15 outubro 2008

Cheias de 1940/41


As cheias sempre foram no Pombalinho "visitas"  frequentes desses longínquos e rigorosos Invernos em que as fortes chuvadas com elevados índices de precipitação inundavam campos e zonas habitacionais situadas em zonas mais beixas.. Embora com alguma imprevisibilidade quanto ao tempo de permanência e também nos níveis atingidos, (as ruas mais sacrificadas pelas "alvercadas" , como assim se chamavam às de menor amplitude para se distinguirem das de efeitos devastadores , eram a Manuel Monteiro Barbosa e a 1º de Dezembro) as cheias constituíam uma condição excepcional ao nível da acção fertilizante que transmitiam às terras por elas alagadas.

Nesses tempos as culturas agrícolas que então predominavam, assim como a própria estrutura fundiária que constituía grande parte das áreas cultivadas, serviam de autênticas barreiras naturais ao avanço descontrolado das águas provenientes da subida anormal do caudal do Tejo e as pessoas preparavam-se naturalmente e sem grandes preocupações para esta rotina calmamente assumida, quer na prevenção dos seus bens materiais e outros passíveis de serem afectados pelas cheias, como também e porque não, na contemplação de um espectáculo nem sempre desejado mas que a nova paisagem surgida pelo movimento das águas sempre acabava por provocar.

 E não raras são as fotografias existentes, que apaixonados pelo simples prazer da arte, aproveitaram para registar e guardar nos baús das suas recordações essas imagens irrepetíveis porventura nos dias de hoje. Felizmente a este espaço, também ele de memórias, tem chegado algumas dessas verdadeiras relíquias históricas que em muito contribuem para uma melhor compreensão do percurso desta comunidade pombalinhense e das razões sócio-económicas que tiveram de optar por imperativos geográficos em que o Pombalinho se situa.


Hoje, por intermédio de Joaquim Mateiro, temos o grato prazer de recebermos mais uma dessas contribuições na pessoa do Dr António Carlos Barreiros Nunes Menezes , permitindo-nos assim publicar estas pequenas pérolas fotográficas da autoria de seu pai, António de Menezes , referentes a uma dessas cheias que inundaram a nossa terra no ano de 1940/41.





Interessante registo fotográfico na rua Barão de Almeirim! Apesar das águas quase a entrarem nas habitações, a vida nesta zona do Pombalinho não parou! Mulheres lavando a roupa frente à casa de Júlio Freire e Américo Cachado a ser transportado de barco para a sua habitação!






Rua António Eugénio de Menezes.







Excelente fotografia tirada à entrada no Pombalinho pela EN 365, permitindo avaliar bem o nível que as águas atingiram nessa cheia de 1940/41.






10 outubro 2008

Escritura da antiga Escola Primária







Sabia-se que a antiga Escola Primária do Pombalinho, localizada na rua Carolina Infante de Câmara, tinha sido doada por acto de benemerência às entidades de então responsáveis pelo destino colectivo da freguesia. Algumas dúvidas persistiam no entanto entre alguns nossos conterrâneos sobre quem tinha praticado esse acto de tão elevada nobreza. Igualmente sobre este assunto, algumas opiniões foram emitidas nem sempre de forma correcta e necessáriamente isentas de um imprescindível rigor histórico, ainda mais quanto se trata, como é manifestamente este o caso, de actos há muito realizados e porventura carentes de comprovativos documentais.


Assim sendo e como o assunto nos pareceu de certo modo entusiasmante resolvemos desenvolver as diligências necessárias que nos pareceram as mais correctas neste tipo de situações. A conselho do ex-presidente da Junta de Freguesia (Joaquim B Mateiro que nos dizia que o documento referente à respectica escritura de doação se encontrava talvez na Torre do Tombo) contactámos o Arquivo Distrital de Lisboa e para nossa surpresa, ao fim de pouco mais de uma semana já tínhamos em nosso poder uma fotocópia desse importante e histórico documento para a história do Pombalinho.







Como se pode fácilmente perceber, a interpretação da escrita não é de fácil leitura, daí o facto de só agora o termos publicado, mas no essencial do que está nele manuscrito entende-se perfeitamente o objectivo que levou João da Cunha Cardoso Osório Ferraz e Castro de Portocarreiro, 2º Visconde de Portocarreiro a um acto de tão elevada nobreza para a população do Pombalinho no dia 25 de Novembro de 1885.


Os recortes que a seguir publicamos são exactamente as passagens da escritura que consideramos de maior relevância, em forma de legenda estão os respectivos textos rigorosamente transcritos por documento oficial da autoria de Jorge Filippe Cosmetti.










