Estava-se em Dezembro
de 1969 e o momento foi registado na rua Hilário José Barreiros. Da esquerda
para a direita, António Carlos N Branco, Américo LF Ferreira, Carlos Júlio MF
António, Francisco Gaião, António Carlos S Maria, Manuel J Gomes e António DR
Brás.
22 maio 2009
17 maio 2009
Cartas de Maputo...!!!
Tinha
dezassete ou dezoito anos quando escreveu a primeira carta para um jornal. Foi
para o semanário humorístico “Os Ridículos” e era editado em Lisboa. Numa das
suas secções denominada “Terra de ninguém” e destinada à publicação de cartas
enviadas pelos assinantes, o nosso amigo Guilherme Afonso decidiu um dia para
lá enviar um artigo no qual denunciou o facto de no Pombalinho, nessa altura
com cerca de mil habitantes, não haver médico, nem farmácia, nem telefone, mas em
contrapartida ter catorze tavernas!
Mais
tarde também participou no Gazeta do Sul, colaborando com o envio de alguns
artigos para este semanário do Montijo.
Tornou-se assinante de publicações
de banda desenhada de enorme aceitação pública na altura, permitindo-lhe
descobrir os famosos heróis nas suas inesquecíveis aventuras.
Uma viagem aos
primeiros tempos da escrita editada de Guilherme Afonso e que o próprio
intitulou de "Intervir", é a proposta que vos suscito AQUI neste espaço de memórias!
15 maio 2009
A força da tradição!
Esta não é como a
maioria das fotografias em que as pessoas sentindo no momento
o efeito do "olha
o passarinho" , se preparam com mais ou menos preparos para a pose!
Talvez nunca se venha a saber da intenção do fotógrafo ao fazer
este registo de surpresa às pessoas nele incluídas, mas..., recorrendo a uma
outra possível leitura, sendo talvez essa a mais importante para
este espaço, é que apesar da célebre cheia de 1979 por ali ter passado, na rua
António Eugénio de Menezes, a vontade de manter a tradição carnavalesca ficou
bem patente na imagem desta mãe ao conduzir pela mão o seu filho, vestido de
campino com todo o rigor, para um desfile alusivo à data porventura realizado
no Pombalinho! Foi há trinta anos!
Na fotografia,
Ana Leal e seu filho Bruno Cruz.
12 maio 2009
Prova de aproveitamento!
Antigamente nas escolas primárias realizavam-se as chamadas provas escritas de aproveitamento. Serviam para os professores avaliarem os desempenhos dos alunos nos períodos escolares que os antecediam e simultaneamente, porventura por razões pedagógicas, incutir nos jovens educandos um grau de exigência que de muita utilidade viria a servir em níveis escolares superiores.
As memórias que temos desses acontecimentos escolares, propicia obviamente, uma viagem a tempos já um pouco longínquos, mas recordá-los em ”deliciosos” pormenores, transmite-nos uma inexplicável saudade que jamais poderíamos imaginar neste tipo de lembranças.
E alguns deles, dessas pequenas coisas que em tempos pouca importância atribuíramos, passavam por exemplo, pela compra da folha onde se fazia a prova! Quem não se recorda dessa inesquecível folha dupla de trinta e cinco linhas que comprávamos na antiga Casa Farol ? E aquela dobra longitudinal de cinco centímetros de largura que fazíamos com todo o cuidado para criarmos uma margem de referencia ao alinhamento da escrita? E a alegria que sentíamos quando aquele Bom (ou na melhor das hipóteses um MBom) escrito a vermelho no topo do exercício, era atribuído pela professora como resultado de todo o nosso esforço e dedicação? Bem, é todo um nunca mais acabar de sensações que justifica bem recordarmos a visualização de uma dessas provas de 1967 que Teresa Cruz, ao encontrar no baú das suas recordações, o classificou muito justamente desta maneira: “ ... Afinal, um papel sem aparente importância mas que veio a ser determinante no meu percurso académico e profissional" .
A
primeira folha servia para a identificação do aluno, do professor, da escola, e
nalguns casos, como neste, também para início da prova de caligrafia.
