19 dezembro 2008

Feliz Natal e um bom Ano Novo!





A todos os visitantes que por este espaço passaram e em particular aos que nele colaboraram, desejo-vos Feliz Natal e um bom Ano Novo!





08 dezembro 2008

Casa Farol !


Muito nos apraz verificar que algumas das histórias aqui publicadas têm sido alimentadas por saudáveis trocas de pontos de vista e até com informações adicionais recebidas, que em muito contribuíram para o enriquecimento deste pequeno património histórico em construção do Pombalinho. Exemplo disso, foi o que se seguiu à iniciativa de historiarmos aquela que foi a casa de maior relevância no ramo comercial no Pombalinho e arredores. A casa Farol, ou Casa Castanhas ou ainda a nossa bem conhecida Casa Borges, porque é dela que se trata, foi sem quaisquer margens de dúvidas uma referência de bom gosto e modernidade ao serviço de uma vasta gama de clientela e cuja fundação remonta ao ano de 1850! Pois bem, hoje reabrimos as portas à sua memória com fotografias inéditas dos seus proprietários e respectivos familiares, complementando assim o que tínhamos publicado em 09 de Outubro de 2007.


Casa Farol 5

Fotografia de 1905. Ao centro, Florência Maria Nunes e Manuel José Rodrigues ("Manuel Castanhas") ladeados por suas filhas, Aurelina Nunes Rodrigues e Júlia Nunes Rodrigues.




Casa Farol 1

Francisco Maria Borges, Aurelina Nunes Rodrigues, Olímpia, Luíz Reis e Rui Borges.



Casa Farol 4

Antiga "Casa Castanhas", nos anos quarenta. Na varanda, Francisco Borges, Olímpia, Aurelina Borges e Eugénia Justino.



Casa Farol 8

Francisco Borges, Aurelina, Francisca Carvalho e Olímpia.




Casa Farol 3
Francisco Borges, Rui Borges, Olímpia, Aurelina e o pequeno Víctor Reis.




Casa Borges

Francisco Borges, Rui Borges, Aurelina Rodrigues, Víctor Reis e sua mãe, Olímpia.




Casa Farol 6
Vírginia de Jesus, Rui Borges, Maria Helena Cachado e Leolinda.




Casa Farol

Rui Borges, Francisco Borges, Manuel Barrão e Manuel Galvão.





Colaboração fotográfica de Víctor Reis




02 dezembro 2008

Correio da Extremadura em 1911






Deliciosa, esta carta da autoria do Dr. José Fernandes, na altura a prestar serviço clínico no Pombalinho, publicada no Correio da Extremadura sobre os resultados extraordinários da utilização do xarope Vitalose que sua mulher tivera experimentado no início da amamentação do seu terceiro filho.





Pesquisa jornalística de Bruno Cruz






27 novembro 2008

Manuel Sabino Duarte "Veca"





Manuel Sabino Duarte, filho de  Manuel Gameiro Duarte e de Maria Albana Barreiros Duarte , nasceu no Pombalinho em 09 de Junho de 1926. Cavaleiro profissional, tomou a alternativa em 1975 na cidade de Viseu, mas a sua grande paixão profissional foi a Coudelaria Nacional no Vale de Santarém onde se dedicou em importante desempenho técnico no apuramento das raças Lusitana e Sorraia. Presença assídua na Feira do Cavalo na Golegã e de forte popularidade nos meios equestres em todo o Ribatejo, foi no verão passado homenageado no EquiFoz 2007 e recentemente recebeu um troféu prestígio na Gala da Escola de Toureio de Almeirim .




