23 agosto 2008

Barão de Pombalinho


António de Araújo Vasques da Cunha Portocarrero, 1º Barão de Pombalinho (título criado por D Maria II, Rainha de Portugal, por decreto de 08 de Maio de 1837) é oriundo de uma notável família portuguesa descendente de Dom Raimundo Garcia, a quem o conde de Portugal Dom Henrique de Borgonha doou o couto de Portocarreiro, senhorio de que tomou o nome Dom Raimundo Garcia de Portocarrero .

Nasceu no Porto em 20 de Abril de 1781 e é filho de Francisco Luís de Brito de Araújo e Castro e de Ana Luísa da Cunha Coutinho Osório e Alarcão de Portocarrero.
Sua mãe, 14ª Sra. da Quinta da Torre em Villa Boa de Quires nasceu a 27 de Novembro de 1746 e morreu a 6 de Maio de 1801 tendo casado por três vezes: 1ª com Filippe Carneiro de Faria Pereira Manso, senhor dos Morgados da Parreira e da Serieira, Capitão Mor de Ourém; 2ª em 1777 com Francisco Luíz de Brito Araújo e Castro, senhor da Casa de Casal de Soeiro no Concelho dos Arcos, Cavaleiro da Ordem de Chr e Desembargador do Porto , que nasceu a 12 de Março de 1733 e morreu a 20 de Fevereiro de 1793; 3ª com o Desembargador José Cândido de Pina e Mello.

Casou em 1812 com Rita Mariana Giralda Freire, viúva de Manuel Nunes Gaspar e mãe de Manuel Nunes Freire da Rocha, 1º Barão de Almeirim.
Foi condecorado com a Cruz Ouro da Guerra Peninsular, na qual serviu, principiando em Capitão de Cavalaria na Leal Legião Lusitana e finalizando em major do Regimento Nº3, Posto de que se demitiu. Em 1833 prestou importantes serviços à causa da Rainha, foi Governador-Geral do Distrito de Santarém em 1846 e Comandante do Batalhão Móvel dos Voluntários de Santarém.

Almeida Garrett a ele se refere nas Viagens na Minha Terra: “No caminho encontrámos o nosso antigo amigo, o Barão de Pombalinho, - barão de outro género, e que não pertence à família lineana que nesta obra procurámos classificar para ilustração do século -, cavalheiro generoso, e tipo bem raro já hoje da antiga nobreza das nossas províncias, com todos os seus brios e com toda a sua cortesia de outro tempo, que em tanto relevo destaca da grosseria vilã dessas notabilidades improvisadas...
Vinha em nossa procura para nos guiar. Seguimo-lo.”

No Diccionario bibliographico portuguez, é referenciado por Innocencio Francisco da Silva, “Em uma contenda forensa , suscitada entre elle (Manuel Vieira da Silva, médico) e António de Araújo Vasques da Cunha, que morreu barão de Pombalino, por parte dos herdeiros de Manuel Nunes Gaspar, capitão-mór de Santarém, sobre a validade da mercê que D.JoãoVI fizera ao physico-mór de uns accrescidos no denominado monchão dos Coelhos, próximo às lezírias do Ribatejo, publicaram-se de ambos os lados pela imprensa memorias em que cada um dos contendores allegava os seus direitos contra os do adversário...”



 António de Araújo Vasques da Cunha Portocarrero , morreu em 10 de Maio de 1855.



16 agosto 2008

1º Barão de Almeirim







Sempre que por ali passamos uma curiosidade imediata nos ocorre! Que é de sabermos que pessoas ou histórias estarão ligadas à existência deste palacete situado na rua principal do Pombalinho! Já aqui publicamos um valiosíssimo documento histórico em que nele se descreve o que aconteceu nessa trágica noite de 9 de Dezembro de 1870, mas como a informação e bem, continua-nos a propor desafios irrecusáveis no enriquecimento deste espaço sobre a nossa terra, debruçamo-nos hoje de uma forma mais pormenorizada sobre a família detentora dos direitos de propriedade deste belo edifício situado na antiga Rua da Igreja.