Depois chegava a vez do ditado, da redacção e iniciava-se a prova
de aritmética...
...
que iria terminar na folha seguinte com exercícios que contemplavam as quatro
operações algébricas.
07 maio 2009
Classes do Ensino Primário!
Maria Lurdes Gomes.
A frequência do ensino
da Escola Primária, hoje denominadas por EBs,
a todos marcou de uma forma muito especial! Foi aí que iniciamos a
indispensável aprendizagem de matérias que nos iriam servir de alicerces à
continuação de outros ciclos escolares e por complementaridade, a uma
preparação para a vida profissional. Uma viagem a esses tempos é sempre um
exercício de recordações! Relembremos pois, pais, avós, tios, amigos, ou quem
sabe..., se não estaremos também numa dessas fotografias de uma qualquer classe
da escola do Pombalinho! Clique
então por favor, AQUI .
01 maio 2009
Domingos Motta
Outra das artérias do Pombalinho a
quem foi atribuída o nome de uma personalidade que foi marcante para a vida
colectiva e social dos seus habitantes, tem a designação de rua
Domingos Mota . Proprietário
agrícola nas últimas décadas do século dezanove, detentor de vastas terras nos
campos do Pombalinho e Reguengo do Alviela, por ele passou a sustentabilidade
económica, por via de salários que lhes eram pagos, de muitas famílias que
viviam dos trabalhos inerentes ao cultivo e amanho das suas terras!
Pela gentil colaboração
fotográfica e de texto, de suas sobrinhas, Maria Isabel dos Reis Motta Antunes
Mendes e Maria José Motta Nogueira Freire, de quem o Bruno Cruz meritoriamente
conseguiu esta bonita participação, vamos pois saber um pouco mais sobre quem
foi Domingos Motta.
Domingos Motta de visita a uma das suas herdades.
Biografia da autoria de suas sobrinhas, Maria Isabel dos Reis
Motta Antunes Mendes e Maria José Motta
Nogueira Freire, a quem obviamente o "Pombalinho"
agradece esta excelente colaboração.
27 abril 2009
Hilário José Barreiros
Na
vida recente do Pombalinho, vários seus presidentes de Junta de Freguesia decidiram
identificar algumas das ruas da autarquia com nomes de personalidades pombalinhenses!
O
intuito terá sido, como é normal nestas atitudes oficiais, para lhes prestar um
reconhecimento público por actividades exercidas ao serviço do interesse
colectivo da comunidade. Quem hoje passa por essas artérias interroga-se ,com toda a pertinência, sobre quem foram exactamente e que
relevância histórica tiveram na vida dos pombalinhenses essas
pessoas que têm a honra de figurarem na
respectivas placas toponímicas.
Rua
Hilário José Barreiros é
uma delas! Não existe muita informação sobre a sua vida e particularmente sobre
a actividade que exerceu como proprietário agrícola, mas por testemunhos
documentais a que tivemos acesso, comprova-se a influência que teve na vida de
muitos Pombalinhenses.
Com efeito e por colaboração do seu bisneto Fernando Furtado Barreiros no envio do texto e documentos a seguir publicados, foi-nos possível compilar aqui no "Pombalinho", matéria suficientemente importante e enriquecedora para conhecermos um pouco da personalidade desse ilustre benemérito que foi Hilário José Barreiros.
Com efeito e por colaboração do seu bisneto Fernando Furtado Barreiros no envio do texto e documentos a seguir publicados, foi-nos possível compilar aqui no "Pombalinho", matéria suficientemente importante e enriquecedora para conhecermos um pouco da personalidade desse ilustre benemérito que foi Hilário José Barreiros.
Com referiu Fernando F Barreiros na
biografia de Hilário José Barreiros, uma carta do Barão de Almeirim, Manuel Nunes
freire da Rocha, que lhe foi dirigida em 15 de Maio de 1880, é sintomáticamente
esclarecedora quanto às suas qualidades de caracter que o seu "amigo
sincero e verdadeiro" possuía.
