecidos refrigerantes de hoje! A sua  constituição era muito à base de  àgua,  açúcar e naturalmente os imprescindíveis corantes artificiais! Eram vendidas em garrafas de vidro incolor e por isso favoráveis a que o alaranjado da bebida  funcionasse  perfeitamente ao encontro do apetite do consumidor! 






No Café do Manuel Gregório (pessoa respeitável de quem guardo, a título de curiosidade, a lembrança de ter sido ele que me deu, nos deu a nós jovens adolescentes,  a conhecer duas bebidas  inesquecíveis: o  brandy Casal Sereno e  uma aguardente algarvia de medronho e mel,  de marca Antonino)   para além dos seus proprietários,  passaram por lá na função de empregada de balcão, uma moça que não vejo desde a minha adolescência, de seu nome Silva,  mas também  mais tarde, a  Domicilia Narciso  e  a sua irmã  Teresa !  

Esses tempos tinham inevitavelmente um outro sentido! Lembro-me, a propósito,  da noção que nós, os mais jovens,  tínhamos  em relação às  dimensões físicas das coisas e de como afinal quanta diferença existe  nesse imaginário longínquo de olhar a vida!
Naquelas noites de quintas feiras em que havia corrida de toiros em directo pela TV, ou nas transmissões de hóquei patins com Portugal a dar grandes cabazadas aos seus adversários, a sala do Café do Manuel Gregório  enchia-se de gente   e  uma "multidão" de olhar fixo para um  pequeno televisor instalado  em cima dum parapeito quase junto ao tecto, vibrava com a pega mais arrojada de António Zuzarte ou com os inesquecíveis golos de Livramento!

Hoje quando entro naquele espaço e me recordo desses tempos, interrogo-me como  foi possível,  numa  área  onde não cabem seguramente mais do que seis mesas quadradas de setenta centímetros de lado, a nossa capacidade visual ter sido tão fiel ao sonho!






O tempo de regresso a casa  foi, naturalmente,  em passada muito mais acelerada! A minha fresquinha laranjada  "AHA"  estava  "no ponto"! Agora, nada me poderia  opor  ao prazer de um momento tão ansiosamente esperado,  naquela tarde quente de Agosto,  à sombra de uma velha figueira no quintal dos meus avós!





17 novembro 2012

Café "O Pescador" !


No inicio da década de sessenta do século passado, por iniciativa do seu proprietário, Manuel Gregório,     o  "Café do Manuel Gregório", como era assim conhecido, instalado no número 82 da rua  1º de Dezembro, "modernizou-se"  por via de obras de restauração em todo o edifício e tornou-se  num dos lugares mais apetecíveis e frequentados do Pombalinho!

Mais tarde, já em plena década de oitenta, mais precisamente no dia  1 de Outubro de 1980,  iniciou Manuel Miguel da Costa a exploração do mesmo estabelecimento com o nome comercial  de "O Pescador", dando desta forma continuidade à  existência da actividade anteriormente interrompida pela família de Manuel Gregório, em Setembro do mesmo ano.

A família Gregório cultivou ao longo dos tempos, no que diz respeito ao atendimento de clientes, um ambiente de grande simpatia e cordialidade que naturalmente mais tarde veio a ter a sua continuidade durante a gestão e exploração do  Café  por parte do Miguel e da  Eugénia!


Relembrar  esses  tempos não muito longínquos,  mas já  pertencentes às memórias de quantos ali passaram pelo número 82 da rua de Baixo, é uma verdadeira viagem de vida  e particularmente um  exercício de  recordação aos momentos compartilhados entre vizinhos,  familiares e amigos do Pombalinho!



 Manuel  Miguel da Costa e sua esposa Maria Eugénia.






Miguel Costa com seus pais, Arminda da Assunção e António da Costa, sua esposa Maria Eugénia e seus filhos, Cláudio e Hugo.




Fotos gentilmente cedidas pelo Miguel da Costa  e registadas em +- 1983.

Colaboração de Bruno Cruz.



02 novembro 2012

Excursionistas Pombalinhenses


Um grupo de excursionistas do Pombalinho, algures num bonito lugar do nosso  Portugal.

Atendendo aos traços fisionómicos dos nossos conterrâneos, pensa-se que este alegre passeio se tenha realizado  no  início dos anos cinquenta do século passado!

Reconhecem-se de entre outros, na primeira fila, da esquerda para a direita, Manuel Inácio, Manuel Braga, Luis Fróis, António Silva, Ângelo  Ferreira, Diamantino Costa, Gabriel Joaquim, Manuel Leal e o  menino António Manuel Leal. Na segunda fila, pela mesma ordem, Ema Braga, Felisbela, Maria Alice Correia, Maria Augusta Bento, Piedade Rosário, Maria Santos Vieira, Lucília Hilário, Albertina Santos e Deolinda Borges. No tejadilho da camioneta, da esquerda para a direita, Carlos Cavaco, António Domingos, António Eugénio Hilário, Carlos e Ezequiel Mateiro.


Foto gentilmente cedida por Lisete Costa