O seu mais ilustre proprietário, talvez tivesse sido Manuel Nunes Freire da Rocha , 1º Barão de Almeirim que nasceu a 28 de Setembro de 1806 em Santo Estêvão do Santíssimo Milagre, Santarém. Era filho de Manuel Nunes Gaspar e de Rita Mariana Giralda Freire, foi aluno do Colégio Militar, fidalgo cavaleiro da Casa Real, Cavaleiro Professor na Ordem de Cristo, 3º Senhor do paço das Lameiras, deputado em várias legislaturas e Governador-Geral do distrito de Santarém. Sua família foi proprietária de várias terras no Pombalinho, como a Quinta do Outeiro, Mouchão da Velha, Quinta da Melhorada, Fonte Santa, Tapada do Secretariado e Mouchão do Inglês, assim como do prédio rústico e respectiva horta, situados na rua com a actual designação de Barão de Almeirim.

Manuel Nunes Freire da Rocha, casou em Lisboa com Luísa Maria Joana Braamcamp de Almeida Castelo Branco a 28 de Outubro de 1835 de quem teve três filhos, Maria Inácia Braamcamp Freire da Rocha, Manuel Nunes Braamcamp Freire 2º barão de Almeirim e Anselmo Braamcamp Freire, escritor, historiador, arqueólogo e genealogista.



Clarisse Braamcamp Freire


Alguns dos seus descendentes ficaram ligados historicamente ao Pombalinho por razões marcantes das suas vidas como foi o caso de sua neta e filha de Manuel Nunes Braamcamp Freire 2º Barão de Almeirim, Clarisse Braamcamp Freire , que casou nesta aldeia em 28 de Abril de 1913 com José Soares Pinto de Cabedo e Lencastre, Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, ou de outro seu neto e irmão da mesma Clarisse, Manuel Braamcamp Freire 3º barão de Almeirim, que na mesma terra faleceu em 18 de Novembro de 1912. Também quatro suas bisnetas, filhas de Carlos Braamcamp Freire 4º Barão de Almeirim, ao Pombalinho ficaram igualmente ligadas por questões de natalidade, foram elas, Maria Luísa Braamcamp Freire que nasceu em 28 de Agosto de 1903, Maria Isabel Amado Braamcamp Freire , conhecida por "Nicha" que nasceu em 29 de Setembro de 1913, Maria da Madre de Deus Amado Braamcamp Freire , conhecida por "Piinha" que nasceu em 17 de Maio de 1915 e finalmente Maria Inácia Amado Braamcamp Freire , conhecida por “Naça”, que nasceu em 9 de Junho de 1922.
Sua mãe, Rita Mariana Giralda Freire , por ter ficado viúva de seu pai Manuel Nunes Gaspar, casa em segundas núpcias com o barão do Pombalinho, António Araújo Vasques da Cunha Portocarrero.

Seus descendentes deixaram em regime de depósito no Arquivo da História Social do Instituto de Ciências Sociais o espólio da "CasaBarão de Almeirim" , cujo inventário oscila entre os anos 1794 e 1959.


Manuel Nunes Freire da Rocha veio a falecer em 16 de Julho de 1859.





25 julho 2008

Mascarilhada em 1900!






No verso desta fotografia está escrito “Uma mascarilhada da Azinhaga”! Supõe-se  ter sido realizada em 26 Fevereiro de 1900. Segundo opinião emitida por Joaquim Mateiro e confirmada depois de uma atenta visualização a este registo que Fernando F Barreiros nos enviou, trata-se de figurantes talvez naturais da nossa vizinha Azinhaga,  mas o local do desfile é efectivamente no Pombalinho!