"Saibam quantos esta pública escriptura de doação virem: que no anno de nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e setenta e cinco, aos vinte e cinco dias do mês de Novembro nesta Cidade de Lisboa, rua Áurea numero vinte e seis, meu escriptorio compareceram, o Visconde de Portocarrero, João de Cunha Cardoso Ozorio Ferraz e Castro de Portocarrero, Par do Reino, solteiro e maior, morador na Rua Formosa numero quarenta e cinco, pessoa que conheço pelo próprio. E logo disse em minha presença e na das testemunhas ao diante nomeadas: Que elle é senhor e possuidor de uma casa sita na rua direita da freguesia de Pombalinho, concelho de Santarem, que consta de lojas e vasto primeiro andar assobradado, com janelas porta e escadaria de pedra... " 








"... Que pela presente escriptura, de sua livre e espontanea vontade, faz pura doação de hoje em diante à Junta de Parochia da freguesia de Pombalinho do primeiro andar desta casa com destino a Escola primária da referida freguesia; continuando porem a ficar-lhe pertencendo a plena propriedade das lojas da referida casa e que servem de celleiros. Que desde já tira e demitte ... "

Colaboração interpretativa do texto original - Bruno Cruz


Para consultar a escritura original em formato PDF, clicar em 
Pombalinho Documental 

Nota_1 - Já depois desta publicação ter sido feita, chegou-nos por gesto simpático de Luís Filipe Júlio, uma transcrição oficial do texto original, feita em 6 de Julho de 1901 e da autoria de Jorge Filippe Cosmetti, perito em paleografia. Para aceder também a esse importante documento, clique aqui + aqui e aqui

Nota_2 - Com o intuito de nos aproximarmos ao rigor histórico que este documento merece, solicitamos ao escritor e investigador Manuel Abranches de Soveral , uma interpretação do texto original. O resultado é o que mostramos aqui , agradecendo pelo facto ao conhecido professor o importante contributo que prestou a este espaço de história sobre o Pombalinho.






06 outubro 2008

Energia eléctrica no Pombalinho!





A instalação da energia eléctrica no Pombalinho foi de uma importância vital para a melhoria da qualidade de vida dos Pombalinhenses e naturalmente contribuiu para o seu bem estar em todas as vertentes sociais.

Para quem viveu aquelas longínquas noites à luz do clássico candeeiro a petróleo, passar a precisar apenas de um simples clic no interruptor para iluminar toda uma casa, foi realmente uma mudança fantástica nos hábitos de vida de toda a gente! Aconteceu por volta de 1960 e a partir daí pudemos usufruir dessa magnífica infraestrutura que veio permitir a muitas pessoas a aquisição de utensílios/electrodomésticos jamais imagináveis nos lares de então, como as telefonias, frigoríficos e poucos anos mais tarde as primeiras televisões, caixinhas que vieram verdadeiramente transformar o mundo.

Nesta fotografia que se refere à construção do Posto de Transformação, situado na Rua António Eugénio de Menezes, podemos reconhecer os homens do Pombalinho que contribuiram na sua construção. São eles, José Maria, António Silva e Luís Cordoeiro.



Colaboração fotográfica - Gina Cordoeiro








30 setembro 2008

Costureiras I





Sempre que se fala de Ema Correia Braga é incontornável não associá-la ao ensino de várias gerações de raparigas que passaram pela sua mestria na arte de corte e costura. Na verdade, ela foi a mestra! Aquela onde todas as moças queriam iniciar a aprendizagem de corte e costura na manufactura dos mais sofisticados e variados vestidos de senhora. E para muitas raparigas do Pombalinho, ir para a Ema Braga foi a saída possível para a uma profissão que serviu de alternativa aos trabalhos do campo, pois que nesses tempos, o ensino escolar para além do nível obrigatório, ainda estava de acesso difícil a muitas das mulheres do Pombalinho!
 Já nos referimos neste espaço a um dos grupos de raparigas que usufruíram dessa possibilidade e hoje temos o privilégio de publicar porventura, o primeiro de entre outros que aprenderam  a arte de confeccionar roupa por medida.

Nesta foto registado por volta do ano de 1958, podemos reconhecer da esquerda para a direita Maria Adelaide Leal, Deolinda, Ema Braga, Hilária Cordoeiro, Ema Minderico, Rosa Romão, Evangelina Barros, Maria Alice e ao centro uma menina de seu nome, Milai.


Colaboração fotográfica de José Assunção



24 setembro 2008

Rua Barão de Almeirim em 1996!







Esta bonita imagem da Rua Barão de Almeirim bem poderia ser integrada numa eventual colecção de postais ilustrados do Pombalinho. É um registo da artéria principal da aldeia, centrado no histórico Palacete onde a família Braamcamp Freire viveu durante muitos anos e o então frondoso pátio da Abegoaria, doado à Junta de Freguesia do Pombalinho, em 05 de Outubro de 1981, pelos filhos de Maria da Madre de Deus Amado de Melo Braamcamp Freire, Baronesa de Almeirim.

