29 junho 2010

Braz Ornellas Infante da Câmara





Braz Ornellas Infante da Câmara, filho de Manuel Ornellas Infante da Câmara e de Maria dos Anjos Gonçalves, nasceu em 06 de Março de 1881 na Quinta da Mata do Almoxarife em São Vicente do Paúl.








Braz Ornellas com sua esposa Hermínia Infante da Câmara e as suas netas, Isabel Maria Antunes Infante da Câmara   e Maria Helena Infante da Câmara Lázaro Costa.






Foi um destacado proprietário agrícola na região onde nasceu, tendo trabalhado mais de quarenta anos para a Federação Nacional dos Produtores de Trigo.









Estabeleceu no Pombalinho durante cerca de vinte anos, por volta da década vinte e/ou trinta do século vinte, uma representação da empresa "Vacuum Oil" , localizada na rua Hilário José Barreiros. Esta empresa tinha como finalidade a comercialização de óleos, máquinas agrícolas e carvão.
Colaborou com o então designado Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcelos (hoje, Museu Nacional de Arqueologia), na autorização de exploração da necrópole da Quinta da Mata do Almoxarife, em São Vicente do Paúl.

Braz Ornellas foi o regedor do Pombalinho durante muitos anos. No tempo do racionamento provocado pela Segunda Grande Guerra, era ele que distribuía na sua casa de habitação, na rua Hilário José Barreiros, as senhas* de racionamento à população de Pombalinho.

*Da II Guerra Mundial havia senhas de racionamento para os bens de primeira necessidade (açucar, arroz, massa etc). Cada família, em função das pessoas que constituiam o agregado familiar, recebia, mensalmente, senhas com que podia fazer compras nas lojas tradicionais. Algumas famílias negociavam essas senhas. (Texto daqui )
Braz Ornellas e sua irmã, Alice Ornelas Infante da Câmara, eram sobrinhos (a Alice também afilhada) de Carolina Infante da Câmara e residiram ambos no edifício onde hoje está sediada a Junta de Freguesia do Pombalinho.


Braz Ornellas faleceu na sua casa em São Pedro - Santarém, no dia 13 de Julho de 1966, tendo sido sepultado no Cemitério dos Capuchos da mesma cidade.







Alice Ornelas Infante da Câmara




Alice Ornellas Infante da Câmara esteve casada com   Júlio José Barreiros  , de quem teve cinco filhos: Júlio da Câmara Barreiros, Maria Emília Câmara Barreiros, Hilário José Câmara Barreiros, Hilária Catarina Câmara Barreiros e Alice Carolina Câmara Barreiros.


Nota - Todas as fotos e respectiva informação foram gentilmente cedidas por Maria Helena Infante da Câmara Lázaro Costa, neta de Braz Ornellas.



Colaboração e pesquisa - Bruno Cruz
Colaboração - Guilherme Afonso



23 junho 2010

As Memórias de José da Cruz Moura Fonseca!


" Fiz a Escola Primária no Pombalinho, concelho de Santarém, onde fui aluno de meu pai, João José da Fonseca , que ali exerceu a sua actividade durante 17 anos, de 1916 a 1933 e onde passei grande parte da minha infância e da minha adolescência.

Era o tempo das cheias que inundavam anualmente os campos vizinhos e nós aproveitávamos para patinhar nelas descalços com água até quase à barriga, das cavalhadas, da pesca às enguias com remilhão, de noite no Rio Alviela, das touradas à corda e das ferras na Quinta da Melhorada do lavrador e ganadeiro, João da Assunção Coimbra, e das "bateiras", piquenique campestre de convívio e de confraternização entre o povo do Pombalinho. Com as barragens, as cheias já são agora muito raras, mas, tanto quanto julgamos saber, as "bateiras" continuam a realizar-se anualmente como há 70 anos.

Os Barreiros, os Sabinos, os Menezes e os familiares do Barão de Almeirim eram os grupos sociais de maior peso no Pombalinho de há 70 anos. E o Armindo Sabino da Rua de Cima, os Barros da Rua do Norte e os irmãos Brás Barrão da Rua de Baixo, os nossos condiscípulos e contemporâneos. O senhor Américo que morava no largo da Igreja e me levava de vez em quando à pesca das enguias no Rio Alviela e o mestre Júlio Freire, que nos ensinou sem êxito a tocar bandolim, são também Pombalinhenses do nosso tempo.

