02 abril 2009

Adiafa 1950/51!





Celebrava-se o fim das vindimas nesse ano de 1950 e o rancho reunia-se no pátio da quinta da família Menezes, no Pombalinho, para dar início à adiafa. Nesta fotografia reconhecem-se na primeira fila e da esquerda para a direita, Anita Marcano, Luísa Barreiros, Elvira Bacalhau, António Rufino, Laurinda Antunes, Fernanda Barreiros e Silvina Bacalhau. Na segunda fila e pela mesma ordem, Maria Adelaide Saúde, Helena Minderico, Irene Coradinho, Maria Júlia Cavaco, Albertina Grais, Maria Carolina, Maria Júlia Duarte, Conceição Cruz, Soledade Cavaleiro, Luísa Cota, António Bogalho e Alexandre (cego do Reguengo). Na terceira fila, José Carvalho (tratorista), Francisco Cavaleiro, Guilherme Afonso, Luís Barreiros, Alcides Vieira, João Dias, Gabriel Joaquim, Nicolau Mogas, Alberto Bacalhau, Joaquim Antunes, Clemente e José Mogas.


"Adiafa vem do árabe (addyafa) e significa banquete após o trabalho no campo."
"Consiste na oferta em géneros alimentícios, em peças de vestuário ou em dinheiro, aos trabalhadores rurais no fim dos trabalhos agrícolas."


"É uma refeição de caracter festivo, que o patrão oferece aos trabalhadores no fim de algumas fainas agrícolas: ceifa, vindima, apanha da azeitona, etc."



A adiafa na verdade, é tudo isto! Mas essencialmente consiste na realização de um ambiente festivo que se celebra, ou celebrava, no fim das colheitas! Hoje com a industrialização agrícola e a consequente substituição de mão de obra pela força férrea das máquinas, muito dificilmente assistiremos a este tipo de confraternização pelos campos do nosso Ribatejo.


E é justamente para que possamos imaginar um pouco dessa comemoração, que recorri a um livro editado em 1864 para dele retirar excerto de um capítulo bem ilustrativo de toda a envolvência que rodeava a preparação a adiafa! Começa então assim:


“... Estamos em Novembro, e o sopro gelado do inverno já convida a acender-se o braseiro, e a agruparem-se-lhe em torno, as famílias, sentindo crepitar a lenha, e estalarem as castanhas e as bolotas, que as crianças assam alegremente ao lume da lareira.
A quinta, onde eu agora tenciono introduzir os meus leitores, é vasta e produtiva. A aragem fria de Novembro faz ondular a copa dos seus imensos pinhais, e um exercício de varejadores doideja, ri, e tagarela por baixo da folhagem cinzenta das suas oliveiras. As vinhas misturam-se a perder de vista com as searas; e o pomar, a horta, e o jardim vão-se abrigar à sombra das paredes da casa, ousando até este último, destacar como vedetas, roseiras e jasmins, que vão, trepando silenciosamente, espreitar pelas janelas, e enviar o seu perfume, como suave homenagem, aos donos desse pequeno mundo.

No dia em que chegamos terminou a colheita da azeitona, e, segundo o costume, há de se celebrar a festa, cuja risonha perspectiva bastará para suavizar, aos olhos dos aldeãos, todos os trabalhos de dois meses. Depois do labutar incessante vem o dia de regozijo! Depois da campanha fadigosa o triunfo ambicionado. Os varejadores vão subir ao Capitólio!

Os almocreves de notícias da localidade já espalharam por toda a parte que ia haver adiafa na quinta de tal. Nem os pregadores da azzhala da guerra santa contra os cristãos podiam ser tão bem acolhidos pelos fiéis crentes de Mafoma, como estes noticiaristas orais o eram pelos alegres camponeses dos arredores! Vai haver adiafa, adiafa! Palavra mágica, que envolve a ideia de vinho á descrição, comida a fartar, e bailarico até as pernas dizerem “basta”, Adiafa! Isto é a festa da azeitona, a noite de benefício dos varejadores, o gáudio rasgado, o reinado da folia! Vão lá oferecer o trono do universo sem adiafa!