Retirado de uma importante e vastíssima colecção que Teresa Cruz vem publicando no seu blog temático, este postal bem merece que o utilizemos de porta de entrada para uma visita a este dedicado trabalho que recentemente atingiu a sua milésima postagem.


Colaboração no texto – Joaquim MB Mateiro




22 setembro 2008

Cartões de identidade!


A utilização dos cartões de identificação sempre foi uma prática muito usual no reconhecimento dos cidadãos perante as mais diversas instituições que os emitem. Desde os sempre presentes BIs, passando pelos referentes à inscrição de associados nas muitas colectividades desportivas, até aos escolares, os cartões foram e são elementos identificadores imprescindíveis no dia a dia das populações. Porém, o tempo não lhes reservou imobilismo perante o desenvolvimento natural da vida e também eles se foram renovando em função do desafio que a sociedade lhes impôs. Aliciarmo-nos na contemplação de alguns que o tempo se encarregou de arquivar nas nossas memórias e que serviram a cidadãos pombalinhenses, é o que hoje vos proponho!






Cartão de identidade de João Nunes, como Tesoureiro da Junta de Freguesia do Pombalinho no ano de 1960.









Cartão de identidade de Júlio Gabriel dos Santos, como sócio efectivo da Casa do Povo do Pombalinho no ano de 1965.





Colaboração documental de Joaquim MB Mateiro e Júlio Gabriel Santos.




17 setembro 2008

Atestado de pobreza!






Há documentos que pela sua especificidade ficam inexoravelmente ultrapassados no tempo, restando-lhes deste modo uma apenas cuidadosa preservação histórica! No entanto, merecem sempre de quem os pausadamente interpreta, uma leitura diferente daquela que esteve na origem da sua criação. É o caso deste que hoje publicamos! Uma Certidão destinada a isenção ou redução de custos na prestação de saúde a nível hospitalar, em que se justifica ser POBRE para que a essas condições excepcionais, haja direito. Era assim, no Pombalinho e no ano de 1955!


Colaboração documental – Júlio Gabriel









09 setembro 2008

Ponte Fernão Leite II


Já aqui neste espaço nos referimos à importância que a Ponte Fernão Leite teve na vida dos Pombalinhenses, servindo não só como passagem entre as duas margens da Alverca grande mas também no aproveitamento da sua zona envolvente para festejos anuais que se realizaram no Pombalinho em  Julho de 1919  . Nos últimos anos da sua existência serviu igualmente de pretexto a  passeios domingueiros para muitos dos jovens que por ali preenchiam algum do tempo que dispunham de  lazer e divertimento.







A publicação da fotografia que hoje aqui fazemos tem mais uma vez a inestimável participação de Fernando Furtado Barreiros. A propósito desta sua prestável colaboração, nunca  será demais referir que esta página adquire um nível histórico de publicação sobre factos e gentes da nossa terra,  notável. Jamais o teria conseguido se este "feliz encontro" não tivesse acontecido por intermédio do nosso  amigo Joaquim Mateiro. Na verdade sem estes pequenos tesouros da história do Pombalinho, era-nos de todo impossível preencher de forma tão enriquecedora este espaço sobre o caminho histórico do nosso Pombalinho.

Mas voltando à fotografia que se crê ser de 1911, segundo palavras do próprio Fernando Barreiros, nela ficaram registados o seu avô Júlio José Barreiros e seu pai Júlio Câmara Barreiros, então com 5 anos de idade. A leitura que nos é possível fazer desta invulgar imagem da Ponte de Fernão Leite, é que pelo estado de conservação dos pilares de assentamento do tabuleiro, poderemos concluir, não se tratar da sua construção original mas sim do resultado de uma acção destruidora a que foi sujeita, proveniente talvez de uma cheia com características devastadoras que por ali passou. Esta tese pode ser reforçada com a leitura de um texto da “Empreza da História de Portugal” que publicamos a 20 Março de 2007 e no qual se lê num determinado parágrafo que, “No sítio da Alverca ainda se podem ver os restos d’uma ponte que ali houve para serventia dos povos de Pombalinho e Reguengo, quando a cheia era grande. Esta ponte ainda hoje seria de reconhecida vantagem, e a respectiva câmara bem poderia sem grande sacrifício reconstruí-la, pois qualquer das citadas povoações contribui fartamente para as receitas municipaes.”


Paradoxalmente ou não e passados que foram cerca de cem anos, continuamos sentimentalmente a clamar pela sua reconstrução, como tive oportunidade de fazê-lo em consequência de uma passagem mais atenciosa que lhe fiz no passado 27 de Abril de 2008 !






