14 junho 2013
04 junho 2013
A cultura do cânhamo !
Esta série de
fotografias, sobre a cultura do cânhamo, foi-me enviada por José Barrão que o
próprio recolheu de uma revista editada no ano de 1940.
De todas as
fotografias apenas uma refere o Pombalinho como sendo o local onde
estes trabalhos foram realizados! No entanto, uma outra,
aquela cuja legenda identifica as manchas brancas como sendo pedras para
manter o cânhamo submerso, retira quaisquer dúvidas sobre onde
efectivamente estes trabalhos de tratamento do cânhamo foram
executados! De facto se nos posicionarmos na respectiva fotografia
como se estivéssemos na alverca de Fernão Leite, identificamos sem
nenhuma dificuldade, no lado esquerdo da mesma, o edifício da Escola
Velha e logo a seguir onde hoje é a sede da Junta de Freguesia do
Pombalinho.
Os trabalhos
de extração da fibra pelas gramadeiras podem ter sido feitos numa das
eiras que haviam ali bem por perto.
É um registo que muito
nos congratulamos em publicar! Por duas razões! Por ser um tema que até hoje
ainda não tinha sido abordado aqui no "
Pombalinho" e acima de tudo pela possibilidade de
darmos a saber às gerações de hoje, mais uma atividade
agrícola que em tempos ocupou os campos do Pombalinho!
Nota 1 - "O Pombalinho" agradece a José Barrão pela gentileza
no envio das fotos assim como do texto de apresentação das mesmas, a
partir do qual elaborei as linhas que servem de preâmbulo a
esta publicação.
Nota
2 -
Por vezes recebemos comentários que ultrapassam, felizmente,
os meros cumprimentos formais por tudo o que vamos publicando aqui
no "Pombalinho"!
São riquissimos testemunhos de vidas que complementam perfeitamente os
assuntos a que se referem! Foi o que aconteceu com "A cultura do cânhamo"
! Poucos dias depois da sua publicação recebi, via mail, de Guilherme
Afonso o seguinte texto que traduzindo o que acabo de dizer, de
forma nenhuma o poderia deixar em arquivo e sem que dele os leitores deste
blog desse conhecimento.
Maputo, 11 de
Junho de 2013
Recordar
é uma arte... Não é assim, Caro Amigo Manuel
Gomes?...
E é também
viver, como é mais comum dizer-se.
E foi o que
aconteceu comigo, ao ver esta reportagem sobre o cultivo do cânhamo (cannabis
sativa) no Pombalinho: pôr-me a viver (ou talvez mais propriamente a reviver)
os meus tempos de rapaz em que trabalhei em searas de cânhamo semeadas nos
campos da nossa terra.
Poderei dizer
que fiz tudo em searas de cânhamo desde a sua sementeira até á extracção da
fibra das plantas, para uma fábrica têxtil em Torres Novas, excepto semeá-lo.
Constou na
altura que até ali essa fábrica importava a fibra da Itália, mas que com o
deflagrar da Segunda Guerra (1939-1945), isso deixou de ser praticável, dado o
risco de afundamento dos navios que a transportassem.
De facto, não o
semeei, mas um dos primeiros trabalhos assalariados que fiz, senão mesmo o
primeiro, ao sair da escola com o 2º Grau da Instrução Primária feito (11
anos), foi exactamente espantar os pardais da primeira sementeira de cânhamo feita
na nossa terra, a qual abrangia todo o terreno que vai desde o muro da Rua
Carolina Infante da Câmara até á Alverca de Fernão Leite e da estrada Nacional
365 até á Estrada Real, exceptuando, claro, os espaços ocupados por uma vinha,
que era do Manuel Sabino, e por um olival, que já não me lembro de quem era e
se situava do outro lado da rua em que fica a Estalagem (Estalagem do Pocinho),
parece que é assim que se chama.
De resto, fiz
tudo, até extrair-lhe a semente, para novas sementeiras e para vender para as
lojas de comida para pássaros, e também para ir metendo na boca e mastigando.
A semente era
extraída da planta fêmea, que crescia um pouco menos que a planta macho, para
absorver desta, na sua parte gomosa, aquela de que se prepara o haxixe, o pólen
sobre a sua florescência.