Subamos a escada de pedra, ao cimo da qual se topa o alpendre e entremos sem receio na vasta casa de entrada, mobilada simplesmente com bancos de pinho. A hospitalidade é um dever sagrado dos proprietários do Ribatejo, e nenhum, por mais duro que tenha o coração, ousa esquivar-se ao cumprimento dele. Subamos pois: espera-nos um bom acolhimento.

Vai um grande ruído a essa hora na casa de entrada, onde penetrámos. Nesse dia, como dissemos, findara a colheita da azeitona, e estava-se realizando a adiafa. Um pequeno olival dos donos da quinta, fora reservado para o último varejo, mais para satisfazer a uma formalidade, do que por não se poder completar a colheita na véspera do grande dia. Mas a etiqueta camponesa assim o exige. Varejar o pequeno olival é como pôr a última pedra num edifício, pretexto para a festividade. Já para esse trabalho os varejadores e apanhadeiras foram vestidos com os seus fatos ricos, e procedeu-se ao varejo com uma gravidade que não deslustraria o inaugurar de um caminho de ferro.

Antes do meio dia estava tudo pronto, e os alegres varejadores, com o coração palpitante, enfileiraram-se atras do seu chefe, que arvorou, em tão solenemente momento, a bandeira da procissão, onde figurava um registo da Virgem, cercado de vistosos laços de diferentes cores. O capataz abriu a marcha e caminharam na sua retaguarda os festivos pares aldeãos. Apenas os donos da casa avistaram ao longe a comitiva, ordenaram que se preparasse a mesa, onde os pobres trabalhadores se haviam de regalar com um banquete, cuja suave recordação bastasse para iluminar, com esplendida luz gastronómica, as trevas da futura e forçada abstinência. Um bom jantar português, farto e suculento! A sopa fumegava em cima da mesa, a vaca e o arroz formavam depois em ordem de batalha. À hora em que entramos, e em que, segundo dissemos, o sol se sumia no acaso, sumia-se também o último pedaço do apetecido manjar no último recanto do estômago aldeão em quanto esperavam saciados que a noite descesse para recomeçarem as danças!!!! "

Por último, um testemunho bem mais recente de alguém que viveu e ainda vive a adiafa na sua terra!

"... Hoje o meu bom amigo Pedro Melro, emérito e orgulhoso produtor de vinho de Alcanhões, convidou-me para a Adiafa. Para quem não sabe, a Adiafa significa a festa que se oferece aos trabalhadores no último dia das vindimas. De acordo com o dicionário a palavra vem do árabe addyafa e significa banquete.
Embora esteja um pouco desvirtuada, esta tradição fez parte do meu crescimento e habituei-me a ouvir falar dela e algumas vezes a, orgulhosamente, participar. Digo orgulhosamente, porque nessas alturas fazia também parte do rancho da vindima, quase sempre por amizade e camaradagem.

Recordo com saudade, o convívio com aquelas gentes simples, o cheiro da terra e das uvas, o suor nos rostos, as cantigas e os cestos pesados que me faziam sentir um homem naquele reino de Homens e Mulheres.


Hoje senti-me quase um intruso, como se não merecesse comer e beber como os outros! O pão caseiro não me soube tão bem. A lebre deliciosa e a sopa de pedra. Os tomates apanhados da terra, o vinho maravilhoso. As azeitonas. O vinho. O vinho!
Para o ano duas resoluções ficaram. Vou primeiro à vindima e não repito a estupidez de não levar a máquina fotográfica!"



Colaboração fotográfica de Pedro Menezes e Bruno Cruz





31 março 2009

Classe Primária de 1977/78




Mais um excelente registo fotográfico de uma classe da Instrução Primária que frequentou a Escola do Pombalinho. Foi tirado em 21 de Abril de 1978 e refere-se à 1ªClasse do ano lectivo de 1977/78 . Na primeira fila e da esquerda para a direita, Miguel Reis, António, Joaquim José Dias, José António Guilherme, Jorge Cota, Paulo Condeço, Luís Serra, Rui Filipe Leal e Fernando Ventura. Na segunda fila e pela mesma ordem, Rodolfo Vinagre, Pedro Bispo, Rosel Rodrigues, Sílvia Carvalho, Diamantino José e Gilberto Ferreira. Na terceira fila, Ana Margarida Cota, Cristina Rodrigues, Raquel Mateiro, Fernanda Vidal, Crisálida, Lena Galvão, professora Maria Adelaide Reis, Eugénia, Margarida Marques, Sónia Félix, Carla Feijão, Jorge Dias e João Carlos Rufino.