Ligação relacionada: Manuel Sabino Duarte


Foto de 1964 - Colaboração de Victor Reis






24 novembro 2008

Santa Cruz do Pombal


Pombalinho era reconhecido no século XVIII por Santa Cruz do Pombal. No livro emitido pelo Município de Santarém, sobre a sua Heráldica , lá está na sua página 135 essa importante referência histórica. Logo na página seguinte consta igualmente uma valiosa informação que foi também retirada do livro Corografia Portuguesa e Descrição Topográfica do Famoso Reino de Portugal do Padre António Carvalho da Costa, sobre o número de habitantes existentes no ano de 1712. Pois bem, é dessa publicação que hoje percorremos essa importante página que contribuirá documentalmente um pouco mais, para a compilação histórica da nossa terra.



Pombalinho 1712


Corografia Portuguesa e Descrição Topográfica do Famoso Reino de Portugal.






Pombalinho 1712 A


Página 253 do Tomo III.






Pombalinho 1712 AA


Pormenor da página 253 Tomo III de onde se pode constatar a referência a Santa Cruz do Pombal, antiga designação do Pombalinho.







20 novembro 2008

A Heráldica do Pombalinho!


Heraldica


Criar um brasão de armas obedece a um conjunto de regras precisas, pelas quais a Heráldica (ciência histórica universal, onde as ideias se expressam através de símbolos) se rege, sendo as principais, a simplicidade de formas, a estilização, a iluminura, a cor (lei dos esmaltes) e um vocabulário muito próprio.
Um símbolo é antes de mais um elo de ligação entre as gentes de um lugar; essas ideias, representadas por meio de simbologia num pequeno espaço, buscam-se na história e na cultura de cada localidade.
José Bénard Guedes refere o seguinte a propósito desta ciência secular: "A Heráldica é de facto uma ciência de regras muito claras e precisas, que exige grande simplicidade de formas - no texto e no desenho - aliada a uma riqueza de cor, inesgotável sortilégio de simbolismo, rigorosa arrumação das peças, tudo caminhando a par, no sentido de um perfeito equilíbrio estético e gráfico."


Estrela Branco - Do Livro "A Heráldica do Município de Santarém"





Heraldica 1

Heraldica 2

Heraldica 3

Heraldica 4

Heraldica 6


Colaboração de Joaquim Mateiro a partir do livro " A Heráldica do Município de Santarém" de Nov-2001.






14 novembro 2008

Pombalinho eleitoral!


Nesta vontade de querermos entender o que foi o Pombalinho e que caminhos trilhou desde os tempos dos nossos antepassados até aos dias de hoje, tornou-se num desafio cada vez mais atractivo! Sabemos que o limite neste tipo de pesquisa pode acontecer a qualquer momento, mas enquanto nos for possível dar a conhecer provas documentais, de carácter histórico, sobre o envolvimento das suas gentes em actos eventualmente importantes para a vida colectiva da comunidade, cá estaremos com a alegria que nos afecta, no cumprimento deste aliciante desígnio.



Jornal Estremadura


Vem a propósito deste pequeno preâmbulo, uma recente descoberta que o Bruno Cruz fez nas instalações do jornal " O Correio do Ribatejo", antigo "Correio da Estremadura"! O Pombalinho a servir de palco para uma jornada política em 1913 e patrocinada pelo Partido Evolucionista na pessoa do dr. Alfredo Pimenta. A crónica foi escrita pelo seu director João Arruda e teve honras de primeira página.







  
A conferência teve lugar no domingo anterior à publicação do jornal, ou seja, no dia 30 de Maio de 1913 e resultou segundo o articulista, de satistafória para o Partido Evolucionista chefiado por António José de Almeida , que viria a ser mais tarde Presidente da República Portuguesa. A comitiva foi recebida em Mato de Miranda pelos srs Júlio Barreiros, Joaquim Gonçalves, dr. José Fernandes, Manuel José Barreiros, Augusto Rodrigues Cota, João Rafael de Carvalho, Carlos Albano da Silva Nunes e António Joaquim Soares.







Evolucionista

Na página 2 , um resumo com o teor do discurso que o Dr Alfredo Pimenta proferiu no teatro do Pombalinho, perante numerosa e entusiasta assistência. Para uma melhor visulização do artigo cliquem p.f. aqui e aqui fazendo de seguida os respectivos downloads.







