23 maio 2020

Hermínio Simões



Agradecimentos a Manuel Lopes do  “O Riachense”, pelo envio do exemplar de 20-Maio de 2020, no qual foi publicado este interessante artigo sobre a vida do nosso conterrâneo Hermínio Simões. Sabíamos da atribuição recambolesca do seu nome à rua 1º de Dezembro, no Pombalinho, e também de como tinha terminado a sua vida. Com esta excelente pesquisa jornalística, ficamos conhecedores um pouco mais da personalidade de quem, por resistir, acabou por ser vítima das atrocidades criminosas da polícia política do antigo regime.












21 março 2020

Leonardo Bento





Leonardo Maria Bento.
Filho de Albertina e Joaquim Bento.
Nasceu a 08-Jul-1940  e faleceu a 05-Jul-1995.



25 novembro 2019

A "minha" Aldeia do Pombalinho!






A TROCA DE VIDA DA GRANDE CIDADE PELA ALDEIA, FOI UM SONHO ANTIGO QUE SE TORNOU REALIDADE.
Foi num outono, a época do ano escolhida para trocar a azáfama da grande cidade pela calma e sossego da aldeia do Pombalinho, situada em pleno coração do Ribatejo. A recuperação física, a tranquilidade da mente e a luta por uma melhor qualidade de vida, conferiram em muito as razões para a mudança. Mas não só. Não me custa reconhecer que o pensamento era antigo. Ao longo dos anos, quando me ausentava da capital em momentos mais frenéticos, saltava ao meu pensamento a vida na aldeia. As suas gentes, os seus usos e costumes, os verdejantes campos, o silêncio diurno e nocturno, o acordar com o chilrear da passarada, o cantar dos galos e o calor da lareira em dias de inverno, tudo me fazia sentir saudades em crescendo e com a enorme vontade de nela viver. E assim de facto acabou por acontecer.

TUDO TEM UM INÍCIO

Corria o ano de 1962. Era verão. No Calhariz de Benfica, em Lisboa, na casa daquele que viria a ser meu sogro, sentado na sala reservada às refeições, era chegada a hora do almoço para o qual eu tinha sido convidado. À mesa, a minha conversada Maria Emília, D. Adelaide sua mãe e o chefe de família, o Sr. José Luís. Quando a comida já fumegava na mesa, o chefe de família, olhando para mim, diz-me em tom quase paternal:
…Já namoras com a minha filha há cerca de dois anos. Eu e a minha mulher temos vindo a pensar que chegou o momento de te dar a conhecer e apresentar à restante família no Pombalinho. É a terra onde nascemos, crescemos e constituímos família. Se bem que a Maria Emília tenha nascido numa quinta vizinha, em Mato do Miranda. E acrescentando sem rebuço:
…Mas ficas desde já avisado, para evitar os falatórios, não quero que andes de braços-dados, ou com braço por cima dos ombros da rapariga, quanto muito de mãos dadas. A chamada de atenção tinha a ver com a postura perante as gentes da aldeia. Humildes é certo, educadas e trabalhadoras, mas à época, não era difícil de se verem criticas aos os usos e costumes dos adolescentes das grandes cidades.

A VIAGEM
O momento destinado à apresentação da família (a data não posso precisar) foi num fim-de- semana, no verão desse ano. Na manhã de sábado, a partida do comboio da estação de Braço de Prata, em Lisboa, foi bem cedo. Acomodado, meu olhar perdia-se na paisagem que o caminho mostrava. O encanto do rio Tejo acima, terras ali-e-aqui cultivadas, os pregões das vendedoras em apoio aos passageiros em algumas das estações, tudo me extasiava. As duas horas do percurso foram feitas num ápice. Apeados na estação de Virtudes/Mato Miranda, suportando as malas e demais bagagem, fizemo-nos estrada fora, ladeada a maior parte por plantações de milho, trigo e extensos olivais. O Pombalinho estava a três quilómetros.

