
Ao som dos seus acordes
musicais, muitos namoros se iniciaram, algumas famílias de hoje se então
constituíram e quem sabe, um sem número de homens e mulheres da nossa terra se
desinibiram no relacionamento humano, quando os tempos ainda eram demasiado preconceituosos
e retrógados socialmente.
Victoria da Silva
dedicou-se à profissão de acordeonista, abrilhantando como ninguém os bailes da
nossa terra! Havia sempre um clima de festa onde quer que se realizasse a sua
actuação musical, ela foi a nossa entretrainer nos festejos dos santos populares
quando estes ainda tinham as ruas do Pombalinho como palcos previlegiados, ou
nos tradicionais bailes da pinha normalmente realizados na Casa do
Povo. Os seus corridinhos, paso dobles ou tangos, eram sempre razão mais que
justificada para uma presença assídua dos Pombalinhenses,
de todos os Pombalinhenses,
porque naqueles tempos a idade ausentava-se misteriosamente desses grandes
convívios musicais.
Mas a vida, esse
imprevisível destino que nos comanda durante toda a nossa existência,
pregou-lhe uma grande partida! Acometida por doença incurável, cedo partiu do
convívio de todos nós. Não se apagará no entanto das nossas memórias aquele
sorriso contagiante em palco sempre que descobria um qualquer namorico a
desabrochar, enquanto interpretava as suas músicas e nos fazia a todos muito
mais felizes.
Victória Piedade da
Silva, a nossa acordeonista,
nasceu em 19 de Janeiro de 1951, vindo a falecer no dia 3 de Abril de 1974, mas
manter-se-á bem viva, estou certo, na memória de todos os Pombalinhenses que tiveram o privilégio de a conhecer
e a acompanhar durante toda a sua vida.