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09 novembro 2008

Fim de ano 1970!






Caminhamos a passos largos para mais um fim de ano que por tradição e um pouco por todo o lado é comemorado com enormes festejos e muita alegria. No Pombalinho e nos anos setenta, também assim era! Não faltavam os encontros programados por diversos grupos de jovens, na preparação dos festejos de fim de ano, que acabavam por transmitir à nossa aldeia um ambiente de grande movimento e animação.

 Esta fotografia refere-se precisamente à passagem de ano de 1970/71 e foi registada na Escola Velha, rua Carolina Infante da Câmara. Foram utilizadas as duas salas de aula. A animação musical decorreu na da D. Verónica e a da D. Maria José os comes e bebes do reveillon. Do grupo reconhecem-se de entre outros, a Lena Melão, o Miguel Costa, a Gena Hilário, a Graça, a Constança, a Carolina, a Niuo, o Félix, a Bisita, o Leal, o Víctor Borges, o Luís Galrinho, o Manuel Pacheco, o Zé Lino, as irmãs Teresa e Luísa, as irmãs Lena e Fernanda, a Albertina, o Artur, a Dália, a Aurora, o Mário, a Conceição,  a Lurdes Leal, a Gena, o Chico Bento, a Victória, o Manuel Gomes, o Júlio Gabriel, o José Hilário, o João Maria, o António Carlos Martinho e o António Carlos Branco.




Colaboração fotográfica de Fernando Leal





04 novembro 2008

Pombalinho histórico!


A pesquisa de factos históricos, quaisquer que eles sejam, acaba sempre por transmitir uma fascinação muito especial a quem por dedicação se empenha na busca de explicações que estejam relacionadas com a actual vida colectiva de uma comunidade.

No caso particular do Pombalinho tem sido para o autor destas linhas e estou certo também para os demais colaboradores deste espaço, extraordinariamente aliciante a descoberta de desenvolvidas publicações sobre acontecimentos que foram marcantes na vida da nossa terra, ao longo do caminho construtivo desta página.


Mas como a insatisfação, aliada a uma vontade de querer ir sempre mais além, continua presente no desígnio desta nossa caminhada, descobrimos recentemente caracterizações geográficas do Pombalinho em três publicações diferentes que foram editadas nos séculos XVIII e XVIX. São testemunhos escritos sobre as integrações territoriais a que a nossa terra esteve sujeita e dos quais ouvíamos falar mas que careciam da natural comprovação documental, sendo por esse facto, o seu valor histórico merecedor de uma curiosa leitura.


Pombalinho 1

Diccionario Geografico, ou Noticia Historica de todas as Cidades Villas e Lugares. Foi editado em Lisboa na Regia Officina Sylviana da Academia Real no ano de 1747 , sendo seu autor o padre Luiz Cardoso da Congregação do Oratorio de Lisboa.








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... Como se pode constatar neste dicionário, o actual Pombalinho, ao ano de 1747, chama-se Pombal e estava integrado conjuntamente com a Azinhaga na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição. Pertenciam à província da Estremadura, Patriarcado de Lisboa e à Villa de Santarém.


Para leitura integral das páginas 736 e 737 , faça download aqui + aqui .






Pombalinho 3

Uma outra publicação intitulada "Diccionario Chorographico do Reino de Portugal", editada em Coimbra no ano de 1878 e o seu autor é Agostinho Rodrigues de Andrade.





Pombalinho 2



.. Neste livro, o Pombalinho já é considerado freguesia do distrito e concelho de Santarém e pertence à comarca e julgado da Golegã. Está integrado no patriarcado de Lisboa, tem direcção de correio e 724 habitantes.

Para leitura integral desta página 145, faça download aqui .




Pombalinho 5
Este último livro intitulado "Diccionario da Chorographia de Portugal", foi editado no Porto no ano de 1884 e o seu autor foi J. Leite de Vasconcelos.






