26 fevereiro 2007

Refexão




Recordar não tem que ser necessariamente um exercício de melancolia perante alguns momentos mais marcantes das nossas vidas. Quando nos olhamos e reflectimos nas transformações que a vida se encarregou de operar, soletramos baixinho e pesarosamente aquelas palavras de quem já contabiliza o tempo entre o muito que passou e o pouco que já falta: “como é possível o tempo ter passado tão rapidamente..., ainda ontem os miúdos (forma carinhosa de tratarmos os filhos) eram tão pequenos !!!”.

Esta fotografia registada num casamento realizado no Café Central da Golegã em finais da década de setenta, é bem expressiva de como a vida deve ser encarada nas várias etapas do seu percurso, temperada sempre com um pouco de alegria sem nunca perder do horizonte a razão incontornável do que somos e deste mundo a que pertencemos.

Protagonizam a razão desta reflexão, os pares Francelina e António Légua, Maria Adelaide Leal e José Alexandre e longe ainda deste posicionamento interpretativo da vida, o autor destas linhas.


Colaboração Fotográfica_Fernando Leal



23 fevereiro 2007

Costureiras





Nos anos que antecederam a industrialização do vestuário, muitos alfaiates e costureiras existiram por essas aldeias fora. No Pombalinho, durante os anos sessenta e em tempos em que a moda guiada por ritmos de puro consumismo ainda não tinha dado os primeiros passos, era frequente algumas senhoras recorrrerem às costureiras da aldeia para que estas executassem os seus vestidos por encomenda, ou seja, depois do tecido escolhido e do feitio consensualizado entre a modista e a cliente, passava-se à fase do corte que de imediato obrigava á primeira prova, procedendo-se depois ao acerto de pequenos detalhes até o vestido ficar satisfatoriamente ao gosto da cliente.

No post anterior fizemos referência a uma dessas senhoras que se dedicou ao trabalho e ensino da costura. Porém outras houve no Pombalinho, mas uma destacou-se não só pelo número de pessoas a quem ministrou a arte de corte e costura mas também porque a sua mestria “internacionalizou-se”, alcançando níveis e padrões de qualidade que facilmente tiveram reconhecimento fora de portas. Ela foi a nossa conhecida Ema Braga e este registo de 1964 representa uma das muitas “fornadas” de costureiras que a própria formou com a sua sabedoria, ainda na Rua Joaquim Gonçalves Ferreira. Da esquerda para a direita, Maria Albertina, Teresa, Luísa, Milita, Salomé e Ema Braga.


Autoria da Fotografia_Guilherme Afonso



21 fevereiro 2007

Casamentos II


Photobucket


Esta é uma daquelas fotografias que valoriza imenso a galeria histórica do Pombalinho, não só pela representatividade do acto mas pela beleza que este registo encerra. É uma magnifica imagem na Rua Barão de Almeirim durante a passagem do cortejo de casamento de uma senhora chamada Ana Maria (cunhada do senhor Bonacho), que marcou muitas pessoas do Pombalinho pela sua dedicação ao trabalho de costureira mas igualmente ao ensino que ministrou a inúmeras mulheres que ousaram enveredar por esta profissão.

Reconhecem-se de entre outras, Anita Leal, Isabel Cachado, Domingos Ferrador, Ana Maria e seu noivo, Victória, Maria (filha do Acácio Cachado) e Aurora Leal.


Colaboração Fotográfica_José Leal



17 fevereiro 2007

Bateiras





Grupo de Bateiras realizadas no Ano de 1952 e constituído por, Joaquim Rufino, Manuel Inácio, António Costa, Carlos Silvério, António Domingos, Ezequiel Mateiro, Carlos Cavaco, Fernando Quinquilheiro, António Rufino e Francisco Cruz.









Neste grupo de Bateiras, reconhecem-se o Manuel Bacalhau, Veríssimo Duarte, Abel Júlio, José Asseiceira, José Cachado, Francisco Duarte, Manuel Galvão, Duarte Cruz, Camilo e o Alberto .