Um daqueles
indivíduos mais novos vistos nas fotografias que o José Barrão lhe enviou,
posso muito bem ser eu.
Para o José
Barrão, que, salvo erro no cumprimento do serviço militar, andou aqui por estes
lados, onde muitas vezes nos encontramos, um grande abraço.
A extracção da
fibra pelas gramadeiras não se fazia em eiras. Fazia-se geralmente em olivais,
à sombra das oliveiras.
E é o que se me
oferece dizer-lhe Caro Amigo, sobre o cultivo da cannabis sativa nos campos do
nosso Pombalinho.
Um grande abraço
Guilherme
Afonso.
20 maio 2013
Júlio José Barreiros
Júlio José Barreiros,
lavrador e proprietário, nasceu no Pombalinho em 20 de Dezembro de 1876 e
morreu em 30 de Outubro de 1944. Era filho de Hilário José Barreiros
e de Catarina dos Anjos Barreiros, também eles lavradores e agricultores
do Pombalinho e ele ainda feitor das terras do Barão de Almeirim.
Casou primeiro
com Alice
Ornelas Infante da Câmara 8 de Junho de 1905 na Igreja de
Santa Cruz do Pombalinho e em 1918, já no estado de viúvo, com Aurora Machado
Pedroso, professora do Ensino Primário no Pombalinho.
Júlio José Barreiros,
teve sete filhos. Cinco do primeiro casamento, Júlio da Câmara Barreiros
[28-Abr-1906 a 02-Ago-1988], Maria Emília Infante da Câmara Barreiros [02-Jun-1908 a
25-Set-1998], Hilário José Câmara Barreiros [ ], Hilária Catarina
Câmara Barreiros [???? a 21-Dez-1913], Alice Carolina Câmara
Barreiros [12-Jan-1912 a 24-Set-1989], e dois do
segundo, Noémia Pedroso Barreiros [21-Mai-1919] e Carlos Pedroso
Barreiros [01-Mai-1921 a 16-Jul-2002].
Primeiros anos - Em pequeno por ser de
constituição frágil e, dos irmãos, o único que não podia andar no campo, o pai
resolveu mandá-lo estudar, tirando o curso de ajudante de farmácia.
Actividade profissional
- Foi director técnico de uma farmácia em Vale de Figueira (Vilgateira?), de
outra na Azinhaga, e de outra em Lousa, a caminho de Montachique, contudo não
fez carreira desta actividade. Segundo a filha Maria Emília, "dedicou-se à agricultura mas
estava talvez à frente da época. Comprou o primeiro tractor da região. As
coisas não correram bem e teve que vender. Era empreendedor mas sem
sorte."
Segundo a
filha Noémia , " de manhã agarrava no pau do marmeleiro, saía,
ia ver os homens que estavam a trabalhar e pronto. Nunca trabalhou na terra nem
no tractor (o filho Júlio sim), gostava muito daqueles inventos novos, a
ceifeira, a debulhadora. Alugava o tractor aos outros que não tinham, mas isso
depois dava despesa que não conseguia recuperar. Para arranjar um motor, era
preciso vir um mecânico da Golegã e nisso gastava muito dinheiro.
A casa foi
remodelada numa altura em que as coisas subiram de preço. O orçamento subiu
loucamente durante a guerra e a casa nãochegou a ser acabada. Ficou rebocada e
com a parte de cima. Depois teve que vender a casa e as propriedades.
Tinha entretanto
falecido um empregado que era o braço direito dele - o Manuel Melão - de quem
era bastante amigo (nos dias de anos convidava-o sempre para se sentar à sua
mesa) e cujos filhos eram todos afilhados lá de casa."
Actividade
social - Casou-se
aos 29 anos com uma senhora nascida na Quinta da Mata (vizinha freguesia de S.
Vicente do Paúl), mas educada em casa de umas tias muito ricas do Pombalinho
que lhe deixaram uma valiosa herança.
O registo de casamento
dá a noiva, Alice Ornelas Infante da Câmara, como filha de pais
incógnitos; de facto só viria a ser perfilhada mais tarde, mas apenas pelo pai,
Manuel Infante da Câmara.