04 setembro 2008

A carroça!






A carroça puxada por tracção animal foi um dos meios de transporte mais utilizados nas zonas rurais, onde a agricultura era de importância vital para o sustento das populações. Se nos reportarmos aos fins dos anos cinquenta em que a industrialização agrícola ainda dava os primeiros passos no seu desenvolvimento a ritmos bastante lentos, a carroça teve um desempenho muito importante no transporte de bens agrícolas provenientes do cultivo dos campos, na deslocação de pessoas para distâncias e caminhos nem sempre passíveis de serem percorridos a pé e até no cumprimento de tradições ligadas à inspecção militar, popularmente conhecida por "ida às sortes" .

Houve naturalmente neste meio de transporte um certo incremento ao nível dos materiais empregues na sua construção mas a grande evolução foi ao nível dos rodados, nos quais se transitou das rodas em madeira com aro em aço para as rodas pneumáticos, transmitindo estas um maior conforto aos passageiros e um menor esforço para a locomoção animal.

Nesta bem ilustrativa fotografia de 1953/54 sobre esses tempos outrora vividos, podemos reconhecer Gabriel Joaquim, seu filho Júlio Gabriel e sua esposa Albertina dos Santos.


Colaboração Fotográfica_ Júlio Gabriel 




23 agosto 2008

Barão de Pombalinho


António de Araújo Vasques da Cunha Portocarrero, 1º Barão de Pombalinho (título criado por D Maria II, Rainha de Portugal, por decreto de 08 de Maio de 1837) é oriundo de uma notável família portuguesa descendente de Dom Raimundo Garcia, a quem o conde de Portugal Dom Henrique de Borgonha doou o couto de Portocarreiro, senhorio de que tomou o nome Dom Raimundo Garcia de Portocarrero .

Nasceu no Porto em 20 de Abril de 1781 e é filho de Francisco Luís de Brito de Araújo e Castro e de Ana Luísa da Cunha Coutinho Osório e Alarcão de Portocarrero.
Sua mãe, 14ª Sra. da Quinta da Torre em Villa Boa de Quires nasceu a 27 de Novembro de 1746 e morreu a 6 de Maio de 1801 tendo casado por três vezes: 1ª com Filippe Carneiro de Faria Pereira Manso, senhor dos Morgados da Parreira e da Serieira, Capitão Mor de Ourém; 2ª em 1777 com Francisco Luíz de Brito Araújo e Castro, senhor da Casa de Casal de Soeiro no Concelho dos Arcos, Cavaleiro da Ordem de Chr e Desembargador do Porto , que nasceu a 12 de Março de 1733 e morreu a 20 de Fevereiro de 1793; 3ª com o Desembargador José Cândido de Pina e Mello.

Casou em 1812 com Rita Mariana Giralda Freire, viúva de Manuel Nunes Gaspar e mãe de Manuel Nunes Freire da Rocha, 1º Barão de Almeirim.
Foi condecorado com a Cruz Ouro da Guerra Peninsular, na qual serviu, principiando em Capitão de Cavalaria na Leal Legião Lusitana e finalizando em major do Regimento Nº3, Posto de que se demitiu. Em 1833 prestou importantes serviços à causa da Rainha, foi Governador-Geral do Distrito de Santarém em 1846 e Comandante do Batalhão Móvel dos Voluntários de Santarém.

Almeida Garrett a ele se refere nas Viagens na Minha Terra: “No caminho encontrámos o nosso antigo amigo, o Barão de Pombalinho, - barão de outro género, e que não pertence à família lineana que nesta obra procurámos classificar para ilustração do século -, cavalheiro generoso, e tipo bem raro já hoje da antiga nobreza das nossas províncias, com todos os seus brios e com toda a sua cortesia de outro tempo, que em tanto relevo destaca da grosseria vilã dessas notabilidades improvisadas...
Vinha em nossa procura para nos guiar. Seguimo-lo.”

No Diccionario bibliographico portuguez, é referenciado por Innocencio Francisco da Silva, “Em uma contenda forensa , suscitada entre elle (Manuel Vieira da Silva, médico) e António de Araújo Vasques da Cunha, que morreu barão de Pombalino, por parte dos herdeiros de Manuel Nunes Gaspar, capitão-mór de Santarém, sobre a validade da mercê que D.JoãoVI fizera ao physico-mór de uns accrescidos no denominado monchão dos Coelhos, próximo às lezírias do Ribatejo, publicaram-se de ambos os lados pela imprensa memorias em que cada um dos contendores allegava os seus direitos contra os do adversário...”



 António de Araújo Vasques da Cunha Portocarrero , morreu em 10 de Maio de 1855.