Colaboração fotográfica de Maria Adelaide Reis
Pesquisa de Bruno Cruz


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29 março 2009

Classes Primárias 1961/62







Excelente fotografia das classes da Instrução Primária que frequentaram a escola do Pombalinho no ano lectivo de 1961/62, sob a docência da professora Maria José Martins Simões.

Reconhecem-se, na primeira fila e da esquerda para a direita, Manuel João Cavaleiro, José Justino, Luís Mira, Américo Ferreira, Fernando Duarte, António Carlos Maria, Carlos Simões, Júlio Légua, José Moreira, Carlos Júlio António e António Carlos Branco. Ne segunda fila e pela mesma ordem, Jorge, Mário Salvador, António Pacheco, João Correia, Manuel Gomes, Miguel Costa, Manuel Pacheco, Manuel Condeço e António Gaião. Na terceira fila e pela mesma ordem, Izidoro, Abel Melão e José Luís. Na quarta fila, Fagunto, João, Diamantino Martinho, Carlos Melão, José e Pedro Galvão. Na quinta fila, António Vinagre, Joaquim, professora Maria José Martins, António Carlos Pereira, António Légua e José António Menezes.




Colaboração fotográfica de Pedro Menezes
Pesquisa de Bruno Cruz




15 março 2009

Teatro em 1989!




Teatro que se realizou em Pombalinho nos dias 8 e 15 de Julho de 1989. A organização esteve a cargo do "Grupo de Teatro Os Amigos da Terra", com encenação de Ema Braga e Joaquim Mateiro, ponto de Rosel Rodrigues. O programa constou de três comédias intituladas, "Pessegos em calda", "Os disparates da Gertrudes" e "No consultório da bruxa".








Elenco que integrou o espéctaculo. De pé e da esquerda para a direita, Emília Rodrigues, Fernando Duarte, Ema Braga, Lina Júlio, Luís Filipe Júlio, Paula Valadares, Evangelina Condeço, Milita Mateiro, Elvira Narciso, Lucília Felix e António Condeço. De joelhos e pela mesma ordem, Rosel Rodrigues, Cristina Barreiros, Raquel Mateiro, Víctor Silva, David Cordeiro e Joaquim Mateiro.








Cena da comédia "No consultória da bruxa", interpretada por Cristina Barreiros, Joaquim Mateiro e Lucília Félix.








Cena da comédia "Pessegos em calda", interpretada por, Ana Raquel Mateiro, António Condeço, Fernando Duarte, Luís Filipe Júlio e Paula Valadares.









"Ribatejo cantado", interpretado por Milita Mateiro, Cristina Barreiros, Fernando Duarte e António Condeço








"Ribatejo cantado" , interpretado por Milita Mateiro e António Condeço..




Colaboração de Joaquim Mateiro



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11 março 2009

RLP (Rádio Local Pombalinho)




Durante os anos oitenta, as rádios locais surgiram um pouco por todo o país! Funcionavam à margem de qualquer licenciamento oficial (daí a designação comum de “rádios piratas”), bastando para o efeito, uma boa dose de criatividade e muita vontade na transmissão de programas idealizados por grupos de cidadãos mais ou menos organizados e com uma programação quase sempre de carácter regional.

Nesta onda de entusiasmo radiofónico, houve porventura projectos de alguma importância ao nível local, virados especificamente para a salvaguarda e difusão de valores tradicionais, mas perante o panorama assim constituído e à revelia do conceito legal, era inevitável que surgisse mais tarde ou mais cedo, uma regulamentação legislativa para o sector radiofónico que contemplasse o exercício da actividade. E assim foi com efeito, surgindo a famosa Lei da Rádio em 1988!


