Ao olhar para esta
fotografia não posso deixar de me recordar desses tempos maravilhosos que a
todos, os que andaram nessas andanças do futebol, marcaram de uma forma muito
particular. No Pombalinho vivia-se tempos de ausência da sua equipa de futebol
nos campeonatos regulares da então denominada FNAT. Não me lembro de quais as
razões, mas de facto a nossa terra ao não integrar essa competição, ficou com
menos brilho naquelas tardes de domingo em que fazíamos verdadeiras
peregrinações em direcção ao antigo campo das Ónias!
Aquela geração de ouro da
qual fizeram parte o Zé Gomes, o Carlos Feijão, o Zé Guilherme, o Ezequiel Leal,
o Manuel Barão, o Ezequiel Mateiro, o Zé Leal e tantos outros, tinha chegado ao
fim e a sua sucessão possivelmente não foi devidamente preparada de modo dar
continuidade à participação do Pombalinho nesses campeonatos regionais de
futebol.
Tínhamos vivido a nível nacional, a brilhante participação de Portugal
no Mundial de 66 e o entusiasmo sentido era propício a que o futebol fosse tema
de empolgação nas vidas de muita gente. Joaquim Meirim, o fenómeno Meirim, tinha
tomado conta das paixões futebolísticas e no Pombalinho sentia-se uma vontade
enorme de fazer renascer a sua equipa de futebol. O timoneiro dessa aventura
foi um homem chamado Heliodoro da Silva Bacalhau, tratado simplesmente
por Sevilha,
devido à profissão de barbeiro que abraçou assim que chegou do cumprimento do
serviço militar por terras de África. A sua barbearia localizada mesmo ao lado
do palacete Barão de Almeirim, onde em tempos no mesmo ofício tinha sido de
António Barbeiro, era o local de contágio a um conjunto de jovens ávidos em
calçar as chuteiras e
vestir as camisolas representativas da sua terra. Dos planos à sua
concretização foi num ápice e o grupo naturalmente disse presente ao desafio
do Sevilha.
Os treinos eram sistematicamente ministrados "à Meirim", corridas nocturnas
(pois durante o dia era para trabalhar para uns e outros para estudar em
Santarém) até ao Chões, passando no regresso pelo Reguengo, Alverca grande e
Pombalinho. Depois era banho com água fria na Casa do Povo , porque água
aquecida pelo esquentador ainda era considerado um luxo nesses anos setenta do
século passado. E pronto, lá estávamos atleticamente preparados para o início
do campeonato, não éramos tecnicamente muito habilitados, mas tínhamos uma
condição física que causava inveja a outras equipas do nosso grupo.
E esta
fotografia, curiosamente vista pela primeira vez por quem escreve estas linhas, ao fim de trinta e seis anos, retrata exactamente o Sevilha tal
como ele era nessa sua missão de treinador do glorioso Vera Cruz Futebol
Clube..., sorridente em qualquer circunstância e sempre com uma fé inabalável
nos seus jogadores.
Resta-me dizer que esta foto só foi possível ser publicada neste espaço, porque
o Heliodoro da Silva Bacalhau chamando-me á sua actual barbearia situada na
Estrada Real, retirou-a de uma parede onde estava religiosamente pendurada e
disse-me: Manel,
leva-a, tira uma cópia para ti e traz-ma quando quiseres!
E eu digo-lhe daqui: Muito
Obrigado, Sevilha, por me teres possibilitado este pequeno texto, sentido...
sobre o nosso Pombalinho!
Para a memória colectiva, de pé e da esquerda para a direita, Heliodoro da
Silva Bacalhau “Sevilha”, António Carlos, Alexandre, Coradinho, António Brás,
Hermínio Feijão, Manuel Gomes , José Gomes e Carlos Cavaco. De joelhos e pela
mesma ordem, José Correia, Carlos Moura, Carlos Melão, Miguel da Costa, António
Carlos “Nonin” e
Júlio Légua.
Como curiosidade, neste jogo realizado no campo das Ónias a contar
para a taça da FNAT, defrontamos o Muge e perdemos por 0-4.