Não
tinha qualquer indicação publicitária de néon ou mesmo alguma referência que o
identificasse, mas foi dos espaços comerciais existentes no Pombalinho que mais
clientela fidelizou ao longo de muitos anos de serviço prestado à população da
nossa terra e mesmo de outras nossas vizinhas.
Esta
loja, de cujos fundadores não se sabe bem quem foram, nem a data
correspondente da sua abertura ao público, teve como proprietários durante a
últimas quatro décadas do século passado, o Francisco Maria Borges e sua esposa
Aurelina, seus filhos Rui e Olímpia e seu neto Victor. A loja situada
estrategicamente no cruzamento da Rua Barão de Almeirim com a EN 365 de quem
vem da Quinta de Fernão Leite, ocupava um espaço de dimensões rectangulares e
estava dividida em duas áreas bem distintas no primeiro piso do edifício,
sendo o segundo destinado à habitação da família.
A
entrada principal era acessível por uma varanda, na qual duas montras a ladear
a porta serviam de amostragem aos artigos de utilidade doméstica e outros de
carácter mais consumista. Lá dentro poder-se-iam adquirir louças, bijutarias,
produtos de doçaria, material didáctico e escolar , roupas etc...
... foi ali também que
se iniciou no Pombalinho a corrida ao então recém-chegado jogo do Totobola e
ficou nas nossas memórias aquela máquina alaranjada que tanto desespero nos
causava, tal o rigor excessivo com que o Rui imprimia às operações de validação
do precioso boletim da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
A outra área, de dois meios portões a servir de entrada e em
rampa, foi para muitos de nós o acesso ao que de mais maravilhoso estava a
acontecer na nossa terra e um pouco por todo o país, a possibilidade de
contactarmos pela primeira vez com essa maravilha da técnica a quem mais tarde
apelidariam de caixinha mágica. De bancos corridos, a sala enchia-se nessas
inesquecíveis tardes de domingo para assistirmos a uma programação nem sempre
aliciante mas que satisfazia em grande parte pela curiosidade, tal o entusiasmo
que as imagens televisivas despertavam em todos nós.
Este espaço tinha lateralmente umas vitrinas com as mais variadas
classes de materiais expostas para o consumo imediato. Um pouco mais acima e em
anexo à cozinha da família, situava-se um compartimento apetrechado com
ferramentas de desbaste, de onde sobressaía um vastíssimo stock de limas de
todo o tipo e tamanho. Ainda mais a norte e no mesmo alinhamento do edifício
surgia uma outra sala que veio alterar de certa forma os hábitos e costumes
enraizados de há muito nas vidas daqueles que se predispunham de tempos a
tempos a visitar os tradicionais e velhos sapateiros da nossa aldeia, uma
sapataria onde era possível experimentar os mais variados modelos de acordo com
os gostos mais exigentes. E mais ao fundo já no limite da área comercial da
família Borges, uma estância de madeiras já com as peças devidamente cortadas e
aparelhadas, possibilitava o fornecimento aos construtores civis do material
então utilizado nos telhados de casas e armazéns.
Se agora regressássemos em direcção à entrada deste complexo
comercial, surgia-nos à direita um muro de meia altura que dividia as
propriedades até chegarmos ao anexo mais requisitado pelos profissionais das
mais variadas áreas , era a sala das ferragens e ferramentas. Ali, quem
quisesse uma fechadura, um martelo, uma chave francesa ou o mais raro parafuso,
nunca saía de mãos vazias, tal a dimensão e a diversidade do stock existente!!!

Mas na memória de
muitos, então “garotos” da minha idade, ficará para sempre gravado o
deslumbramento com que desembrulhávamos aqueles preciosos rebuçados para vermos
ansiosamente se nos tinha saído aquele "cromo da bola" que nos
faltava para completar aquelas maravilhosas cadernetas dos craques de futebol
!!!!
Era assim, foi assim, a
loja que mais recordações deixou nas memórias de muitas gerações de Pombalinhenses que por ali passaram e que hoje têm
com toda a certeza uma qualquer história sobre a casa Farol do Pombalinho, como esta que vos acabo
de contar neste espaço que se pretende ser, de histórias sobre a História do
Pombalinho!
F - Francisco Maria Borges
A - Aurelina Borges
R - Rui Borges
O - Olimpia
L – Luis
Colaboração Fotográfica – Guilherme Afonso/Teresa Cruz
Colaboração Fotográfica – Guilherme Afonso/Teresa Cruz