No Pombalinho também tivemos uma estação de rádio livre, designada por RLP (Rádio Local Pombalinho)! Transmitia em 104.5 MHz e esteve em actividade nas antigas instalações da Escola Primária. Nestes registos históricos alusivos ao seu funcionamento, relembramos um pouco o ambiente radiofónico então vivido, a programação transmitida e como foi a despedida com fecho da emissora por imperativos legais.









António Ludovino a entrevistar Rudolph Ewals, voluntário holandês que esteve no Pombalinho na recuperação dos danos causados pela cheia de 1979.









 Fernando Felisberto era um dos realizadores e animadores que contribuía para o êxito do programa "Manhã Infantil/ Tarde Louca.










Recordando ainda aqui com o saudoso e amigo Joaquim Mateiro. Era ele quem tinha o papel principal no programa "Manhã Infantil/ Tarde Louca, fazendo também, para além de momentos de locução,  a ligação do programa às crianças e o seu acompanhando nos seus trabalhos e passatempos.











Programação da RLP











Documento de despedida da última emissão! 






Colaboração documental de Luís Filipe Júlio e Bruno Cruz
Fotos e textos que as suportam, concedidos gentilmente por António Ludovino.









07 março 2009

Festas de 1983 !







Este, o prospecto referente às Festas do Pombalinho no ano de 1983! Ainda existia uma vontade colectiva para a realização dos tradicionais festejos na nossa terra! Mobilizavam-se meios, adjudicavam-se serviços, angariavam-se préstimos, e por fim conseguia-se colocar a aldeia no roteiro das festas de verão que se realizam por este país fora! Podiam não ser rentáveis ao nível dos ganhos monetários com que as organizações se propunham nas suas realizações, mas havia festa! E dava-se continuidade a uma tradição da nossa terra que de há muito existe, no último fim de semana do mês de Jullho! Nada pior para o caminho errado da vida do que a ausência progressiva de auto-estima! Os valores conquistados pelos que nos antecederam, não podem ser esquecidos ou simplesmente ignorados, sob pena de perdermos parte da nossa identidade! Hoje, o Pombalinho, as gentes do Pombalinho, mereciam um pouco mais!!!

Colaboração fotográfica de Luís Filipe Júlio e Bruno Cruz.






02 março 2009

Vera Cruz Futebol Clube VIII !


Voltamos a publicar fotos de equipas que representaram o glorioso Vera Cruz Futebol Clube! Decorria o ano de 1964 e os desafios de futebol destes tempos ainda se realizavam nas Onias, ali bem dentro do Meirinho. Participava-se nestes encontros com muito orgulho e vestir aquela camisola branca listada a vermelho na diagonal, simbolizava momentos únicos bem patentes numa dedicação sem limites, em representação do clube da nossa terra!




De joelhos e da esquerda para a direita, Manuel Vinagre (massagista), António Manuel Leal, José Correia, Felismino Brás, Ezequiel Andrade e Luís Conceição. De pé e pela mesma ordem, José Guilherme, Joaquim Vieira, António Maria, Izidoro, António Mata, António Bento, Justino, António Domingos, Manuel Narciso e José Leal (dirigente).








De joelhos e da esquerda para a direita, Manuel Vinagre (massagista), José Correia, José Guilherme, Felismino Brás, Ezequiel Andrade e Manuel Narciso. De pé e pela mesma ordem, Miguel ("guarda-redes" do Operário de Santarém), Izidoro Narciso, Manuel Mata, António Bento, António Domingos, António Manuel Leal, António Silva e José Gomes.

Colaboração fotográfica de António Domingos Correia e Bruno Cruz.