 Mas vamos ao texto que nos enviou o Joaquim a propósito desta “mascarilhada”: "... nesta manifestação o que vejo na foto que seja da Azinhaga, talvez os figurantes mascarados em cima de cavalos e os burros com cornos? Talvez a isso se chamasse mascarilhada nessa época!? De resto tudo o mais é Pombalinho, a fotografia foi tirada na rua da Igreja, rua de Cima e hoje rua Barão de Almeirim, o edifício que está junto da minha actual casa é o mesmo da época de 1900, as pessoas que estão à janela no 1º andar são familiares do nosso amigo Fernando Furtado Barreiros, porque o seu primo António José Barreiros que ali nasceu, contou-me esse facto num dia de convívio que com ele tive quando iniciei a minha actividade de autarca e ele exercia o cargo de Presidente da Junta de Freguesia de Marvila - Santarém no período de 1990 até 1993. Viveu muitos anos em Angola onde desempenhou a profissão de Engenheiro Agrícola e faleceu o ano passado em Santarém. Mas voltando à fotografia, o edifício mais alto com porta central e vestígios de um qualquer brasão por cima desta, é a adega que pertenceu à família Canavarro e mais ao fundo avista-se as ruínas do palácio do Sr. Barão de Almeirim que foi destruído por um incêndio na noite de 09 de Dezembro de 1870! Só começou a ser reconstruído alguns anos depois de 1900. Do palácio antigo pouco ou nada corresponde ao edifício primário que hoje existe, embora bonito é apenas um prédio antigo!"


Colaboração fotográfica - Fernando Furtado Barreiros

Colaboração texto - Joaquim M Barreiros Mateiro






21 julho 2008

Trabalho na eira em 1911!






Na descoberta e divulgação de verdadeiros tesouros sobre a vida colectiva do Pombalinho temos hoje o grato prazer e por gentileza novamente de Fernando Furtado Barreiros, de apreciarmos mais uma fotografia única sobre a nossa terra! É um registo da mesma eira que anteriormente publicamos mas valorizada pelo facto de captar em segundo plano, o casario onde hoje ainda se situa a antiga Escola Primária, a casa onde viveu Manuel Coimbra Barbosa e as actuais instalações da Junta Freguesia.

No verso da mesma e por indicação prestável do nosso amigo Fernando F Barreiros está inscrita a legenda: Eira de Júlio Barreiros em plena actividade (trigo) – Pombalinho 1911 , fazendo logo de seguida o seguinte comentário adicional que nos enviou via mail: “Situada em frente da casa dos Arcos, visível ao fundo, residência de Júlio José Barreiros, na então chamada Rua Direita ou Rua do Campo, hoje Carolina Infante da Câmara, nº75. À esquerda o lagar e a escola. À direita a casa do Barbosa. O palheiro e a casa de Alice Câmara Barreiros, existentes entre a casa dos arcos e a casa do Barbosa , não são visíveis. Na casa de Alice Câmara Barreiros vivia o Manuel Melão (feitor de Júlio Barreiros). Posteriormente ocupada por Júlio Câmara Barreiros quando se casou e onde nasceu a primeira filha do casal, Alice Furtado Barreiros.”

A Casa dos Arcos, a que se refere Fernando F Barreiros, suscita do Joaquim Mateiro também o comentário de que “ só foi sede da Junta de Freguesia em 26 de Setembro de 1977 quando foi doado o edifício pelo senhor Manuel João Barbosa e sua esposa Dona Maria Manuela Coimbra Barbosa durante a presidência de Francisco Brás Barrão Júnior”, não deixando de realçar ainda sobre a fotografia “ ...estou atento a todos o s pormenores como sempre, vejo as máquinas, as pessoas, o monte e os sacos de trigo, as forquilhas e as pás, o carro de bois com um grande barril de água para alimentar a máquina a vapor, o edifício da antiga Escola Primária, a casa dos Arcos como lhe chama o nosso Amigo Fernando Barreiros, onde residia o seu avô....”


Enfim, mais um importante documento que orgulhosamente publicamos nesta bonita caminhada histórica sobre a nossa terra!


            Colaboração Fernando F Barreiros e Joaquim B Mateiro,







17 julho 2008

Trabalho na eira!





Esta fotografia transporta-nos para tempos em que as eiras ainda eram locais imprescindíveis a uma das fases importantes do longo processo de cultivo do milho por terras do Pombalinho. Foi registada numa que então existiu há muitos anos em frente ao edifício onde hoje está instalada a Junta Freguesia e mostra-nos a sequência das várias etapas pelas quais o milho passava depois de apanhado nas searas .