OS “VIVAS” À MINHA ESPERA
Na recepção, o viúvo, o Sr. Jerónimo, a Sr.ª Emília Serra e o Sr. Manuel Calado, seu marido, respectivamente o pai, a irmã mais velha e o cunhado do meu futuro sogro. Sorridentes estendem-me as suas mãos calejadas para me cumprimentarem. O convidado é alvo de regozijo de todos. Mas o momento mais alto estava para chegar. Era habitual os “cafés” e as tabernas serem frequentadas pelos trabalhadores ao final da jorna. Sendo certo que aos fins-de-semana, a azáfama era maior, o vinho jorrava com mais abundância, as conversas sucediam-se, o fado à capela estava sempre presente:                                             
       
Num desses estabelecimentos, perto do largo da igreja, já no final da tarde, na presença de outros familiares da Maria Emília, sobretudo primos, o seu tio Manuel Calado, entusiasmado, não deixava que o meu copo ficasse vazio de vinho branco, a tal ponto que só terminei de beber e de dar cumprimento ao “ritual”, tarde demais!
Valeu-me o Emídio Narciso, marido de uma prima da Maria Emília, a Natália Narciso que, se deu trabalho de me segurar e amparar até casa no “porta bagagens” da sua bicicleta, Aqui, o Manuel Calado, sorrindo, depois de mais um ou dois “fados”, insistiu na ajuda na lavagem dos meus pés, no grande tanque existente no quintal. A cama estava por perto. No dia seguinte, domingo, dia do retorno para Lisboa, sentia algum mal-estar por via das náuseas, da dor de cabeça, e das tonturas que teimavam em não parar. Tal não foi a ressaca! Contudo deu para verificar quanto satisfeitos estavam todos por me ter conhecido! Ao contrário, o José Luís, pai da Maria Emília, ficou fulo quando constatou o novo tom da recente pintura no corredor da casa por via do “néctar vomitado”, afirmando:
…Da próxima vez que vieres ao Pombalinho, não te esqueças de trazer do teu emprego a tinta "Robbialac" necessária para pintares o corredor.
O casamento com a Maria Emília Santos Luís Pica Sinos realizou-se nesta aldeia do Ponbalinho em 4 de Maio de 1969.


Pombalinho, 21 de Novembro de 2019



15 julho 2019

Ezequiel Andrade Leal



O tempo contribui, inevitavelmente, para que as memórias fiquem cada vez mais distantes e silenciosas! Há mesmo até quem as defina como janelas temáticas que são criadas para nos recordarmos posteriormente de algo que nos aconteceu. Só que em muitos casos, quando solicitadas para o efeito, muitas delas já estão… completamente fechadas! Resta-nos, nestas circunstâncias, os registos fotográficos ou documentais, que fomos guardando e que no presente têm um valor de enorme significado testemunhal de acontecimentos que de certa forma acabaram por ser marcantes no percurso das nossas vidas.

Pode ser o caso, ou não, a propósito destes valiosos registos do nosso conterrâneo e amigo, Ezequiel Andrade Leal ! Fica no entanto o nosso orgulho, que é o de poder partilhar ilustrações da sua passagem como militar em Angola. A primeira das três é o Bilhete de Identidade referente à sua incorporação militar  no Regimento de Artilharia AntiAérea Fixa, em 1 de Julho de 1959. A segunda é uma fotografia (Ezequiel é o condutor do veículo) de  um desfile de tropas em Luanda,  no dia 1 de Novembro de 1961 , vindas da Metrópole a bordo do paquete Vera Cruz. E a terceira e última,  um documento do então Rádio Clube Português, a informar a família do Ezequiel Leal sobre uma sua mensagem radiofónica, que iria  ser transmitida em 2 de Setembro de 1961.
















Colaboração – Bruno Cruz e Ezequiel Andrade Leal.





20 maio 2019

Manuel Duarte Vieira





Manuel Duarte Vieira, filho de Augusto Justino e de Virgínia Duarte, nasceu a 20-Mai-1929.
Contraiu matrimónio com Gracinda Maria Duarte, do qual resultou o nascimento de três filhos: António Manuel Duarte Vieira, Perpétua Duarte Vieira  e Maria Albertina Duarte Vieira.
Faleceu a 29-Jul-1989.