Escreveu ele então:
"Tu tens
sido sempre meu amigo sincero e verdadeiro, tens-me servido sempre com
interesse e dedicação, apesar de sair para fora do país não me posso esquecer
dos teus bons serviços, não te quero abandonar e pelo contrário te quero dar
uma prova de que te estou grato por tudo o que por mim tens feito e para isso
lembrei-me de reservar a Quinta do Outeiro para ti e arrendar a longo prazo por
uma renda razoável a fim de te poderes assim estabelecer por tua conta e não
teres de ir servir algum nono amo que não saiba apreciar o que tu vales e que
não te trate como tu mereces ser tratado.."
Nesse mesmo documento, o Barão de
Almeirim concede a Hilário
José Barreiros a Quinta do Outeiro a título de arrendamento, e mais terras e
oficinas que este também por bem achasse receber. Eis pois, como ele entendeu
justificar essa sua benemerência a Hilário José Barreiros:
" Vai pois
pensando no que te convém para o futuro, faz uma relação de tudo o que te
convém ..., não te ponhas com cerimónias e hesitações, diz-me com franqueza
tudo o que te fizer mais conta porque tudo se há-de arranjar, o que eu quero é
deixar-te habilitado a poderes ganhar a tu a vida sem ficares na dependência de
mais ninguém e da melhor vontade te faço isso porque sei que és merecedor de
que eu te faça isso, portanto não te ponhas com acanhamentos e fala-me com
franqueza no sentido que acabo de te indicar "
**********************
Um outro documento referenciado na
sua biografia, é este excelente texto, intitulado "Memórias do Passado",
da autoria de Adriano Carmo, "Pombalinhense" adoptivo como ele próprio se
auto-identifica logo de início e em que enaltece as virtualidades das pessoas
do Pombalinho, como amistosas e sempre prontas a compartilhar momentos de
felicidade com o próximo. Escreve ele a dada altura, sobre Hilário José
Barreiros:
"... Por
outro lado, tenho bem na memória as figuras respeitáveis dos beneméritos
Hilário José Barreiros e Carlos Albano, por assim dizer pais de todos e
especialmente dos humildes, que sempre que recorriam à sua bondade eram
recebidos com um sorriso e servidos imediatamente. O Hilário por exemplo: em
ocasiões de crise de trabalho e nada haver que fazer, nunca a sua boca se abriu
para dizer "não"... e inventava trabalho para os desgraçados só com o
fim de minorar, um pouco a fome àqueles que a tinham nos seus lares. Era uma
nobreza de caracter!Aos envergonhados, mandava também os seus criados
levar-lhes a casa os seus óbulos em dinheiro ou em géneros. Foram actos que
tive ocasião de observar e que amiudadas vezes se repetiam. Qualquer deles,
tinha de todos que os conheciam uma simpatia aliada a um carinho muito
merecido, pelo seu belo carácter, pelo altruísmo que sempre demonstraram na sua
vida. ram uns verdadeiros exemplos para os daquela época. As suas memórias
conservo-as como se conserva a maior das relíquias, porque eles eram uma
relíquia do passado."
Biografia da
autoria de seu bisneto, Fernando
Furtado Barreiros, a quem obviamente o
"Pombalinho" agradece esta excelente colaboração.
22 abril 2009
Retratos V
Fotografia tirada há precisamente, 58 anos! Da esquerda para a
direita, Rui Borges, José Silva, Francisco Borges e Carlos Cavaco. A criança
não é identificável.
Colaboração
Victor Reis
20 abril 2009
Diploma 4ª Classe!
Era assim, com este
documento graficamente bem expressivo quanto aos valores que o regime político
de então entendia divulgar na sociedade e com a devida incisão estratégica no
ensino, que se certificavam os alunos do Ensino Primário em 1966! O requerente
foi Gabriel Joaquim, que tinha concluido o exame da 4ª Classe em Julho de 1937.
Colaboração documental de Júlio Gabriel e Bruno Cruz
17 abril 2009
Passagem de Classe!
É um documento
magnífico! Não só pelo significado que representa a quem é dirigido mas também
por toda a beleza gráfica que foi empregue na sua elaboração! Este certificado
era utilizado há oitenta anos e o valor simbólico que representava, estava com
toda a certeza a um nível bem mais superior do que as novas formas de
comunicação que hoje existem entre escolas e alunos nas mais variadas vitrines
das nossas escolas! É datado de 1933 e serviu de oficialização à passagem da 3ª
para a 4ª classe de Olímpia Florência Borges.