Nota – Para Blog Temático clicar em  Vera Cruz



24 fevereiro 2009

Ano lectivo de 1972/73





Fotografia dos alunos inscritos na 1ª e 2ª classe da Escola Primária do Pombalinho na companhia da sua professora, Maria José Martins Simóes. Nesse ano lectivo de 1972/73 compuseram estas duas classes, os alunos, na primeira fila e da esquerda para a direita, António Maria, Joaquim Rodrigues, Pedro Leal, Pedro Menezes, António Lopes, Camilo Pereira, Miguel Cordeiro, Eduardo Narciso, Rui Valadares, Luís Simões. Na segunda fila e pela mesma ordem, João Paulo, Filipe Júlio, José, José João Bacalhau, Paulo Correia, José Rodrigues Oliveira, Mário Narciso, Sérgio Mogas, Luís Mogas, Valdemar Correia. Na terceira fila e pela mesma ordem, José Carlos Bonifácio, José Carlos Cordeiro, Angelo Piedade, Valdemar Tomás, Daniel Marques, Hélder Costa e José Manuel Nascimento.




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Colaboração de Pedro Menezes e Bruno Cruz





19 fevereiro 2009

Cheias do Pombalinho!





O Pombalinho está indubitavelmente ligado às cheias do Ribatejo! Situada na margem direita do rio Tejo, esta localidade é normalmente atingida pelas suas aguas quando por acção de fortes chuvadas em invernos muito rigorosos, transborda do seu leito e alaga as áreas adjacentes. 

Os pombalinhenses sempre encararam com relativa serenidade, estas visitas que o maior rio da Península Ibérica fazia periodicamente nestas zonas baixas do Ribatejo! No entanto, anos houve em que inundações de níveis considerados anormais, causaram muita preocupação entre a população e tiveram consequências devastadoras em estruturas habitacionais e redes viárias. Hoje, já sem a sua presença com uma certa regularidade a que nos habituaram ao longo de muitos anos, justifica-se, a favor da memória e do conhecimento, a viagem que vos proponho ao Pombalinho e às suas cheias do rio Tejo, clicando AQUI.




16 fevereiro 2009

Cheias de 1979!


Faz hoje 30 anos que o Pombalinho era notícia em muitos orgãos de comunicação social! De facto, nesse ano de 1979, todo o baixo Ribatejo era assolado pela sua maior cheia de sempre, segundo consideração e título do jornal regional, Correio do Ribatejo!

O Pombalinho ficou completamente isolado ao nível das suas vias de comunicação terrestre e viveram-se situações de grande aflição entre a população! As Forças Armadas, recorrendo a helicópteros e embarcações de deslocação rápida, deram um forte contributo na assistência à população mais atingida pela subida anormal dos níveis das águas, que, segundo se soube mais tarde, ter sido devido a descargas de água armazenada nas barragens espanholas. Houve enormes prejuízos materiais ao nível das estruturas habitacionais e também muitos bens domésticos foram destruídos pela passagem nefasta desta cheia que ficará recordada, pelas piores das razões, por muitos dos que viveram essas horas dramáticas! Recordemos pois, por algumas imagens disponíveis, o que foi essa trágica cheia de 1979!





Primeira página do Correio do Ribatejo, do dia 16 de Fevereiro de 1979.







Rua António Eugénio de Menezes, junto ao cruzamento da rua 5 de Outubro e da rua de Sto António.








O estado em que ficou uma das habitações a norte da rua António Eugénio de Menezes.








A mesma habitação, vista de angulo diferente, na rua António Eugénio de Menezes.








Outras habitações que não resistiram à força das àguas, no cruzamento da rua de Sto António com a rua 1º de Dezembro.






Jornal “Diário Lisboa” de 12 Fev de 1979.









Recorte do jornal Correio do Ribatejo do dia 16 de Março, sobre a visita que o Presidente da República General Ramalho Eanes fez ao Pombalinho.





Colaboração nas fotografias e recortes de jornais - Bruno Cruz.









11 fevereiro 2009

Cheias de 1959!


Desde que o aproveitamento em grande escala das suas águas para produção de energia hidroeléctrica tomou conta do rio Tejo e transformou os recursos naturais do seu caudal em fonte de necessidades económicas de cada região por onde passa, que as condições climatéricas em época de invernia já não são naturalmente suficientes para provocar o alagamento dos campos adjacentes ao seu percurso, na forma das tradicionais cheias que todos bem conhecemos nesta zona do Ribatejo. No entanto, podemos sempre recorrer a registos fotográficos felizmente ainda existentes, como estes que aqui publicamos, da autoria presumida de Francisco Maria Borges e relativos a uma dessas cheias que atingiu o Pombalinho provavelmente no ano de 1959.