A esposa morreu
prematuramente por parto da filha Alice, ela própria também nascida
prematuramente. Júlio José ficou assim com três filhos muito jovens (dois já
tinham falecido).
Foi Presidente da Junta de Paróquia no
período de 21-Fev-1921 a
21-Mar-1921 , recebendo nesta qualidade a nova professora
do ensino primário, portadora de uma carta de apresentação - D. Aurora Pedroso
- com quem algum tempo depois viria a casar (esta senhora vivia até então na
casa que pertenceu a Júlio Câmara Barreiros, na Rua da Igreja) passando a viver
na "casa dos arcos". Tiveram dois filhos: Noémia e Carlos.
Amador e
organizador de touradas ,
actor e autor teatral
(escrevia peças de teatro e ensaiava sobrinhos e amigos no celeiro por debaixo
da escola primária, onde depois actuavam), músico (tocava acordeão), ensaiador
de ranchos folclóricos, era ainda famoso desenhador de monogramas e percursor
das palavras cruzadas. Gostava muito de conversar junto da farmácia com
lavradores da região, negligenciando a sua actividade económica; deslocava-se
frequentemente a Santarém e a Lisboa onde era assíduo frequentador de teatros e
de bons restaurantes.
Em 1938, sofrendo já de
grandes dificuldades económicas, veio definitivamente para Lisboa acompanhado
de toda a família, excepto o filho Júlio, entretanto já casado. Esta vinda
teria ainda sido motivada por questões de saúde - sofria de asma - e também
pelos estudos da Noémia e Carlos.
Saúde - Para além dos problemas de asma
sofria também do aparelho digestivo, em particular do fígado, que tratava nas
termas do Gerês.
Nos últimos anos de
vida engordou muito o que o obrigou a uma vida sedentária, imobilizando-o em
casa. Dedicou-se então ao fabrico de pequenas peças de madeira feitas de buxo
que tinha trazido do Pombalinho. Mobílias em miniatura, molduras e
dobradouras originais, agulhas de tricot, etc., etc., saíam das suas mãos com
toda a perfeição, apesar de apenas dispor de ferramentas manuais muito simples.
Nota - O autor
deste blog agradece e gentileza de Fernando F Barreiros na elaboração e
envio deste magnífico trabalho biográfico sobre o seu avô, Júlio José
Barreiros, para efeitos de publicação no blog
"Pombalinho".
15 maio 2013
Blog de Busca Rápida !!!
Atendendo que a
informação publicada nos blogs principais e temáticos do
Pombalinho atingiu um volume considerávelmente denso e
por consequência, daí resultar uma certa morosidade ao nível
da pesquisa, entendeu-se criar um índice
de ligações que permita, de uma forma rápida,
direccionar as consultas pretendidas sobre quaisquer matérias
ou assuntos, aos blogs onde elas estejam publicadas.
E assim nasceu o "Pombalinho Temático"! É um espaço onde
se pretende colocar ao dispor de um vasto leque de visitantes,
variadissimos temas relacionados com o Pombalinho. Creio que
será mais um instrumento ao serviço de todos os que se
interessam pelo Pombalinho e pela sua História! Visitar, questionar
e conhecer sempre mais um pouco do Pombalinho é o horizonte a que
nos propusemos ! Então..., boas navegações!!!
Nota - Para acederem ao Blog PT poderão clicar conforme mostra a
ilustração ou colocarem na vossa barra de Favoritos o
endereço http://pombalinho-tematico.blogspot.pt/
24 abril 2013
25 Abril no Pombalinho !
A
população do Pombalinho em manifestação alusiva ao 25 de Abril de
1974.