O bandolim que tocávamos nas lições com o mestre e uma pequena espingarda de ar comprimido que me deram para brincar e treinar pontarias, ainda se encontram na minha casa em Lisboa.
De brinquedos e entretenimentos da minha infância, recordamos também: o pião, as atiradeiras, os estoques, as ventoínhas, o berlinde, o jogo de botôes e o tricot, que eu fazia com um carrinho de linhas e servia de cordão para jogar o pião. Com excepção de um outro pião e da espingarda de ar comprimido, tudo o mais era produção de artesanato pessoal.





Falta falar da "papança", pétalas das flores dos marmeleiros que marginavam o caminho para a Alverca, braço de água parada, alimentado pelas cheias anuais do Rio Tejo, e que comíamos quando lá íamos tomar banho em pelota ou pescar pequenos peixes com cana, bóia de cortiça e anzol. Ao tempo, não havia problemas nem se falava, nem em poluição, nem em ambiente, nem em radioactividade, nem em droga, nem em sida, nem em "vacas loucas", como agora em 1996, passados 70 anos. Todavia e não obstante tudo o que acabámos de memorizar, o que mais marcou para todo o sempre os meus sentimentos de patriota, foram os acordes vibrantes e eufóricos do "HINO DA RESTAURAÇÂO", com que a Banda Local do Pombalinho me acordava nas madrugadas dos PRIMEIROS DE DEZEMBRO, e do qual transcrevemos a seguir o segundo terceto do soneto da sua letra:

Avante! Avante!
É voz que soará triunfal!
Vá avante mocidade de Portugal "


Nota - Este texto foi extraído das "Memórias" do Vice-Almirante José da Cruz Moura da Fonseca. Este oficial da Marinha nasceu em Meimoa , Penamacor, em 14 de Outubro de 1913 e faleceu em Lisboa a 07 de de Agosto de 1998. Era filho de João José da Fonseca , simpáticamente conhecido no Pombalinho pelo professor "Fonsequita".



Colaboração documental - Joaquim MB Mateiro




14 junho 2010

Bateiras !!!






Tem sido recorrente, aqui no "Pombalinho", a abordagem de um tema que nos é particularmente familiar, as "Bateiras"! De facto, para quem foi criado na "borda d'agua" (como vulgarmente se costuma chamar a quem tenha nascido nesta região ribatejana), este acontecimento de cariz popular sempre teve, ainda tem, um significado muito especial! O ambiente gerado nas segundas feiras de Páscoa, a par de uma enorme disponibilidade, proporciona momentos incomparáveis de divertimento em ambiente de fraternal convívio. Por isso não é de admirar que muitas gerações o tenham mantido como uma tradição intemporávelmente preservada! E bem!!!

E depois..., haverá coisa melhor do que festejarmos as "Bateiras" em plenos campos primaveris do Pombalinho à volta de um apetitoso petisco, mesmo ali confeccionado, pois claro, e rodeados dos amigos de todas as horas??!!!!

Em memória às "Bateiras" e também aos que nelas participaram, construímos este caminho de recordações! Caminhemos pois então por AQUI





08 junho 2010

Torneio de Páscoa/Verão





Na década dos anos oitenta realizou-se no recinto polidesportivo do Pombalinho, o torneio de Páscoa/Verão em futebol de cinco.

De entre as equipas intervenientes nessa competição houve uma denominada por "Café Miguel". Recordemos a sua composição e a identificação dos elementos que a constituiram. De pé e da esquerda para a direita, Diamantino Vieira, Miguel Costa, Fernando Ventura e Frederico Vinagre. De joelhos e pela mesma ordem, Cláudio Costa, Hugo Costa, Nuno Légua, Rodolfo Vinagre e Octávio.



Colaboração fotográfica – Miguel Costa
Pesquisa – Bruno Cruz




02 junho 2010

Cartas de Maputo V!


No mundo do trabalho sempre houve profissões de qualificações diferenciadas, mas todas de igual importância para o necessário equilíbrio económico de qualquer sociedade. Na província, como se convencionou chamar às regiões portuguesas situadas fora dos grandes centros urbanos, as profissões dividiam-se primáriamente entre quem aprendia um ofício (normalmente preenchido por pessoas já com alguma formação escolar ou aptidões de índole vocacional) e os que, não tendo sequer frequentado a instrução primária ou adquirido vontade própria para outros "voos", eram "direccionados" para trabalhos ligados à agricultura, onde uma provada robustez física determinava favorávelmente os seus destinos profissionais !