As maçarocas amontoadas eram normalmente descamisadas pelas mulheres já que outras incumbências estavam destinadas aos homens, sendo essa tarefa executada criteriosamente de modo a que as melhores camisas (as mais macias e brancas que estavam junto à maçaroca) fossem separadas das restantes de forma serem aproveitadas e utilizadas no enchimento dos colchões. Depois ficava a maçaroca já limpa como se pode verificar num monte situado entre as duas mulheres da fotografia e finalmente surgia um outro de carolos (nome dado à maçaroca depois de debulhada), indiciando que por ali o milho já estava muito próximo do seu armazenamento.

Também muito curiosa é a presença de uma máquina enfardadeira accionada por um gerador a vapor, que servia como o próprio nome indica para fazer fardos, sendo neste caso fabricados a partir das camisas de menor qualidade e com eles proporcionar alimento aos animais durante o inverno. A posar para o fotógrafo está Júlio José Barreiros, proprietário desta eira e avô de Fernando Furtado Barreiros!


Colaboração fotográfica - Fernando Furtado Barreiros 






12 julho 2008

Uma questão de ética!!!!




Por gentileza de Fernando Furtado Barreiros, chegou-nos  uma carta escrita por seu avô, Júlio José Barreiros,  na qualidade de Presidente da Paróquia do Pombalinho e dirigida ao Administrador do Concelho de Santarém no ano de 1911.





     Exm°. Cidadão Administrador do Concelho de Santarém


Devo informar V. Ex3 que a Junta de Parochia do Pombalinho não pode continuar a exercer o seu lugar por estar ilegalmente constituída.
Júlio José Barreiros, Manuel José Barreiros, Manuel Cypriano Barreiros e Augusto Rodrigues Cotta têm entre si parentescos em grau que lhe fica proibido pelo Art. 10°. do Código Administrativo em vigor o administrar juntos em qualquer corporação. No mesmo caso se encontram Júlio da Silva Freire com Manuel José Rodrigues. Em face das lei deveriam ser preferidos para exercer os logares desta corporação os Cidadãos Manuel Cypriano Barreiros, Augusto Rodrigues Cotta e Manuel José Rodrigues, todos doentes e com motivo para escusa (Ar°. 8, N°. 2 do mesmo código) e mais Manoel Ignácio da Silva, Manuel Martinho Gameiro e António Albano da Silva Nunes substitutos, mas os únicos aptos (perante a lei) para dentro da actual Junta exercerem o seu mandato.
Por tudo o que informo V. Exa. e mais ainda porque moralmente não posso admitir que estando há tanto tempo n'este lugar, embora tenha trabalhado quanto me tem sido possível para adquirir para a minha administrada o que de justiça lhe pertence, nada tenha conseguido, venho mui respeitosamente pedir a V. Exª. que se digne fazer chegar às mãos do Ex°. Snr. Governador Civil do Distrito de Santarém o requerimento junto. Pombalinho, 25 de Janeiro de 1911.

O Presidente da Junta de Parochia do Pombalinho Júlio José Barreiros




03 julho 2008

Pombalinho em 1900!!!






É uma fotografia de rara beleza e de enorme significado histórico, esta a que vos apresento hoje aqui no “Pombalinho”. Foi-me gentilmente enviada pelo Joaquim Mateiro que por sua vez a recebeu via mail de Fernando Furtado Barreiros, bisneto de Hilário José Barreiros e neto de Júlio Barreiros.

É um daqueles registos que  provocando uma contemplação que ultrapassa um simples reparo de circunstância, transportando-nos  para a curiosidade de saber o que se teria ali passado bem frente à nossa Igreja Matriz que justificasse tão grande ajuntamento de Pombalinhenses! O ano da fotografia é de 1900 segundo informação de Fernando F Barreiros e nesses tempos, fazendo fé nalguns escritos existentes, eram frequentes as cheias do Tejo alagarem interiormente a Igreja, o que nos leva a colocar como forte possibilidade nesta imagem, se ela não terá a ver com a reparação do chão circundante após o rescaldo de uma dessas inundações! Pelo amontoado de pedras, possivelmente, arrancadas pela força das águas, também pelo desnivelamento do chão e finalmente pela presença de um "cilindro" em pedra para alisamento do mesmo (eventualmente puxado por tracção animal), leva-nos a concluir que assim tivesse sido!