Bateiras realizadas algures nos campos do Pombalinho no ano de 1973. São elas, a Domicilia, a Gina, a Lurdes Leal, a Otelinda, a Bisita, a Ana Maria, a Lucília, a Alice e a Lena Melão.





A origem do nome Bateiras está ligada a uma propriedade que existiu entre o Rio Alviela e a Estalagem do Pocinho e porventura foi aí que se iniciou a tradição do piquenique na Segunda Feira de Páscoa. No entanto e em de forma de complemento ao texto acima descrito pela Teresa Cruz (o qual poderá ser lido na integra com um simples clique), aqui se indicam alguns links de onde o tema bateiras é referenciado no mundo da internet. Num deles, pela criatividade do maestro António Gavino, chegou mesmo a ser tema musical da Orquestra Típica Scalabitana.






Colaboração de Teresa Cruz/Francisco Cruz/Fernando Leal e Manuel Gomes


Blog temático -  Bateiras  





15 fevereiro 2007

Pombalinhenses em Lourenço Marques!





Na aldeia do Pombalinho os tempos nunca foram fáceis para as suas gentes. Situada  a 2 Km do rio Tejo e com os campos de cultivo alagados sempre que as chuvas de maior intensidade resolviam fazer transbordar o leito do maior rio português, sempre foi a agricultura considerada a  actividade de maior preponderância na  região.

 O emprego, para a maior parte da população tinha que estar, assim,  inevitavelmente ligado ao amanho e ao cultivo da terra!Os restantes, ou escolhiam profissões de apoio a essa actividade, ou então teriam de olhar outros horizontes de modo a satisfazerem o elementar sustento das próprias famílias.

A França foi um dos destinos escolhidos pelos Pombalinhenses como alternativa às dificuldades inerentes das  características do trabalho sazonal desta região! Lá surgia uma das raras oportunidades   de arrecadarem algum dinheirito para mais tarde poderem construir um lar, tantas vezes pensado mas de concretização quase sempre adiada no tempo!

 Mas nem todos optaram pelo centro da Europa nesta diáspora emigratória! Houve  quem trilhasse os caminhos africanos e Moçambique foi uma das antigas colónias ultramarinas escolhida preferencialmente para uma nova fase das suas vidas profissionais e familiares.

Foi pois, em ambiente de amena confraternização ( aproveitando uma passagem de Ricardo Chibanga por Moçambique, para mais uma das suas inúmeras actuações tauromáquicas) na casa do Guilherme Afonso no ano de 1972, que esta fotografia foi registada e que o próprio intitulou e bem de “Pombalinhenses em Lourenço Marques” .

Para a este pedaço da história do Pombalinho, aqui ficam , da esquerda para a direita, os seus protagonistas: Guilherme Afonso, um irmão de Ricardo Chibanga, Luís da Conceição, Ricardo Chibanga, José Alcobia, Luís Vieira Jorge, Lurdes Teixeira, Milita Mateiro, Joaquim Mateiro, Violante Cruz, esposa do Diamantino Teixeira, a filha e o Diamantino. Pela mesma ordem, os miúdos são, a filha (Niu) e o filho (Luís) do Luís Vieira Jorge e da Lurdes e o Carlos Alberto (filho mais novo do Guilherme Afonso).


Texto_Manuel Gomes/Guilherme Afonso




13 fevereiro 2007

Baile em 1964





Os bailes costumavam-se realizar normalmente na Casa do Povo! A excepção ocorria por altura dos Santos Populares e aí tinham lugar nas ruas 1º de Dezembro, de Santo António e Joaquim Gonçalves Ferreira. 

Com a abertura do Café do Chico Minderico, nasceu mais um espaço apropriado para o divertimento e o lazer no qual a população do Pombalinho poderia nos fins-de-semana passar uns momentos de saudável convívio. A esplanada, de área rectangular, era utilizada na projecção de filmes (que saudades do velho Salvador com o qual vimos fitas que tanto nos marcaram para sempre, como o Ben-Hur, Sansão e Dalila, Um Homem do Ribatejo, etc...) mas também muitas matinés dançantes ali tiveram presença.