(Sul
da Rua Barão de Almeirim)
08 abril 2013
Noémia Pedroso Barreiros
Noémia Pedroso Barreiros
"" Caro
Manuel Gomes
Em conversa de ontem
com a minha tia Noémia, nascida no Pombalinho, [1] filha de Júlio José
Barreiros e da sua segunda mulher, Aurora Pedroso, então professora primária no
Pombalinho, que apesar da sua avançada idade mantém uma memória e vivacidade de
espírito notáveis, ela falou-me das festas que tradicionalmente aí se faziam
nesta época - as bateiras. E que por vezes, quando o tempo a isso obrigava,
todos se deslocavam para a moagem, onde existiam espaço e condiçoes que
permitiam dar continuidade à realização do evento, situação que ela própria,
ainda menina, chegou a viver.
Mas também
lembrou que no tempo do seu avô, Hilário José
Barreiros ,
que não chegou a conhecer, estas festas já existiam e eram vividas com grande
animação.Isso mesmo é confirmado pelo texto de um recorte de jornal, há tempo
já pulicado por "O Pombalinho", sob o título de "Recordações do
Passado" da autoria de Adriano Carmo .
Relatava "os formidáveis Pic-nics com mais de 100 pessoas reunidas, que se
faziam amiudadas vezes, na Tapada, à beira do Tejo e ainda no Alviela nas
segundas feiras de Páscoa... Todas as famílias de maior distinção do Pombalinho
e até de fora dali se juntavam num verdadeiro convívio de alegrias e com a
maior à vontade.
Não sei se há
conhecimento da origem desta tradição mas creio que é sempre interessante
divulgar os testemunhos mais antigos que se conhecem sobre a mesma...
[1] - Nóemia Pedroso
Barreiros nasceu no Pombalinho em 21 de Maio de 1919.
Outra coisa que a tia
Noémia recordou foi a abundância de sável, nesta época, quando os cardumes
subiam os rios Tejo, Alviela e Almonda. E ofereceu-me esta fotografia,
tirada cerca de 1930, talvez junto do Alviela. Das "pescadoras",
apenas reconheço a última do lado direito - uma outra tia, chamada Maria
Emília, também nascida no Pombalinho [2], filha de Júlio José Barreiros e de
sua primeira mulher, Carolina Infante da Câmara.
Só gostaria que, nos
dias de hoje, o apreciado sável voltasse a esses rios para satisfação dos
muitos apreciadores do sabor manjar!
[2] Maria Emília
Infante da Câmara Barreiros nasceu no Pombalinho em 2 de Junho de 1908.
Fernando F. Barreiros
""
Nota do autor - Desta carta e seus respectivos
suportes fotográficos que Fernando Furtado Barreiros nos endereçou a
partir de um excelente depoimento recolhido de sua tia, Noémia Pedroso
Barreiros, o "Pombalinho", reconhecidamente
agradece a gentileza de ambos!
29 março 2013
As Bateiras no Ano 1952 !
Um grupo de Pombalinhenses, festejando as "Bateiras" no ano de 1952.
Clique pf AQUI
Era, porventura, uma
das tradições que maior participação tinha entre as gentes do
Pombalinho! Longas e muitas são as histórias à volta dos festejos da segunda
feira de Páscoa! Um dia de franco convívio e pura camaradagem, passado nos
campos do Pombalinho, onde o almoço confeccionado à boa maneira campestre
marcava o mote para um dia vivido em ambiente contagiante de muita
alegria e divertimento!
Relembremos,
pois então, algumas das celebrações do dia das "Bateiras" e
também dos que pelo tempo foram resistindo ao "culto"
desse dia de tão fortes tradições na nossa região!
Clique pf AQUI
02 março 2013
Casamentos XIII
Casamento
de Manuela Narciso com João Calado.
A
cerimónia teve lugar no Pombalinho em 24 de Maio de 1975.
Da Manuela
foram seus padrinhos de casamento, Manuel
Gameiro Duarte e Maria Albana Barreiros Duarte e do João, Ana
Rosa Calado e Manuel Branco.
Colaboração fotográfica de Manuela
Narciso
14 fevereiro 2013
Outros tempos! Novos tempos!!!
Decorria
o ano de 1895 e por via de uma reforma administrativa a ser
implementada no país, alguns proprietários do Pombalinho e da Azinhaga
apresentaram ao ministro da tutela uma proposta de passagem destas duas
freguesias para a Golegã, impedindo assim que este município, na sua figura
administrativa, fosse objecto de uma eventual extinção!