Essa distinção, ou separação se quisermos, da qual alguns eram defensores convictos, criava uma certa clivagem social que acabava por se refletir em determinados aspectos da vida das pessoas!

Este exemplo que o nosso amigo Guilherme Afonso refere numa carta que me enviou em Junho de 2004, sobre os então chamados "cangarinos", é bem sintomático de uma forma de estar que marcou talvez uma geração e do caminho que notoriamente ainda faltava percorrer para um necessário ajuste social!


É claro que as pessoas referenciadas no texto não são o mais importante, poderiam ser exactamente outras de profissões idênticas! Apenas servem, como se compreende e ousando colocar-me na posição do seu autor, para ilustrar uma situação social então criada!


Começa assim a carta:


"Maputo, 21 de Junho de 2004

Caro Amigo Manuel Gomes

Muito obrigado pela sua carta de 12 do corrente, que li com muito gosto. E com mais gosto a teria lido se tudo nela fossem só boas notícias e boas recordações. Mas a vida é o que é, e se por um lado em alguma coisa pode depender de nós optimizá-la (e pode, acho eu), por outro nada podemos fazer para travar o evoluir dos acontecimentos. Podemos optimizá-la em função da nossa maneira de estar na vida, coisa que não deixa de ser, por sua vez, naturalmente, o resultado de uma série de circunstâncias em que fomos factores inteiramente passivos, começando pela própria gestação e prosseguindo pela infância, em que sobre somos moldados à imagem e semelhança dos que nos criam e dos que de mais perto nos acompanham. Mas depois chega a altura de outras influências e de outros ambientes, e , aí, tudo depende muito das pessoas que encontramos e dos locais que frequentamos, coisa que, se até certo ponto depende dos acasos, não deixa também de contar já, no entanto, com as nossas rejeições e as nossas escolhas, frutos certamente, uma e outras, quer de factores genético-heriditários, quer da maneira como até aí fomos tratados (educados).
Bom, meu amigo, quase sem dar por isso pus-me para aqui a filosofar. E tudo isso por estar a pensar no que me tem dito sobre o estado de saúde do seu pai.

... Ocorreu-me um dia destes que o seu pai faz parte da geração dos “cangarinos”, mas ele não era um deles. Pergunte-lhe se ele ainda se lembra disso. O Manuel Gomes é capaz de nunca ter ouvido falar de tal coisa, já que a sua duração foi efémera. E consistiu no seguinte:
Quando o seu pai tinha entre 17/20 anos, aos da sua geração que andavam a aprender um ofício ou que tinham acabado de aprendê-lo ainda há pouco tempo (pedreiros, carpinteiros, serralheiros, etc.) deu-lhes para se julgarem gente superior e entrarem numa de descriminarem os então chamados trabalhadores do campo (a classe bruta, como eles diziam), atitude essa que se tornou mais notória na organização de bailes só para eles e para as suas irmãs e namoradas. Ainda me lembro de um desses bailes ter sido realizado no que então era um celeiro do Barbosa, por baixo de onde era a escola primária (eu morava ali perto), e de ter visto alguns trabalhadores do campo, entre eles o António Cavaco, cá fora, a apuparem os “cangarinos”. E os “cangarinos” eram o Duarte Cruz, o Manuel Inácio, o João Nunes, o Abel Júlio, o Xico Braga, o Xico da Mariana, entre outros dessa geração. Mas isso passou-lhes depressa, e a geração seguinte, aquela a que já eu, mais ou menos, pertencia, não padeceu desse mal.
Não sei como é que surgiu essa designação de “cangarinos”, termo que nem encontro nos dicionários, mas que era uma designação engraçada, lá isso era.
... Por hoje fico por aqui, mas acho que vamos ter muito que conversar, o que, naturalmente, iremos fazendo paulatinamente, ao sabor do que nos for ocorrendo e do que é caracteristico em quaisquer conversas: serem elas como as cerejas.

Um grande abraço para si e outro para o seu pai. Cumprimentos para o resto da Família. O meu filho António agradece e retribui o seu abraço.


Guilherme Afonso "