 Um outro aspecto é o ajuntamento de tanta gente no largo da Igreja! Relacionando pequenos pormenores visíveis na fotografia dos quais destacamos as roupas vestidas e a presença de alguns homens com chapéu de aba larga (próprio de alguém socialmente superior em relação aos demais), podemos sugerir que aquele encontro se tenha passado num daqueles domingos em que a "praça" marcava o destino de muitos trabalhadores seleccionados para a semana de trabalho que se avizinhava.

 Mas apesar desta fotografia suscitar outras interpretações, é na verdade muito bela! Até parece uma fotomontagem em que a Igreja Paroquial, em nada diferente quando comparada aos tempos de hoje, ali foi brilhantemente colocada na imagem desse longínquo dia 26 de Fevereiro do ano de 1900!


Colaboração Fotográfica_Fernando Furtado Barreiros




25 junho 2008

Rancho da Adega



Tempos houve em que durante largos meses do ano uma considerável parte da população activa do Pombalinho, trabalhava exclusivamente no amanho das vinhas e no seu acompanhamento até à produção do tão famoso néctar extraído das cepas que proliferavam em enormes extensões pelos campos da nossa terra. Quase todas as casas agrícolas faziam depender da produção do vinho uma das suas grandes fontes de receitas e a paisagem agrícola dessas imensas áreas de vinhedos que então existiam, era substancialmente mais equilibrada quando comparada com a de hoje! As searas de produção maciça do milho vieram agravar a questão da monocultura e deixam-nos a níveis de observância tão baixos que o prazer de podermos usufruir das paisagens de campos cultivados da nossa terra em certas alturas do ano, se tornou numa verdadeira miragem!

Mas enfim, o tema de hoje é adegas e na verdade muitas existiram no Pombalinho em tempos não muito distantes, contribuindo para uma vida social muito diferente e dando um movimento à nossa terra que só de lembrarmos as quantas vezes que sorrateiramente fintávamos o boieiro para tirarmos um belo cacho de uvas das dornas que seguiam no carro pachorrentamente em direcção ao lagar, nos arrepia a alma! Existiram a funcionar em pleno, as adegas das famílias Menezes e Canavarro ali na rua Joaquim Piedade da Silva, uma outra na Rua de Santo António, outra mais recente no cruzamento da Rua 5 de Outubro com a Rua António Eugénio de Menezes, a Adega Nova na Estrada Real ( assim chamada por ser de construção recente em relação às então existentes) e outras mais de reduzidas dimensões quando comparadas com estas mas onde igualmente se fazia vinho em quantidade que superava largamente as necessidades familiares.

Estas fotografias que escolhi para ilustrar esses tempos vividos ainda bem longe da mecanização que hoje predomina nos campos agrícolas, foram gentilmente cedidas pelo Guilherme Afonso em 25 de Maio de 2007 com opinião um pouco crítica quanto à insuficiente qualidade das mesmas! Pois bem, elas aqui estão..., independentemente de terem ou não a qualidade desejada, o que importa mesmo é que se fale da nossa terra e das suas histórias, fazendo jus à ideia de que “nenhum futuro se constrói sem memórias!” Nós tentaremos seguir por aí!





Esta fotografia foi registada por Guilherme Afonso na Adega Nova em 3 de Outubro de 1949. De entre outros, reconhecem-se A. Vieira, João Cunha, Alfredo Girão (encarregado dos Meiras), Júlio Lopes, Júlio Cleto, Joaquim Inácio, Joaquim Abadeço, José Sobreiro, Manuel Pombo, Manuel Mira, Francisco Gaião, Ricardo Maria, Artur Maria, Joaquim Anastácio, Joaquim Ludovina e José Justino.


 





 

Fotografia também tirada em 03 de Outubro de 1949. Da esquerda para a direita, Manuel Pombo, Guilherme Afonso e José Sobreiro.





 

21 maio 2008

Maioral Angelino!






