Manuel Sabino Duarte
"Veca" foi uma figura incontornável da Feira do Cavalo. A sua
assiduidade neste mais importante evento realizado na Golegã, foi um de valor
inestimável para a região e para todos os que se habituaram a
admirá-lo na sua elegante e graciosa presença, sempre
que "desfilava" as suas montadas na famosa manga do
Arneiro.
Homem desde sempre
ligado ás lides do campo e aos cavalos, foi com estes que se cruzou
ao longo de uma vida dedicada ao ensino da arte equestre. O texto que serve de
suporte à fotografia deste post,
da autoria de António Costa e por si publicado em Outubro de
2011, é bem revelador dessa sua grande paixão.
Complementam esta
publicação, dedicada ao decano
dos Cavaleiros de Santarém e do Ribatejo, três vídeos
realizados pela Associação dos Amigos da Escola Agrícola de Santarém. Numa
entrevista dividida em três partes, "Veca" proporcina-nos uma viagem
por tempos vividos nos campos do Pombalinho e do seu percurso
como aluno na Escola Agrícola de Santarém. O cavalo, esse, nunca
deixou de estar presente!

"O Veca
foi em vida um caso importante de um predestinado para determinado tipo
de equitação. As passages e os piaffers que ele sacava aos cavalos eram
brilhantes. A empatia e a cumplicidade que criava entre ele e os animais que
trabalhava eram de tal dimensão que muitos tinham dificuldades em acoplar-se
aos seus cavalos. Vi-o por vezes montado em animais que não eram acima da média
e que conduzidos por ele apresentavam um “gesto” que em nada correspondia ao
valor que aparentavam.
Foi ao Veca que
António Ribeiro Telles confiou o Gabarito, o Damasco, o Zinco e mais alguns em
determinada fase do seu arranjo. Recordo-me de um (companhia das Lezírias) em
que o António toureou e que lhe comprou já arranjado, que pregava piruetas
verdadeiras (não confundir com piruletas…) e que sacou nas cortesias quando se
encerrou com 6 toiros em Almeirim tirando nesse dia partido da pirueta inversa,
que é tão raro ver.
Assisti á sua
alternativa com meus pais em Viseu, que lhe foi concedida por Mestre Manuel
Conde, na feira de S. Mateus no Fontelo onde todos os anos íamos. Vi-o tourear
algumas vezes, recordo-me de Cascais era então empresário Nuno Salvação Barreto
e em Tomar quando um toiro entrou pela porta dos cavalos.
Depois da morte
de seu filho com um ataque cardíaco, filho esse que já tinha tido uma lesão
grave num rim num jogo de Rugby, psicologicamente quebrou muito, mas
rejuvenescia de conversa pronta , quando o tema era o cavalo.
A última vez que
estivemos juntos foi este ano numa corrida do principio de época em Santarém.
Havia espaço e sentámo-nos ao lado um do outro para trocar impressões.
Guardo muitas
recordações sobretudo da feira de S. Martinho, mas talvez a principal seja no
baptizado do João Telles Júnior, em que fiquei na mesma mesa com ele e com o Zé
Eduardo Nunes cruzando os três a boa e a má equitação em exercícios de
pensamento livre que por vezes confluíram e outras não.
Meu caro Veca,
partiste e os apaixonados da Golegã vão sentir a tua falta, e do espectáculo
que era ver-te apresentar um cavalo em cujo o arranjo não faltava uma reverance
segura sem tibiezas.
Veca sabias como
poucos pôr um Sombrero.
Veca contigo
partiu um pouco do Ribatejo dos campos de oiro, e das “Portas do sol” o
lendário trovador, rezará em silencio uma ode a Manuel Sabino Duarte ( Veca
p’rós amigos.)"
António Costa
Manuel Sabino Duarte entrevistado pela Associação dos Amigos da Escola Agrícola de Santarém.