16 agosto 2008

1º Barão de Almeirim







Sempre que por ali passamos uma curiosidade imediata nos ocorre! Que é de sabermos que pessoas ou histórias estarão ligadas à existência deste palacete situado na rua principal do Pombalinho! Já aqui publicamos um valiosíssimo documento histórico em que nele se descreve o que aconteceu nessa trágica noite de 9 de Dezembro de 1870, mas como a informação e bem, continua-nos a propor desafios irrecusáveis no enriquecimento deste espaço sobre a nossa terra, debruçamo-nos hoje de uma forma mais pormenorizada sobre a família detentora dos direitos de propriedade deste belo edifício situado na antiga Rua da Igreja.

O seu mais ilustre proprietário, talvez tivesse sido Manuel Nunes Freire da Rocha , 1º Barão de Almeirim que nasceu a 28 de Setembro de 1806 em Santo Estêvão do Santíssimo Milagre, Santarém. Era filho de Manuel Nunes Gaspar e de Rita Mariana Giralda Freire, foi aluno do Colégio Militar, fidalgo cavaleiro da Casa Real, Cavaleiro Professor na Ordem de Cristo, 3º Senhor do paço das Lameiras, deputado em várias legislaturas e Governador-Geral do distrito de Santarém. Sua família foi proprietária de várias terras no Pombalinho, como a Quinta do Outeiro, Mouchão da Velha, Quinta da Melhorada, Fonte Santa, Tapada do Secretariado e Mouchão do Inglês, assim como do prédio rústico e respectiva horta, situados na rua com a actual designação de Barão de Almeirim.

Manuel Nunes Freire da Rocha, casou em Lisboa com Luísa Maria Joana Braamcamp de Almeida Castelo Branco a 28 de Outubro de 1835 de quem teve três filhos, Maria Inácia Braamcamp Freire da Rocha, Manuel Nunes Braamcamp Freire 2º barão de Almeirim e Anselmo Braamcamp Freire, escritor, historiador, arqueólogo e genealogista.



Clarisse Braamcamp Freire


Alguns dos seus descendentes ficaram ligados historicamente ao Pombalinho por razões marcantes das suas vidas como foi o caso de sua neta e filha de Manuel Nunes Braamcamp Freire 2º Barão de Almeirim, Clarisse Braamcamp Freire , que casou nesta aldeia em 28 de Abril de 1913 com José Soares Pinto de Cabedo e Lencastre, Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, ou de outro seu neto e irmão da mesma Clarisse, Manuel Braamcamp Freire 3º barão de Almeirim, que na mesma terra faleceu em 18 de Novembro de 1912. Também quatro suas bisnetas, filhas de Carlos Braamcamp Freire 4º Barão de Almeirim, ao Pombalinho ficaram igualmente ligadas por questões de natalidade, foram elas, Maria Luísa Braamcamp Freire que nasceu em 28 de Agosto de 1903, Maria Isabel Amado Braamcamp Freire , conhecida por "Nicha" que nasceu em 29 de Setembro de 1913, Maria da Madre de Deus Amado Braamcamp Freire , conhecida por "Piinha" que nasceu em 17 de Maio de 1915 e finalmente Maria Inácia Amado Braamcamp Freire , conhecida por “Naça”, que nasceu em 9 de Junho de 1922.
Sua mãe, Rita Mariana Giralda Freire , por ter ficado viúva de seu pai Manuel Nunes Gaspar, casa em segundas núpcias com o barão do Pombalinho, António Araújo Vasques da Cunha Portocarrero.

Seus descendentes deixaram em regime de depósito no Arquivo da História Social do Instituto de Ciências Sociais o espólio da "CasaBarão de Almeirim" , cujo inventário oscila entre os anos 1794 e 1959.


Manuel Nunes Freire da Rocha veio a falecer em 16 de Julho de 1859.





25 julho 2008

Mascarilhada em 1900!






No verso desta fotografia está escrito “Uma mascarilhada da Azinhaga”! Supõe-se  ter sido realizada em 26 Fevereiro de 1900. Segundo opinião emitida por Joaquim Mateiro e confirmada depois de uma atenta visualização a este registo que Fernando F Barreiros nos enviou, trata-se de figurantes talvez naturais da nossa vizinha Azinhaga,  mas o local do desfile é efectivamente no Pombalinho!