Esta fotografia foi-me oferecida por uma daquelas pessoas que dificilmente deixará de figurar no percurso histórico da minha juventude! Um dia destes, num encontro fortuito que aconteceu no restaurante “Bacalhau”, chamou-me à parte e disse-me:

Manel, tenho em minha casa umas fotografias que talvez possam ter algum interesse para publicares na internet. É evidente que dali já não saí e pouco depois na minha frente, enquanto acabava de almoçar, lá estava o nosso amigo com um envelope de correio de onde começou a retirar verdadeiros tesouros fotográficos que me deixaram completamente embevecido de alegria. Fiquei entusiasmadíssimo, pois a aventura de contar histórias sobre o Pombalinho, tinha-a iniciado muito recentemente e agora ali à minha inteira disposição estava material que em muito me poderia ajudar na continuação deste projecto sobre a nossa terra.

Inseri a primeira fotografia em 21 de Fevereiro e depois outras ao longo do ano de 2007 mas uma delas sempre foi ficando para trás, como se motivo faltasse para uma sua justificada publicação. Mas hoje quando a olhei de forma diferente e a li como antes o não tinha feito, verifiquei o óbvio: a vida é realmente feita de ligações tão fortes que imerecidamente nos esquecemos dos potenciais valores que encerra neste admirável mundo em que vivemos e esta fotografia que acabara de contemplar é um testemunho exemplar de relacionamento afectivo em hora de dar e receber, numa ligação de vida entre o ser humano e outras espécies animais. Pena é que devido à industrialização demolidora da vida agrícola dos nossos campos, imagens destas sejam cada vez mais raras nos dias de hoje!

No verso da fotografia está manualmente escrito a seguinte informação: "maioral Angelino, avô da Aurora , ano 1921".




15 maio 2008

Fotografias !!!















Estas duas fotografias à primeira vista não têm nada de comum entre elas! Na primeira desfruta-se claramente de um daqueles passeios domingueiros que se fazia frequentemente nos tempos em que as bicicletas eram as rainhas do transporte individualizado, reconhecem-se o João Marcano e o Jerónimo Mogas. Na segunda contrariamente em relação à anterior, trabalha-se e recorda-nos o tempo do aluguer ao nível do transporte de mercadorias e bens, no qual a família José Leal (pai e filho) exploraram essa actividade profissional por muitos anos no Pombalinho e arredores. Reconhecem-se como intervenientes activos neste frete de areia, o Diamantino Vieira e o Zé Leal.

Ah é verdade!!! O que as duas fotografias tão diferentes tem de comum é que foram registadas ambas no Reguengo de Alviela.






16 abril 2008

Folclore II



Já aqui nos referimos a esses tempos ímpares do folclore da nossa terra. Por mais que tentemos encontrar uma justificação para tanta disponibilidade e amor (porque não dizê-lo) a uma forma lúdica mas simultaneamente tão bairrista de preencher o tempo, só mesmo "entrando" pela porta desses tempos é que poderíamos compreender o apego que estas pessoas demonstravam na defesa e glorificação do que lhes pertencia. E se para o fazer tivesse que ser a dançar, tanto melhor! Afinal a musicalidade estava sempre bem presente no íntimo destas pessoas enquanto trabalhavam no campo e a dança é uma das mais belas formas de expressão artística ligada de forma muito característica aos meios rurais do nosso país.


Nos testemunhos fotográficos que hoje publicamos, só possível por amabilidade do nosso amigo Guilherme Afonso, damos-vos conta de actuações folclóricas que decorreram no ano de 1955.







Grupo Folclórico do Pombalinho, em frente à Igreja Matriz no dia 22 de Fevereiro de 1955. O acordeonista era o nosso bem conhecido, António Rufino.










Outra imagem do mesmo Grupo Folclórico, registada na Quinta da Melhorada, com António Rufino como acordeonista.










Nas actuações que este Grupo fez fora de portas (segundo Guilherme Afonso) , Alpiarça foi uma das localidades que ficou no roteiro por onde o Pombalinho deixou bem representada a sua matriz folclórica.








Outra imagem da actuação do Grupo Folclórico, em Alpiarça.