Colaboração de texto e foto – António Manuel Vieira





06 março 2019

Noémia Pedroso Barreiros









De Fernando Furtado Barreiros recebemos a seguinte comunicação que passamos a transcrever:



Caro Manuel Gomes

Espero que esteja de boa saúde e disposição.
Hoje contacto-o para comunicar que 

faleceu no passado dia 21 de Fevereiro, com quase 100 anos, faleceu a minha tia Noémia, na sua casa de Lisboa, vitima de doença prolongada.
Nasceu a 29 de Maio de 1919, no Pombalinho. Era filha de Júlio José Barreiros, farmacêutico e de Aurora Machado Pedroso, professora do ensino primário que durante alguns anos aqui exerceu na escola local.
Noémia completou a Instrução Primária no Pombalinho, passando a deslocar-se diariamente a Santarém para frequentar o Curso dos Liceus, até concluir o 5º. ano. Continuou os seus estudos em Lisboa onde concluiu o 7º. ano e fez o Exame de Estado de professora do ensino primário, iniciando uma carreira que a levou a inúmeras povoações dos distritos de Lisboa, Setúbal e Évora.

Um abraço do

Fernando Barreiros




O Pombalinho endereça as mais sentidas condolências a Fernando F Barreiros.








07 fevereiro 2019

História do Toureio em Portugal




Na história do Pombalinho não faltam referências a acontecimentos tauromáquicos que ao longo dos tempos se foram realizando, umas vezes em cumprimento de programas das suas festas anuais, outras por iniciativa de grupos de aficionados da região.
Uma das touradas que ficou célebre no Pombalinho, e por isso mesmo relembrada de geração em geração, foi a realizada no Pateo do Neto em Janeiro de 1824. Teve a particularidade de ter tido entre a numerosa assistência a presença de El Rei D. Miguel. O jornal Correio do Ribatejo na sua edição de 17 de Dezembro de 1966, referindo-se a este acontecimento num interessante texto da autoria de V.A., enaltece a coragem do monarca que num acto de rara valentia salvou de eminente colhida, de um touro enraivecido, um cavaleiro que se havia precipitado na lide e caído da sua montada.
Neste tradicional ambiente vivido à volta da festa brava no Pombalinho, não quiz o autor do livro " História do toureio em Portugal", edição de 1907, ter deixado de se referir a esta terra ribatejana depois de apurado trabalho de selecção sobre o tema em publicações e livros da época. 















19 abril 2018

Teatro ao Deus Menino em 1861!



Um grupo de cidadãos do Pombalinho pensou comemorar o nascimento do Deus Menino, na forma de representação teatral, por ocasião da quadra Natalícia que então se vivia. O Pároco em exercício na paróquia, indignado com tal atitude, manifestou de imediato ao Vigário Geral de Santarém a sua preocupação sobre a eventual realização do evento, chegando mesmo ao ponto de adjectivar de escândalo em contexto religioso. A gravidade da situação era tal, no entendimento do Paróco Manuel Marques Rangel de Campos, que não deixou de considerar até a necessidade de uma consulta/parecer ao Administrador do Concelho. 

É certo que se vivia no ano de 1861, imaginemos por isso o ambiente desse Natal que não terá sido para este grupo de Pombalinhenses! Ficaram no entanto, para que os pudessemos recordar pela inicitiva tomada, os documentos que se anexam.























Transcrição da autoria de Drª Leonor Lopes/Arquivo Distrital Santarém.