Estes
dois recortes do jornal "Correio da Extremadura", de 10 de
Agosto de 1895 e 14 de Setembro de 1895, respectivamente pela ordem de
publicação neste "post" , reportam-se à
notícia da deslocação a Lisboa de elementos da Câmara de Santarém para, num
encontro com o ministro do reino, impedirem que essa possível
desanexação do Pombalinho e Azinhaga do concelho de Santarém se pudesse
concretizar!
Como
todos sabemos, historicamente, o Pombalinho manteve-se no concelho de Santarém
enquanto a Azinhaga, nesse mesmo ano de 1895, mais precisamente a
21 de Novembro, foi inserida no Município da Golegã!
A
história, porém, ao fim de 116 anos acabou por dar razão ao grupo de
proprietários que apostaram, nesse longínquo ano de 1895 , no
caminho municipal conjunto para o Pombalinho e Azinhaga
por terras do Almonda! A Golegã é hoje o destino comum
destas duas localidades, que nunca deixando de ter apostado nas
diferenças das suas virtualidades, sempre se pugnaram por uma vizinhança de
proximidade assinalável! Assim continuem, para bem das populações e
do "novo"
Concelho da Golegã, agora reestruturado e desejavelmente mais
forte!
Pesquisa
documental - Bruno Cruz
Texto
- Manuel Gomes
09 fevereiro 2013
Casa Farol
Fotografia
tirada nos finais da década de sessenta do século passado na horta da
antiga Casa
Farol .
Da
esquerda para a direita, Fernando Leal, Victor Reis e Manuel Carvalho.
Colaboração
fotográfica - Victor Reis
01 fevereiro 2013
Pombalinho - Golegã I
POMBALINHO
no Concelho da Golegã a partir de 29 de Janeiro de 2013.
(Artigo
9º da Lei nº11-A/2013)
Foi
publicado no número 19 , 1ª Série, do Diário da República de 28 Janeiro
de 2013, a Lei nº11-A/2013 que consagra a Reorganização
administrativa do território das freguesias.
O
Pombalinho tem particular destaque nesta Lei, conforme Artigo 3º , por força da
transferência desta freguesia do município Santarém para o da
Golegã, com efeitos legais a partir de 29 de Janeiro de 2013.
18 janeiro 2013
Pombalinho - Golegã
Por promulgação da Lei
sobre a Reorganização Administrativa do Território, no passado dia 16 de
Janeiro de 2013, o Pombalinho deixa de pertencer ao Município de
Santarém e integra-se no Concelho da Golegã!
Cumpriu-se uma
legitimidade há muito ambicionada pelas gentes do Pombalinho! É um virar de página
muito importante na vida dos Pombalinhenses! Esta integração será para o
Pombalinho uma forte esperança para um futuro que se quer devidamente
concertado! A história é um dos seus maiores alicerces, que poderá
contribuir indelevelmente para um Pombalinho moderno e orgulhoso do
seu passado!
Já não temos de
atravessar "montes e vales" para sermos escutados! Agora a
planície, da qual afinal nunca deixamos de pertencer, faz-nos ver melhor
e mais longe! O futuro, um futuro mais feliz e devidamente planeado para o
Pombalinho, está decididadamente mais perto!
12 janeiro 2013
António de Araújo Vasques da Cunha
A partir de 1823, para além das contribuições que eram impostas pela Regra , surgiu de novo a Décima , que era um imposto que tinha sido decretado após a Restauração da Independência pelas Cortes de 1641 para a manutenção de um exército permanente de defesa do País.
Mais tarde, este pagamento extraordinário, foi relançado por D.José I e incidia sobre prédios, ofícios e ordenados, e tinha como objectivo fazer face a conjunturas económicas consideradas débeis. Foi o que aconteceu no ano de 1828!
Mas para além desta
forma de pagamento, também foi exigido pelo Estado, aos contribuintes, donativos voluntários ou títulos da dívida pública,
em conformidade com o Decreto Lei de 25 de Junho de 1828.