10 abril 2008

Gente bonita!







Normalmente tem existido uma preocupação de publicarmos fotografias que possuam motivos referenciais com histórias ou simplesmente factos que tivessem como protagonistas as gentes da nossa terra. Nesta que hoje escolhi para integrar a galeria visual do Pombalinho, encontrei-a por acaso de entre outras mais que se encontram arquivadas na directoria do disco do meu computador que designei por "Para publicação" ! Confesso que não lhe encontro ligação com algum evento particularmente representativo que tenha ocorrido na nossa terra, mas pela postura simpática de todo o grupo, arrisco a prever que algo de especial aconteceu no preciso momento em que o fotógrafo passava pelo cruzamento da Rua 1º de Dezembro com a Rua Manuel Monteiro Barbosa !!! Aqui fica pois, o registo!





04 abril 2008

Dr. Victor Semedo


Falar de Victor Semedo é um dever de quem do Pombalinho ousou  percorrer este caminho de histórias sobre pessoas e lugares marcantes para muitos de nós nos últimos tempos de vida colectiva da nossa terra. Penso deste modo que não será excessivo dizer desta simpática individualidade franzina mas sempre de uma enorme disponibilidade para o serviço público, que hoje dificilmente encontraríamos alguém na área da medicina que voluntariamente optasse, como ele o fez, por uma dedicação exemplar aos cuidados de saúde dos Pombalinhenses e demais populações nossas vizinhas.


Não fui muitas vezes, felizmente, consultado pelo Doutor Semedo. Lembro-me de a ele recorrer devido a algumas amigdalites já  em estado de inflamação avançada e nada mais do que isso, mas todos nós, creio, que por razões familiares sabemos quanto foi importante o desempenho do Dr. Victor Semedo na assistência médica domiciliária em situações de saúde mais agudas. E a população do Pombalinho sabia perfeitamente que de bicicleta ou mais tarde de automóvel, ele sempre acabava por pedir licença para entrar, depois de bater à porta, independentemente da hora do dia a que fosse chamado. E por isso muito justamente ficou registado na vida colectiva de todos nós, o agradecimento que os Pombalinhenses lhe quiseram prestar numa bonita Festa de Homenagem realizada em 1982.






Maria Luísa Narciso durante o uso da palavra na entrada das instalações da Junta de Freguesia.
Em representação oficial estiveram presentes, Francisco Barrão, Ladislau Teles Botas e Costa Braz.










Outro dos aspectos da cerimónia de homenagem ao Dr. Victor Semedo.









Dr. Victor Semedo rodeado por Ana Leal, Georgina, Maria Júlia, Maria Luísa Narciso e Diamantina Carvalho.










Num ambiente de grande cumplicidade, todos quiseram estar com o nosso médico de família. Reconhecem-se de entre outros, Ana Leal, Francisco Barrão, Georgina, Maria Luísa Narciso, Diamantina Carvalho, o homenageado Victor Semedo, Ladislau Teles Botas e Maria Júlia.








Victor Reis, Victor Semedo e Olimpia Borges.









Virgínia de Jesus



 aqui nos tínhamos referido ao Doutor Victor Semedo, mas nunca será demais no que nos é possível, mantermos viva a memória do seu contributo como médico e homem no bem-estar das gentes do Pombalinho.





Colaboração fotográfica_ Maria Luísa Narciso








24 março 2008

Bateiras!


Depois do Domingo de Páscoa, o dia seguinte entra inevitavelmente na vida de muitos que fizeram das Bateiras um dia de alegre confraternização por esses campos da nossa zona ribatejana.

Para reviver uma vez mais esse dia de tão peculiar significado, passemos por este bonito texto da Teresa Cruz e relembremos algumas fotografias que bem ilustram esses saudáveis ambientes criados à volta das Bateiras.