 Mas vamos ao texto que nos enviou o Joaquim a propósito desta “mascarilhada”: "... nesta manifestação o que vejo na foto que seja da Azinhaga, talvez os figurantes mascarados em cima de cavalos e os burros com cornos? Talvez a isso se chamasse mascarilhada nessa época!? De resto tudo o mais é Pombalinho, a fotografia foi tirada na rua da Igreja, rua de Cima e hoje rua Barão de Almeirim, o edifício que está junto da minha actual casa é o mesmo da época de 1900, as pessoas que estão à janela no 1º andar são familiares do nosso amigo Fernando Furtado Barreiros, porque o seu primo António José Barreiros que ali nasceu, contou-me esse facto num dia de convívio que com ele tive quando iniciei a minha actividade de autarca e ele exercia o cargo de Presidente da Junta de Freguesia de Marvila - Santarém no período de 1990 até 1993. Viveu muitos anos em Angola onde desempenhou a profissão de Engenheiro Agrícola e faleceu o ano passado em Santarém. Mas voltando à fotografia, o edifício mais alto com porta central e vestígios de um qualquer brasão por cima desta, é a adega que pertenceu à família Canavarro e mais ao fundo avista-se as ruínas do palácio do Sr. Barão de Almeirim que foi destruído por um incêndio na noite de 09 de Dezembro de 1870! Só começou a ser reconstruído alguns anos depois de 1900. Do palácio antigo pouco ou nada corresponde ao edifício primário que hoje existe, embora bonito é apenas um prédio antigo!"


Colaboração fotográfica - Fernando Furtado Barreiros

Colaboração texto - Joaquim M Barreiros Mateiro






21 julho 2008

Trabalho na eira em 1911!






Na descoberta e divulgação de verdadeiros tesouros sobre a vida colectiva do Pombalinho temos hoje o grato prazer e por gentileza novamente de Fernando Furtado Barreiros, de apreciarmos mais uma fotografia única sobre a nossa terra! É um registo da mesma eira que anteriormente publicamos mas valorizada pelo facto de captar em segundo plano, o casario onde hoje ainda se situa a antiga Escola Primária, a casa onde viveu Manuel Coimbra Barbosa e as actuais instalações da Junta Freguesia.

No verso da mesma e por indicação prestável do nosso amigo Fernando F Barreiros está inscrita a legenda: Eira de Júlio Barreiros em plena actividade (trigo) – Pombalinho 1911 , fazendo logo de seguida o seguinte comentário adicional que nos enviou via mail: “Situada em frente da casa dos Arcos, visível ao fundo, residência de Júlio José Barreiros, na então chamada Rua Direita ou Rua do Campo, hoje Carolina Infante da Câmara, nº75. À esquerda o lagar e a escola. À direita a casa do Barbosa. O palheiro e a casa de Alice Câmara Barreiros, existentes entre a casa dos arcos e a casa do Barbosa , não são visíveis. Na casa de Alice Câmara Barreiros vivia o Manuel Melão (feitor de Júlio Barreiros). Posteriormente ocupada por Júlio Câmara Barreiros quando se casou e onde nasceu a primeira filha do casal, Alice Furtado Barreiros.”

A Casa dos Arcos, a que se refere Fernando F Barreiros, suscita do Joaquim Mateiro também o comentário de que “ só foi sede da Junta de Freguesia em 26 de Setembro de 1977 quando foi doado o edifício pelo senhor Manuel João Barbosa e sua esposa Dona Maria Manuela Coimbra Barbosa durante a presidência de Francisco Brás Barrão Júnior”, não deixando de realçar ainda sobre a fotografia “ ...estou atento a todos o s pormenores como sempre, vejo as máquinas, as pessoas, o monte e os sacos de trigo, as forquilhas e as pás, o carro de bois com um grande barril de água para alimentar a máquina a vapor, o edifício da antiga Escola Primária, a casa dos Arcos como lhe chama o nosso Amigo Fernando Barreiros, onde residia o seu avô....”


Enfim, mais um importante documento que orgulhosamente publicamos nesta bonita caminhada histórica sobre a nossa terra!


            Colaboração Fernando F Barreiros e Joaquim B Mateiro,







17 julho 2008

Trabalho na eira!





Esta fotografia transporta-nos para tempos em que as eiras ainda eram locais imprescindíveis a uma das fases importantes do longo processo de cultivo do milho por terras do Pombalinho. Foi registada numa que então existiu há muitos anos em frente ao edifício onde hoje está instalada a Junta Freguesia e mostra-nos a sequência das várias etapas pelas quais o milho passava depois de apanhado nas searas .

As maçarocas amontoadas eram normalmente descamisadas pelas mulheres já que outras incumbências estavam destinadas aos homens, sendo essa tarefa executada criteriosamente de modo a que as melhores camisas (as mais macias e brancas que estavam junto à maçaroca) fossem separadas das restantes de forma serem aproveitadas e utilizadas no enchimento dos colchões. Depois ficava a maçaroca já limpa como se pode verificar num monte situado entre as duas mulheres da fotografia e finalmente surgia um outro de carolos (nome dado à maçaroca depois de debulhada), indiciando que por ali o milho já estava muito próximo do seu armazenamento.

