10 outubro 2008

Escritura da antiga Escola Primária

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Sabia-se que a antiga Escola Primária do Pombalinho, localizada na rua Carolina Infante de Câmara, tinha sido doada por acto de benemerência às entidades de então responsáveis pelo destino colectivo da freguesia. Algumas dúvidas persistiam no entanto entre alguns nossos conterrâneos sobre quem tinha praticado esse acto de tão elevada nobreza. Igualmente sobre este assunto, algumas opiniões foram emitidas nem sempre de forma correcta e necessáriamente isentas de um imprescindível rigor histórico, ainda mais quanto se trata, como é manifestamente este o caso, de actos há muito realizados e porventura carentes de comprovativos documentais.
 
Assim sendo e como o assunto nos pareceu de certo modo entusiasmante resolvemos desenvolver as diligências necessárias que nos pareceram as mais correctas neste tipo de situações. A conselho do ex-presidente da Junta de Freguesia (Joaquim B Mateiro que nos dizia que o documento referente à respectica escritura de doação se encontrava talvez na Torre do Tombo) contactámos o Arquivo Distrital de Lisboa e para nossa surpresa, ao fim de pouco mais de uma semana já tínhamos em nosso poder uma fotocópia desse importante e histórico documento para a história do Pombalinho.
 
Escritura

Como se pode fácilmente perceber, a interpretação da escrita não é de fácil leitura, daí o facto de só agora o termos publicado, mas no essencial do que está nele manuscrito entende-se perfeitamente o objectivo que levou João da Cunha Cardoso Osório Ferraz e Castro de Portocarreiro, 2º Visconde de Portocarreiro a um acto de tão elevada nobreza para a população do Pombalinho no dia 25 de Novembro de 1885.
 
Os recortes que a seguir publicamos são exactamente as passagens da escritura que consideramos de maior relevância, em forma de legenda estão os respectivos textos rigorosamente transcritos por documento oficial da autoria de Jorge Filippe Cosmetti.
 
Escritura


"Saibam quantos esta pública escriptura de doação virem: que no anno de nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e setenta e cinco, aos vinte e cinco dias do mês de Novembro nesta Cidade de Lisboa, rua Áurea numero vinte e seis, meu escriptorio compareceram, o Visconde de Portocarrero, João de Cunha Cardoso Ozorio Ferraz e Castro de Portocarrero, Par do Reino, solteiro e maior, morador na Rua Formosa numero quarenta e cinco, pessoa que conheço pelo próprio. E logo disse em minha presença e na das testemunhas ao diante nomeadas: Que elle é senhor e possuidor de uma casa sita na rua direita da freguesia de Pombalinho, concelho de Santarem, que consta de lojas e vasto primeiro andar assobradado, com janelas porta e escadaria de pedra... "

 
Escritura B


"... Que pela presente escriptura, de sua livre e espontanea vontade, faz pura doação de hoje em diante à Junta de Parochia da freguesia de Pombalinho do primeiro andar desta casa com destino a Escola primária da referida freguesia; continuando porem a ficar-lhe pertencendo a plena propriedade das lojas da referida casa e que servem de celleiros. Que desde já tira e demitte ... "
Colaboração interpretativa do texto original - Bruno Cruz

Para consultar a escritura original em formato PDF, por favor clique aqui + aqui
Nota_1 - Já depois desta publicação ter sido feita, chegou-nos por gesto simpático de Luís Filipe Júlio, uma transcrição oficial do texto original, feita em 6 de Julho de 1901 e da autoria de Jorge Filippe Cosmetti, perito em paleografia. Para aceder também a esse importante documento, clique aqui + aqui e aqui
Nota_2 - Com o intuito de nos aproximarmos ao rigor histórico que este documento merece, solicitamos ao escritor e investigador Manuel Abranches de Soveral , uma interpretação do texto original. O resultado é o que mostramos aqui , agradecendo pelo facto ao conhecido professor o importante contributo que prestou a este espaço de história sobre o Pombalinho.

 

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