27 fevereiro 2018

Mouchão dos Coelhos




Mouchão dos Coelhos foi uma propriedade que existiu no leito do Tejo, entre o Pombalinho e Vale de Cavalos. Limitava-a, um braço do Rio que ao entrar na sua margem esquerda circundava esta pequena parcela de terreno em forma de ilha e a separava do restante território. [ Fig 1 ]
Mouchão dos Coelhos pertenceu juridicamente ao Pombalinho até finais do século dezanove. Um porto existente permitia às populações, de ambas as margens do Tejo, fazer as travessias de barco sempre que fosse necessário para o transporte de bens e pessoas. [ Fig 2, 3 e 4 ]
A 2 de Dezembro de 1886 e ao abrigo de um projecto nacional de divisão paroquial, Mouchão dos Coelhos foi desanexada da antiga freguesia de Santa Cruz do Pombalinho  e incorporada  na  de Espírito Santo de Vale de Cavalos no concelho da Chamusca. [Fig.5 ]
A Comissão Concelhia, então criada para o efeito, fundamentou as razões da desanexação devido às dificuldades dos habitantes do Mouchão dos Coelhos de poderem assistir  aos actos religiosos na igreja do Pombalinho, por ocasião das inundações do Tejo, assim como também na impossibilidade de lhes serem administrados prontamente os devidos socorros em consequência das suas necessidades espirituais. [ Fig. 5 ]
Como nota final, a justificação conclusiva que presidiu à sustentação do deferimento do decreto, assinado pelo  ministro e secretário de estado dos negócios eclesiásticos  e de justiça:
“atendendo às informações havidas, pelas quais se mostra que a providencia reclamada é de toda a conveniência, e que a pretendida desanexação não obstará a que a freguesia de Santa Cruz do Pombalinho possa subsistir como paróquia independente.” [ Fig. 5]









Fig. 1








Fig. 2








Fig. 3








Fig. 4








Fig. 5









Ligação 1 -   Decreto21Abril1862  


      Ligação 2  -  MemóriasdoGuilherme 


Ligação 3  -  Mouchão 






08 fevereiro 2018

Cheias de 1840/41


Em pleno inverno do ano de 1840 e o Pombalinho acabara de ter sido assolado por mais uma das grandes cheias do rio Tejo. Imensos prejuízos materiais atingiram os moradores da nossa terra, com maior incidência nas suas zonas mais baixas. Com o intuito de  minimizar os efeitos devastadores que a cheia provocou entre a população atingida do distrito de Santarém, foi criada por nomeação da rainha D. Maria II e ao abrigo do Decreto de 15 de Fevereiro de 1841, uma  Comissão de Auxílios para angariação de géneros alimentícios, roupas, dinheiro e a sua sequente distribuição pelas pessoas mais afectadas.

Um livro publicado pela Imprensa Nacional de Lisboa descreve pormenorizadamente a listagem dos donativos que foram distribuídos à população de Azinhaga e Pombalinho (1ª distribuição) + Reguengo (5ª distribuição), vítima da subida anormal das águas do Tejo no final de ano de 1840, princípio de 1841.

Por ilustrarem este particular contexto de vida dos nossos conterrâneos, no longínquo ano de 1840, não quisemos deixar de publicar no “Pombalinho” excertos do referido livro, assim como cópia do Decreto Real que deu origem a uma campanha de solidariedade para com as gentes das zonas mais alagadas pela subida anormal do nível das àguas do Rio Tejo.








Folha  1/10


Folha  2/10





Folha  3/10



Folha  4/10



Folha  5/10



Folha  6/10


Folha  7/10




Folha  8/10



Folha  9/10



Folha  10/10




Curiosidades:
Arratel – Antiga medidade peso equivalente a 459 gramas.
Baeta – Pano de lâ felpudo.
Côvado – Antiga medida de comprimento equivalente a 0.66 metros.
Quarta – Antiga medida capacidade equivalente a 3,45 litros


Ligação relacionada -  Cheias no Pombalinho 




27 janeiro 2018

Manuel Sabino Duarte "Veca"






Entrevista a Manuel  Sabino Duarte “Veca”,  publicada na antiga Revista  "Plateia"







Ligações relacionadas  -    Veca 1   +  Veca 2  +   Veca 3 






14 outubro 2017

Testamento de Carolina Infante da Câmara



Bruno Cruz:

"....Carolina Infante da Câmara, viúva de Dâmaso Maria Monteiro,faleceu no Pombalinho em 1900, era tia de Manuel Ornellas Infante da Câmara, pai da avó do meu primo Fernando Furtado Barreiros.

Em testamento deixou às viúvas mais pobres da freguesia a quantia de cinco mil réis.