Esta fotografia de 1964, regista precisamente como a juventude pombalinhense aderia a este tipo de confraternização.
Como curiosidade, reconhecem-se de entre outros, a Bisita Cruz, a Aurinha (filha do Arnaldo), a Dália, a Lena Melão, o Joaquim Mateiro, o José Manuel Mateiro, o Ruben Grais, a Carmina Vinagre, etc..

Como nota adicional, refira-se que esta matiné dançante é a mesma que deu origem ao post do Leiloeiro , publicado neste espaço em 02 de Janeiro de 2007.



Fotografia_Guilherme Afonso




11 fevereiro 2007

Francisco Barrão



Um dos homens que marcou a vida colectiva do Pombalinho, no pós 25 de Abril de 1974, foi Francisco Brás Barrão Júnior. Exerceu a Presidência da Junta de 08 de Janeiro de 1977 a 04 de Janeiro de 1986, tendo com o seu exemplar desempenho, implementado um magistério de serenidade democrática durante os dois mandatos em que foi eleito.

Mas porventura o seu maior contributo para o Portugal democrático, foi ter dado a este país um dos homens, que na qualidade de militar, maior preponderância teve na preparação do programa do MFA e depois já como Ministro da Administração Interna, na realização das primeiras eleições livres em Portugal no pós 25 de Abril.

Francisco Barrão, pai de Manuel da Costa Braz, teve a sua Festa de Homenagem a 4 de Junho de 1995 e aqui se regista no Pombalinho, o evento, com a publicação destas memoráveis fotografias.









Francisco Barrão, ladeado à esquerda por Ladislau Teles Botas e José Cruz Moura da Fonseca e à direita por José Miguel Noras, José Niza e Joaquim Mateiro.








Francisco Barrão entre Georgina Júlio, Milita Mateiro e Diamantina Leal.




Colaboração Fotográfica_Joaquim Mateiro/Teresa Cruz


Wikipédia  de Francisco Barrão






09 fevereiro 2007

Carnaval de 1949 e de 1954



E como estamos no mês do Carnaval, impelimos novamente a roda do tempo e recuamos aos tempos em que o deslumbramento perante certas imagens acontece e estas duas fotografias alusivas a esta quadra do ano tão propícia à improvisação de quem nela participa, fascina qualquer um nós perante a vontade e a graciosidade destas gentes.






Esta fotografia foi registada no ano de 1949 e representa um grupo de meninas mascaradas com vestidos típicos regionais, ou ensaiadas como se dizia na nossa aldeia, prontas a iniciar uma marcha pelas principais artérias da nossa terra.

Nem a todas lhes é reconhecida a sua identidade, no entanto ainda assim, as meninas da fila de trás e da esquerda para a direita são, uma das filhas do Manuel Cavaco, a Cremilde Barão e Maria Adelaide Leal. Na frente e pela mesma ordem, a segunda menina é a outra filha do Manuel Cavaco, a terceira a Ema Minderico, a quinta a Evangelina Barros e na sexta posição, a Lurdes Teixeira.


Colaboração Fotográfica_Guilherme Afonso










Nesta, o grotesco e a fantasia também se fizeram passar pelo Pombalinho neste Carnaval de 1954. A criatividade está bem estampada nesta encenação carnavalesca, onde duas personalidades da nossa terra se passeiam pelas ruas desafiando a atenção dos mais curiosos. Para que conste, a "cantora" chama-se António Domingos e foi acompanhada à guitarra para quem os quis ouvir, por Francisco Cruz.



Colaboração Fotográfica_Teresa Cruz 











08 fevereiro 2007

Inspecção Militar !




Chamava-se “Tirar as Sortes” o estar presente na inspecção médica, para avaliar a robustez de modo a estar ou não apto para o cumprimento do serviço militar. Esta etapa sempre funcionava como passo importante na vida de todos os jovens que se sujeitavam a esta avaliação e era encarada como um verdadeiro teste de masculinidade.