“Um pouco por todo o País é vulgar realizarem-se piqueniques na Segunda-Feira de Páscoa. Na nossa região, esse costume continua bem vincado e é daquelas tradições que têm conseguido ser transmitidas às gerações mais novas e felizmente, aceites por elas.
Na vizinha Azinhaga, o tradicional piquenique aparece ligado ao arraial da Senhora da Piedade cuja procissão se realiza no Domingo de Páscoa (segundo Augusto do Souto Barreiros – Azinhaga, Livro de Horas).
No Pombalinho, a tradição da Segunda-Feira das Bateiras não parece ter nascido com o mesmo cariz religioso, mas apenas de alegre e salutar convívio. O termo Bateiras parece, segundo alguma tradição oral, derivar da zona campestre onde se efectuaram os primeiros piqueniques e onde a tradição terá nascido. Provavelmente perto do rio Tejo (digo eu, já que “bateira” é um pequeno barco fluvial). Encontremos ou não a verdadeira origem dos festejos, o que importa é que a tradição ainda vai sendo o que era, e não é raro encontrar grupos de jovens ou menos jovens que, na Segunda-Feira de Páscoa (ou até na véspera) partem bem cedo para o campo, em busca do melhor local para se deliciarem com os melhores petiscos que cada um é capaz de preparar (sem micro ondas ou outros que tais, que o petisco sabe melhor preparado no próprio local e temperado com o melhor ar do campo).”

Teresa Cruz 13 Fevereiro de 2007.






José Barreiros, Luís Conceição, Manuel Barros, José Guilherme, Manuel Fonseca, Luís Alcobia, Chico Bento, Júlio Gabriel.








António Lobo e Manuel Bacalhau












Colaboração Fotográfica - Joaquim Mateiro/Maria Luísa Narciso/António Silva.





Nota – Para Blog das Bateiras clicar  AQUI  






08 março 2008

Manuel da Costa Braz


Já aqui falamos de Costa Braz, mas nunca é demais, em circunstâncias que nos pareçam sempre oportunas, referenciá-lo pelo contributo que deu ao país no desempenho de cargos de tão enorme responsabilidade política. O seu carácter de seriedade foi de tal maneira reconhecido por todos os quadrantes políticos da sociedade, que depois de ter ocupado por três vezes o lugar de Ministro Administração Interna , foi eleito pela Assembleia da República, Alto-comissário para a Corrupção e mais tarde Provedor da Justiça.

Devemos pois a Costa Braz, como conterrâneos mas acima de tudo como portugueses, uma enorme dívida de gratidão pela forma exemplarmente cívica como serviu Portugal em momentos de particular responsabilidade para o futuro do país.


Costa Brás

Debate de apresentação do programa do V Governo Constitucional.





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Debate de apresentação do programa do V Governo Constitucional. A primeira-ministra, Maria Lourdes Pintasilgo ladeada por Costa Braz e Loureiro dos Santos.





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Debate de apresentação do programa do V Governo Constitucional. A primeira-ministra, Maria Lourdes Pintasilgo ladeada por Costa Braz e Loureiro dos Santos.




Costa Bras 4


Estudou em Coimbra no Liceu D João III, onde chegou a acompanhar nas incursões musicais que então fez, António Portugal, Luís Goes e José Afonso.

Participou em reuniões na preparação e elaboração do Programa do MFA que serviu como linha programática à Revolução do 25 de Abril de 1974.

Participou no 1º Governo Provisório como Adjunto Militar do 1º Ministro Palma Carlos.

Foi Embaixador dos Serviços Externos do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Julho a Dezembro de 1975.

Ministro da Administração Interna dos II e III Governos Provisórios chefiados por Vasco Gonçalves, organizou o Recenseamento Eleitoral e preparou as Eleições para a Assembleia Constituinte ( as primeiras eleições livres em Portugal).

Ministro da Administração Interna do I Governo Constitucional chefiado por Mário Soares em Julho de 1976.

Ministro-adjunto para a Administração Interna do V Governo Constitucional chefiado por Maria Lurdes Pintassilgo.

Alto-comissário para a Corrupção, por nomeação do Governo e depois por eleição da Assembleia da Republica, entre 1983 e 1993.

Provedor da Justiça por nomeação do Presidente da Republica, general Costa Gomes, em Dezembro de 1975.


Administrador da Hidroeléctrica de Cabora Bassa, de 1979 a 1981 e seu Presidente do Conselho de Administração de 1993 a 1999.