No número 237 da Gazeta de Lisboa de 06 de Outubro de 1828,
consta a doação que António de Araújo Vasques da Cunha ( barão de Pombalinho ),
lavrador dos campos de Pombal (antiga designação de Pombalinho) e Reguengo, fez para esse efeito ao Real Erário do Ministério dos Negócios
Eclesiásticos e de Justiça no valor de
53$330 réis.
Colaboração e pesquisa: Bruno Cruz e Manuel Gomes
23 dezembro 2012
Natal 2012 !
A todos os amigos, colaboradores e visitantes deste espaço, um Natal Feliz e um bom Ano Novo de 2013!!!
15 dezembro 2012
É Natal!!!
Com a aproximação da quadra
natalícia é com alguma saudade, e porque não dizê-lo também, com alguma
nostalgia, que nos lembramos de algumas imagens e
momentos que marcaram os natais da nossa meninice.
Vêm-nos à memória esses
tempos, um pouco já longínquos, em que a vida não era mesmo nada
fácil! Foram anos passados no meio de muita dificuldade sócio
económica, creio que afectando a maioria dos lares do
Pombalinho, mas não deixavam, no entanto, de ser sentidos e vividos com
uma alegria que fazia esquecer as agruras de uma vida difícil de
aguentar!
A partilha, na semana que
antecedia o Natal, sobrepunha-se excepcionalmente a tudo o mais!
Havia troca e ajudas em tudo que fosse possível, com mais
propriedade nas pessoas mais chegadas, compreensivelmente por
razões de afectividade, mas muito especialmente entre os
familiares.
Logo pela manhã do dia vinte e três
de Dezembro, ouviam-se nalguns quintais as primeiras machadadas em
lenha aproveitada de oliveiras abatidas no ano anterior!
A hora de fazer as "cavacas" tinha chegado e o desempenho
dessa tarefa cabia normalmente ao homem da casa! Era preciso ter
lenha suficientemente capaz para que o lume, onde se iriam fazer os
tradicionais velhoses e coscorões, mantivesse o azeite a uma
temperatura suficientemente adequada!
A propósito dos velhoses,
recordo que a massa que lhes iria dar forma, era preparada na
véspera da noite natalícia! Num alguidar de barro, especialmente guardado para
esse fim, a massa ia-se preparando com a mistura da abóbora menina, da
farinha, dos ovos, da raspa das laranjas e do fermento de padeiro! Depois de
tudo bem amassado, testava-se a sua textura e fazia-se, com a mão
uma cruz no preparado, cobrindo-se de seguida todo o alguidar com
uma manta bem forte para que a massa levedasse convenientemente até ao meio dia
do dia seguinte! A cruz, obviamente tinha a ver com certas crenças e
superstições que também aqui faziam algum sentido, segundo conjecturavam
as pessoas habituadas a estas coisas do sobrenatural!
Depois, claro, quem é que não
gostava de estar, apesar do frio que sempre se fazia sentir nos últimos dias de
Dezembro, naquela noite à volta de um lume trepidante a ver
os tradicionais velhoses dentro da frigideira a estufarem e a ganharem a
sua cor característica !??!?! Já fritos, eram retirados com uma
escumadeira de forma arredondada, que me lembro ver pendurada na
cozinha durante todo o ano e só servir para este fim, e eram
colocados num outro alguidar de barro! Mas sempre à mão existia um
prato para na hora nos deliciarmos com os velhoses, ainda quentes
da fritura, devidamente polvilhados de açúcar e canela! Era de encher a
barriga e chorar por mais!
O presépio também era um dos
simbolismos natalícios que me lembro de ser feito na minha casa! Ainda
íamos ao musgo pelos olivais fora! Havia imenso nos pés das oliveiras de tronco
grosso e já esburacado pelo tempo, bem revelador da idade avançada deste
tipo de árvores!
Pouco ainda de artificial
entrava na feitura do presépio! Era simples, como tudo o que era nesses
tempos! As principais figuras junto ao "menino", os três
Reis Magos, o musgo com bocadinhos de algodão e umas
velas acesas, criavam o ambiente imaginário do nascimento de Jesus!
O jantar de Natal era em família!