Pombalinho 4
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... Neste ano de 1884, o Pombalinho era freguesia de Santa Cruz, concelho e distrito de Santarém, comarca da Golegã, 682 habitantes e anexada civilmente à Azinhaga.

Para leitura integral desta página 125, faça download aqui .

Informação sobre esta publicação, retirada daqui






31 outubro 2008

Ano lectivo de 1947/48


Classes Primarias 1947-48


A última fotografia que publicamos sobre alunos do ensino primário que frequentaram a nossa escola do Pombalinho, refere-se a uma classe do ano lectivo de 1973/74. Hoje recuamos bastante mais no tempo e exercitando com natural saudade as nossas memórias, vamos recordar os alunos que no ano lectivo de 1947/48 constituíram as quatro classes da intrução primária leccionadas pela professora Maria José Martins Simões. Deste grupo de jovens está António Carlos Menezes (posicionado imediatamente à esquerda da professora), que uma vez mais nos concedeu a honra de publicarmos esta preciosidade histórica, mas para uma melhor identificação dos seus colegas de escola que ficaram registados nesta feliz fotografia, clicar por favor  aqui .



28 outubro 2008

Quinta Fernão Leite em 1940/45


A Quinta de Fernão Leite fez parte de um conjunto de casas agrícolas que existiram durante mais de três quartos do século vinte e pelas quais se desenvolveu grande parte da agricultura então existente no Pombalinho. Teve como proprietários conhecidos, o padre José Maria do Rosário e os irmãos António e José Menezes, ficando este com a sua apropriação depois de uma separação de propriedades que geriam familiarmente em finais dos anos 1940/45.


As fotografias que temos o prazer de publicar, referem-se a trabalhos na eira da Quinta de Fernão Leite e foram registadas por António de Menezes entre os anos de 1940/45. Elas encontram-se emolduradas em casa de seu filho António Carlos Barreiros Nunes de Menezes, que por sua amabilidade, foi-nos possível reproduzi-las em suporte digital por intermédio do nosso amigo Joaquim Mateiro e assim incluí-las na galeria histórica do “Pombalinho”.






O trigo a ser carregado ainda no campo, para posteriormente ser transportado em carros puxados por juntas de bois para a eira.







Chegada à eira, a carrada dos molhos de trigo seriam descarregados. O boieiro que está na foto, pensa-se ser um senhor que trabalhou para a família Menezes durante muitos anos na condução de carros de bois. O seu nome é Pedro e era pai da nossa conterrânea Domicília, esposa de Manuel Gregório. Mais à direita, uma autêntica inovação da técnica para a època, uma debulhadeira mecanizada! E a desempenhar a função de "alimentador" (pessoa encarregue de alimentar o normal funcionamento da máquina com braçadas de trigo) está o nosso bem conhecido José Afonso, que durante vários anos pelas eiras andou, a trabalhar na debulha do trigo ao serviço da família Menezes.







Esta imagem consiste na debulha prévia das favas. Os caules da leguminosa eram espalhados na eira e depois parelhas de éguas devidamente comandadas por homens experientes, em movimentos circulares, iriam por esmagamento, soltar a fava da vagem.









O conjunto da máquina a vapor que fazia comandar a debulhadeira. Para esta tarefa mecanizada exigia-se também alguma experiência e muita rotina. Homens que tinham por missão normalizar a entrada o cereal na máquina, outros transportando em carros de mão fabricados ainda em madeira, o trigo já debulhado e outros que não se vêm na foto mas que tinham a responsabilidade de alimentar o depósito de àgua da respectiva máquina a vapor, eram presenças muito importantes neste trabalho de debulha por volta dos anos de 1940/45.







Com a ajuda de uma junta de bois a puxar por um utensílio de madeira chamado rodo, procedia-se ao ajuntamento dos restos da palha dos cereais misturados com alguns grãos, desperdiçados pela acção da debulhadeira, para uma posterior limpeza e aproveitamento final .