O nível da água da cheia, bem dentro da rua Barão de Almeirim e defronte da antiga casa Farol.










O recurso ao tradicional barco, comandado a remos e à vara, era o mais utilizado nas deslocações de pessoas e bens em zonas alagadas pela cheia.








Também haviam momentos de pura distracção como este protagonizado pelo Victor Reis e sua mãe, Olímpia Borges.










Belissíma imagem de grande representatividade dos níveis atingidos pelas águas do Tejo nesse ano de 1959.









Outra imagem bem demonstrativa da utilidade que estas embarcações tiveram em situações de cheias no interior do Pombalinho.










As cheias também eram sinónimo de divertimento para as crianças e quem podia, sempre aproveitava as oportunidades de ficarem registados para a posterioridade! Neste barco em águas calmas, reconhecem-se o Victor Reis e a Teresa.






Colaboração fotográfica de Victor Reis











07 fevereiro 2009

Retratos III !




António Afonso dos Santos - 1964









Olímpia Borges , Profª Maria Conceição e Francisca Carvalho.




Colaboração de Guilherme Afonso/Víctor Reis





03 fevereiro 2009

Festas de 1942!


Ainda sobre a Festa que se realizou de  angariação de fundos para aquisição do relógio da Igreja do Pombalinho e  à qual Guilherme Afonso se referiu numa sua carta de 2008, conforme aqui fizemos referencia na publicação de 29 de Janeiro último, chegou-nos por feliz coincidência, na simpática cordialidade de Luís Filipe Júlio, um exemplar da programação desses festejos e assim a possibilidade de ligarmos historicamente a realização do evento ao principal motivo que levou a respectiva comissão organizadora então formada, na sua concretização.


 O acontecimento teve lugar nos dias 1, 2 e 3 de Agosto de 1942  e complementando de certa forma a memória do nosso conterrâneo Guilherme, estiveram presentes a abrilhantar esses festejos em honra de Nossa Senhora das Dôres , as fadistas Lucília do Carmo e Arminda Vidal , acompanhadas à guitarra por Raúl Nery e à viola por Alfredo Costa. Mas o cartaz do programa, bastante mais elucidativo, é um excepcional convite a uma verdadeira viagem no tempo e obviamente às memórias do Pombalinho.




As afamadas cantadeiras Arminda Vidal e Lucília do Carmo












Colaboração de Luís Filipe Júlio e Bruno Cruz






29 janeiro 2009

Cartas de Maputo...


As cartas como forma de comunicação escrita, contêm normalmente aspectos ou matérias de caracter particular a quem só às pessoas correspondidas diz respeito. No entanto, quando o interesse dos assuntos abordados é considerado de importância históricamente relevante para o conhecimento público, já esta avaliação pode ser interpretada de forma diferente!

Tenho mantido com Guilherme Afonso uma frutuosa e regular troca de correspondência, desde princípios de 2005, e quando leio ou releio as suas cartas, sinto uma enorme gratidão pelo facto de ter conhecido alguém com uma visão excepcionalmente atenta e pormenorizada em relação a aspectos cruciais da vida e particularmente sobre uma determinada fase da história da nossa terra. E foi o que aconteceu com uma sua carta de 14 de Julho de 2008!


 De acordo com uma predisposição de valores mutuamente aceites entre o remetente e o receptor, entendi por bem transcrever neste espaço, algumas passagens dessa mesma carta, que relatam lugares e pessoas que por razões naturais da vida já só fazem parte do imaginário de muitos de nós e por isso mesmo a merecerem uma justificada referência neste espaço.