Da mais chegada! Normalmente com a presença de pais e avós! A ementa, essa,
era especial...., mas para nós, crianças, o que importava mais
nessa noite era colocar o sapatinho na chaminé antes de dar as doze badaladas,
como rezava a tradição!!! Com fantasia ou sem ela, acho mesmo que havia
um sugestivo mistério que nos levava a cumprir religiosamente esse
ritual, que em boa verdade acabava por tomar conta de parte dessas
noites de natal! No dia seguinte a expectativa era grande e por
isso logo pela manhã lá íamos sorrateiramente ver o que o "Pai
Natal" nos tinha presenteado! Era o nosso momento de Natal! Estava
cumprida uma partilha, acredito que simbólica, mas que ultrapassava o simples
gesto da dádiva!
Por isso, creio em absoluto no dinamismo de tudo que envolva
a própria vida! O que fez sentido ontem, porventura, não importa
tanto hoje! O valor do que foi importante, vai-se desvanecendo,
irremediavelmente no tempo! Mas o que verdadeiramente sentimos ontem,
"as substâncias" que nos alicerçaram para a vida, essas,
jamais se perderão !
29 novembro 2012
Café "Manuel Gregório" !
"Quero uma gasosa fresca!"
- pedi eu, timidamente, depois de ter entrado no Café e
visualizado, a uma curta distância de mim, a senhora Domicília no espaço
destinado à venda de produtos de mercearia!
Era um dia de muito
calor, daqueles em que andar na rua só se fazia quase por motivos inadiáveis! O
sol abrasador daquela tarde de Agosto era convidativo ao encontro abrigado de
uma qualquer sombra, mas a ousadia da caminhada a que me propuz, não se fez
esperar, porque o que eu queria mesmo, naquele dia, era matar a
sede provocada por um calor que eu achava não ter o direito de suportar!
Assim pensando,
melhor o fiz! Saí de casa com cinco tostões no bolso e lá me dirigi ao
Café do senhor Manuel Gregório, situado no número 82 da Rua 1º de Dezembro!
No pequeno percurso, verifiquei como um grupo de libelinhas
esvoaçava por cima de uma pequena linha de água que corria na
valeta, proveniente de fugas por má vedação que por vezes existiam
na fonte da Rua de Baixo! Estes insectos, lembro-me de
assim ter feito a minha interpretação, deviam estar, tal como
eu, ávidos de se refrescarem, ou então, concluo hoje com muita mais
probabilidade de acerto, na procura de quaisquer nutrientes ou mesmo mosquitos
que pudessem contribuir para a sua alimentação diária! Tentei, ao vê-los no seu
voo ziguezagueante e muito por culpa da então minha ingenuidade, apanhar
um, mas estes seres vivos, multicolores, sabiam bem como responder a este
tipo de adversidades!
A senhora
Domicília ao ver-me, respondeu-me com aquele seu ar amável com que
sempre nos habituou:
- Olha Néu, hoje não tenho
gasosas, só há laranjadas! Queres?
- Não faz mal, levo na
mesma! Respondi eu, sem me importar muito com a
proposta sugerida!
As laranjadas naquele
tempo eram equivalentes aos nossos bem conhecidos refrigerantes de
hoje! A sua constituição era muito à base de àgua, açúcar e
naturalmente os imprescindíveis corantes artificiais! Eram vendidas em garrafas
de vidro incolor e por isso favoráveis a que o alaranjado da bebida
funcionasse perfeitamente ao encontro do apetite do consumidor!
No Café do Manuel
Gregório (pessoa respeitável de quem guardo, a título de curiosidade, a
lembrança de ter sido ele que me deu, nos deu a nós jovens adolescentes,
a conhecer duas bebidas inesquecíveis: o brandy Casal Sereno e
uma aguardente algarvia de medronho e mel, de marca Antonino)
para além dos seus proprietários, passaram por lá na função de
empregada de balcão, uma moça que não vejo desde a minha adolescência, de seu
nome Silva, mas também mais tarde, a Domicilia Narciso
e a sua irmã Teresa !
Esses tempos tinham
inevitavelmente um outro sentido! Lembro-me, a propósito, da noção que
nós, os mais jovens, tínhamos em relação às dimensões físicas
das coisas e de como afinal quanta diferença existe nesse imaginário
longínquo de olhar a vida!