E aqui está essa acção de limpeza de que atrás falamos. Homens lançando ao ar e contra a direcção do vento, os cereais misturados com a palha. Com vento a favor , este leva a palha e demais impurezas, deixando os grãos do cereal libertos e limpos.








Nesta foto procede-se à medição com um alqueire, do feijão branco que se vai metendo dentro de sacos de linhagem. Reconhecem-se de entre outros, o José Cordoeiro, Joaquim Machourro e Pedro, o boieiro.








Finalmente, tinha chegado a hora do carregamento dos cereais já devidamente ensacados e medidos para cima de um carro puxado por mulas. Nesta imagem, a receber enormes sacos transportados às costas, está o José Cordoeiro.





Colaboração nos textos de Joaquim Mateiro 




23 outubro 2008

Inspecção Militar!


A  inspecção militar representava o culminar de um ciclo de crescimento que se iniciava na escola primária e que terminava com a aprendizagem de um ofício ou o seguimento dos estudos de nível secundário. Tinha chegado o dia dos  jovens com dezoito anos poderem ser considerados "homens", como se dizia na altura,  e logo por uma instituição militar!

Era um orgulho para a família a chegada do seu rapaz com a fitinha vermelha na lapela, símbolo da aprovação de todas as suas capacidades para o serviço militar obrigatório. No Pombalinho esse dia, popularmente conhecido por "ida às sortes" , era comemorado especialmente de uma forma muito tradicional! Ia-se de  carroça ao DRM de Santarém e depois o resto do dia era preenchido com pequenos rituais que acabavam num bailarico aberto a toda a população.

Com a ida dos mancebos para as antigas colónias ultramarinas no cumprimento de um cenário de guerra criado por volta dos anos 1960/61, esse sentimento alterou-se profundamente, causando mesmo acções de extrema indignação perante uma situação incompreensivelmente sustentada e esfriando naturalmente o entusiasmo que esse dia representava para os jovens do Pombalinho e certamente de todo o país.


Nestas fotografias recordamos dois grupos de jovens pombalinhenses que integraram anos diferentes das respectivas inspecções militares.



Inspeccao Militar

Nesta inspecção do ano de 1958, podemos reconhecer da esquerda para a direita, o Gabriel Joaquim (que era o Regedor da Freguesia e serviu também de condutor da carroça até Santarém) , o Leonardo Bento, José Catita, Júlio Serra, Manuel Maria, Francisco Manuel Presume e António Carlos Barreiros Nunes de Menezes.





Inspecc


Este grupo que representou a inspecção do ano de 1964, foi transportado a Santarém por três carroças conduzidas pelo Manuel da Neta, o Sofio Félix e António Charola no dia 21 de Julho. Era constituído por, de pé e da esquerda para a direita, Rui Mota, António Silva Bernardino (Coradinho), António Manuel Leal, João Serra, Joaquim Mateiro, Felizmino Costa, Manuel Minderico e António Preto. De joelhos e também pela mesma ordem, Manuel Catita, António Silva (Cufa), João Luís Gandarez e o Manuel Vieira.


Fotos gentilmente cedidas por António Carlos B N de Menezes e Joaquim M B Mateiro.




18 outubro 2008

Ainda as cheias no Pombalinho!


Cheia Pombalinho



Durante a permanência das cheias no Pombalinho, raramente a sua população ficou isolada geograficamente dos seus mais próximos vizinhos. Normalmente a estrada EN 365 fica(va) interrompida ao trânsito motorizado entre a entrada sul da aldeia e a Ponte do Alviela, ficando a salvo do alagamento provocado pelas águas a saída norte em direcção à Azinhaga, permitindo assim que esta comunicação se mantivesse como alternativa de percurso para Santarém e outros destinos utilizados pelos pombalinhenses.