Colaboração documental de Victor Reis
15 abril 2009
Classes Escola Primária 1972/73
Classes que
frequentaram a escola primária do Pombalinho no ano lectivo de 1972/73.
Nesta fotografia reconhecemos
na primeira fila e da esquerda para a direita, António M Barão, Mário Narciso,
Luís Filipe Júlio, Manuel J Gandarez, José Migas, Camilo Pereira, António
Lopes, Víctor Gomes, Pedro Leal e Pedro Menezes. Na segunda fila e pela mesma
ordem, Paulo Garcia, Paulo Correia, Cristina Légua, Lurdes Félix, Rosa, Lena
Félix e Lena Maria. Na terceira fila, Eduardo Narciso, Maria Emília, Lina
Maria, Paula Vieira, Paula Cristina, Luísa Maria, Mafalda Barros, Marina Costa,
Otília Grais, Graça Cota, Hélder Arroteia, professoras Maria Lucinda e Maria
José Simões.
Colaboração fotográfica de Pedro Menezes e Bruno Cruz
09 abril 2009
Bateiras em 1950 e 1954!
Agora que a Páscoa se
aproxima, há uma tradição que teima em não desaparecer, apesar de toda a força
que a modernidade dos tempos sempre acaba por imprimir a este tipo de festejo
popular! ! Refiro-me claro está, às bateiras, às nossas bateiras! Porque na verdade,
em mais nenhuma região do país a segunda feira de Páscoa passada no campo à
volta de um divertido piquenique, assim é conhecida e denominada!
Não se sabe ao certo a partir de que ano se iniciaram estes
festejos na nossa terra ! Existem no entanto alguns registos fotográficos e
muitas histórias à sua volta! É aos primeiros que novamente recorremos para
recordar dois grupos de jovens que se juntaram algures nos campos do Pombalinho
e cumpriram a tradição nos anos de 1950 e 1954!
10
de Abril de 1950 - Joaquim Duarte, Manuel Bernardino, António Rufino, António
Domingos, António Carréis, Carlos Cavaco e Alberto Gomes.
19 de Abril de 1954 -
Na cadeira de rodas, João Barbeiro (João Anacleto), ladeado à sua direita por
um individuo de Vale Figueira conhecido por "pescador" e à sua
esquerda pelo Rui Valadares. Atrás da panela, Manuel Silva Rodrigues, tendo à
sua esquerda, Manuel Feijão e à sua direita outro individuo de Vale Figueira,
chamado António Lezeire. O míudo, é o Rui Mota, filho do João Barbeiro.
Colaboração fotográfica de Antonio
Domingos e Manuel Rodrigues
Pesquisa de Bruno Cruz
05 abril 2009
Retratos IV !
Joaquim
Pedro de Menezes.
Joaquim Pedro de Menezes era filho
de António Eugénio de Menezes e de Maria Antunes Bento. Nasceu no Pombalinho em
30 de Novembro de 1927 e faleceu na sua terra natal em 03 de Junho de 1976.
Foi casado com Maria Lisette da
Silva. Desta união
matrimonial nasceram quatro filhos, José António Silva de Menezes,
Maria Eugénia Silva de Menezes, Pedro Silva de Menezes e Ana Rita Silva de
Menezes.
Foi um dos mais importantes
agricultores do Pombalinho, tendo contribuído durante largos anos para o
emprego de muitos pombalinhenses através
do exercício de várias actividades agrícolas, em terras de que era
proprietário.
No período de 05 de Janeiro de 1960
a 02 de Novembro de 1963, exerceu o cargo de Presidente de
Junta da Freguesia do Pombalinho.
Colaboração fotográfica de Pedro Menezes e Bruno Cruz.
02 abril 2009
Adiafa 1950/51!