Naquelas noites de
quintas feiras em que havia corrida de toiros em directo pela TV, ou nas
transmissões de hóquei patins com Portugal a dar grandes cabazadas aos seus
adversários, a sala do Café do Manuel Gregório enchia-se de gente
e uma "multidão" de olhar fixo para um
pequeno televisor instalado em cima dum parapeito quase junto ao
tecto, vibrava com a pega mais arrojada de António Zuzarte ou com os
inesquecíveis golos de Livramento!
Hoje quando entro
naquele espaço e me recordo desses tempos, interrogo-me como foi
possível, numa área onde não cabem seguramente mais do que
seis mesas quadradas de setenta centímetros de lado, a nossa capacidade
visual ter sido tão fiel ao sonho!
O tempo de regresso a
casa foi, naturalmente, em passada muito mais acelerada! A minha
fresquinha laranjada "AHA" estava "no
ponto"! Agora, nada me poderia opor ao prazer de um momento
tão ansiosamente esperado, naquela tarde quente de Agosto, à sombra
de uma velha figueira no quintal dos meus avós!
17 novembro 2012
Café "O Pescador" !
No inicio da década de sessenta do
século passado, por iniciativa do seu proprietário, Manuel Gregório,
o "Café do Manuel Gregório", como era assim conhecido,
instalado no número 82 da rua 1º de Dezembro, "modernizou-se" por via de obras de restauração em todo o
edifício e tornou-se num dos lugares mais apetecíveis e frequentados
do Pombalinho!
Mais tarde, já em plena década de
oitenta, mais precisamente no dia 1 de Outubro de 1980, iniciou
Manuel Miguel da Costa a exploração do mesmo estabelecimento com o nome
comercial de "O Pescador", dando desta forma continuidade à
existência da actividade anteriormente interrompida pela família de
Manuel Gregório, em Setembro do mesmo ano.
A família Gregório cultivou ao
longo dos tempos, no que diz respeito ao atendimento de clientes, um ambiente
de grande simpatia e cordialidade que naturalmente mais tarde veio a ter a sua
continuidade durante a gestão e exploração do Café por parte do
Miguel e da Eugénia!
Relembrar
esses tempos não muito longínquos, mas já pertencentes
às memórias de quantos ali passaram pelo número 82 da rua de Baixo, é uma verdadeira viagem de vida e particularmente um exercício de
recordação aos momentos compartilhados entre vizinhos, familiares e
amigos do Pombalinho!
Manuel Miguel da Costa e sua esposa Maria Eugénia.
Miguel Costa com seus pais, Arminda da Assunção e António da Costa, sua esposa Maria Eugénia e seus filhos, Cláudio e Hugo.
Fotos gentilmente cedidas pelo Miguel da Costa e registadas
em +- 1983.
Colaboração de Bruno Cruz.
02 novembro 2012
Excursionistas Pombalinhenses
Um grupo de excursionistas do Pombalinho, algures num bonito lugar do nosso Portugal.
Atendendo aos traços fisionómicos dos nossos conterrâneos, pensa-se que este alegre passeio se tenha realizado no início dos anos cinquenta do século passado!
Reconhecem-se de entre outros, na primeira fila, da esquerda para a direita, Manuel Inácio, Manuel Braga, Luis Fróis, António Silva, Ângelo Ferreira, Diamantino Costa, Gabriel Joaquim, Manuel Leal e o menino António Manuel Leal. Na segunda fila, pela mesma ordem, Ema Braga, Felisbela, Maria Alice Correia, Maria Augusta Bento, Piedade Rosário, Maria Santos Vieira, Lucília Hilário, Albertina Santos e Deolinda Borges. No tejadilho da camioneta, da esquerda para a direita, Carlos Cavaco, António Domingos, António Eugénio Hilário, Carlos e Ezequiel Mateiro.
Foto gentilmente cedida por Lisete Costa
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















++aaaa.jpg)













_opt.jpg)