Do Reguengo de Alviela já a situação é bem diferente! Esta povoação da Freguesia de S Vicente do Paúl situada numa zona agrícola completamente plana, muito embora localizada numa área superficial de pequeno relevo, é facilmente isolada pelas águas do Tejo e esta fotografia revela-nos uma das frequentes acções que eram desenvolvidas pelas suas gentes em sequência dessa rotura na vida normal dos seus habitantes, ou seja, o abastecimento alimentar e transporte de pessoas por barcos movimentados a remos ou à vara a partir do Pombalinho. Da data do seu registo não temos qualquer indicação mas presume-se que seja das primeiras décadas do século vinte, atendendo à caracterização vegetal existente na estrada EN365 e também por pertencer ao espólio documental de Júlio Barreiros, avô de Fernando Furtado Barreiros.

Atente-se no pormenor das pedras colocadas no solo e na linha limite do alagamento, para uma leitura mais rápida e directa da subida do nível da cheia.


Como notas finais, o agradecimento ao Fernando Furtado Barreiros por ter possibilitado a publicação de mais esta preciosidade e ao Joaquim Mateiro pela colaboração na “interpretação” possível desta bela fotografia. 





15 outubro 2008

Cheias de 1940/41


As cheias sempre foram no Pombalinho "visitas"  frequentes desses longínquos e rigorosos Invernos em que as fortes chuvadas com elevados índices de precipitação inundavam campos e zonas habitacionais situadas em zonas mais beixas.. Embora com alguma imprevisibilidade quanto ao tempo de permanência e também nos níveis atingidos, (as ruas mais sacrificadas pelas "alvercadas" , como assim se chamavam às de menor amplitude para se distinguirem das de efeitos devastadores , eram a Manuel Monteiro Barbosa e a 1º de Dezembro) as cheias constituíam uma condição excepcional ao nível da acção fertilizante que transmitiam às terras por elas alagadas.

Nesses tempos as culturas agrícolas que então predominavam, assim como a própria estrutura fundiária que constituía grande parte das áreas cultivadas, serviam de autênticas barreiras naturais ao avanço descontrolado das águas provenientes da subida anormal do caudal do Tejo e as pessoas preparavam-se naturalmente e sem grandes preocupações para esta rotina calmamente assumida, quer na prevenção dos seus bens materiais e outros passíveis de serem afectados pelas cheias, como também e porque não, na contemplação de um espectáculo nem sempre desejado mas que a nova paisagem surgida pelo movimento das águas sempre acabava por provocar.

 E não raras são as fotografias existentes, que apaixonados pelo simples prazer da arte, aproveitaram para registar e guardar nos baús das suas recordações essas imagens irrepetíveis porventura nos dias de hoje. Felizmente a este espaço, também ele de memórias, tem chegado algumas dessas verdadeiras relíquias históricas que em muito contribuem para uma melhor compreensão do percurso desta comunidade pombalinhense e das razões sócio-económicas que tiveram de optar por imperativos geográficos em que o Pombalinho se situa.


Hoje, por intermédio de Joaquim Mateiro, temos o grato prazer de recebermos mais uma dessas contribuições na pessoa do Dr António Carlos Barreiros Nunes Menezes , permitindo-nos assim publicar estas pequenas pérolas fotográficas da autoria de seu pai, António de Menezes , referentes a uma dessas cheias que inundaram a nossa terra no ano de 1940/41.



Cheia 2


Interessante registo fotográfico na rua Barão de Almeirim! Apesar das águas quase a entrarem nas habitações, a vida nesta zona do Pombalinho não parou! Mulheres lavando a roupa frente à casa de Júlio Freire e Américo Cachado a ser transportado de barco para a sua habitação!





Cheia 1

Rua António Eugénio de Menezes.





Cheia

Excelente fotografia tirada à entrada no Pombalinho pela EN 365, permitindo avaliar bem o nível que as águas atingiram nessa cheia de 1940/41.