O resultado da inspecção era simbolicamente caracterizado por uma fita que era fixada por um alfinete na lapela do casaco, vermelha significava apurado, verde que tinha ficado livre e branca, adiado, porque ainda não tinham atingido a maturidade e logo teria de repetir a inspecção no próximo ano.
No Pombalinho, por muito tempo se manteve a tradição de se deslocarem em carroça a Santarém ( onde se situava a instituição militar que fazia a inspecção) e no regresso logo que chegavam à entrada da aldeia, eram lançados foguetes como forma de aviso de que finalmente tinham voltado desse tão importante marco para suas vidas.

Nesta fotografia, representativa de uma certo ano de inspecção militar do Pombalinho, reconhecem-se o Ernesto, o Carlos, o Acácio, o António Légua, o José Rodrigues, O José Alexandre e os homens que porventura conduziram as carroças, o António Simões e o Gabriel.



Colaboração Fotográfica_Fernando Leal



06 fevereiro 2007

Dia da Espiga





É tradição neste dia a ida ao campo para apanhar a espiga! É um ramo composto de várias flores e cada uma tem o seu significado. O ramo deve ter, segundo a tradição uma papoila que significa a alegria e amor; uma espiga de trigo que é o símbolo o pão; um ramo de oliveira que simboliza a paz e a luz e dois malmequeres um amarelo que representa o dinheiro em ouro e um malmequer branco que é o dinheiro em prata.

Estes jovens quiseram assim cumprir a tradição, nessa longínqua Quinta-Feira de Ascensão. São eles, da esquerda para a direita, José Alexandre, Maria Adelaide Leal, Lurdes Mateiro, Lucília Hilário, Otelinda, António Rufino e as crianças Maria Eugénia Hilário e Maria de Lurdes Rufino.




Colaboração Fotográfica_Fernando Leal




04 fevereiro 2007

Teatro no Pombalinho - V









Felizmente não para de chegar a este espaço testemunhos desses riquíssimos anos cinquenta em que a actividade cultural na vertente teatral, maior projecção atingiu na nossa terra. Esta fotografia ilustra um quadro do "Acto de Variedades" que fez parte do mesmo programa que a “Flôr da Aldeia” em Julho de 1958 ( Vêr o post Teatro no Pombalinho-1).
A cena representa um diálogo entre um emigrante regressado do Brasil, mais pobre do que quando partiu; ela, a neta que ouve o pobre emigrante pedir-lhe uma esmola sem saber que se trata do próprio avô. Os actores são Francisco Cruz no papel do emigrante e a Maria Adelaide Leal como sua neta.


Colaboração Fotográfica_Fernando Leal
Colaboração de Texto_ Francisco Cruz e Teresa Cruz



Blog Temático  Teatro no Pombalinho  










01 fevereiro 2007

Carnaval de 1954




No mês de Fevereiro que agora se inicia, o Carnaval é sinónimo de divertimento e tempo de folia. Na nossa terra tempos houve que era mesmo assim, um clima contagiante percorria todas as ruas do Pombalinho e adultos e graúdos, homens e mulheres, todos recorriam aos mais inesperados disfarces para poderem participar em divertimentos só possíveis neste período tão carecterístico do ano.

 Improvisava-se neste dia tão especial para a brincadeira , o jogo do lenço e os cântaros e as infusas, já em desuso, eram aproveitadas para o imprescindível jogo da roda... e mal daqueles que os deixassem cair que logo eram apupados por todos os intervenientes, por falta de valentia. Eram tempos em que saudavelmente ainda se brincava nas ruas ... e que hoje, nós de uma outra geração os recordamos com imensa saudade.

Esta fotografia datada de 18 de Fevereiro de 1954 ilustra uma outra postura de integração carnavalesca, uns leves disfarces na forma de vestir e uma ligeira ocultação dos traços fisionómicos com recurso a uma máscara, permitiam aos foliões perder uma certa inibição numas voltinhas sempre muito bem dispostas pelas ruas da aldeia. Com paragens ali e acolá, já se vê, os ocupantes desta típica carroça puxada por um elegante e fotogénico burro, são o Francisco Cruz, Joaquim Barreiros Felisberto, Manuel Grais, António Domingos e o jovem Luís da Conceição.

Colaboração Fotográfica e Informação_Teresa Cruz