Também muito curiosa é a presença de uma máquina enfardadeira accionada por um gerador a vapor, que servia como o próprio nome indica para fazer fardos, sendo neste caso fabricados a partir das camisas de menor qualidade e com eles proporcionar alimento aos animais durante o inverno. A posar para o fotógrafo está Júlio José Barreiros, proprietário desta eira e avô de Fernando Furtado Barreiros!


Colaboração fotográfica - Fernando Furtado Barreiros 






12 julho 2008

Uma questão de ética!!!!




Por gentileza de Fernando Furtado Barreiros, chegou-nos  uma carta escrita por seu avô, Júlio José Barreiros,  na qualidade de Presidente da Paróquia do Pombalinho e dirigida ao Administrador do Concelho de Santarém no ano de 1911.





     Exm°. Cidadão Administrador do Concelho de Santarém


Devo informar V. Ex3 que a Junta de Parochia do Pombalinho não pode continuar a exercer o seu lugar por estar ilegalmente constituída.
Júlio José Barreiros, Manuel José Barreiros, Manuel Cypriano Barreiros e Augusto Rodrigues Cotta têm entre si parentescos em grau que lhe fica proibido pelo Art. 10°. do Código Administrativo em vigor o administrar juntos em qualquer corporação. No mesmo caso se encontram Júlio da Silva Freire com Manuel José Rodrigues. Em face das lei deveriam ser preferidos para exercer os logares desta corporação os Cidadãos Manuel Cypriano Barreiros, Augusto Rodrigues Cotta e Manuel José Rodrigues, todos doentes e com motivo para escusa (Ar°. 8, N°. 2 do mesmo código) e mais Manoel Ignácio da Silva, Manuel Martinho Gameiro e António Albano da Silva Nunes substitutos, mas os únicos aptos (perante a lei) para dentro da actual Junta exercerem o seu mandato.
Por tudo o que informo V. Exa. e mais ainda porque moralmente não posso admitir que estando há tanto tempo n'este lugar, embora tenha trabalhado quanto me tem sido possível para adquirir para a minha administrada o que de justiça lhe pertence, nada tenha conseguido, venho mui respeitosamente pedir a V. Exª. que se digne fazer chegar às mãos do Ex°. Snr. Governador Civil do Distrito de Santarém o requerimento junto. Pombalinho, 25 de Janeiro de 1911.

O Presidente da Junta de Parochia do Pombalinho Júlio José Barreiros




03 julho 2008

Pombalinho em 1900!!!






É uma fotografia de rara beleza e de enorme significado histórico, esta a que vos apresento hoje aqui no “Pombalinho”. Foi-me gentilmente enviada pelo Joaquim Mateiro que por sua vez a recebeu via mail de Fernando Furtado Barreiros, bisneto de Hilário José Barreiros e neto de Júlio Barreiros.

É um daqueles registos que  provocando uma contemplação que ultrapassa um simples reparo de circunstância, transportando-nos  para a curiosidade de saber o que se teria ali passado bem frente à nossa Igreja Matriz que justificasse tão grande ajuntamento de Pombalinhenses! O ano da fotografia é de 1900 segundo informação de Fernando F Barreiros e nesses tempos, fazendo fé nalguns escritos existentes, eram frequentes as cheias do Tejo alagarem interiormente a Igreja, o que nos leva a colocar como forte possibilidade nesta imagem, se ela não terá a ver com a reparação do chão circundante após o rescaldo de uma dessas inundações! Pelo amontoado de pedras, possivelmente, arrancadas pela força das águas, também pelo desnivelamento do chão e finalmente pela presença de um "cilindro" em pedra para alisamento do mesmo (eventualmente puxado por tracção animal), leva-nos a concluir que assim tivesse sido!

 Um outro aspecto é o ajuntamento de tanta gente no largo da Igreja! Relacionando pequenos pormenores visíveis na fotografia dos quais destacamos as roupas vestidas e a presença de alguns homens com chapéu de aba larga (próprio de alguém socialmente superior em relação aos demais), podemos sugerir que aquele encontro se tenha passado num daqueles domingos em que a "praça" marcava o destino de muitos trabalhadores seleccionados para a semana de trabalho que se avizinhava.

 Mas apesar desta fotografia suscitar outras interpretações, é na verdade muito bela! Até parece uma fotomontagem em que a Igreja Paroquial, em nada diferente quando comparada aos tempos de hoje, ali foi brilhantemente colocada na imagem desse longínquo dia 26 de Fevereiro do ano de 1900!