Celebrava-se o fim das
vindimas nesse ano de 1950 e o rancho reunia-se no pátio da quinta da família
Menezes, no Pombalinho, para dar início à adiafa. Nesta fotografia reconhecem-se na primeira fila e da
esquerda para a direita, Anita Marcano, Luísa Barreiros, Elvira Bacalhau,
António Rufino, Laurinda Antunes, Fernanda Barreiros e Silvina Bacalhau. Na
segunda fila e pela mesma ordem, Maria Adelaide Saúde, Helena Minderico, Irene
Coradinho, Maria Júlia Cavaco, Albertina Grais, Maria Carolina, Maria Júlia
Duarte, Conceição Cruz, Soledade Cavaleiro, Luísa Cota, António Bogalho e Alexandre
(cego do Reguengo). Na terceira fila, José Carvalho (tratorista), Francisco
Cavaleiro, Guilherme Afonso, Luís Barreiros, Alcides Vieira, João Dias, Gabriel
Joaquim, Nicolau Mogas, Alberto Bacalhau, Joaquim Antunes, Clemente e José
Mogas.
"Adiafa vem do árabe (addyafa) e significa banquete após o trabalho no campo."
"Consiste
na oferta em géneros alimentícios, em peças de vestuário ou em dinheiro, aos
trabalhadores rurais no fim dos trabalhos agrícolas."
"É uma refeição de caracter festivo, que o patrão oferece aos
trabalhadores no fim de algumas fainas agrícolas: ceifa, vindima, apanha da
azeitona, etc."
A adiafa na verdade, é tudo isto! Mas
essencialmente consiste na realização de um ambiente festivo que se celebra, ou
celebrava, no fim das colheitas! Hoje com a industrialização agrícola e a
consequente substituição de mão de obra pela força férrea das máquinas, muito
dificilmente assistiremos a este tipo de confraternização pelos campos do nosso
Ribatejo.
E é justamente para que
possamos imaginar um pouco dessa comemoração, que recorri a um livro editado em 1864 para dele retirar
excerto de um capítulo bem ilustrativo de toda a envolvência que rodeava a
preparação a adiafa! Começa então assim:
“... Estamos em Novembro, e o sopro gelado do
inverno já convida a acender-se o braseiro, e a agruparem-se-lhe em torno, as
famílias, sentindo crepitar a lenha, e estalarem as castanhas e as bolotas, que
as crianças assam alegremente ao lume da lareira.
A quinta, onde eu agora tenciono introduzir os meus leitores, é vasta e produtiva. A aragem fria de Novembro faz ondular a copa dos seus imensos pinhais, e um exercício de varejadores doideja, ri, e tagarela por baixo da folhagem cinzenta das suas oliveiras. As vinhas misturam-se a perder de vista com as searas; e o pomar, a horta, e o jardim vão-se abrigar à sombra das paredes da casa, ousando até este último, destacar como vedetas, roseiras e jasmins, que vão, trepando silenciosamente, espreitar pelas janelas, e enviar o seu perfume, como suave homenagem, aos donos desse pequeno mundo.
A quinta, onde eu agora tenciono introduzir os meus leitores, é vasta e produtiva. A aragem fria de Novembro faz ondular a copa dos seus imensos pinhais, e um exercício de varejadores doideja, ri, e tagarela por baixo da folhagem cinzenta das suas oliveiras. As vinhas misturam-se a perder de vista com as searas; e o pomar, a horta, e o jardim vão-se abrigar à sombra das paredes da casa, ousando até este último, destacar como vedetas, roseiras e jasmins, que vão, trepando silenciosamente, espreitar pelas janelas, e enviar o seu perfume, como suave homenagem, aos donos desse pequeno mundo.
No dia em que chegamos terminou a colheita da azeitona, e, segundo o costume, há de se celebrar a festa, cuja risonha perspectiva bastará para suavizar, aos olhos dos aldeãos, todos os trabalhos de dois meses. Depois do labutar incessante vem o dia de regozijo! Depois da campanha fadigosa o triunfo ambicionado. Os varejadores vão subir ao Capitólio!