10 outubro 2008

Escritura da antiga Escola Primária


Photobucket


Sabia-se que a antiga Escola Primária do Pombalinho, localizada na rua Carolina Infante de Câmara, tinha sido doada por acto de benemerência às entidades de então responsáveis pelo destino colectivo da freguesia. Algumas dúvidas persistiam no entanto entre alguns nossos conterrâneos sobre quem tinha praticado esse acto de tão elevada nobreza. Igualmente sobre este assunto, algumas opiniões foram emitidas nem sempre de forma correcta e necessáriamente isentas de um imprescindível rigor histórico, ainda mais quanto se trata, como é manifestamente este o caso, de actos há muito realizados e porventura carentes de comprovativos documentais.


Assim sendo e como o assunto nos pareceu de certo modo entusiasmante resolvemos desenvolver as diligências necessárias que nos pareceram as mais correctas neste tipo de situações. A conselho do ex-presidente da Junta de Freguesia (Joaquim B Mateiro que nos dizia que o documento referente à respectica escritura de doação se encontrava talvez na Torre do Tombo) contactámos o Arquivo Distrital de Lisboa e para nossa surpresa, ao fim de pouco mais de uma semana já tínhamos em nosso poder uma fotocópia desse importante e histórico documento para a história do Pombalinho.




Escritura

Como se pode fácilmente perceber, a interpretação da escrita não é de fácil leitura, daí o facto de só agora o termos publicado, mas no essencial do que está nele manuscrito entende-se perfeitamente o objectivo que levou João da Cunha Cardoso Osório Ferraz e Castro de Portocarreiro, 2º Visconde de Portocarreiro a um acto de tão elevada nobreza para a população do Pombalinho no dia 25 de Novembro de 1885.


Os recortes que a seguir publicamos são exactamente as passagens da escritura que consideramos de maior relevância, em forma de legenda estão os respectivos textos rigorosamente transcritos por documento oficial da autoria de Jorge Filippe Cosmetti.




Escritura


"Saibam quantos esta pública escriptura de doação virem: que no anno de nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e setenta e cinco, aos vinte e cinco dias do mês de Novembro nesta Cidade de Lisboa, rua Áurea numero vinte e seis, meu escriptorio compareceram, o Visconde de Portocarrero, João de Cunha Cardoso Ozorio Ferraz e Castro de Portocarrero, Par do Reino, solteiro e maior, morador na Rua Formosa numero quarenta e cinco, pessoa que conheço pelo próprio. E logo disse em minha presença e na das testemunhas ao diante nomeadas: Que elle é senhor e possuidor de uma casa sita na rua direita da freguesia de Pombalinho, concelho de Santarem, que consta de lojas e vasto primeiro andar assobradado, com janelas porta e escadaria de pedra... " 





Escritura B


"... Que pela presente escriptura, de sua livre e espontanea vontade, faz pura doação de hoje em diante à Junta de Parochia da freguesia de Pombalinho do primeiro andar desta casa com destino a Escola primária da referida freguesia; continuando porem a ficar-lhe pertencendo a plena propriedade das lojas da referida casa e que servem de celleiros. Que desde já tira e demitte ... "

Colaboração interpretativa do texto original - Bruno Cruz


Para consultar a escritura original em formato PDF, clicar em 
Pombalinho Documental 

Nota_1 - Já depois desta publicação ter sido feita, chegou-nos por gesto simpático de Luís Filipe Júlio, uma transcrição oficial do texto original, feita em 6 de Julho de 1901 e da autoria de Jorge Filippe Cosmetti, perito em paleografia. Para aceder também a esse importante documento, clique aqui + aqui e aqui

Nota_2 - Com o intuito de nos aproximarmos ao rigor histórico que este documento merece, solicitamos ao escritor e investigador Manuel Abranches de Soveral , uma interpretação do texto original. O resultado é o que mostramos aqui , agradecendo pelo facto ao conhecido professor o importante contributo que prestou a este espaço de história sobre o Pombalinho.