[... muito gostava de ter lá estado (leia-se, festa de confraternização Junho 2008), mas não pôde ser. Teria tido, inclusive, a oportunidade de rever todo esse espaço em que, com outros miúdos da vizinhança, muito brinquei. O edifício da Junta era então habitado pelo Manuel Barbosa, esposa (a Maria Coimbra) e filho o Manuel João Coimbra Barbosa. Como o menino rico não vinha para a rua brincar com os meninos pobres, íamos nós para todo aquele espaço brincar com ele. A começar pela própria casa, especialmente o sótão, passando ao pátio da própria casa e ao outro que tinha um bebedouro para o gado e era ladeado pelo palheiro, pelo lagar, que então não era utilizado, pela habitação do hortelão, pela grande horta, e não me lembro se por mais alguma coisa, e indo até à horta, em que tínhamos geralmente a fruta à nossa disposição, ao tanque da rega, muito fundo e em que, por isso, o meu irmão escapou uma vez por muito pouco de morrer afogado, à garagem e à cavalariça, expandíamo-nos por aí praticamente à vontade. Além da fruta, uma vez por outra ainda nos cabia, aos miúdos pobres que brincavam com o filho, um qualquer petisco oferecido pela Maria Coimbra. Até me lembro que foi num desses petiscos oferecidos por ela que eu pela primeira vez comi peru. Pela primeira... e não sei se pela última.
... Sobre o pátio onde foi tomada a refeição, eu conheci-o ainda no tempo do anterior proprietário, o Júlio Barreiros. Lembro-me de o ver aí sentado numa cadeira, com o seu corpo enorme, enorme, gordo, gordo. Tinha dois filhos que residiam fora do Pombalinho, um deles salvo erro em Santarém, onde, salvo erro também, exercia as funções de inspector escolar. Que me lembre, tinha também uma filha. Não sei se tinha mais alguma. Assisti à saída dessa família daquele edifício, tendo-me até sido oferecida, na altura, pela filha, uma bonita gaiola para pássaros (sem pássaros); assim como assisti, a seguir, à entrada para o mesmo da família Barbosa. "







.. ao falares nisso*, fizeste-me recordar da primeira Festa que me lembro ter havido no Pombalinho. Tinha eu 12 anos (no ano de 1942, portanto, o que não deixará de ser estranho, porque era o tempo da Segunda Grande Guerra, tempo de racionamento). O meu pai era um dos mordomos da Festa e o objectivo principal da mesma era arranjar-se dinheiro para o relógio da igreja.
E também me lembro que uma das fadistas que participou nessa Festa foi a Lucinda do Carmo (a mãe do Carlos do Carmo), com outra fadista também ida de Lisboa, tendo ambas ficado alojadas em casa das tuas primas Mateiro (Justa, Verónica e Chica), das quais eu era vizinho. ]

"Ora, meu Amigo, dessa Festa parece não ter restado, infelizmente, nada que nos permita estabelecer a sua data precisa. E digo isto porque, tendo-me o Joaquim Mateiro enviado, há uns tempos, uma rica colecção de programas de festas, de picarias e de peças de teatro realizadas na nossa terra, nada há referente a essa Festa de 1942.

Mas uma coisa é certa: foi nessa altura que se angariou, inclusive com o peditório feito, como habitualmente, de porta em porta pela comissão da Festa, o dinheiro para a compra do relógio e para o colocar na torre da igreja. Se isso foi programado para que a colocação do relógio se efectuasse a tempo da sua inauguração ser feita durante a Festa, disso não me lembro, como é natural. Mas se assim não foi, tê-lo-ia sido, com certeza, para pouco depois da Festa, com o dinheiro dos peditórios e de algum mais angariado nos dias da Festa.


Envio-lhe em anexo mais uma fotografia da igreja, esta tirada em 27 de Junho de 1948 e já com o relógio na torre. Como pode ver, também nessa altura o adro estava cheio de pedra britada, para a asfaltagem do adro e de toda a Rua Barão de Almeirim, trabalho que precedeu a asfaltagem de toda a estrada da Azinhaga a Alcanhões, creio eu, e em que trabalhei, tanto na primeira obra, na própria asfaltagem, como na segunda, medindo a pedra, britada no local, da Azinhaga à Quinta de Alpompé, em Vale de Figueira. "


*Nota – Entre parênteses recto e itálico, carta de resposta que Guilherme Afonso escreveu a Joaquim Mateiro em 10 de Junho de 2006, quando este lhe comunicou a realização da Festa comemorativa do 400º aniversário do Pombalinho.