Os almocreves de notícias da localidade já espalharam por toda a parte que ia haver adiafa na quinta de tal. Nem os pregadores da azzhala da guerra santa contra os cristãos podiam ser tão bem acolhidos pelos fiéis crentes de Mafoma, como estes noticiaristas orais o eram pelos alegres camponeses dos arredores! Vai haver adiafa, adiafa! Palavra mágica, que envolve a ideia de vinho á descrição, comida a fartar, e bailarico até as pernas dizerem “basta”, Adiafa! Isto é a festa da azeitona, a noite de benefício dos varejadores, o gáudio rasgado, o reinado da folia! Vão lá oferecer o trono do universo sem adiafa!
Subamos a escada de pedra, ao cimo da qual se topa o alpendre e entremos sem receio na vasta casa de entrada, mobilada simplesmente com bancos de pinho. A hospitalidade é um dever sagrado dos proprietários do Ribatejo, e nenhum, por mais duro que tenha o coração, ousa esquivar-se ao cumprimento dele. Subamos pois: espera-nos um bom acolhimento.
Vai um grande ruído a essa hora na casa de entrada, onde penetrámos. Nesse dia, como dissemos, findara a colheita da azeitona, e estava-se realizando a adiafa. Um pequeno olival dos donos da quinta, fora reservado para o último varejo, mais para satisfazer a uma formalidade, do que por não se poder completar a colheita na véspera do grande dia. Mas a etiqueta camponesa assim o exige. Varejar o pequeno olival é como pôr a última pedra num edifício, pretexto para a festividade. Já para esse trabalho os varejadores e apanhadeiras foram vestidos com os seus fatos ricos, e procedeu-se ao varejo com uma gravidade que não deslustraria o inaugurar de um caminho de ferro.
Antes do meio dia estava tudo pronto, e os alegres
varejadores, com o coração palpitante, enfileiraram-se atras do seu chefe, que
arvorou, em tão solenemente momento, a bandeira da procissão, onde figurava um
registo da Virgem, cercado de vistosos laços de diferentes cores. O capataz
abriu a marcha e caminharam na sua retaguarda os festivos pares aldeãos. Apenas
os donos da casa avistaram ao longe a comitiva, ordenaram que se preparasse a
mesa, onde os pobres trabalhadores se haviam de regalar com um banquete, cuja
suave recordação bastasse para iluminar, com esplendida luz gastronómica, as
trevas da futura e forçada abstinência. Um bom jantar português, farto e
suculento! A sopa fumegava em cima da mesa, a vaca e o arroz formavam depois em
ordem de batalha. À hora em que entramos, e em que, segundo dissemos, o sol se sumia
no acaso, sumia-se também o último pedaço do apetecido manjar no último recanto
do estômago aldeão em quanto esperavam saciados que a noite descesse para
recomeçarem as danças!!!! "
Por último, um testemunho bem
mais recente de alguém que viveu e ainda vive a adiafa na sua terra!
"... Hoje o
meu bom amigo Pedro Melro, emérito e orgulhoso produtor de vinho de Alcanhões,
convidou-me para a Adiafa. Para quem não sabe, a Adiafa significa a festa que se
oferece aos trabalhadores no último dia das vindimas. De acordo com o
dicionário a palavra vem do árabe addyafa e significa banquete.
Embora esteja um pouco desvirtuada, esta tradição fez parte do meu crescimento e habituei-me a ouvir falar dela e algumas vezes a, orgulhosamente, participar. Digo orgulhosamente, porque nessas alturas fazia também parte do rancho da vindima, quase sempre por amizade e camaradagem.
Embora esteja um pouco desvirtuada, esta tradição fez parte do meu crescimento e habituei-me a ouvir falar dela e algumas vezes a, orgulhosamente, participar. Digo orgulhosamente, porque nessas alturas fazia também parte do rancho da vindima, quase sempre por amizade e camaradagem.
Recordo com saudade, o convívio com aquelas gentes simples, o cheiro da terra e das uvas, o suor nos rostos, as cantigas e os cestos pesados que me faziam sentir um homem naquele reino de Homens e Mulheres.
Hoje senti-me quase um intruso, como se não merecesse comer e beber como os outros! O pão caseiro não me soube tão bem. A lebre deliciosa e a sopa de pedra. Os tomates apanhados da terra, o vinho maravilhoso. As azeitonas. O vinho. O vinho!