Um seu irmão, Emílio Ornellas Infante da Câmara, teve um filho também chamado Emílio Infante da Câmara, que veio a casar, em 1876, com uma senhora de Vale de Figueira chamada Emília Augusta da Mota, filha de José da Mota Gaspar.

Os descendentes desse casal são os Infante da Câmara da Quinta de Alpompé, ou na Quinta do Castilho, em Vale de Figueira.
Mas, como já lhe disse ao telefone, o meu primo Fernando é que concerteza pode dar mais informações sobre essa sua parente.
Espero ter contribuído para o enriquecimento informativo do vosso blogue sobre o Pombalinho e felicito-vos pelo trabalho que estão a desenvolver.

Tenho pena é que não haja quem faça o mesmo sobre o Reguengo do Alviela, que é a minha terra...”

Com os meus cumprimentos,

Maria Isabel dos Reis Motta Antunes Mendes









Para Documento completo Clicar em Pombalinho Documental 








26 junho 2017

Festas no Reguengo do Alviela


Apesar de entre o Pombalinho e o Reguengo do Alviela existir uma certa distância geográfica, nunca por este motivo estas localidades estiveram longe uma da outra. Sempre houve uma relação de imensa proximidade na vida dos seus habitantes! No recurso a produtos e serviços então existentes no Pombalinho, com destaque ao nível da oferta para a antiga casa  Farol e oficinas de metalomecânica que serviam de apoio à actividade agrícola nesta zona do Ribatejo, propiciaram-se vínculos de partilha e boa vizinhança entre as duas populações. Com o tempo foram-se criando laços de afectividade intergeracionais e hoje genealógicamente existem muitos naturais do Pombalinho cujos ascendentes são de famílias oriundas do Reguendo do Alviela.

Relevante neste contexto foi também a construção da Ponte Fernão Leite, no ano de  1895 , concebida exactamente para melhorar a comunicação viária entre as duas margens da Alverca e em particular com destino a toda a zona envolvente do Alviela, no sentido de norte para sul.
Esta notícia publicada no “Correio da Extremadura” em 08 de Maio de 1897 é  um excelente exemplo do que acima pretendemos enaltecer. Inserida nas Festas do Reguengo do Alviela, realizou-se uma quermesse cuja  receita foi destinada à criação de um posto de socorros médicos no Pombalinho para os pobres das duas localidades! Tempos em que dar o braço em prol do bem comum, fazia necessariamente todo o sentido! 














01 junho 2017

Azulejaria no Concelho da Golegã



"O Projeto TRADIÇÃO E MODERNIDADE visa disponibilizar ao público, desde o cidadão interessado até ao especialista, coleções de informação únicas e inéditas sobre as tradicionais artes portuguesas de azulejaria e cerâmica, as quais fazem parte dos fundos da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.
Com este projeto, o investigador e o público em geral dispõem, reunido de forma estruturada e num único ponto de acesso disponível a todos na Web, de um conjunto de informação único e valioso. As indústrias culturais e de forma mais genérica todo o tecido empresarial português nesta área passam também a dispor de conteúdos que lhes permitirão, baseadas num forte conhecimento da TRADIÇÃO, encarar de forma inovadora a   MODERNIDADE ."
"A azulejaria, enquanto expressão maior de uma certa tradição e sensibilidade artísticas portuguesas, deixou e continuará a deixar múltiplos traços na sociedade portuguesa ao longo do tempo. De entre essa multiplicidade possível de traços, a Biblioteca DigiTile apresenta as coleções especiais sobre esta temática que fazem parte dos fundos da Biblioteca de Arte  da Fundação Calouste Gulbenkian, bem como estudos contemporâneos sobre essas coleções e, em geral, sobre as temáticas da Azulejaria e da Cerâmica Portuguesas."

Fonte -  Biblioteca de Arte 


Nota - Aos documentos gentilmente cedidos pela Drª Ana Barata da Biblioteca de Arte da Fundação da FCG, devidamente solicitados para efeitos de publicação neste blog, anexamos fotos dos locais referenciados de forma a permitir uma sua melhor identificação.  
Inventário e Estudos sobre Azulejaria da Colecção Santos Simões.

