Colaboração Fotográfica_Fernando Furtado Barreiros




25 junho 2008

Rancho da Adega



Tempos houve em que durante largos meses do ano uma considerável parte da população activa do Pombalinho, trabalhava exclusivamente no amanho das vinhas e no seu acompanhamento até à produção do tão famoso néctar extraído das cepas que proliferavam em enormes extensões pelos campos da nossa terra. Quase todas as casas agrícolas faziam depender da produção do vinho uma das suas grandes fontes de receitas e a paisagem agrícola dessas imensas áreas de vinhedos que então existiam, era substancialmente mais equilibrada quando comparada com a de hoje! As searas de produção maciça do milho vieram agravar a questão da monocultura e deixam-nos a níveis de observância tão baixos que o prazer de podermos usufruir das paisagens de campos cultivados da nossa terra em certas alturas do ano, se tornou numa verdadeira miragem!

Mas enfim, o tema de hoje é adegas e na verdade muitas existiram no Pombalinho em tempos não muito distantes, contribuindo para uma vida social muito diferente e dando um movimento à nossa terra que só de lembrarmos as quantas vezes que sorrateiramente fintávamos o boieiro para tirarmos um belo cacho de uvas das dornas que seguiam no carro pachorrentamente em direcção ao lagar, nos arrepia a alma! Existiram a funcionar em pleno, as adegas das famílias Menezes e Canavarro ali na rua Joaquim Piedade da Silva, uma outra na Rua de Santo António, outra mais recente no cruzamento da Rua 5 de Outubro com a Rua António Eugénio de Menezes, a Adega Nova na Estrada Real ( assim chamada por ser de construção recente em relação às então existentes) e outras mais de reduzidas dimensões quando comparadas com estas mas onde igualmente se fazia vinho em quantidade que superava largamente as necessidades familiares.

Estas fotografias que escolhi para ilustrar esses tempos vividos ainda bem longe da mecanização que hoje predomina nos campos agrícolas, foram gentilmente cedidas pelo Guilherme Afonso em 25 de Maio de 2007 com opinião um pouco crítica quanto à insuficiente qualidade das mesmas! Pois bem, elas aqui estão..., independentemente de terem ou não a qualidade desejada, o que importa mesmo é que se fale da nossa terra e das suas histórias, fazendo jus à ideia de que “nenhum futuro se constrói sem memórias!” Nós tentaremos seguir por aí!





Esta fotografia foi registada por Guilherme Afonso na Adega Nova em 3 de Outubro de 1949. De entre outros, reconhecem-se A. Vieira, João Cunha, Alfredo Girão (encarregado dos Meiras), Júlio Lopes, Júlio Cleto, Joaquim Inácio, Joaquim Abadeço, José Sobreiro, Manuel Pombo, Manuel Mira, Francisco Gaião, Ricardo Maria, Artur Maria, Joaquim Anastácio, Joaquim Ludovina e José Justino.


 





 

Fotografia também tirada em 03 de Outubro de 1949. Da esquerda para a direita, Manuel Pombo, Guilherme Afonso e José Sobreiro.





 

21 maio 2008

Maioral Angelino!






Esta fotografia foi-me oferecida por uma daquelas pessoas que dificilmente deixará de figurar no percurso histórico da minha juventude! Um dia destes, num encontro fortuito que aconteceu no restaurante “Bacalhau”, chamou-me à parte e disse-me:

Manel, tenho em minha casa umas fotografias que talvez possam ter algum interesse para publicares na internet. É evidente que dali já não saí e pouco depois na minha frente, enquanto acabava de almoçar, lá estava o nosso amigo com um envelope de correio de onde começou a retirar verdadeiros tesouros fotográficos que me deixaram completamente embevecido de alegria. Fiquei entusiasmadíssimo, pois a aventura de contar histórias sobre o Pombalinho, tinha-a iniciado muito recentemente e agora ali à minha inteira disposição estava material que em muito me poderia ajudar na continuação deste projecto sobre a nossa terra.

Inseri a primeira fotografia em 21 de Fevereiro e depois outras ao longo do ano de 2007 mas uma delas sempre foi ficando para trás, como se motivo faltasse para uma sua justificada publicação. Mas hoje quando a olhei de forma diferente e a li como antes o não tinha feito, verifiquei o óbvio: a vida é realmente feita de ligações tão fortes que imerecidamente nos esquecemos dos potenciais valores que encerra neste admirável mundo em que vivemos e esta fotografia que acabara de contemplar é um testemunho exemplar de relacionamento afectivo em hora de dar e receber, numa ligação de vida entre o ser humano e outras espécies animais. Pena é que devido à industrialização demolidora da vida agrícola dos nossos campos, imagens destas sejam cada vez mais raras nos dias de hoje!

No verso da fotografia está manualmente escrito a seguinte informação: "maioral Angelino, avô da Aurora , ano 1921".