Para o ano duas resoluções ficaram. Vou primeiro à vindima e não repito a estupidez de não levar a máquina fotográfica!"
Colaboração
fotográfica de Pedro Menezes e Bruno Cruz
31 março 2009
Classe Primária de 1977/78
Mais um excelente
registo fotográfico de uma classe da Instrução Primária que frequentou a Escola
do Pombalinho. Foi tirado em 21 de Abril de 1978 e refere-se à 1ªClasse do ano
lectivo de 1977/78 . Na primeira fila e da esquerda para a direita, Miguel
Reis, António, Joaquim José Dias, José António Guilherme, Jorge Cota, Paulo
Condeço, Luís Serra, Rui Filipe Leal e Fernando Ventura. Na segunda fila e pela
mesma ordem, Rodolfo Vinagre, Pedro Bispo, Rosel Rodrigues, Sílvia Carvalho,
Diamantino José e Gilberto Ferreira. Na terceira fila, Ana Margarida Cota,
Cristina Rodrigues, Raquel Mateiro, Fernanda Vidal, Crisálida, Lena Galvão,
professora Maria Adelaide Reis, Eugénia, Margarida Marques, Sónia Félix, Carla
Feijão, Jorge Dias e João Carlos Rufino.
Colaboração fotográfica de Maria Adelaide Reis
Pesquisa de Bruno Cruz
Pesquisa de Bruno Cruz
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29 março 2009
Classes Primárias 1961/62
Excelente fotografia
das classes da Instrução Primária que frequentaram a escola do Pombalinho no
ano lectivo de 1961/62, sob a docência da professora Maria José Martins Simões.
Reconhecem-se, na
primeira fila e da esquerda para a direita, Manuel João Cavaleiro, José
Justino, Luís Mira, Américo Ferreira, Fernando Duarte, António Carlos Maria,
Carlos Simões, Júlio Légua, José Moreira, Carlos Júlio António e António Carlos
Branco. Ne segunda fila e pela mesma ordem, Jorge, Mário Salvador, António
Pacheco, João Correia, Manuel Gomes, Miguel Costa, Manuel Pacheco, Manuel
Condeço e António Gaião. Na terceira fila e pela mesma ordem, Izidoro, Abel Melão
e José Luís. Na quarta fila, Fagunto, João, Diamantino Martinho, Carlos Melão,
José e Pedro Galvão. Na quinta fila, António Vinagre, Joaquim, professora Maria
José Martins, António Carlos Pereira, António Légua e José António Menezes.
Colaboração fotográfica
de Pedro Menezes
Pesquisa de Bruno Cruz
Pesquisa de Bruno Cruz
19 março 2009
15 março 2009
Teatro em 1989!
Teatro que se realizou
em Pombalinho nos dias 8 e 15 de Julho de 1989. A organização esteve a cargo do
"Grupo de Teatro Os Amigos da Terra", com encenação de Ema Braga e
Joaquim Mateiro, ponto de Rosel Rodrigues. O programa constou de três comédias
intituladas, "Pessegos em calda", "Os disparates da
Gertrudes" e "No consultório da bruxa".
Elenco
que integrou o espéctaculo. De pé e da esquerda para a direita, Emília
Rodrigues, Fernando Duarte, Ema Braga, Lina Júlio, Luís Filipe Júlio, Paula
Valadares, Evangelina Condeço, Milita Mateiro, Elvira Narciso, Lucília Felix e
António Condeço. De joelhos e pela mesma ordem, Rosel Rodrigues, Cristina
Barreiros, Raquel Mateiro, Víctor Silva, David Cordeiro e Joaquim Mateiro.
Cena da comédia "No consultória da bruxa", interpretada
por Cristina Barreiros, Joaquim Mateiro e Lucília Félix.
Cena da comédia "Pessegos em calda", interpretada por,
Ana Raquel Mateiro, António Condeço, Fernando Duarte, Luís Filipe Júlio e Paula
Valadares.
"Ribatejo
cantado", interpretado por Milita Mateiro, Cristina Barreiros, Fernando
Duarte e António Condeço
"Ribatejo cantado" , interpretado por Milita Mateiro e
António Condeço..
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