Col. Santos Simões I Inventário da Azulejaria




Nota – Para publicação completa do inventário clicar   AQUI   








24 maio 2017

José da Costa Gaitas Júnior






A propósito da exposição de genealogia  que decorreu no Pombalinho, autoria desenvolvimento e muito trabalho do Bruno Cruz , vêm até mim recordações dum passado que queria recente mas que, pela inexorável lei da vida se irão começar a desvanecer ao sabor dos tempos. Para memòria futura estes pequenos apontamentos poderão reviver para alguns, momentos interessantes de figuras da nossa terra na génese popular das estórias das aldeias, algumas comuns, outras apenas com protagonistas diferentes mas que centenas de Avôs provavelmente contaram aos netos aquando duma visita ou no dia a dia de convívio familiar.

E porque me é muito querida e muito viva a sua Amizade, Amor e Carinho, recordo hoje José da Costa Gaitas Júnior, nascido a 11 de Novembro de 1885 e falecido a 25 de Julho de 1974! E que fez o favor de ser o senhor meu Avô,  Zé Gaitas.

Comerciante e pequeno lavrador, homem de tempera rija e exímio jogador do pau, tinha para grande irritação da senhora minha Avó (Sofia da Piedade Inácio da Costa (29 Set 1903 /12 Abr 1984) vários amores escondidos atrás dos balcões das tascas das redondezas e que davam pelo nome de tinto ou branco, tanto faz desde que não entornes....

Possuidor na época de um macho de origem austríaca, com mãos grandes como diziam na terra, atrelado a uma carroça, saía de manhã com produtos hortícolas frescos para a ronda habitual a que chamava “a venda”. Esse companheiro do seu dia a dia viria a ser conhecido pelo “Macho do Zé Gaitas” e que tinha para além da particularidade das mãos, uma outra que era a de parar sempre à porta de todas as tabernas, mesmo não precisando para o fazer de qualquer “ordem” ou sinal do meu  Avô!!!

Claro que mais copo menos copo, mais zaragata menos zaragata, o bom do nosso Avô lá chegava a casa sem dinheiro! E enquanto, depois de mais uma ronda, desemparelhava o seu fiel amigo, a senhora minha Avó, altiva e danada lá lhe perguntava:

-  José!!!

- Sim, Sofia....diga!

- O dinheiro da venda? É preciso pagar ao pessoal...

Coçando a cabeça com uma mão e o boné ou o chapéu na outra, o meu Avô retorquiu:

- Não há.....

- Não há???? Então os produtos que levou para vender?

- Pois, não há! É que todos me chamam Tio e à Família a gente não leva dinheiro, não é??!!!







Quando socialmente ou em termos de jornas as coisas não corriam bem na Aldeia, o Avô José costumava levantar a sua voz embargada pela emoção e encharcada pelo tinto, dizendo quadras um pouco avançadas e que requeriam alguma coragem, gozando e cerzindo nos seus conterrâneos mais abastados! De entre outras, uma que a Aldeia ainda recorda e que nos dá um grato prazer de a ouvir quando  percorro as ruas do Pombalinho é a seguinte: “Há quem come e não produz, há quem produz e não come! Há quem arrebenta a comer e há quem morre de fome!”

O álcool e este sentido de justiça social levou-o muitas vezes ao Governo Civil onde o senhor meu Pai o ia buscar depois de uma ou outra alteraçãozita que começava  à paulada e terminava ali.

Militar do corpo reservista, serviu em Artilharia de Costa onde aguardou embarque para a França, o que não veio a acontecer.

Outro episódio passou-se à porta dum cemitério com alguém que disputara com ele umas leiras de terra e se haviam desavindo. Aquando da sua morte barrou a entrada do féretro dizendo : “Aqui jaz a terra da igualdade, tanta soberba, vá pro chão, querias tanta terra e agora vais para o jazigo ??? Chão e terra para cima!” Acabou uma vez mais numa visita ao seu primo na Governo Civil.!!

Era assim o senhor meu Avô, o Zé Gaitas, que Deus o tenha em sua 
companhia.



        Textos da autoria de Victor Borges da Costa